Sunday, April 30, 2006

Lula cobra partido, defende governo e cita Dirceu e Palocci em encontro do PT

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Em um discurso de uma hora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço de seu governo, cobrou atitudes de seu partido com vistas às eleições e fez menções aos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci. Ele foi aclamado pelas mais de 1.000 pessoas reunidas no 13º Encontro do PT, mas não assumiu sua candidatura à reeleição presidencial.

O presidente se dirigiu ao microfone por volta das 19h25, quando foi recebido aos gritos pelos militantes, com slogans pedindo sua candidatura. Muito descontraído, Lula fez brincadeiras a todo o momento, dirigiu-se a diversas pessoas do palco e da platéia e no final se emocionou, quando alertou a militância do partido para que se preparasse para as eleições de outubro. "Nós vamos ter um enfrentamento grave. Vocês se preparem", disse ele.

Antes de seu discurso, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, já havia sinalizado que não seria hoje que Lula aceitaria a convocação do partido: "O PT está solidário com a sua decisão de só anunciar a sua candidatura quando achar melhor", disse Berzoini, referindo-se ao presidente da República.

Logo no início de seu discurso, ao cumprimentar as autoridades presentes no palco e localizar conhecidos na platéia, Lula identificou uma das personalidades mais aplaudidas da noite: o deputado cassado José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil."Esta aqui o nosso companheiro José Dirceu". A frase foi a senha para que Dirceu se levantasse e fosse bastante aplaudido. Militantes gritaram o refrão: "José Dirceu é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo". Pouco depois, Lula mencionou o ex-ministro da Fazenda, ao mencionar um "grande companheiro que estava ausente" e elogiar "a paciência do companheiro Palocci".

Thursday, April 27, 2006

Varig



JORNAL DO BRASIL

José Dirceu

Ex-ministro-chefe da Casa Civil

[27/ABR/2006]

Depois de três longos anos, a crise da Varig continua sem solução. Pior: agrava-se a cada dia, ameaçando a própria sobrevivência da companhia. Todas as tentativas de recuperação , via fusão, compartilhamento operacional, novos sócios, venda, fracassaram, não apenas pela resistência da Fundação Ruben Berta, do Conselho Curador e das diferentes entidades que representam seus pilotos e funcionários. Fracassaram, em alguns casos, pela fragilidade, pelo aventureirismo ou pela inviabilidade legal de propostas que acabaram servindo, apenas, para depreciar mais o patrimônio da empresa e seu principal ativo, a marca Varig.

O governo tem feito sua parte, não apenas oferecendo alternativas, invariavelmente rechaçadas pela Fundação Ruben Berta e, muitas vezes, pela própria direção da empresa. Mas a verdade é que são os créditos oficiais – na prática, verdadeiros empréstimos – concedidos pela Br Distribuidora, pela Infraero e pelo Banco do Brasil, que ainda mantêm a Varig no ar. Sem esse aval do governo, há muito os demais credores teriam pedido a falência da empresa, o mesmo destino da Vasp e da Transbrasil.

Todavia, o maior benefício prestado, pelo governo, à Varig, e às empresas brasileiras de um modo geral, foi a aprovação da nova Lei de Falências, agora Lei de Recuperação das Empresas. A legislação permitiu à companhia aérea, sob a autoridade do poder judiciário e da assembléia de credores, apresentar um plano de recuperação e se manter viva.

Como principal credor – ainda que seja também importante devedor devido às distorções tarifárias registradas no Plano Cruzado – o governo, não pode se eximir da responsabilidade na reestruturação da empresa, assumindo-a diretamente, de forma profissional e com base em decisão da Justiça.

Claro que há riscos nesse processo, dirão os privatistas de plantão. Neste momento, porém, nenhum risco se equipara ao da extinção da companhia, com o esfarelamento de todos os seus créditos fiscais, mais dívidas junto à Infraero, o BB e a BR. Não se trata, apenas, de preservar uma bandeira nacional nos céus da globalização – fato por si só estratégico num planeta convulsionado por guerras, terrorismo e incertezas territoriais. Trata-se, sobretudo, de manter o mercado interno livre de monopólios sob comando externo, numa área delicada, assegurando-se, assim, os interesses e direitos de passageiros e empresas que utilizam serviços.

A Varig não pode mais continuar sujeita a essa interminável novela de consultorias milionárias, de propostas inviáveis e obscuras, muitas vezes biombo para sócios ocultos no exterior, em dissimulada violação da legislação nacional. Seus funcionários e pilotos já entenderam que o risco maior é o desaparecimento desse patrimônio estratégico. Aceitam, portanto, o que parecia impossível: o sacrifício de cortar na própria carne, com redução de salários, planos voluntários de demissão e, mesmo, a venda ou a fusão da companhia, o que antes rechaçavam categoricamente.

Atingimos, portanto, um ponto de mutação na crise. Há maturidade para uma solução definitiva. Cabe à autoridade judicial orientar um plano de recuperação e reorganização, para posterior venda da companhia a investidores ou empresas nacionais, sem excluir a participação de empresas ou de capitais estrangeiros, dentro dos parâmetros da lei.

Todavia, quem tem que dirigir e coordenar esse processo é o maior credor, delegado da assembléia dos credores e do poder judiciário, ou seja, o governo federal, a União. O argumento de que não cabe, ao Estado, apoiar, subsidiar ou financiar empresas de aviação, é contestado pela própria realidade mundial. Todos os governos têm apoiado, subsidiado e, muitas vezes, literalmente resgatado do abismo, suas companhias aéreas em dificuldades. Mesmo nos Estados Unidos, onde as empresas são privadas, o apoio do governo é direto, permanente, ultrapassa a casa das dezenas de bilhões de dólares e não é contestado por ninguém.

A natureza específica da aviação comercial, que se entrelaça às questões de soberania e de segurança nacionais, exige legislação específica, bem como regime tributário apropriado e apoio institucional direto. Sempre foi assim e, agora, com o acirramento dos conflitos geopolíticos, esse entendimento, por parte da sociedade, é ainda mais urgente.

José Dirceu escreve às quintas-feiras no JB

Wednesday, April 26, 2006

OS DEBATES DO SEMINÁRIO "MÍDIA DA CRISE OU CRISE DA MÍDIA"? PODEM SER ACOMPANHADOS ON CLICANDO NO LINK

http://www.lavid.ufpb.br/~lincoln/dwebtv/v2/play.php?id=cultura

HORÁRIOS DE TRANSMISSÃO

DIAS: 26,27 E 28 DE ABRIL (QUARTA, QUINTA E SEXTA )
De 10h as 13h e De 15h as 18h

Apoio MINC, RNP e NCE/UFRJ

Tuesday, April 25, 2006

Nota de esclarecimento de José Dirceu sobre matéria publicada no jornal Valor Econômico do dia 24 de abril de 2006

NOTA À IMPRENSA
Tendo em vista a matéria "Consultoria de Dirceu é residência alugada a terceiros", veiculada pelo jornal Valor Econômico, na segunda-feira, dia 24 de abril de 2006, faço questão de esclarecer que:
- a empresa de consultoria José Dirceu & Associados S/C Ltda. foi registrada em cartório de registro civil em 19 de setembro de 1998, tendo como sede a rua Estado de Israel, 333, na Vila Clementino. Nesse mesmo endereço funcionou, entre 1994 e 1998, o escritório de advocacia "Oliveira e Silva Advogados Associados", que mantive em sociedade com Lílian Ribeiro; , Rua Estado de Israel,333constitul de 2006, gostaria de esclarecer que:
- fui eleito deputado federal em outubro de 1998 e assumi meu mandato em fevereiro de 1999;
- enquanto exerci meu mandato, meu sócio, Júlio César dos Santos e eu, optamos por manter inativa a Empresa José Dirceu & Associados, visto a incompatibilidade entre o exercício daquelas atividades comerciais e minha atividade pública. Em relação ao escritório de advocacia, optei por deixar a sociedade;
- quando encerramos o contrato do imóvel, sito na rua Estado de Israel, transferimos a sede da empresa para a então residência de meu sócio, Júlio César, para que não tivéssemos ônus e para que pudéssemos receber eventuais correspondências, conforme alteração contratual registrada em cartório de registro de títulos em 02 de agosto de 2002;
- restabeleci as atividades da empresa no dia 1º de fevereiro deste ano de 2006, quando meus contadores providenciaram todas as certidões (disponíveis inclusive na Internet) e os levantamentos necessários para a ativação da empresa perante os órgãos públicos e suas autarquias. É de conhecimento público que, desde então, venho atendendo clientes em meu escritório de advocacia, da rua Botucatu, na Vila Clementino;
- desde o dia 31 de março, conforme informado, ontem à noite, por minha assessoria, ao jornalista César Felício, do Jornal Valor Econômico, estamos em tratativas para alugar o imóvel situado na avenida Sena Madureira, 828, Vila Clementino, local em que funcionará a sede da José Dirceu & Associados. A relativa demora para concluirmos a locação deveu-se ao fato de que meu sócio, Júlio César, teve problemas com homônimos. Porém, o contrato já foi assinado e estamos com as chaves do imóvel desde o dia 20/04 e encaminhamos o registro da alteração contratual.

Portanto, a José Dirceu & Associados S/C Ltda. não é uma empresa de consultoria de fachada como veiculou o jornal e eu solicito que os leitores sejam devidamente esclarecidos a esse respeito.

São Paulo, 24 de abril de 2006

José Dirceu de Oliveira e Silva

CHICO BUARQUE NO GLOBO Cantando as coisas do Rio


Aparecida Torneros (*)

Não foi um domingo qualquer, era o Dia de São Jorge, santo cultuado nos arredores suburbanos, em terreiros de macumba e igrejas cariocas, que protege com seu cavalo branco e a lança sobre o dragão vencido a luta do povo – e homenageado por Chico Buarque em seu novo disco, intitulado Carioca.

À meia-noite de sábado para domingo, a cidade ouviu fogos como se fosse o Ano-Novo. De manhã, os jornaleiros distribuíram o exemplar do Globo com a entrevista que fez o povo, que estava à-toa na vida, parar e ver o Chico passar cantando as coisas do Rio. Na edição da revista dominical do jornal, o compositor-escritor-cantor estava na capa, pousado em frente à Central do Brasil, lugar de onde partem os trens que levam ao coração do Rio suburbano e a sua periferia. Nas respostas, Chico fez questão de destacar a canção Subúrbio, dizendo: "Percebi que o Rio era muito presente no disco e era mesmo a idéia central". Os ritmos que ele classifica de bem "cariocas", como choro, canção, bossa nova, samba bem brasileiro, samba-canção abolerado e até, segundo ele conta, um toque da música americana que se ouvia no Rio dos anos 1950, fazem parte do espírito do disco.

"O Rio de Janeiro tá ferrado", ele desabafa, classifica os políticos do estado como os piores do Brasil, lamenta a má qualidade do futebol, mas defende os favelados, fala da tensão muito grande, do fato de a população da cidade viver em alerta constante, e conclui, com seu jeito franco: "Eu não tenho a fórmula da salvação do Rio de Janeiro".

Renascimento da cidade

Mas o carioca Buarque, dos olhos de farol que emitem azul refletindo decerto o céu e o mar do Rio de Janeiro, corajosamente vai revelando que considera este um bom momento para se afirmar carioca. Chico tem a genialidade e a arte. Tem a ginga, tem o sangue que corre com o humor que ele atribui à natureza exuberante do Rio: "Com a paisagem carioca, até o engarrafamento fica agradável".

O moço carioquíssimo, talento reconhecido por unanimidade, aqui e acolá, lembra de sua querida Mangueira e discorre sobre o subúrbio de hoje. Este é o Chico que libera a fala da Penha, de Irajá, Olaria, Acari, Vigário Geral, Piedade, Maré, Madureira, Pavuna, Inhaúma, Cordovil, Pilares, Encantado, Bangu, Realengo, Meriti, Nova Iguaçu, Paciência. Fala! Ele canta e incita.

O gênio da canção se antena ao clamor de um povo que ele identifica como renascente, não nostálgico, bem atual, que usa a música para falar, gritar, denunciar. Chico declara em alto e bom tom que não acredita no fim da canção. Avisa que não se acomodou e nem se aposentou – o que seria a tristeza geral da nação brasileira, evidentemente.

Taí um Chico ressurgente, que se mostra atualizado e tão presente no domingo da cidade, no dia de São Jorge, parando as esquinas, as bancas, com a sua carinha de menino-carioquíssimo, a relembrar Noel Rosa, Mario Reis, Sinhô, Donga, Chiquinho, Silas de Oliveira e o compadre Vinícius, padrinho da sua filha Silvia, rememorando sua parceria de presente em Gente humilde, que o poetinha lhe ofereceu para terminar alguns versos.

"Quero falar da Lapa, do renascimento do samba na Lapa. Esse é o meu Rio, o Rio da Central do Brasil, um Rio que quer vencer a violência e viver em paz." A entrevista despertou a vontade de sair correndo e comprar o disco. Quem há de resistir e não parar para ouvir o Chico passar cantando as coisas do Rio inteiro, muito além da Zona Sul?

(*) Jornalista, Rio de Janeiro

Indice da edição

O Petróleo é nosso, uma realidade


Jasson de Oliveira Andrade

O presidente Lula anunciou que o Brasil é auto-suficiente em petróleo. No artigo à Folha, sob o título “Brasil: uma conquista importante”, Antonio Ermírio de Moraes constatou: “A chegada do Brasil à auto-suficiência de petróleo merece uma comemoração. Trata-se de uma conquista que vem sendo trabalhada há várias décadas”. Tem razão o empresário. A campanha pelo petróleo vem de longe, desde quando Oscar Cordeiro descobriu petróleo no Brasil a 22 de janeiro de 1939. Existem outros, como veremos.

Um dos pioneiros do “petróleo é nosso”, que ainda não era conhecido com esse nome, foi Monteiro Lobato. Ele acreditou na existência desse precioso líquido, na época negada. Para concretizar sua crença, ele incorporou, em 1932, a Companhia Petróleos Brasil. Amauri Barnabé Segalia, na reportagem “A luta de Monteiro Lobato faz história” (Estado, 21/4/2006), destacou: “Ao mesmo tempo em que suas companhias perfuravam o solo brasileiro, Lobato percorria o Brasil para palestras, discursos e conferências que tinham como mote a exploração do combustível [petróleo] nacional”. Nesse período, l930 a 1937, escreveu vários livros. Entre eles, “O escândalo do petróleo e ferro”, de agosto de 1936, para adultos, e “O Poço do Visconde”, de 1937, infantil. Mesmo com dificuldades financeiras, Lobato não desistiu, entrando em polêmica com o governo, o que lhe causou, em 1941, a condenação a seis meses de prisão, cumprindo três meses no Presídio Tiradentes. Amauri Segalia revela: “Mais tarde suas empresas, que fizeram jorrar apenas água sulfurosa no lugar de petróleo, seriam liquidadas”. Um fato curioso relatado pelo jornalista: “Ele [Monteiro Lobato] ainda veria o general Horta Barbosa, o mesmo que o colocou atrás das grades, defender a soberania nacional na questão do petróleo”. Lobato morreu no dia 4 de julho de 1948 e não viu a sua idéia ser vitoriosa em outubro de 1953, com a criação da Petrobrás.

Luís Nassif assim se referiu ao livro “O Escândalo do Petróleo”, de Monteiro Lobato: “Seu texto tinha uma eficiência panfletária inigualável, talvez superada apenas por Gondin da Fonseca, um dos jornalistas da campanha do “Petróleo é nosso”, o mais brilhante texto jornalístico que já conheci”. Ele se referiu ao “Que sabe você sobre petróleo?”. Nós, defensores do “Petróleo é nosso”, considerávamos o livro de Gondin da Fonseca como a Bíblia do Nacionalismo. Gondin e Lobato não podem ser esquecidos nessa oportunidade em que se comemora a auto-suficiência na produção do petróleo.

A aprovação da Lei da Petrobrás não foi fácil. Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, um império da imprensa, hoje extintos, defendia o capital estrangeiro na exploração do petróleo e era considerado um dos maiores “entreguistas” (entrega do petróleo) do Brasil. Getúlio, então, apresentou o Projeto de Lei com facilidade para os trustes petrolíferos. No entanto, o então deputado Euzébio Rocha apresentou um Substitutivo nacionalista, justificando: “Ao comunicar ao Presidente Getúlio Vargas a minha deliberação, S.Exa. me declarou que quanto mais nacionalista for o projeto, mais preserva os interesses do Estado, mais impede que seja a Sociedade um instrumento do enriquecimento de poucos, mais satisfaça os seus desejos” (A Batalha do Petróleo Brasileiro, Mário Victor, pág. 304). O Substitutivo foi aprovado e se transformou na Petrobrás, que Vargas sonhou. Euzébio Rocha lecionou na Faculdade de Direito de Pinhal, passando aos alunos seu amor à campanha do “Petróleo é nosso”. Agora, já falecido, não poderíamos esquecer o seu nome!

Duas datas significativas para o nosso petróleo. Em 3 de outubro de 1953, o presidente Getúlio Vargas sancionou o projeto da Petrobrás. Em 21 de abril de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ao Brasil a auto-suficiência na produção do petróleo. Naquela época, Vargas sujou as mãos com o ouro negro. Quase 53 anos depois, Lula imitou o gesto de Getúlio. A oposição não gostou. Foi além. Diz que a comparação favorece a administração tucana. O senador Aloizio Mercadante, rebateu: “No governo anterior, além da dificuldade grande com o apagão energético, houve até afundamento de plataforma (a P-36 em 2001). No governo do Fernando Henrique, inauguração de plataforma, só escavando ou usando submarino”, ironizou Mercadante, lembrando do acidente que fez a P-36 submergir. Afirmou ainda: “A auto-suficiência deveria ser comemorada por todos porque é uma conquista do País. Mas a oposição vai reclamar até se chover no Nordeste”, concluindo: “Tem sido assim na história: uns fazem e os outros resmungam”. Não só resmungam, também agem. O PSDB quer suspender comercial da Petrobrás por considerá-lo campanha eleitoral, principalmente essa passagem: “Só nos últimos três anos foram investidos R$ 63 bilhões para que o país chegasse a essa conquista. (...) Uma rápida leitura do texto acima transcrito revela evidente propaganda eleitoral intempestiva pois afirma que nos últimos três anos, ou seja, durante o mandato do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, a Petrobrás recebeu, supostamente, um volume recorde de investimentos, R$ 63 bilhões, necessários para chegar a essa conquista”. Realmente um investimento desse porte deve incomodar os tucanos. O povo não deve saber. Deveria ficar em segredo. Como disse Mercadante: uns fazem e os outros resmungam. Lembro-me que Fernando Henrique quis flexibilizar a Petrobrás, um ato considerado prejudicial à empresa. Felizmente, o Congresso não aprovou! Um deseja imitar Getúlio. O outro queria acabar com a Era Vargas!

Polêmicas à parte, a auto-suficiência foi o coroamento da campanha do “Petróleo é nosso”. E, como disse Antonio Ermírio de Moraes, deve mesmo ser comemorado!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Sunday, April 23, 2006

ESTE É QUEM PAGOU NILDO?

Carta Capital
Antônio Alves teria ajudado o suposto pai do caseiro com 10 mil reais

Por Leandro Fortes, de Teresina

Aos 24 anos, Francenildo Santos Costa tornou-se, graças a uma ação criminosa de agentes do Estado, uma celebridade nacional. Em pouco mais de um mês, foi responsável pela queda do ministro da Fazenda e do presidente da Caixa Econômica Federal, além de ter criado sérios constrangimentos para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, novo alvo preferencial da oposição.
O caseiro Nildo, como ficou mais conhecido, também se tornou figura pública no Piauí, seu estado natal, onde até se cogitou uma candidatura dele à prefeitura de Nazária, onde nasceu e ainda vive a mãe, Benta Costa. Nas palavras de uma autoridade policial brasileira, Francenildo virou, por obra da condenável quebra de sigilo, um intocável “namoradinho do Brasil”. Por isso, pouca gente se arrisca a investigá-lo. Nazária é um ex-distrito recém-emancipado, de aspecto miserável, localizado a 30 quilômetros da capital Teresina, onde Francenildo foi descansar durante a Semana Santa. Cercado de alguns parentes e, agora, com dois advogados atuando gratuitamente para ele, ficou irritado com a presença da imprensa. “Queria descansar de vocês”, respondeu aos repórteres postados além da cerca da casa da mãe.
Aproveitou o tempo para, contra os advogados, ir na casa do suposto pai biológico, o empresário Eurípedes Soares, pressioná-lo por conta de um litígio de paternidade – origem de uma polêmica que mexeu com a República. Mas ainda há uma parte desconhecida dessa história. A Polícia Federal não se mexeu adequadamente para resolvê-la. Diz respeito aos depósitos de 25 mil reais ou 38 mil reais, a depender da desconfiança de quem faz a conta, encontrados nos extratos bancários do caseiro e revelados, após quebra ilegal de sigilo, pela revista Época. É uma história realmente esquisita. Quase tão esquisita quanto o principal personagem dela, que a despeito das aparências, não é nem o caseiro Nildo, nem o empresário Eurípedes Soares, dono de uma frota de 22 ônibus em Teresina. O nome da figura é Antônio Alves Filho, 45 anos, microempresário informal de Timon, uma cidade-dormitório do Maranhão situada à margem esquerda do rio Parnaíba, separada de Teresina apenas por uma ponte. Arredio, às vezes agressivo, Alves apareceu nessa novela porque, apesar de morador de uma casa pobre da zona rural de Timon, teria emprestado os primeiros 10 mil reais que foram depositados, a título de antídoto para uma chantagem, na conta de Francenildo. Antônio Alves é uma figura miúda, sertaneja, impaciente com a presença do repórter e do flash da máquina fotográfica que ficou uns minutos espocando luz nele e nas sucatas do terreno de lama negra ao lado da casa onde mora. Casado, tem dois filhos e poucos amigos. Aliás, ele garante que, amigo mesmo, só o “seu” Soares, o Eurípedes, dono da Viação Soares, a quem Nildo quer o reconhecimento paterno. Em uma entrevista dada ao Estado de S. Paulo, o empresário revelou que, para pagar a primeira das três parcelas de dinheiro prometidas ao caseiro, recorreu a um “Antônio” para honrar o compromisso. Era Alves. E mais: o amigo do lado maranhense teria recorrido a outra pessoa para conseguir o dinheiro. Pergunta difícil de responder é como Antônio Alves, levando a vida que leva, morando onde mora, teve condições de sacar 10 mil reais, assim, de uma hora para outra. Ao contrário de Soares, Alves trabalha com dois ônibus velhos. Um, com quase 40 anos de uso. O outro, mais novo, ano 1972, está parado por conta de problemas mecânicos. Usa os veículos para fazer o que, na região de Timon, é chamado de “linha carroçal”, expediente de levar e trazer trabalhadores rurais para a roça ou para o centro da cidade, dentro de ônibus clandestinos. Além disso, alega fazer uns bicos como mecânico de automóveis e retífica de peças. Quando viu o gravador na mão do repórter, ficou zangado. “O que é? Vai dizendo o que você quer”.
Antônio Alves Filho alega ter emprestado o dinheiro para Eurípedes porque o empresário, além de amigo, “é um cidadão”. Segundo ele, foi para “salvar a vida” de Soares, por causa da situação em que se meteu por conta das denúncias de Francenildo Costa. “Vi a agonia do homem, tinha o dinheiro em casa, emprestei mesmo”, conta. Mas não foram 10 mil reais, diz, mas somente 7 mil. “Os outros 3 mil você tem que perguntar a ele onde arranjou.” O empréstimo foi feito em espécie, e é coisa dele mesmo, não houve, segundo ele, uma terceira pessoa. Um bocado de dinheiro, portanto, guardado em casa, um imóvel alugado, sem acabamento e de poucos cômodos, cercado de barro e lama. Na porta lateral da casa, Alves inquieta-se com as perguntas, fica ainda mais irritado, baixa os olhos e bate, insistentemente, o pé na terra batida enquanto fala.
O terreno ao lado, onde guarda os ônibus e desova peças velhas para futura retífica, não é dele. Usa de favor, na condição de não deixar o mato crescer e manter afastados eventuais invasores. Alves gagueja para explicar que os 7 mil reais dizem respeito à venda de uma casa em Teresina. Estavam dentro de casa, à espera sabe-se lá de que destino. Soares até hoje não pagou a dívida. Além disso, ele não revela o endereço do imóvel, nem por onde anda o contrato de compra e venda. “Para você eu não mostro, se precisar, mostro para a polícia”. Talvez, precise.
*Confira a íntegra dessa reportagem na edição impresssa. Clique no link da revista neste blog.

Friday, April 21, 2006

Crescimento e Desenvolvimento


José Dirceu
Ex-ministro-chefe da Casa Civil * JB

[21/ABR/2006]

Com o período eleitoral, volta à cena, no Brasil, o debate histórico entre crescimento e desenvolvimento, para além do círculo de ferro que, na busca da estabilidade econômica, aprisiona não só o crescimento, mas também o desenvolvimento. A estabilidade é uma condição para o crescimento, mas não significa, necessariamente, desenvolvimento.

Alguns críticos atribuem, ao Plano Real e ao governo FHC, a estabilidade – um absurdo, já que, naqueles anos, o Brasil quebrou três vezes, multiplicou sua dívida externa por dois e, por dez, a interna. Aumentou a carga tributária em dez pontos do PIB, apesar de ter privatizado praticamente todo o patrimônio da nação. No final dos oito anos de FHC, tínhamos um descontrole tanto da inflação como do câmbio, e o risco Brasil era o maior do mundo.

O que mudou nos quatro anos do governo Lula? Mudou o necessário para que o Brasil possa retomar o desenvolvimento. Sua fragilidade externa foi superada; a dívida interna desdolarizada; a inflação controlada e sua credibilidade externa, hoje, é um fato. Nunca o risco Brasil esteve tão baixo. Temos crédito, saímos do FMI e pagamos um terço de nossa dívida externa; acumulamos, em três anos de governo Lula, US$ 103 bilhões de superávit comercial, contra os US$ 2 bilhões dos oito anos de governo FHC. Temos superávit na balança de contas correntes e aumentamos nossas reservas.

Mudou, também, o papel do Estado, dos bancos públicos, das estatais e do investimento público. O BNDES voltou a financiar o desenvolvimento industrial e a infra-estrutura do país; o Banco do Brasil, a agroindústria e a agricultura familiar; a Caixa Econômica Federal, o saneamento e a habitação. São, hoje, bancos de fomento e não da privatização. O Estado voltou a planejar, saneou suas empresas, especialmente na área energética.

Na área social, temos mais empregos – serão cinco milhões em quatro anos –, salários e aposentadorias com aumento real, cesta básica mais barata, crédito mais acessível e, também, mais barato, além de um vasto programa social.

Quais são as questões-chave para a retomada sustentável do crescimento? Mais abertura, mais privatizações, menos impostos, flexibilização trabalhista, choque de gestão, ou o país está preparado para o desenvolvimento e precisa de uma redução segura e gradual dos juros para 7%, numa primeira etapa, e 5%, numa segunda?

Reduzir os juros reais para os patamares mencionados significa reduzir o serviço da dívida interna, com uma economia de, no mínimo, R$ 50 bilhões por ano, levando-se em conta que, em 2005, a União pagou R$ 115 bilhões de juros da sua dívida interna.

Teremos, então, margem de manobra para mais investimentos em infra-estruturas social e econômica, em educação e inovação tecnológica. E poderemos, também, reduzir a carga tributária, de maneira seletiva e progressiva, visando a estimular os investimentos e o consumo, desde que tenhamos capacidade para realizar uma reforma administrativa, dando eficiência e transparência aos gastos públicos.

Juros mais baixos garantirão o nível necessário de investimento. O país poderá crescer 5%, 6% ao ano e criar as condições para enfrentar o déficit da Previdência, reduzindo-o, dos atuais 2% do PIB, para 1%. Na verdade estaremos, em poucos anos, reduzindo a relação dívida pública/PIB a 30%, e poderemos chegar ao déficit nominal zero, mesmo diminuindo o superávit fiscal.

Essa estratégia não elimina reformas microeconômicas e nem desconhece a necessidade de uma melhoria na gestão dos gastos públicos e de uma redução da carga tributária, mas prioriza a redução dos juros e a retomada sustentável do crescimento com desenvolvimento.

Rema contra a maré da volta das privatizações tucanas, com o discurso fácil da qualidade dos gastos públicos que finge desconhecer que pagamos R$ 115 bilhões de juros da dívida interna, única explicação para a alta carga tributária brasileira.

Retoma o projeto de desenvolvimento nacional, abandona políticas neoliberais e supera a, ainda que necessária, política de assistência social de caráter distributivista. Retoma o fio da nossa história, podendo, agora, priorizar a integração sul-americana e a reafirmação do Brasil no mundo, na defesa de nossos interesses nacionais e regionais.

Thursday, April 20, 2006

"Delegado federal confirma que crime é mesmo comum e garante que legista mentiu"



Capital Social OnLine -- Edição 2.200 - Nº 1519, Ano V - Do Editor
Grande ABC, terça-feira, 18 de abril de 2006

Caso Celso Daniel

Delegado federal confirma que crime é
mesmo comum e garante que legista mentiu*
**DANIEL LIMA

Material encaminhado por: Grupo Beatrice e Reinaldo C. de C. Filho

Pela primeira vez desde que atuou no caso Celso Daniel, logo após o sequestro seguido de assassinato em janeiro de 2002, o delegado da Polícia Federal José Pinto de Luna resolveu falar à Imprensa. Numa entrevista exclusiva a LivreMercado, esse profissional da elite da PF manteve o tom de voz seguro e discreto. Dispensou fotografias. Indicou que a ilustração do trabalho jornalístico poderia ser preparada com flagrantes da assessoria de Imprensa do Senado Federal, durante a sessão da CPI dos Bingos. Naquela oportunidade, Luna teve pouco tempo para expor detalhes dos pontos mais importantes do inquérito que chegou à mesma conclusão da força-tarefa da Polícia Civil de São Paulo: Celso Daniel foi vítima de crime comum, não de espetaculosa ação programada pelo empresário Sérgio Gomes da Silva, como reiteram os promotores públicos de Santo André.

José Pinto de Luna é policial atarefadíssimo. O encontro marcado com LivreMercado na Capital foi idealizado há mais de um ano. Até então não se tinha nem mesmo a trilha pela qual deveria ser percorrido o caminho editorial para extrair possíveis novidades.

Embora tivesse pouca oportunidade de se pronunciar na CPI dos Bingos, tomada naquele dia por subjetividades das declarações do médico-legista Paulo Vasques, Pinto de Luna deixou escapar pelo menos dois pontos que só não chamaram a atenção dos senadores porque a dispersão e o maniqueísmo imperavam no ambiente mais voltado à audiência do que propriamente à compreensão dos fatos.

Primeiro, o delegado federal disse que o médico-legista Carlos Delmonte mentiu ao afirmar que Celso Daniel foi torturado. Nesta entrevista, Luna explica a relação que manteve com o legista dias depois da morte de Celso Daniel. Carlos Delmonte cometeu suicídio em outubro do ano passado (veja matéria nesta edição) e encabeça a lista de profissionais do IML (Instituto Médico Legal) que assinam o laudo de necropsia do corpo do prefeito de Santo André.

Nem mesmo a indignação de acompanhar como telespectador Carlos Delmonte mudar toda a história numa entrevista concedida mais de três anos depois ao programa de Jô Soares abala a tranquilidade descritiva do delegado federal. Ele lamenta que Delmonte não esteja vivo para questioná-lo.

Segundo, Luna também não se perturba além do natural em relembrar que, na mesma entrevista a Jô Soares, o médico-legista que lhe disse que Celso Daniel não apresentava qualquer marca de tortura, no sentido político-administrativo do termo, mentiu igualmente quanto ao suposto uso da cueca do avesso pela vítima dos sequestradores. Mais que isso, Carlos Delmonte sugeriu que o uso inadequado da cueca indicaria que a morte de Celso Daniel estaria relacionada à traição.

Tanto a suposta tortura como sinônimo de violência com objetivo de obtenção de informações como a cueca do avesso foram argumentos que o suicida Carlos Delmonte utilizou para dar veracidade à versão de crime de encomenda. São dois pontos que ajudam a costurar enredo completamente diferente do investigado pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. Por isso, são tecnicamente decisivos na elucidação dos fatos.

Para José Pinto de Luna, o desfecho policial do caso Celso Daniel foi uma frustração. Ele lamenta que a expectativa de consagrar-se com a prisão de gente graduada em Santo André, como se projetava nos primeiros dias de investigação, não tenha sido alcançada. A perspectiva de crime que envolvesse a administração do Partido dos Trabalhadores desmanchou-se na exata medida -- conta o experiente policial -- em que os grampos no Paço Municipal não sugeriam mais que indícios de possíveis irregularidades administrativas, enquanto, no outro núcleo de investigações -- sequestradores, familiares e pessoas próximas deles na Favela Naval, em Diadema -- consolidavam-se provas de efetiva participação no crime. Pior dos mundos: não houve durante todo o período de interceptação de telefones qualquer ligação entre os dois grupos investigados. Nenhum, absolutamente nenhum telefone entre membros da quadrilha de sequestradores e integrantes da administração Celso Daniel. Inclusive Sérgio Gomes da Silva.

José Pinto de Luna chega ao ponto de declarar que ficaria feliz em colocar Sérgio Gomes da Silva na cadeia, mas supostas malversações administrativas de que ele teria participado não são assunto de sua competência e não têm qualquer vínculo com a morte do prefeito Celso Daniel. Uma conclusão contestada pelo Ministério Público, instituição sobre a qual o policial federal simplesmente não faz qualquer menção explícita durante toda a entrevista.

Luna é profissional discreto, objetivo, tão econômico quanto penetrante nas palavras. Depois de uma hora de entrevista gravada, esse pai de seis filhos que vive integralmente o mundo de investigações insistiu na decepção de não ter atendido ao sonho de consumo de quem imaginava o caso Celso Daniel diferente do que foi constatado nos inquéritos policiais.

LivreMercado -- Como a Polícia Federal chegou à conclusão de crime comum?

José Pinto de Luna -- Chegamos a essa conclusão com a prisão dos dois principais participantes da operação, o Itamar e o Bozinho. Eles confessaram que pegaram o veículo do Celso Daniel aleatoriamente. Inicialmente pretendiam sequestrar um empresário do Ceasa, que acabou não passando por onde imaginavam. Então, decidiram abordar qualquer carro importado que passasse. Infelizmente, na hora, passou o carro do Celso Daniel.

LM -- Como se procedeu a operação para a prisão dos dois sequestradores?

Luna -- Fizemos rastreamento das pessoas ligadas a esses dois sequestradores, casos de parentes e amigos. Chegamos à conclusão de que eles haviam se refugiado na Bahia, na região de Itabuna. Foi aí que nos deslocamos para lá. Conseguimos prender lá na Bahia o irmão do Bozinho, conhecido como André Cara Seca. Prendemos o André Cara Seca em Vitória da Conquista. E lá já estava preso pela Polícia Civil o Edson (da Silva), só que não sabíamos desse detalhe. O Edson também participou do sequestro do Celso Daniel.

LM -- Sim, sim, ele foi preso pelos policiais do DEIC, comandados pelo delegado Edson de Santi.

Luna -- Exatamente. Ele foi preso pela Polícia Civil da Bahia que, quando soube da participação dele no crime do Celso Daniel, comunicou o DEIC que, através de seus agentes, foi até lá para buscá-lo.

LM -- A origem das prisões do Bozinho e do Itamar teve como base as interceptações telefônicas?

Luna -- Sim.

LM -- Como chegou à identificação deles logo após a morte de Celso Daniel?

Luna -- O trabalho foi feito através de análise criteriosa dos telefones utilizados pelos parentes desses então possíveis autores.

LM -- E como se deu essa operação?

Luna -- Trata-se de um serviço de inteligência policial que, infelizmente, não podemos detalhar senão poderia perder toda a substância de utilização em outros casos. Resumidamente, conseguimos individualizar os telefones daquelas pessoas entre milhões de usuários de telecomunicações. Foi através da interceptação desses telefones que prendemos os dois primeiros sequestradores.

LM -- Os senhores também interceptaram telefones-chave da Prefeitura de Santo André?

Luna -- No começo sim, porque a linha de investigação era exatamente essa: quais foram as pessoas que se locupletaram com a morte do prefeito? A primeira pessoa que se locupletou com a morte do prefeito foi o vice-prefeito. É claro que isso tudo no terreno da teoria investigativa e plausível. Quem mata alguém tem algum motivo para matar.

LM -- Então todos aqueles que giravam em torno do gabinete do prefeito Celso Daniel foram interceptados telefonicamente?

Luna -- Não. Alguns telefones foram interceptados. Interceptados com ordem judicial. Totalmente dentro da lei. Totalmente esclarecida ao juiz. Ninguém fez nada espúrio. Se o juiz negasse, estava negado. Fizemos absolutamente tudo com autorização judicial.

LM -- Os grampos solicitados pela Polícia Federal são os grampos famosos que, mais tarde, foram transcritos em páginas de jornais, em sites de Internet, para emissoras de rádio?

Luna -- Sim. Essas interceptações foram alvo de busca e apreensão pela 4ª Vara da Justiça Federal de São Paulo e mais tarde as fitas foram parar nas mãos do juiz Rocha Mattos. O mandado de busca e apreensão foi produzido na Delegacia de Apreensão e de Entorpecentes. Levaram todas as fitas. Entregamos as fitas porque não tínhamos interesse algum de esconder nada. Se perguntar quantas fitas eram, não lembro.

LM -- O senhor ouviu todas as fitas?

Luna -- Ouvi os diálogos mais interessantes, selecionados pelos analistas. Ouvíamos para orientar nossa linha de investigação.

LM -- Se o senhor tivesse que fazer uma avaliação até com certa carga de subjetividade sobre o conteúdo das gravações com relação ao crime e também sobre a suposta rede de corrupção na Prefeitura de Santo André, o que o senhor diria? Sobre o crime propriamente dito, as gravações tipificaram que alguém ou algum agente que girava em torno da Prefeitura participou do crime?

Luna -- Não chegamos a essa conclusão. Pelo que obtivemos na interceptação, não é possível chegar a essa conclusão.

LM -- E com relação à possibilidade de haver corrupção na Prefeitura, o chamado caixa dois? As gravações davam indícios nesse sentido?

Luna -- Sim, o material deixa latente só uma parte de indícios, não de provas. Pelo jeito que falavam, pelo jeito que falavam em se encontrar em determinado local, mostrava que queriam esconder alguma coisa.

LM -- Esse "esconder alguma coisa" estava restrito ao campo da administração propriamente dita?

Luna -- Sim, no campo da administração que a gente sentia isso. No aspecto criminal, tinha todo aquele temor do Sérgio Gomes cada vez que recebia uma intimação, que ia depor em algum lugar. Ele achava que estava sendo perseguido. Ele entrava praticamente em histeria.

LM -- Por que ele entrava em histeria, doutor? O que o senhor sentia nos telefonemas?

Luna -- Vou dizer o que é uma coisa subjetiva, o que eu penso, tendo em vista que ele já estava sendo questionado por que as travas do carro abriu, por que isso, por que aquilo: ele sentia que estava sendo investigado, como de fato estava sendo investigado.

LM -- O senhor sentia a tensão dele em que sentido?

Luna -- De ser interrogado, o temor de ir até a Polícia, de relembrar os fatos. Toda hora que entrava Polícia no meio, ele sentia um certo temor. Para nós a reação dele não estava vinculada ao crime em si, porque se ele não devia nada, por que estava com aquele medo todo? A gente dizia que ele tinha alguma coisa a ver, já que está com esse medo todo. E aí continuamos com essa linha de investigação, até que a coisa começou a andar mais para o lado dos criminosos. Então resolvemos deixar essa coisa aqui do lado, no caso o Paço Municipal, e investimos no outro lado.

LM -- Só para deixar mais claro: o senhor entendia que o comportamento do Sérgio Gomes poderia estar vinculado mais ao ambiente em si do caso que se formou do que propriamente em relação ao crime?

Luna -- Entendíamos que aquele temor dele poderia sim estar ligado ao sequestro. Depois reformulamos essa possibilidade. Mas naquele momento, perguntávamos o porquê daquela aflição toda. O que esse pessoal está devendo? Foi aí que começou a aparecer o outro lado da investigação, dos autores do crime. Então, resolvemos deixar a linha do pessoal da Prefeitura e atacar no outro lado. Até porque, se houvesse relação entre um grupo e outro, mais dia menos dia apareceria. É algo como uma ponte em construção, cujos extremos se encontram. Eles teriam que se cruzar, isso é inevitável. Portanto, tínhamos que investigar os autores do sequestro, porque a linha estava mais madura. Prendendo os autores, eles diriam que foi o Sérgio, foi sicrano, foi beltrano. Seria uma prova contundente. E esse pessoal foi preso e disse que foi um crime comum. E explicaram detalhadamente porque foi um crime comum. Os depoimentos foram gravados.

LM -- Qual foi a reação do senhor depois que os bandidos confessaram o crime e se descobriu que não havia qualquer relação com os supostos mandantes? Como o senhor analisa o comportamento do Sérgio Gomes e mesmo de outros integrantes da Prefeitura de Santo André durante a fase de investigação de interceptações telefônicas?

Luna -- Entendo que seria em razão de alguma coisa espúria que estivesse ocorrendo na administração e que não poderia vir à tona, mas não temos provas, é uma conclusão subjetiva.

LM -- Em todas as séries de telefonemas interceptados, tanto dos sequestradores quanto de outras pessoas, houve alguma ligação envolvendo gente da Prefeitura e os bandidos?

Luna -- Nenhuma ligação. São fatos distintos. De um lado tem o pessoal da Prefeitura e do outro os bandidos. Os bandidos continuaram a agir. Aliás, agiram antes do sequestro e depois do sequestro.

LM -- Os senhores monitoraram as ações de novos sequestros da quadrilha?

Luna -- Isso mesmo. Queríamos prendê-los e também localizar o cativeiro das novas vítimas.

LM -- O senhor tinha a interceptação mas não sabia onde os sequestradores estavam?

Luna -- Sabíamos a área geográfica, mas não precisamente o ponto onde estavam. Ouvimos eles preparando novos sequestros. Tem uma situação em que o Ivan Monstro conversa com uma pessoa e durante a conversa está passando pelo Parque Villa Lobos. Ele diz assim: "nossa, quantos torros aqui". Torro para eles é o cara que tem dinheiro, é sequestrável. Nunca tinha ouvido esse termo. Ele dizia ao telefone: "olha aquele torro ali, nossa um outro torro ali. Olha aquele torro que está no Mercedes, olha aquele torro de BMW". Todas aquelas pessoas para ele eram sequestráveis. Tudo isso após o sequestro e a morte do Celso Daniel. Em nenhum momento tudo o que ocorreu inibiu a atuação deles. Me refiro nesse caso específico ao Ivan Monstro, porque tanto o Bozinho quanto o Itamar já tinham fugido para a Bahia. O Ivan, que pertencia à quadrilha, continuou por aqui, monitorado por nós. Mais tarde ele foi preso pelo DEIC. Ele estava com quatro pessoas em cativeiro em Santa Izabel.

LM -- A finalidade do grampo do telefone do Ivan tinha qual sentido específico?

Luna -- Queríamos inibir a ação dele. Cada pessoa que ele planejava sequestrar, a gente conseguia detectar e frustrava a tentativa. Um exemplo foi o caso de um rapaz que, segundo eles, os sequestradores, era dono de um Fusca. Na verdade, não era um Fusca, mas um New Beetle. Ele era filho do dono de uma concessionária Audi. Fomos lá, frustramos o sequestro ao orientar o pai para não deixar o filho sair de casa em determinadas horas, para mudar de carro, para que se evitasse o mal maior. Mas mesmo assim o Ivan Monstro conseguiu sequestrar quatro pessoas ainda. Felizmente, o DEIC, conseguiu libertar esse pessoal.

LM -- Quer dizer que o Ivan Monstro mantinha ações ostensivas de sequestro e o Celso Daniel foi uma de suas vítimas?

Luna -- Acredito nisso. Até aonde investigamos, até onde a equipe da Polícia Federal investigou, foi aí que chegamos.

LM -- Nesses grampos todos dos membros da quadrilha e de gente próxima a eles, em algum momento aparece o Dionísio de Aquino Severo nas relações? Como o senhor sabe, o Dionísio fugiu de helicóptero um dia antes da Penitenciária de Guarulhos e acabou entrando na história como suposto participante do sequestro, contratado por Sérgio Gomes da Silva.

Luna -- Em nenhum momento aparece o Dionísio. Em nenhum momento. As gravações estão aí com o pessoal da CPI dos Bingos. Está disponível para quem quiser ouvir. Em nenhum momento aparece nada vinculando o Dionísio ao crime. Repito: até onde investigamos, não aparece nada.

LM -- Quanto tempo duraram as interceptações?

Luna -- Pelo menos um mês.

LM -- No depoimento dos dois sequestradores que os senhores delegados da Polícia Federal foram apanhar na Bahia o Dionísio não aparece em nenhum momento?

Luna -- Em momento algum eles citam o Dionísio.

LM -- Com a experiência que o senhor tem de policial, é possível que o Dionísio estivesse numa história dessa se não aparecesse no caso desde a origem?

Luna -- Aventamos somente uma hipótese de equívoco na investigação: se o sequestro fosse compartimentado e esse pessoal que prendemos estivesse alheio à outra parte da quadrilha, no caso do Dionísio. Uma suposição para tornar o enunciado mais claro: o Dionísio conhece o Edson a quem encomenda o sequestro e o Edson compartimenta essa operação com os outros. Poderia haver uma compartimentação? Poderia. É possível que o Itamar, o Bozinho e o John, que também estava na Blazer, estivessem alheios a que aquele carro conduzia o prefeito de Santo André? É possível. Mas, espere aí: se eles vão sequestrar um cara do Ceasa e a operação não dá certo, e eles dizem, em seguida, "vamos pegar aquele carro importado que está ali" e os caras já sabem que é o do prefeito de Santo André, teria de haver uma comunicação do Edson e isso não houve. A intenção de abordar aquele carro foi do Bozinho e do Itamar. Eles resolveram abordar o carro em que por acaso estava o Celso Daniel. Ninguém os orientou nesse sentido. Por isso, a possibilidade de compartimentação está descartada.

LM -- E o arrebatamento em si? Como foi o comportamento do Sérgio Gomes descrito pelos dois sequestradores que os senhores prenderam na Bahia?

Luna -- Eles disseram que estavam próximo ao túnel Maria Maluf e resolveram seguir o carro que não sabia tratar-se de Sérgio Gomes tendo Celso Daniel como acompanhante. Eles vão seguindo, sobem a ladeira, cruzaram a primeira avenida e começam a dar fechadas no carro. Eles vão abalroando o carro do Sérgio Gomes, lateralmente, claro, até chegar a um ponto em que conseguem travar o veículo. Quando ouvem uma sirene disparar, pensam que é a Polícia, mas depois constatam que não é nada disso. Em seguida, tentam tirar o Celso Daniel do carro. Mas antes disso eles dão tiro, furam o pneu do carro.

LM -- Quem que eles pretendiam tirar do carro, o Celso ou o Sérgio?

Luna -- Parece-me que foi uma coisa simultânea. O Itamar do lado do motorista e o Bozinho do lado do Celso Daniel. O Itamar fala que o Sérgio joga o carro em cima do carro e ele Itamar responde com uma rajada de metralhadora, só que o veículo é blindado. Aí eles começam a bater no carro, a dar socos no carro, a dar tiros no carro e é aí que o Bozinho consegue tirar o Celso Daniel.

LM -- Tentaram arrancar também o Sérgio?

Luna -- Segundo o Bozinho, tentou sim puxar o Sérgio.

LM -- Mas o objetivo era o motorista ou o acompanhante?

Luna -- Eles falam que seria o motorista, o cara que tem dinheiro. Eles pensavam que quem estava na direção do carro era o cara que tinha dinheiro. Isso não são palavras minhas. São depoimentos dos sequestradores que participaram diretamente do arrebatamento. Tudo gravado e entregue na CPI dos Bingos. Se naquele momento da prisão e do depoimento eles bandidos falassem que, "inclusive tinha uma mala de dinheiro atrás e o Sérgio está envolvido e arrumou para nós", nossa, na hora, era tudo o que mais queríamos.

LM -- Como assim, delegado?

Luna -- Me sinto até um pouco frustrado porque não tivemos o desfecho que a gente queria, de pegar um grande esquema com esse cara envolvido.

LM -- Isso quer dizer que em nenhum momento tanto o Itamar quanto o Bozinho falaram em sacolas de dinheiro?

Luna -- Nada. Está nas fitas. Eles estão dizendo espontaneamente como foi a operação. Foi exaustivamente perguntado a eles como foi a operação.

LM -- Qual é a importância de depoimentos como aqueles, no frescor da prisão?

Luna -- Muito importante. No caminho, de ônibus, eles já começaram a falar para a gente como foi a situação. Quando chegamos na Polícia Federal e, baseados no critério de oportunidade, pegamos uma câmera e filmamos o depoimento e a confissão deles. Essa fita guardei comigo para amanhã ou depois eles não falarem que apanharam, isso ou aquilo. Eles não podem dizer que foram torturados pelo delegado Luna, porque estava tudo ali, gravado, num ambiente sem qualquer tipo de constrangimento.

LM -- Quando o senhor providenciou a gravação não imaginava que o caso pudesse ter tantos desdobramentos?

Luna -- É um caso sério, que até hoje está em pauta. Posso falar com propriedade porque prendemos as primeiras pessoas. O Edson de Santi, do DEIC, e o DHPP fizeram a outra parte. De forma alguma houve conflito investigatório.

LM -- E cooperação?

Luna -- Cooperação houve, evidentemente. Cooperação de investigação.

LM -- Mas não houve colagem, como se insinuou?

Luna -- Não, de forma alguma. Foram atuações autônomas. Brigávamos no bom sentido para ver quem é que prendia primeiro. Era uma competição sadia. Quem não quer os louros de uma prisão? Eu sei que o pessoal do DEIC ficou meio "assim" com a gente, quando prendemos os dois primeiros sequestradores. Depois eles foram e prenderam outros, e nós ficamos chateados.

LM -- Tivemos então um caso típico de rivalidade sadia?

Luna -- Sim. E quem ganha com isso é a sociedade. Nos sentimos frustrados porque não continuamos nas investigações já que, declinada a competência do inquérito policial para a Justiça Estadual, a Polícia Federal saiu do caso.

LM -- E foi aí que o DEIC entrou com tudo, embora já estivesse no caso?

Luna -- Sem dúvida. Mas foram salutares as duas prisões que fizemos, porque abriram os portões da elucidação do crime. E provou o dinamismo das investigações, porque dizíamos assim para o pessoal do DEIC: "olha, nós vamos prender duas pessoas, vamos prender duas pessoas". A Polícia Federal tem autonomia para, de repente, eu estar aqui e pegar uma passagem aérea e ir para o Ceará, ir para Manaus, para o Acre, porque nossa Polícia é Polícia em qualquer parte da Federação. Não que a Polícia Civil não seja, mas para conseguir uma passagem aérea para sair daqui, precisa de anuência do secretário de Segurança Pública. No nosso caso, não. Só preciso de um telefonema para qualquer superintendente estadual e dizer que preciso ir para lá por causa de uma investigação. Imediatamente recebo a passagem de avião. As dificuldades que a Polícia Civil tem são bem maiores que as da Polícia Federal. Então, contamos com essa facilidade.

LM -- O senhor disse na CPI dos Bingos que a cueca que o Celso Daniel usava não
estava do avesso.

Luna -- A origem disso são as fotografias do corpo do Celso Daniel. Avaliando uma das fotografias, percebi que a cueca do prefeito estava com as costuras expostas e a etiqueta pelo lado de fora. Dava a entender que estava do avesso. O que imaginei? Que ele foi levado a determinado local, que foi seviciado, que foi torturado, que foi isso e aquilo e que na hora de se vestir, se vestiu às pressas e colocou a cueca daquele jeito. Ou então que ele já saiu de casa daquele jeito. Alguns dias depois houve uma reunião com todos os peritos envolvidos no caso para contribuir na antecipação das investigações, antes da formalidade do laudo de necropsia. Não era preciso esperar o laudo ficar pronto para dirimir e dirigir as investigações.

LM -- Quem estava nesse encontro com os legistas?

Luna -- Delegados da Polícia Federal, da Polícia Civil, representantes do Instituto de Criminalística, entre outros. Foi aí que conheci o legista Carlos Delmonte, que se mostrou um profissional hipercompetente. Todas as dúvidas que tinha sobre o caso ele foi saneando pouco a pouco. Foi uma conversa meio lateral, já que se formaram grupinhos de interlocutores. Um dos pontos que o abordei sobre o crime foi com relação à cueca. Ele disse que não tinha percebido nada diferente. Aí, peguei a fotografia e mostrei para ele. Isso tudo que estou dizendo está nos autos. Perguntei a ele a que se atribui aquilo e ele respondeu que não sabia. Perguntei então se o Celso Daniel foi seviciado, se foi torturado. Perguntei sobre o maxilar do Celso Daniel, que estava bastante danificado. Ele explicou tudo cientificamente. Não deixou dúvida alguma.

LM -- O senhor perguntou diretamente a ele se tinha havido tortura?

Luna -- Claro, e ele disse que não. Eu achava que tinha havido tortura até mesmo por umas equimoses nas pernas do Celso Daniel. Aquela expressão "tiro de esculacho" que apareceu intensamente no noticiário ultimamente, foi eu que falei para ele, Delmonte. Sugeri a ele que o Celso Daniel pudesse ter sofrido tiro de esculacho num cimentado, porque ficaram as marcas. Ele respondeu que aquelas marcas eram resquícios de pedra, de pedriscos, de brita, do terreno em que o Celso Daniel pisou.

LM -- Então o senhor Carlos Delmonte enfatizou que não houve tortura?

Luna -- Exatamente. E para mim ele era o profissional em quem devia confiar. Saí do encontro com ele completamente seguro de que não houve tortura. O perito falou está falado. Qualquer suspeita que tenha tido sobre tortura, para mim acabou ali, nas palavras do perito. Aliás, ele não disse isso apenas para mim, mas para todos os delegados que estavam presentes. Qual não foi minha surpresa, de repente, três anos depois, ele aparece dando essa versão de tortura e menciona o episódio da cueca. Isso tudo no programa do Jô Soares. Fiquei estarrecido. Peraí: essa tese da cueca do avesso foi eu que disse a ele. Ele nem sabia disso. Mais que dizer isso, ele afirmou que a cueca do avesso é tida no meio da malandragem como traição. Nunca. Não existe essa correlação. Pode perguntar para qualquer ladrão, para qualquer bandido.

LM -- E quando o senhor, que criou a suspeição de que a cueca estava do avesso e descobriu que não estava do avesso?

Luna -- Fiquei com esse caroço na cabeça. Por que a cueca estava do avesso, por quê? Dias depois, vestindo a cueca da mesma marca, da Hering, daquela do Celso Daniel, falei comigo: "poxa, coloquei a cueca do avesso, porque a etiqueta está do lado de fora". Em seguida, percebi que todas as cuecas da Hering daquele modelo que o Celso Daniel também usava tem a etiqueta do lado de fora. Então, aquela premissa que fiz ao Delmonte foi falsa. Mais ainda: as costuras também são externas. É fácil. Basta pegar um modelo semelhante. As costuras são externas, ponteadas em relevo. Infelizmente, levei uma falsa premissa a um perito que tomou isso como verdade. Depois desmenti, mas não sabia que ele tivesse tomado isso como verdade.

LM -- Isso significa que nesse ponto o laudo...

Luna -- Nesse ponto, o laudo está equivocado. E repito: ele era um perito hipercompetente. Foi isso que ele transmitiu para mim naquela reunião. Eu também sou profissional, mereço respeito. Ele me desrespeitou profissionalmente.

LM -- O senhor se refere especificamente à ida dele ao programa do Jô Soares?

Luna -- Sim. O desrespeito é daquele dia daquela reunião logo após a morte do Celso Daniel. Para mim, ele sim é que mentiu nessa segunda versão que apresentou na televisão. Na primeira reunião quando disse para ele que estava encarregado das investigações e que, depois de fazer uma pergunta a ele que poderia decidir o rumo dos trabalhos, se vou para o lado direito ou para o lado esquerdo, ele afirmou que devo ir pela direita, porque é a direita, puxa vida, então vou esquecer o lado esquerdo. Foi isso que ele fez para mim.

LM -- Quando ele disse claramente que não houve tortura?

Luna -- Exatamente, quando disse que não houve tortura. Se ali naquele momento ele disse que não houve tortura mas, como falou três anos e meio depois, houve tortura, ele me desrespeitou profissionalmente.

LM -- O senhor acha que havia tortura ou mudou em função de alguma coisa?

Luna -- A mim ele foi categórico e disse que não havia tortura. Acredito sim que não houve tortura. Até porque ele foi enfático e me explicou detalhadamente. E hoje tenho mais certeza sobre isso porque ele se baseou numa premissa minha de forma equivocada para se referir à própria tortura que negou lá atrás.

LM -- O senhor está dizendo com todas as letras que o senhor Carlos Delmonte mentiu com relação à autoria da questão da cueca do avesso e o coloca sob suspeição sobre a versão de que teria havido tortura?

Luna -- Sim. Acontece que no laudo ele não disse que houve tortura. O quesito é um só. E diz assim: "houve tortura, meio cruel". Meio cruel houve. Ele só coloca "sim". Mas ele é um perito hipercompetente. Se houvesse o termo "tortura", ele deveria responder "sim". Todo laudo tem um questionamento, de discussão e conclusão. Se fosse tortura, ele deveria responder "sim", mas com detalhamento. É uma coisa séria. "Sim", para mim, no meu ponto de vista, tecnicamente falando, não quer se referir unicamente a tortura. Já que ele era um perito gabaritado, ele, se tivesse havido a tortura no sentido que ele mais tarde utilizou, deveria colocar, porque eu colocaria, "T-O-R-T-U-R-A", caixa alta, padrão 18, intercalado, sublinhado e negritado.

LM -- E detalharia?

Luna -- Claro, sou profissional, faço isso em meus relatórios. Quando tenho que indiciar uma pessoa, tenho de dizer porque estou indiciando. Não escrevo que simplesmente indiciei. Indiciei porque as provas tais, às folhas tais, isso e aquilo.

LM -- O senhor está falando sobre os laudos com base nas informações recentemente divulgadas?

Luna -- Sim, porque quando nos afastamos do caso, os laudos não estavam prontos.

LM -- Não seria providencial algum tipo de mudança no preenchimento dos laudos?

Luna -- Os quesitos dos laudos necropsiais têm de ser formulados pelas autoridades policiais. Dessa forma, em casos como esses, os quesitos têm de ser separados entre as autoridades policiais e as autoridades necropsiais. Houve tortura? Sim. De que modo? O que leva o perito a crer? Discorra. Porque é assim que fazemos na Polícia Federal. E reservamos espaço para o perito julgar. Os quesitos são da autoridade policial. Como se pode explicar que um perito com a capacidade do Carlos Delmonte vai dizer "sim" e esquece de digitar o resto? Isso não é plausível.

LM -- De qualquer forma, e voltando ao principal, do aspecto criminal, o senhor acredita que, mesmo tendo a Polícia Federal se afastado do caso, após a primeira fase de inquéritos, o trabalho paralelo e depois complementar do DEIC e do DHPP tem uma lógica da arquitetura do crime?

Luna -- Concordo plenamente. Eles não estão se baseando em ilações. Estão indo pelas coisas concretas, pelo que os envolvidos diretamente estão dizendo.

LM -- Se tivesse que assinar embaixo as investigações do DEIC e do DHPP, o senhor assinaria?

Luna -- Assinaria. Porque não tenho dúvida. E repito: até onde investigamos e onde eles investigaram, eu assino embaixo com todas as letras. Agora, se tiver fatos novos, não posso dizer sobre isso, porque não sei. Por exemplo: se o Ministério Público chegar a conclusão de que tem uma ligação do Bozinho com o Dionísio. Não vejo essa ligação, mas se o Ministério Público está aqui para ver, aí eu me calo.

LM -- Lá na origem, diante de todas as investigações que foram feitas, 30 dias de grampos, se não aparece determinado personagem é muito improvável que ele tenha participado?

Luna -- O resultado não foi baseado apenas nas interceptações telefônicas. É todo o conjunto probatório. São as pessoas de um lado não sabendo quem são as pessoas do outro lado. É o Itamar praticando um sequestro que não era o primeiro, mas muitos, antes e depois do caso. Ele sequestrou um alto executivo da Volkswagen um dia depois que o Washington Olivetto foi sequestrado por outro bando. Ele sequestrou o executivo em frente ao Palácio do Governo, no Morumbi. Eu estava envolvido na investigação do caso Olivetto. Quando vi a notícia do sequestro do executivo da Volks, não acreditei. Esses caras são loucos. Será a certeza da impunidade? Eles não estavam nem aí. Depois continuaram fazendo uma série de sequestros. Então, temos sequestradores fazendo sequestro. Não temos sequestradores com crime de mando. O perfil deles é esse.

LM -- Em nenhum momento houve qualquer intersecção telefônica entre o Paço Municipal de Santo André e esses bandidos?

Luna -- Nas nossas interceptações, de forma alguma.

LM -- Doutor, no fundo, no fundo, quando começaram as investigações, o senhor gostaria que houvesse de fato o cruzamento do crime em si com a política? O senhor torcia para que a calça do Celso Daniel, por exemplo, estivesse de fato trocada?

Luna -- Sim. Cada situação que levava para a definição de crime comum, provocava uma certa frustração. Quem é que não quer fazer um grande caso? Que policial não quer ter em seu histórico um grande caso? Quando fui chamado para fazer a investigação do crime do juiz Leopoldino Marques do Amaral, em Cuiabá, e todo mundo falava que os desembargadores teriam encomendado a morte dele, me via diante de um esquema gigantesco. Quando comecei a apurar não era bem aquilo. A vítima era uma pessoa inescrupulosa, que não tinha o mínimo pudor. Aí vem a irmã falando que tinha uma relação incestuosa com a vítima. Eu praticamente esculachei a irmã, mas ela, na simplicidade dela, disse "tudo bem doutor, fui eu que sofri os abusos, não foi o senhor". Na vara que ele presidia, tinha desfalque financeiro. Mas a sociedade não quer isso. A sociedade quer o espetáculo.

LM -- O senhor imaginou que o caso Celso Daniel seria seu grande momento?

Luna -- Sim. Era tudo o que queria. Já pensou se tivesse um enredo assim: o vice-prefeito mandou matar o prefeito?

LM -- O senhor também trabalhou com a possibilidade de que o Sérgio Gomes poderia ser o autor intelectual do crime?

Luna -- Sim. Ele estava na qualidade de investigado. Quando a mídia colocou aquela história da trava da Pajero, que abriu, que fechou, naturalmente nos interessamos.

LM -- Como se faz uma boa investigação policial?

Luna -- Torturar, bater, agir de qualquer maneira para obter a confissão de um crime que não é da pessoa, não dá certo. Isso está mais que provado nos casos do Bar Bodega, da Escola Base. O caso do Toninho do PT também já diz isso, quando dizem que foram os motoqueiros que teriam matado. Isso não presta. Isso é investigação que mais cedo ou mais tarde vai ser desmascarada.

LM -- Qual foi o momento em que o senhor achou que o Sérgio Gomes não tinha nada a ver com o crime?

Luna -- Foi ele que tomou a rajada de metralhadora quando o carro foi abalroado pelos sequestradores. Estava na esperança de prender o Itamar e ele dizer que tudo aquilo foi simulado, que ele, Sérgio, pagou para que fosse feito o sequestro. Era tudo o que queria. A partir do momento em que disse que o Sérgio não estava envolvido, que jogou o carro que ele dirigia em cima do carro deles, a expectativa de culpabilizá-lo foi-se desmanchando. Depois, quando a gente vê que foi o próprio Sérgio Gomes que ligou para a Polícia Militar e avisou que o Celso Daniel foi sequestrado, e, baseado nessa informação, foi possível rastrear o telefone que nos levou à Favela Pantanal, em Diadema. Se o cara estivesse envolvido, por que que ele faria isso? Isso causa frustração. Mas mesmo assim você quer provar o contrário. Mas sou profissional. "Ah! mas ele não é boa bisca". Mas isso é outra coisa. "Ah! mas ele está envolvido em corrupção". Isso tem de ser apurado de outra maneira. "Ah! mas tem um esquema de ônibus". Tem que prender mesmo se ele matou a vovozinha dele, se ele achacou o lixo, a Prefeitura, o que for, mas não aqui, porque essa é uma investigação que não pode ser contaminada pelas outras. Tudo isso foi trazendo uma certa frustração para a gente. Se tivesse que botar esse cara na cadeia por esse homicídio, estaria muito contente. Não estou falando isso da boca para fora não. Mas a investigação não leva a isso. "Ah!, mas esse Klinger, esse Ronan Maria Pinto". Eles que fiquem com os problemas deles lá, entendeu, porque não vou ficar perseguindo ninguém.
Prisões 40 dias apósdecisão de investigar

Os jornais de dois de março de 2002 anunciaram as prisões da Polícia Federal das quais o delegado José Pinto de Luna participou -- os sequestradores Itamar Messias dos Santos, o Olho de Gato, e Rodolfo Rodrigo dos Santos, o Bozinho. O Diário do Grande ABC abriu o título principal da página 5 do Caderno Grande ABC: "Presos mais dois no caso Celso". O Estadão abriu o Caderno Cidades com "PF prende Itamar, acusado de matar Daniel". A Folha de S. Paulo preferiu o título principal do Caderno Cotidiano com uma inflexão: Daniel foi pego por acaso, dizem suspeitos".

Quarenta dias separam aquelas manchetes de dois de março e a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de colocar a Polícia Federal no caso Celso Daniel. Celso Daniel ainda estava sequestrado no sábado, 19 de fevereiro, quando FHC determinou que a PF fosse acionada para ajudar nas investigações. A orientação foi feita ao ministro da Justiça Aloysio Nunes Ferreira, que viajou a São Paulo para acompanhar de perto a ação da Polícia.

Já na tarde daquele sábado do sequestro o delegado Gilberto Tadeu, assessor de Imprensa da PF, afirmava que as primeiras investigações praticamente descartavam a hipótese de crime político. "As informações apontam para um crime de oportunidade"-- disse. Era de interesse do governo federal e também do governo estadual, tucanos, amenizar as primeiras críticas do PT ao quadro de debilidade da segurança pública na Grande São Paulo.

Então candidato potencial à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva manteve contatos com Fernando Henrique Cardoso, quando tomou conhecimento das medidas adotadas pelo governo federal para investigar o sequestro e manifestou preocupação com atentados sofridos por integrantes do PT. Lula citou dois episódios: o assassinato do prefeito de Campinas, Antonio Toninho da Costa Santos, e a explosão de uma bomba na casa do prefeito de Embu, Geraldo Cruz.

A politização do sequestro de Celso Daniel pelo PT saltou para as páginas de jornais e para o noticiário da mídia eletrônica no mesmo sábado em que não se sabia o destino do prefeito. A então prefeita petista de São Paulo, Marta Suplicy, estava indignada: "A Capital chegou ao limite de tolerar, de conviver com essa onda de violência e sequestro. Providências mais sérias têm de ser tomadas. O governador Geraldo Alckmin tem de agir. Ninguém aguenta mais" -- desabafou Marta no Paço Municipal de Santo André num começo de ano que programava eleições governamentais e presidenciais para outubro.

Dois dias depois do crime, jornais abriram manchetes para o que chamavam de crise da segurança pública. Tanto que Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva mantiveram encontro em Brasília. Os jornais do dia seguinte estamparam fotos do aperto de mãos. O gesto definia a concordância de que o combate ao crime organizado só seria eficaz com ações coordenadas dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. "O combate à violência está acima de questões partidárias" -- disse o presidente FHC.

Na sexta-feira, 25 de janeiro de 2002, o governador Geraldo Alckmin ocupou os jornais para se defender da avalanche de críticas, principalmente petistas, à insolvência da segurança pública no Estado. "Precisamos agir na questão social, senão a Polícia vai ficar enxugando gelo", disse Alckmin. E recorreu a uma frase do papa Paulo VI, em 1967, para sugerir a saída: "Sem desenvolvimento econômico não há paz".

A dupla de sequestradores presa pela Polícia Federal no começo de março de 2002 voltava de Camaçari, na Bahia. Itamar Monstro e Bozinho viajavam em um ônibus na Via Dutra quando foram surpreendidos pela Polícia na parada do veículo em um restaurante de um posto de combustível em Aparecida (167 quilômetros de São Paulo).

Os primeiros tempos de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil foram marcados por hostilidade. Dirigentes petistas chegaram a denunciar arbitrariedades. Vazamento de informações à Imprensa acabaram por contaminar as relações entre Polícias e PT, principalmente porque associava-se Sérgio Gomes da Silva e suposto esquema de desvios de recursos da Prefeitura de Santo André ao assassinato do prefeito. Mais tarde se soube que eram os promotores públicos que informavam a mídia sobre a possibilidade de crime encomendado.

Ironicamente, tanto a Polícia Federal quanto a Polícia Civil de São Paulo, ainda durante os governos federal e estadual do PSDB, acabaram por concluir pela ocasionalidade do crime.

Menos o Ministério Público de Santo André que, por determinação do então Procurador-Geral da Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, mandou reabrir as investigações e retirou Sérgio Gomes da Silva da condição de vítima para mandante do crime. Marrey virou secretário de Negócios Jurídicos do prefeito José Serra, derrotado nas eleições presidenciais de 2002.


* Matéria publicada na edição de abril da revista Livre Mercado


** DANIEL LIMA é jornalista, escritor ("Complexo de Gata Borralheira", "Meias Verdades" e "República Republiqueta") , fundador e diretor-editorial da revista LivreMercado (com circulação há 16 anos no Grande ABC), criador e coordenador-geral do Prêmio Desempenho (há 13 anos realizado no Grande ABC com auditoria externa das planilhas dos concorrentes) e fundador do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual que contempla dados sociais, econômicos, financeiros e criminais dos principais municípios paulistas. Atuou em várias publicações antes de criar a revista LivreMercado.

Wednesday, April 19, 2006

Carta aberta do povo brasileiro em defesa do governo do Presidente Lula


VAMOS PARTICIPAR DESTE MANIFESTO


O Brasil é uma nação desigual. No mesmo solo, convivem a riqueza e a miséria o doutorado e o analfabetismo e tantas outras desigualdades gritantes que afrontam a dignidade humana.

Porém, nunca como agora as classes menos favorecidas foram alvos de tanta consideração por parte do governo federal. Os projetos sociais implementados pela administração do Presidente Lula, como o Bolsa Família, o Bolsa Escola, o Pro Uni, a Farmácia Popular, o Luz Para Todos, entre outros, estão, de fato, promovendo o resgate da cidadania dos pobres desse país, relegados durante décadas ao papel de coadjuvantes da História Brasileira, servindo apenas como mão-de-obra barata para ampliar as vantagens econômicas e sociais desfrutadas pelas elites.

O projeto de nação igualitária e justa que sonhamos começou a ser realizado quando a administração do Presidente Lula teve início. Estamos vivenciando um momento único: a construção da história. Não temos dúvidas de que a atuação do Governo Lula é uma das ferramentas que está permitindo a transformação do poder nesse país.

No entanto, essa atenção do governo aos mais pobres despertou a ira de muita gente, aqueles que sempre viveram às custas da exploração do povo. Acostumadas a ser as únicas beneficiárias dos recursos produzidos pela nação as elites desencadearam, com o apoio de parte expressiva da mídia nacional, uma campanha como poucas vezes se viu para inviabilizar o governo do presidente Lula. No entanto, depois quase 1 ano de bombardeio intenso de duas CPIs, com cobertura ampla e engajada da mídia, o prestígio do presidente continua inabalável. Isso porque, além dos benefícios proporcionados pela política social e econômica, o povo percebe que as instituições da República estão cumprindo a sua função. As irregularidades estão sendo apuradas e os responsáveis punidos pela Justiça. Nunca a Polícia Federal e o Ministério Público atuaram tanto contra a corrupção, bem diferente dos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o Procurador Geral da República ficou conhecido como Engavetador Geral, por esconder na gaveta todos os processos que contrariavam os interesses do governo FHC.

Como a campanha sistemática contra o presidente não afetou o prestígio do presidente Lula, que continua liderando as intenções de votos para a próxima eleição presidencial, surge agora, no bojo do movimento oposicionista, rumores cada vez mais fortes sobre a proposta de impeachment do presidente da República, patrocinada por setores reacionários da Ordem dos Advogados do Brasil, com o apoio entusiasmado do PSDB e do PFL (este de tradição golpista que remonta a velha UDN e passa pela Arena, que apoiou a ditadura militar) e da mídia que não suporta ver o povo como protagonista da História.

A estes que pretendem espezinhar a vontade do povo brasileiro manifestada na votação histórica obtida pelo presidente Lula, e corroborada atualmente pelas pesquisas eleitorais, um aviso: não ousem afrontar os desígnios do povo. Não queiram ver o circo pegar fogo! Nós que apoiamos o governo do Presidente Lula vamos perseverar na luta para que o presidente termine o seu mandato e concorra à reeleição, como é seu direito. Não vamos tolerar tentativas golpistas patrocinadas por setores retrógrados da sociedade que querem a volta da política de privatização implementada pelo governo do PSDB-PFL.

Não ao golpe!
Não ao impeachment!
Pela reeleição do Presidente Lula!
Lula não está só porque Lula é muitos! Lula somos todos nós!

Com o intuito de reforçarmos nosso apoio ao Presidente Lula, redigimos esta carta, com o apoio de vários grupos, blogs e comunidades. A proposta e colhermos maiores números de assinaturas, para encaminharmos ao Presidente Lula, mídia, OAB, enfim a todos os órgãos possíveis. Mostre o seu apoio assinando e colhendo assinaturas de parentes, amigos, etc.

Para assinar basta enviar seu Nome, Profissão, Cidade e Estado para o e-mail:

companheiro.lula@yahoo.com.br

Conto com a colaboração de todos os Amigos do Presidente Lula, colham assinaturas dos amigos e me envie pelo e-mail acima! Vamos dar um banho de democracia na oposição! ---

--- repassem, vamos fazer a corrente para a frente que o Brasil precisa ---

Monday, April 17, 2006

PT evita manobras tucanas e avança nas denúncias contra Alckmin

Mensagem enviada através do GRUPO BEATRICE http://grupobeatrice.blogspot.com/

17/04/2006

Na reunião da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa de São Paulo, ocorrida na terça-feira (11), o deputado petista Renato Simões apresentou requerimento solicitando a presença do filho do ex-governador, Thomaz Alckmin e de Sullen Jia, filha de Jou Eel Jia, médico acupunturista do ex- governador. Ambos são sócios de uma loja de produtos naturais, para onde os pacientes do Dr. Jou Jia são encaminhados para adquirir os produtos por ele recomendados.
Jia é proprietário da revista Cha´n Tao, que recebeu R$ 60 mil em publicidade da Companhia de Energia Elétrica Paulista. Segundo informe da bancada petista, os deputados tucanos demonstraram temer a apuração dos fatos que envolvem o ex-governador (pré-candidato à presidência da República) em denúncias de tráfico de influência e gastos indevidos de dinheiro público.
Os tucanos obstruíram a votação do requerimento e pediram vistas ao documento. Os deputados do PT, imediatamente fizeram a requisição de vistas conjuntas dos pedidos; mecanismo que permite agilizar os trabalhos.
Os manifestantes do Sindicato dos Bancários, presentes na reunião, irritados com as medidas protelatórias provocada pela obstrução dos tucanos, começaram a mostrar “fogões de brinquedo”, em alusão aos fornos adquiridos pela Nossa Caixa para o projeto de Lu Alckmin, quando estava à frente do Fundo de Solidariedade.
O líder do PT na Assembléia, Enio Tatto, terminou a reunião mostrando um relatório de pagamentos feitos pela Secretaria de Educação ao Spa Ch’an Tao, empresa de Jou Eel Jia médico do ex-governador.
Na quarta-feira (12), o líder do PT protocolou no Ministério Público Estadual uma representação requerendo apuração dos indevidos.Participaram da reunião da Comissão de Finanças e Orçamento Renato Simões, Simão Pedro, Mario Reali, Candido Vacarezza, Roberto Felício, Carlos Neder e Adriano Diogo.

Veja a representação na íntegra

Do Portal do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo (www.ptalesp.org.br)

Roubou quanto?

Enviado por Fernando Rossas Freire

Engraçado este ex-deputado José Dirceu chamado de chefe de quadrilha? Roubou quanto? De onde? Botou aonde? Comprou jatinho como os líderes do PSDB e do PFL? É dono de apartamento de três milhões como FHC? Enriqueceu no poder? Que chefe de quadrilha é este que não é acusado de haver extraído proveito pessoal de sua passagem pelo governo?

(Lustosa da Costa, jornalista - Diário do Nordeste, Fortaleza-Ce, 13/04/2006)

Sunday, April 16, 2006

SEMPRE SE TEM UMA RAZÃO PARA ACREDITAR OU DESACREDITAR DE UM GOVERNO.

QUAIS SÃO AS SUAS?
Enviado por Raul Longo

O jornalista Nelson Breve* da Agência Carta Maior - sucursal Brasília selecionou diversas das tantas razões de descrédito do governo Lula.
Preferimos dividi-las e editar uma série para que se possa fazer a escolha com muita calma, ao invés de ficar repetindo como papagaio o que se lê diariamente na imprensa.
Avalie as opções e escolha a sua, mas que seja uma opção própria, individual, de personalidade, e não o eco de interesses escusos:

Há 30 anos, ele não podia governar porque era um agitador subversivo. O tempo mostrou que ele lutava para que os direitos dos trabalhadores fossem respeitados.
Depois, ele não podia governar porque não era político. O tempo mostrou que a política não se restringe ao mundo dos intelectuais e aristocratas.
Depois, ele não podia governar porque não pertencia a um partido político tradicional. O tempo mostrou que é possível construir um partido a partir de bases sociais populares.
Depois, ele não podia governar porque era muito radical. O tempo mostrou que as aparências enganam.
Depois, ele não podia governar porque era ignorante. O tempo mostrou que todos podem aprender cercando-se de quem sabe.
Depois, ele não podia governar porque os empresários iriam embora do país. O tempo mostrou que a construção de uma nação não depende de uma elite chantagista.
Depois, ele não podia governar porque nunca tinha governado prefeitura ou estado. O tempo mostrou que experiência administrativa é menos importante do que sabedoria política.
Depois, ele não podia governar porque não tinha diploma universitário. O tempo mostrou que não é preciso diploma para identificar os problemas do povo.
Depois, ele não podia governar porque o país quebraria. O tempo mostrou que os problemas crônicos da economia do país não estavam nas opções políticas.
Depois, ele não podia governar porque não conseguiria ampliar suas alianças políticas. O tempo mostrou que a habilidade política torna possível o que é necessário.
Depois, ele não podia governar porque ampliou suas alianças até partidos conservadores e fisiológicos. O tempo mostrou que sem essas alianças ele não teria completado o segundo ano de mandato.

Nelson Breve foi repórter das rádios Eldorado e CBN, da Agência Estado e do Jornal do Brasil, e assessor de imprensa da Confederação Nacional da Indústria.

Raul Longo

A cúpula da OAB

LUIZ FERNANDO CARCERONI
Enviado por Adauto Melo
A iniciativa da cúpula da OAB, de examinar o pedido de impedimento de Lula, deveria ser atacada e desqualificada, antes de ocorrer o ato principal no dia 08 de Maio.
Há milhares de advogados contrários ao fato político que pretende promover a direção da OAB. Há dezenas de instituições que poderiam se manifestar sobre a necessidade de preservar o clima de normalidade democrática para as eleições. Cidadãos poderiam enviar cartas, telegramas e E-mails advertindo a direção da OAB sobre esta tentativa de tumultuar o ambiente político, uma impropriedade as vésperas da eleição.
Eleições livres constituem-se no verdadeiro julgamento a que devem ser submetidos os políticos. O impedimento é ato político e carece de juridicidade para o seu encaminhamento e ao contrário tentará fazer crer a cúpula da OAB. Enfim, penso ser necessário caracterizar esta iniciativa da direção da OAB como um ardil para beneficiar eleitoralmente a oposição. Na verdade, o pedido de impedimento do presidente pode fazer parte da tentativa de criar espaço ao maniqueísmo histérico contra Lula e o PT. A OAB não pode ser parte integrante do plano estratégico da oposição, para estas eleições presidenciais.
O modo de pensar maniqueísta é oportunista em todos os espaços humanos. Ele demonstra ter mais força quando vivemos situações-limite e de ódio extremo. Nesses momentos, a mente regride às origens, em busca de soluções mágicas e simplistas. A história mostra que pessoas sofisticadas intelectualmente e nações cultas, como a Alemanha, foram levadas por onda histérica maniqueísta. Este é o clima em que a oposição pretende disputar as eleições, até agora com pouco sucesso, mostram as pesquisas eleitorais.

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Diretor Tesoureiro - Vladimir Rossi Lourenço

Nota do deputado Jorge Bittar sobre a CPMI dos Correios



A sessão de encerramento da CPMI dos Correios quando foi aprovado o relatório do deputado Osmar Serraglio não foi marcada apenas pela violação das mais elementares regras regimentais. Mais do que isso, ela foi o ápice de um processo que, da forma que foi conduzido, teve por objetivo, em última análise, minar o governo Lula e desacreditar o Partido dos Trabalhadores perante a nação.

Todos os esforços do governo em se abrir às investigações e do PT em participar ativamente para a apuração dos delitos e responsabilização dos culpados foram deixados de lado. De modo açodado e repleto de práticas antidemocráticas, foi aprovado um relatório de cunho nitidamente político-eleitoral, condizente com os objetivos de figuras que sempre representaram as oligarquias e as piores práticas políticas no Brasil.

Neste momento em que estou sendo acusado pelo senador Delcídio Amaral, presidente da CPMI, de ferir o decoro parlamentar ao me insurgir contra o fato de o regimento ter sido rasgado de forma vergonhosa, venho a público denunciar as manobras que levaram à aprovação do relatório do deputado Osmar Serraglio e reafirmar minha indignação e meu inconformismo contra tais práticas, a fim de que elas não voltem jamais a ocorrer.

De infrator do regimento, o senador Delcídio Amaral tenta passar à condição de vítima sob a alegação de que eu tentei impedir a continuidade dos trabalhos da CPMI através de ofensas e ameaças. Isso não corresponde à realidade dos fatos e pode ser comprovado pela análise das imagens gravadas pela TV Senado e pelas notas taquigráficas tomadas durante a realização da sessão.

Ao constatar que o presidente da CPMI, sistematicamente, nos impedia de fazer uso da palavra, não nos permitia a apresentação de destaques e não nos dava conhecimento do exato teor das alterações introduzidas pelo relator na última hora, me dirigi ao senador Delcídio Amaral para protestar e exigir o cumprimento do que dispõe o regimento. Tal qual um jogador de futebol se dirige ao juiz da partida de forma respeitosa, com as mãos atrás das costas, fiz ver ao senador Delcídio Amaral que os parlamentares presentes à sessão não poderiam votar sem saber em que exatamente estavam votando.

Lembrei ao presidente da CPMI que, além de descumprir o regimento, ele traía sua própria palavra empenhada publicamente no dia anterior, logo ao início dos trabalhos, quando ele nos assegurara a votação de destaques para que todos pudessem discutir os pontos controversos do relatório. Pontos esses que, no meu entender, constituem interpretações políticas, de caráter estritamente eleitoral, com o objetivo único de atingir o governo Lula e o PT.
Minhas ponderações, no entanto, não surtiram efeito e o presidente da CPMI deu início, de forma autoritária, a uma votação atabalhoada, encerrando insatisfatoriamente um trabalho de 10 meses durante os quais todos nós, parlamentares do PT, contribuímos incansavelmente para responsabilizar aqueles que praticaram atos delituosos e para criar mecanismos que evitem que antigas práticas de corrupção, há muitos e muitos anos incrustadas no aparelho de estado e no setor público, voltem a ocorrer.

Somente depois de encerrada a sessão, efetivamente, interpelei de forma indignada o senador Delcídio Amaral e cobrei, não apenas o fato de ele ter desrespeitado o regimento, mas também a própria palavra que ele empenhara na véspera. Ao fazê-lo, não era um membro da CPMI que interpelava o presidente de uma CPMI já encerrada. Naquele momento era um deputado federal que cobrava a um senador da República uma atitude republicana. Era um parlamentar que cobrava a outro parlamentar um procedimento condizente com nossas responsabilidades perante a nação e o advertia sobre a importância de honrar a palavra empenhada.

A alegada quebra do decoro parlamentar a mim imputada foi praticada, na realidade, pelo senador Delcídio Amaral durante a realização da sessão, quando fez ouvidos moucos às nossas ponderações racionais e totalmente amparadas pelo regimento. Ao violar o regulamento, do qual o presidente de uma CPMI deve ser o guardião maior, o senador Delcídio Amaral quebrou o decoro, afrontou a nação e fez aprovar um relatório que – insisto – serve apenas ao interesses das elites inconformadas com o fato de um governo democrático continuar contando com maciço apoio da população mesmo sob o fogo de mentiras e subterfúgios da oposição conservadora.

Também não posso deixar de manifestar minha suspeição sobre a supressão, no momento derradeiro, de itens do relatório do deputado Osmar Serraglio, entre os quais o que diz respeito às graves denúncias que envolvem franquias da empresa dos correios, como a Tamboré, sediada em São Paulo, cujos dirigentes tinham seus nomes apontados para o Ministério Público para prosseguimento da investigação.

Haveria muitas outras coisas ainda a dizer, mas quero finalizar reiterando meu firme propósito de continuar atuando como parlamentar da maneira reta que sempre me pautou. E de me valer do direito inalienável de expressar minha indignação sempre que a necessidade assim o exigir.

Jorge Bittar – Deputado Federal PT - RJ

http://www.jorgebittar.com.br/

Saturday, April 15, 2006

Futuro do Haiti está ligado à integração latino-americana e caribenha

IRMANDADE EM ENCONTRO ENTRE FIDEL E PRÉVALO

POR DEISY FRANCIS MEXIDOR - * Granma Internacional

O presidente cubano Fidel Castro Ruz deu as boas-vindas, ontem, dia 13, à tarde, ao presidente eleito da República do Haiti, René Préval, no Palácio da Revolução, onde sustiveram as conversações oficiais num ambiente de amizade, respeito e irmandade, símbolo dos laços entre os povos haitiano e cubano.

Depois da foto oficial, Fidel e Préval cumprimentaram as delegações de ambas as partes. Posteriormente, examinaram o estado atual das relações bilaterais, trataram da ampliação da cooperação, iniciada durante o primeiro período presidencial do dignitário haitiano (1996-2001), bem como de outros temas de interesse mútuo.

Hoje, de manhã, o presidente haitiano, junto ao chanceler cubano Felipe Pérez Roque, colocou uma coroa de flores na base do monumento a José Martí, na Praça da Revolução. Depois, foi com sua comitiva à Universidade das Ciências Informáticas (UCI).

Num diálogo breve com os jornalistas, manifestou que o futuro do Haiti está estreitamente ligado à integração latino-americana e caribenha, pois considera que é a unica alternativa para o desenvolvimento de nossos povos.

Participaram das conversações oficiais, pela parte cubana, os membros do Bureau Político, Carlos Lage, José Ramón Balaguer e Yadira García; bem como o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque; a ministra para os Investimentos Estrangeiros e a Colaboração Econômica, Marta Lomas e o membro do Conselho de Estado, Carlos Valenciaga.

Além do mais, marcaram presença a ministra interina da Agricultura, María del Carmen Pérez; a vice-ministra das Relações Exteriores, Yiliam Jiménez; o diretor da Direção de América Latina e Caribe do Minrex, Alejandro González, e o embaixador cubano nessa nação caribenha, Raúl Barzaga.

O líder haitiano tomará posse em 14 de maio e chegou ao país na quarta-feira para uma visita de trabalho e a convite do presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba.

Denúncia do Procurador: Peça Jurídica ou Política?

Jasson de Oliveira Andrade

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou 40 pessoas ao Supremo Tribunal Federal, segundo ele, envolvidas com o esquema do mensalão. O correto seria valerioduto. Tudo bem. Os grandes jornais deram a notícia em manchetes, com letras garrafais, demonstrando alegria.
O Estadão noticiou na primeira página: “MP: PT formou organização criminosa para manter o poder”. Com letras menores, mas também com destaque: “Foram denunciados 40, entre eles José Dirceu, acusado de ser o chefe da “quadrilha”. Além da notícia, ainda dedicou ao assunto o Editorial “Um libelo arrasador”.
A Folha deu a manchete de primeira página: “Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa”. O jornal gostou da denúncia, segundo o seu Editorial: “Um relatório exemplar”. Antes de prosseguir, vejam a diferença. O Estadão afirmou: PT. A Folha foi mais correta: petistas (alguns) e não PT. A VEJA, eufórica, deu na capa: “O bando dos 40”. Nem todos gostaram.
O jornalista Kennedy Alencar, da Folhaonline, em artigo, discorda dos jornalões: “Ministério Público decepciona ao investigar “mensalão”. O jornalista comentou a denúncia contra José Dirceu, “o chefe da quadrilha”, segundo o procurador-geral, repetindo a acusação de Roberto Jefferson, dizendo: “No entanto, caberá ao Supremo dizer se há provas contra Dirceu ou não.
Pelo relatório de Souza, o ex-ministro da Casa Civil pode dormir tranqüilo. O procurador-geral não teve coragem de assumir que não há provas contra Dirceu. Uma coisa é a condenação política merecida que o deputado sofreu. Congresso e CPIs tem caráter político e legitimidade para agir assim. A Procuradoria Geral tem de se concentrar nas questões jurídicas”. Kennedy concluiu: “Como denúncia que precisará se sustentar juridicamente ao ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal, Souza e sua equipe elaboraram uma bela peça política. Ele e seus auxiliares jogaram a batata quente no colo dos magistrados. (...) Os nomes de sua denúncia são os mesmos revelados pelas CPIs, Valério e a imprensa. Ora, para quem cercava com aura de mistério sua investigação e prometia ir além das investigações congressuais, o procurador-geral da República PRODUZIU UM CANHÃO POLÍTICO E UMA BALA DE FESTIM JURÍDICA (destaque meu). Decepcionante.”

O PT também se manifestou. Ricardo Berzoini, presidente do partido, em Nota Oficial, declarou: “A denúncia do procurador-geral, que atua neste caso como advogado de acusação, não constitui sentença condenatória. Esta, só a Justiça poderá proferir. (...) Os 860 mil filiados e filiadas, dentre os quais milhares de parlamentares, governantes, militantes sindicais e de outros movimentos reivindicatórios, defendem a mais ampla apuração de todos os fatos denunciados. Mas esperam que a cobertura jornalística dessa apuração não se transforme em instrumento de campanha eleitoral dissimulada”. Berzoini, logicamente, não será atendido pela imprensa tucana!
A Folha publicou a opinião do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos: “A denúncia não é uma condenação, é o início de uma ação penal. Se for recebida pelo Supremo, vai permitir a todos aqueles que ali são apontados o exercício de todo o seu direito de defesa.” Não é o que está acontecendo. A mídia e a oposição, antes mesmo da condenação, já estão condenando os denunciados! Aliás, um fato me chamou a atenção. A Folha noticiou: “Na denúncia, de 136 páginas, Antonio Fernando afirma que o esquema [“mensalão”, ou valerioduto] foi “inaugurado” em 1998, na campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais – O TUCANO NÃO CONSTA DA LISTA DE DENUNCIADOS (destaque meu)”. Posteriormente à denúncia, o Estadão informou que “na segunda etapa” o procurador-geral irá denunciar outros parlamentares que “ficaram de fora”: Sandro Mabel (PL-GO), Roberto Brant (PFL-MG), Vadão Gomes (PP-SP), Wanderval Santos (PL-SP) e Josias Gomes (PT-BA).” Será que na pressa de revelar seu relatório, o procurador-geral “esqueceu” desses nomes? Por que o relatório não foi completo? Desconheço o motivo e também a pressa!

Os tucanos procuraram tirar proveito dessas acusações. Muitas vezes distorcendo os fatos. O senador Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB, chegou mesmo a dizer que o presidente Lula é “o grande responsável pela formação da quadrilha” em seu governo. Em resposta, Tarso Genro, na entrevista que concedeu ao Estadão, sob o título “O governo Lula está sob cerco político”, afirmou: “É uma acusação que está fazendo ao trabalho da CPI e do procurador-geral da República, porque ambos foram taxativos em excluir o presidente de qualquer denúncia. Acho que o senador Tasso Jereissati é uma pessoa responsável, mas está envolvido no clima emocional gerado por este ano de eleições”. Em outra resposta ao jornal, ele disse: “Como se comportaram os presidentes quando as denúncias foram levantadas contra seu governo? Quem investigou mais? Quem puniu mais? Esse comparativo vai mostrar que o governo Lula combate a corrupção e não a tolera. Será que todos os candidatos poderão dizer o mesmo?” Pelo menos Alckmin, não poderá: ele impediu 68 CPIs que pretendiam apurar irregularidades em seu governo!

Para terminar, uma opinião de Bárbara Gancia, em artigo na Folha (14/4). Depois de relembrar Aristides Junqueira, procurador-geral da República que denunciou Collor, mas cuja denúncia hoje “é considerada uma peça capenga, sem o devido embasamento técnico’, por isso mesmo, o ex-presidente foi absolvido, ela faz uma aposta: “Independentemente da culpa ou não dos envolvidos no caso mensalão, aposto um picolé de limão [porque não “picolé de chuchu”?] como mais essa denúncia foi mal formulada e que os acusados serão absolvidos. Quem viver verá.”
As opiniões são divergentes. Só a Justiça vai dar a resposta!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


A QUADRILHA

O Chefe

EDUARDO AZEREDO


NÚCLEO POLÍTICO-PARTIDÁRIO

FHC - ACM - Arthur Virgílio - Bornhausen - Alckmin

CÉSAR MAIA

MADRINHA: HELOÍSA HELENA


NÚCLEO FINANCEIRO:

COORDENADORES

Agripino Maia - Arcanjo (O Comendador)





NÚCLEO PUBLICITÁRIO

LACAIO DO SUDESTE

Chico Alencar



LACAIO DO PANTANAL

Delcídio Amaral


LACAIO DOS PAMPAS

Onyx Lorenzoni

LACAIO DO NORDESTE

Roberto Freire

LACAIOS DIVULGADORES




FALCÕES: OS MENINOS DA QUADRILHA


ACM NETO , EDUARDO PAES, RODRIGO MAIA





OPERÁRIOS: Izar e Serraglio

COORDENADOR JURÍDICO: Biscaia

LÍDER ESPIRITUAL: Garotinho

Friday, April 14, 2006

"Como paguei o avião é problema meu"!

Perfeita a resposta do ministro José Dirceu ao jornal O Globo, que desde ontem vem especulando a respeito de sua visita a Itamar Franco, em Minas Gerais, em um jatinho fretado.
Como cidadão comum que trabalha e paga os seus impostos em dia, ele tem o direito de ir aonde bem entender e utilizar o meio de transporte que quiser. E já que é assim, também quero saber como Garotinho está fazendo para se deslocar pelo país, quem está arcando com as despesas de suas viagens?
Está aí mais uma prova da perseguição da mídia tucana e pefelê ao ministro José Dirceu. Mas como era de se esperar a sua resposta foi a altura.

Bel

Resposta do ministro José Dirceu:

"Estou indignado com essa invasão de minha privacidade. Não sou ministro e nem deputado. Não devo explicações de minha vida privada. Sou advogado, consultor de empresas. Tenho dinheiro para pagar o fretamento de um avião. Essa foi à primeira viagem em cinco meses desde que deixei Brasília e fui visitar o Itamar, que é meu amigo. Vocês querem que eu pare de fazer política? Agora, como paguei o avião é problema meu. Faço minhas declarações de renda todo ano e não vou explicar agora como viajo, como freqüento restaurantes.

Quando se freta um avião não se pergunta a quem pertence. Soube que foi o Garotinho que passou as informações sobre o jatinho. Isso é canalhice. Quer dizer que pobre não pode viajar de avião? Deveriam perguntar como o Alckmin viaja e como Garotinho está rodando o país todo. Estão violando dados sigilosos, porque a legislação não permite que se divulgue dados desse tipo".

Thursday, April 13, 2006

Estabilidade para o desenvolvimento

José Dirceu
Ex-ministro chefe da Casa Civil - *JB

O Brasil festeja, na próxima semana, uma conquista que reúne, ao mesmo tempo, densidade política e relevo econômico para qualificar melhor o debate sobre o desenvolvimento nas eleições de 2006.

A Petrobras, criada em janeiro de 1952 pelo então presidente Getúlio Vargas, depois de intensa mobilização nacional, inscreve nosso país, agora, entre as poucas nações industrializadas do planeta com auto-suficiência em petróleo. Não é um trunfo pequeno. A economia mundial range e arfa sob o peso implacável do custo da energia. A espiral ascendente das cotações bateu a marca dos US$ 69 por barril na terça-feira. Escassez e guerras pelo controle das reservas remanescentes condicionarão as transformações geopolíticas do século XXI. Grandes referências e dogmas econômicos podem soçobrar nesse percurso.

A reciclagem da matriz energética ergue-se como a agenda inexorável do desenvolvimento no século XXI. A transição cobrará um ágio elevado dos países que não conquistaram autonomia dentro da velha matriz, estando, portanto, obrigados a arcar, simultaneamente, com o crepúsculo da era fóssil e com a desvantagem financeira na corrida pela busca de alternativas renováveis e não-poluentes, como é o caso da agro energia.

O Brasil que emerge dessa equação, graças aos investimentos em marcha na Petrobras (US$ 58 bilhões em seis anos), à recuperação do Proálcool e ao lançamento do Biodiesel pelo governo Lula, é um forte candidato a potência energética do século XXI. É isso que emoldura e aumenta o valor do feito histórico da Petrobras agora, ao mesmo tempo em que valoriza a lição da arquitetura política que tornou possível a sua criação, há 53 anos.

Não se trata de ressuscitar projetos que pertencem ao seu tempo, mas não podemos desperdiçar a memória do desenvolvimento. A principal lição da luta pela Petrobras é que as vantagens comparativas de uma nação não decorrem apenas das ofertas da natureza, mas constituem, também, uma construção histórica de cada povo. Se dependesse somente dos impulsos de mercado - e de seus ventríloquos -, a Petrobras não teria sido criada. Criada, teria jogado a toalha logo depois das primeiras prospecções em terra, verdadeiramente decepcionantes. A importância estratégica de uma indústria petrolífera, porém, levou os defensores da Petrobras a insistirem no projeto, voltando seus esforços para a plataforma marítima, o que fez do Brasil, hoje, o líder mundial na produção de óleo em águas profundas.

Na verdade, se dependesse exclusivamente da visão conservadora, nenhuma dessas etapas teria sido percorrida porque Getúlio Vargas sequer retornaria ao palácio presidencial em janeiro de 1951. O vale-tudo na sucessão presidencial de 1950 tinha, exatamente, esse objetivo: derrotar Getúlio antes, durante ou depois do pleito. O então deputado udenista, Carlos Lacerda, não disfarçava a disposição de corrigir, pela força, eventual ''erro'' da preferência popular nas urnas: ''O senhor Getúlio Vargas ...'' - advertia o ''Corvo'' nas páginas obsequiosas da Tribuna da Imprensa, em junho de 1950 - 'não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução (NR: golpe) para impedi-lo de governar'.

Contra tudo isso nasceu a Petrobras. Foi, portanto, uma dupla vitória da democracia, em contraposição ao golpismo e à cartilha do Estado Mínimo, com a sua receita de mobilidade máxima para os capitais e de engessamento da vontade popular e do investimento público. Tivesse sido outro o resultado, hoje teríamos pouca estabilidade para recolocar a agenda do desenvolvimento no debate eleitoral de 2006. Com os preços do petróleo, em vez da auto-suficiência, estaríamos mergulhados numa asfixia financeira imprevisível.

Nosso saldo em contas correntes - que este ano deve passar de US$ 9 bilhões - provavelmente reeditaria o desastroso ''gerenciamento'' dos anos 90, que custou um déficit da ordem de US$ 188 bilhões e duas idas ao guichê do FMI. Aí sim, veríamos consumar-se o estreitamento do hiato de produto do PIB brasileiro, graças a um constrangimento auto-imposto por aqueles que, ontem, como hoje, continuam a alardear que o desenvolvimento é uma agenda ''administrativa'' - e não uma construção política de cada povo.

Mídia da Crise ou Crise da Mídia?

Seminário Internacional sobre Mídia e Democracia e novas formas de ativismo político

Dias 26, 27, 28 de abril de 2006 (quarta, quinta e sexta)

Realização: ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade

Apoio: MinC
Local: Auditório do CFCH da UFRJ
Campus da Praia Vermelha
Av. Pasteur, 250 Rio de JaneiroInformações: Tel. 021 38735067 e 021 22959449
ecoufrj@uol.com.br


Programação

Dia 26 (quarta)10h/13h -
Midiocracia
Como a democracia se constitui em aliança, conflito e composiçãocom os meios de Comunicação. Democracia pela mídia e governo dos meios de comunicação.

Palestrantes:

Wanderley Guilherme dos Santos - Cândido Mendes.
José Dirceu, ex-ministro
Paulo Henrique Amorin , TV Record
Ricardo Kotscho, Globo/Universidade
Giuseppe Cocco -Rede Universidade Nômade e UFRJ
Mediador: Sérgio Sá Leitão (MinC)

13h - Intervalo

14h - Apresentação de Projetos de Midiativismo:

Teatro do Oprimido, Apresentação de filmes e vídeos curtos sobre Mídia, Apresentação de Projetos de Comunicação

15h/18h - Midiativismo

Os novos intelectuais e atores políticos que utilizam a mídia e suas linguagens como forma de ativismo político e estético. A política do simbólico.

Palestrantes:

Franco Berardi - Rekombinant e Universidade de Bolonha
Raul Sanchez - Universidad Nomada de Madrid
Wallace Hermann Rádios Comunitárias
Geo Brito -CTO e Universidade Nômade
Giuliano Bonorandi - Ação Cultura Digital e Rádio Interferência
Mediadora: Tatiana Roque - Rede Universidade Nõmade e UFRJ

Dia 27 (quinta)10h/13h- A Mídia da Midia

Como a mídia vem cobrindo temas que afetam seu próprio negócio: a TV Digital, Ancinav, a Lei Geral de Comunicações, Softwares Livres, etc.

Palestrantes:

Gabriel Priolli - Televisão América Latina (TAL)
Diogo Moyses - Rede Intervozes
Sérgio Amadeu- Faculdade de Comunicação Cásper
LíberoManoel Rangel - Diretor da Ancine
Mediador: Esther Hanburguer (USP e Folha de São Paulo)

13h Intervalo

14h - Apresentação de Dossiês, materiais na internet, capas de revista, sobre a cobertura e imagens da mídia dos temas debatidos, emissões de Rádio

Como a mídia vem cobrindo temas polêmicos como as cotas, a bolsa família e as políticas de discriminação afirmativa. Mídia Negra

Palestrantes:

Muniz Sodré - ECO e Biblioteca Nacional
Alexandre Nascimento - PVNC e Rede Universidade Nômade
Júlio César Tavares - UFF
Marcio Alexandre, Revista Afirma
Jeferson De - Movimento Dogma Feijoada
Edson Cardoso - Jornal IROHÍN
Mediador: Márcio André, Rede Universidade Nômade
Dia 28 (sexta) 10h/13h -
Mídias de Resistência Como os movimentos sociais, Ongs, terceiro setor e sociedade civil fazem midia

Palestrantes:

Dojival Vieira - Afropress
Joaquim Palhares -Agência Carta Maior
Celso Horta, CUT
Claudia Cardoso - Midi@ética
Romano, RadioAberta
Ericson Pires, Hapax e Rede Universidade Nômade
Mediador: Giuseppe Cocco - Rede Universidade Nômade e Revista Global

13h- Intervalo

14h - Intervenções estéticos-midiáticas, emissões de Rádio,video, etc. Exibição de vídeos da CUFA, Afroreggae, Cia Etnica de Dança, clips-favelas

15h/18h - Comunicando as Favelas
As Imagens das favelas na mídia e a produção cultural, audiovisual, midiática dos movimentos saídos das favelas e periferias
Palestrantes:
Jailson de Souza - Escola Crítica de Comunicação Popular da Maré
Carmem Luz - Cia Étnica de Dança
Nega Gizza, CUFA
Écio Salles - Afroreggae
Ivana Bentes - ECO
Paulo Vaz - Pós-ECO
Mediadora: Ilana Strozenberg ECO

18h - ENCERRAMENTO - Festa e Manifestos

O Bar Canto Madalena abre para almoço na Sexta-Feira da Paixão.

O Bar Canto Madalena abre para almoço no próximo dia 14 de abril, Sexta-Feira da Paixão, e oferece aos seus clientes,além dos pratos de seu habitual cardápio, pratos especiais com filé de pescada e bacalhau do porto.

Confira:

Escondinho de Bacalhau - R$ 29,00 (serve 2 pessoas)Bacalhau do Porto desfiado, coberto com purê de batata, queijo ralado, azeitona, enroladinho de couve e ovo. Acompanha arroz.

Arroz de Bacalhau - R$ 29,00 (serve 2 pessoas)

Santa Massa - R$ 17,00 (serve 1 pessoa)Penne ou Espagueti, com lascas de Bacalhau do Porto, brócolis e azeitona, no azeite. Opcional: molho branco com alho poró no fundo do prato.

Santo PF - R$ 15,00 Filé de pescada, arroz, purê de batata e saladinha de feijão fradinho com bacalhau

Santa Salada - R$ 15,00Feijão fradinho com bacalhau desfiado, mix de folhas (alface americana, rúcula e agrião), tomate, cenoura ralada, palmito e azeitonas. Opcional: filé de frango desfiado e queijo branco.
Pastel de Bacalhau - R$ 14,00 (4 unidades)

GRÁTIS
Coelhinho de chocolate para as crianças
Bar Canto MadalenaRua Medeiros de Albuquerque, 471 – Vila MadalenaTelefone: 3813-6814
cantomadalena@uol.com.br
Cartão Visa e Visa-Electron
Aberto nesta sexta-feira das 12h às 3h

Maiores informações:Tita Dias3862-5645mariatita@uol.com.br

Arcanjo promete dizer para quem deu dinheiro sujo nas eleições de 1998 e 2002


Rubens de Souza para 24 horas News.

Quem são os políticos que foram beneficiados com o dinheiro sujo do jogo do bicho e dos caça-níqueis do ex-capo da crime organizado de Mato Grosso nas eleições de 1998 e 2002? Esta pergunta poderá ter uma resposta dia 24, às 10h. O dia “D” ou a “malhação do Judas” da política mato-grossense como já vem sendo chamada a tão esperada lista será revelada por nada mais nada menos pelo ex-poderoso chefão do esquema que funcionava a céu aberto no Estado, João Arcanjo Ribeiro, que preso na Penitenciária de Pascoal Ramos não se conforma em estar abandonado pela classe política que tanto patrocinou e promete dar uma rasteira na tropa.

Desde sua prisão no Uruguai, João Arcanjo Ribeiro sempre pautou pelo silêncio. Em Cuiabá, desde seu retorno optou em não falar nada em todas as audiências a que compareceu em juízo. Mas parece que na questão do financiamento das campanhas eleitorais de 1998 e 2002, o ex-capo do crime organizado no Estado vai mostrar uma postura totalmente diferente, algo que era considerado como uma possibilidade zero pelos políticos do Estado.

Na quarta-feira, em audiência na Penitenciária do Pascal Ramos com o delegado federal Jean Barbosa Castro, Arcanjo mandou um duro recado para os beneficiários de seu dinheiro nas duas últimas eleições. Marcou data e hora para “abrir o bico”, ou como começam a dizer nos bastidores políticos a “malhar o Judas”. Será dia 24, às 10h. A simples decisão de marcar data e hora já está provocando um alvoroço em partidos que foram beneficiados e políticos que viviam com o “pires na mão”, pedindo a ajuda do então todo poderoso “comendador”.

Se Arcanjo realmente cumprir a promessa e abrir o “bico” políticos que foram beneficiados com o dinheiro do crime organizado nas eleições de 1998 e 2002 estarão jogando a pá de cal em seus planos na vida pública para o resto da vida.

No meio policial dizem que Arcanjo está inconformado com o fato de ter sido abandonado pelos políticos que tanto ajudou nas duas últimas eleições. Além disso não abre mão de receber os generosos empréstimos financeiros que fez a estes políticos. Assim, revoltado, a “malhação de Judas” promete ser grande. Por isso, muitos políticos estão com suas “ barbas na mão”.

As acusações de Arcanjo devem cair como um bomba no colo do PSDB e, principalmente do ex-governador Dante Martins de Oliveira e do senador Antero Paes de Barros, dois caciques da política estadual e que são acusados de terem sido os maiores beneficiados nas últimas eleições.

A PF em uma de suas operações contra o crime organizado em Mato Grosso, em 2004, encontrou no escritório da VIP Facotoring, empresa conhecida como “lavadeira” do dinheiro sujo de Arcanjo, um computador que mostra que o PSDB movimentou em 2002 R$ 240 mil com Arcanjo. Dizem que este valor é bem maior e pode chegar a uma cifra próxima aos R$ 10 milhões, dinheiro que o ex-capo quer reaver custe o que custar.

Nas investigações da Polícia Federal contra o crime organizado existem 16 inquéritos. E se realmente Arcanjo resolveu falar tudo o que sabe a reviravolta política no Estado será grande. Dizem que haverá uma revoada intenso nos céus de Cuiabá, com muita gente desistindo de disputar qualquer pleito eleitoral.

O dia “D” será dia 24, às 10h .

12/04/2006 - Ex-gerente da Nossa Caixa reitera denúncia

Enviado por Adauto Melo

O ex-gerente de marketing da Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior confirmou, em depoimento ao Ministério Público de São Paulo nesta quarta-feira (12), que as agências Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda e Colucci Propaganda Ltda operaram sem contrato por aproximadamente um ano e meio e que o então presidente do banco, Valdery Frota de Albuquerque, saberia do problema. No período, quase R$ 50 milhões teriam sido gastos em publicidade pelo banco.

A informação é do promotor Sérgio Turra Sobrane, que tomou o depoimento de Castro Júnior, demitido em dezembro pelo atual presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, e do atual diretor de marketing da Nossa Caixa, Mário Sérgio Moreira Lopes.

Os depoimentos foram prestados no procedimento aberto pelo MP, após uma denúncia anônima, para apurar irregularidades na destinação da verba publicitária do banco.

Segundo Sobrane, o ex-gerente, que foi demitido por "mau procedimento", "desídia" e "indisciplina", dividiu sua responsabilidade com a diretoria do banco e disse que deu vários pareceres contrários a decisões tomadas posteriormente pela diretoria.

No depoimento, Castro Júnior disse ainda que seria comum haver "orientações" da Assessoria Especial de Comunicação sobre a aplicação das verbas de publicidade do banco.

Ainda segundo o promotor, Jaime afirmou que veículos de comunicação ligados a deputados da base do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembléia Legislativa receberam anúncios publicitários, mas negou que esses anúncios não tenham sido condizentes com a capacidade de circulação desses veículos.

De acordo com seu depoimento, a destinação dessas verbas teria sido autorizada mediante critérios técnicos.

Segundo o promotor, Moreira Lopes confirmou que recebeu um telefonema do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB) em que o parlamentar teria se irritado ao receber uma negativa sobre um anúncio para um de seus veículos e que iria tratar "diretamente com o governador".

O promotor disse que estuda a convocação do deputado Afanásio Jazadji (PFL) e do ex-assessor especial de Comunicação do governador Roger Ferreira, demitido em março. Do e-mail de Ferreira saíram solicitações para que, supostamente, o banco atendesse aos interesses políticos de Alckmin.

As informações são do site Última Instância.

Wednesday, April 12, 2006

Para defensor de Dirceu, denúncia é ficção.

O advogado José Luiz Oliveira Lima, defensor do ex-ministro José Dirceu, qualificado pelo MInistério Público como "chefe da quadrilha" do mensalão, disse ao blog que a denúncia contra seu cliente é "uma peça de ficção, com contornos partidários". Ele foi além: "É inadmissível que o procurador-geral da República, autoridade máxima do Ministério Público Federal, patrocine uma acusação tão grave com um feitio de panfleto . "

Para Oliveira Lima, "o que era pó virou prova contra José Dirceu. E o que era prova a favor do ex-ministro virou pó ." Em linha direta com Dirceu, pelo telefone, o advogado fez serão na noite desta terça-feira em seu escritório. Perscrutou a denúncia nos trechos que dizem respeito ao ex-homem forte do governo Lula. Concluiu a análise por volta da meia-noite. Julga ter detectado várias incongruências. São as seguintes:
1. "A denúncia acusa o meu cliente de formação de quadrilha. Sustenta que ele tinha uma relação estreita com Marcos Valério. No entanto, foram quebrados os sigilos das contas telefônicas do ex-ministro e do Valério. E não foi encontrada uma única ligação feita entre os dois. Além disso, a análise da agenda do Gabinete Civil mostra que foram pouquíssimos os encontros entre ambos ";
2. "O Ministério Público fala do empréstimo e do emprego concedido à senhora Ângela, ex-mulher de José Dirceu. Mas não menciona em nenhum momento as notas formais emitidas pelos bancos BMG e Rural desvinculando o ex-ministro desses episódios ";
3. "A denúncia sustenta que José Dirceu tinha profundo conhecimento dos empréstimos bancários concedidos ao PT por intermédio de Marcos Valério. E esquece de levar em conta os inúmeros depoimentos dados por lideranças do PT afirmando justamente o contrário. Foram desconsiderados depoimentos de José Genoíno, Delúbio Soares, Silvio Pereira...";
4. "O procurador-geral dá todo crédito às acusações que foram feitas por Roberto Jefferson contra o ex-ministro. Mas se esquece de que Jefferson foi cassado pela Câmara precisamente por ter mentido ";
5. "A denúncia relaciona o meu cliente inclusive no repasse supostamente irregular feito pelo Banco do Brasil, por meio da Visanet, à agência de publicidade de Marcos Valério. Mas em nenhum momento a peça de acusação individualiza a conduta ilegal que teria sido praticada por José Dirceu. Fala de outras pessoas –Henrique Pizzolato, Luiz Gushiken—, mas não especifica a irregularidade que teria sido praticada pelo ex-chefe da Casa Civil";
6. "Por último, José Dirceu é denunciado como corruptor ativo na relação com os deputados aliados do governo. Acontece que todos os deputados, sem exceção, negam qualquer tipo de participação dele nessa situação . "
O advogado de Dirceu espera pela oportunidade de se manifestar nos autos. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, terá de ouvir os acusados antes de dizer se aceita ou não a denúncia. "Estou certo de que a denúncia contra José Dirceu será rejeitada", disse Oliveira Lima ao blog. "Confio no Supremo e na serenidade do ministro Joaquim Barbosa ."
Escrito por Josias de Souza às 01h03

CHEFE DE QUARILHA TEM ELES. NÓS TEMOS LÍDER POLÍTICO!

A imprensa tucana continua subestimando a nossa inteligência, o jornal O Globo de hoje tem a seguinte manchete de capa: "Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha". Mas uma vez se utilizam do nome do ex-ministro José Dirceu para vender jornal e para se auto-promoverem.
Todos nós sabemos que jamais foi encontrada nenhuma prova contra o ministro José Dirceu, já se repetiu exaustivamente que toda a sua vida foi vasculhada e nada acharam, mas mesmo assim o relator da CPI concluiu que ele era culpado. Entretanto,sabemos que a CPI sempre esteve comprometida políticamente com a direita tucana e pefelista que pretende voltar a assumir o governo do país. Até aí, mesmo revoltados tivemos que aceitar as conclusões absurdas dessa Comissão, mas um Procurador é um agente da lei e enquanto agente da lei não pode acusar sem provas.
Colocar o ministro José Dirceu como chefe de quadrilha é um pouco forte demais. Eu digo que é inaceitável!
Nesse país cada um diz o que quer e acusa quem quer baseando-se em suposições e tudo fica por isso mesmo. Só nós não temos voz. A grande mídia tucana só publica o que lhe convém.
Já passou da hora de darmos um basta nesses desmandos. Isso não é democracia, é uso abusivo da livre manifestação.
Várias vezes eu já me perguntei quem é que vai pagar por todos esses atos de irresponsabilidade? Não precisa ser graduado em direito para saber que para acusarmos alguém necessitamos de um mínimo de provas, não podemos tomar por base suposições criadas em nossa mente.
Como um Procurador da República vem a público fazer esse tipo de acusação e nada acontece? Se pensou que ganharia notoriedade com isso, viveu de ilusão todo o tempo em que preparou esse documento. Assim como o relator da Comissão de Ética, que recomedou a cassação de José Dirceu, que também se alimentou com os sonhos da fama. Como era mesmo o nome dele? E do outro relator da CPI dos Correios, como se chama mesmo? Ninguém sabe. Mas todo mundo sabe quem é José Dirceu.
José Dirceu construiu seu nome na luta pela conquista de um país mais justo, mais dígno. Não foi na prática de atos levianos que ele se transformou numa das figuras mais importantes deste país.
Por isso, não adianta virem com denúncias e mais denúncias, dizendo que ele é isso e aquilo, porque não vai colar. Sabemos as reais intençoes dessas denúncias. Entre o e/ou ilustre denunciante desconhecido eu ficarei sempre com o honesto, corajoso, político competente, líder e comandante José Dirceu. Sua trajetória pública de ontem e de hoje desmente todas essas denúncias e aos responsáveis pela farsa não restará nem o consolo de passar para História como mentirosos, porque já foram esquecidos.
Bel

Tuesday, April 11, 2006

MENTIRA, DIFAMAÇÃO E CALÚNIA DOMINARAM A CPI DOS CORREIOS: ACUSA GUSHIKEN

Nunca se combateu tanto a corrupção como no governo Lula.


Desde 2003, o Governo Lula vem desmontando esquemas históricos de fraude e corrupção contra o Estado e a sociedade por meio da reestruturação de mecanismos de prevenção, controle, fiscalização e combate a todo tipo de crime ligado à dilapidação do patrimônio público.

Confira nesta edição especial do PT Notícias.

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Monday, April 10, 2006

PFL sem voto ganha São Paulo

Jasson de Oliveira Andrade

Um fato histórico: um partido, PFL, sem voto em nosso Estado ganhou São Paulo. Ao renunciar para se candidatar ao governo paulista, José Serra declarou: “Não poderíamos deixar o Estado nas mãos do PT”. E do PFL, que é o partido que substituiu a ARENA, representante da Ditadura Militar? Cláudio Lembo, que ganhou o Estado com a renúncia de Alckmin, foi presidente da ARENA durante o regime militar. Para quem não sabe, o regime perseguiu Serra, que se viu obrigado a exilar-se. Aí pode? Ele poderá dizer que isso é passado. Como é do passado a sua promessa de não renunciar o cargo de prefeito e se fizesse isso os eleitores não deveriam votar nele. Felizmente para Serra, os eleitores parecem que não vão atender seu pedido: segundo o Datafolha ele pode vencer no primeiro turno! Mas isso é outra história.

Kassab, o substituto de Serra e que ficará como prefeito por 3 anos, é assim descrito pela Folha: “Ex-integrante da tropa-de-choque de Paulo Maluf na Câmara Municipal, ex-secretário da gestão Celso Pitta e afilhado político do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Kassab já respondeu a uma série de acusações. (Ele) ficou sob os holofotes após a polícia apreender mala com US$ 130 mil em uma rodovia paulista – valor que, segundo o motorista que a transportava, pertencia a Kassab. (...) não sofreu, no entanto, condenação. A apuração sobre seu patrimônio, que cresceu 316% nos quatro anos em que foi deputado estadual e trabalhou com Pitta, foi arquivada pelo Ministério Público Estadual, que considerou justificável seu enriquecimento”. Para se ter uma idéia, Serra tem um patrimônio de R$ 750 mil e Kassab R$ 3,9 milhões! (Fonte: Folha). Ainda segundo o jornal, Kassab “também teve participação na composição política que levou no ano passado [2005] seu amigo e sócio, o deputado estadual Rodrigo Garcia [fazia dobradinha com o atual prefeito, que era candidato a federal], à presidência da Assembléia Legislativa – derrotando o candidato de Geraldo Alckmin”. Será que não foi trama de Serra? Não ponho minhas mãos no fogo! Notícia da Folha: “No 1º dia, pefelista promete continuidade, assiste a protesto de professores e recebe cobranças de vereadores do PSDB”. Diga-se de passagem: Kassab foi imposto pelo PFL na chapa de Serra, que não o queria como vice. Agora, o tucano o elogia, mas só aceitou sair se pudesse tutelá-lo como prefeito. Os dois principais cargos, os que realmente governam, atualmente estão nas mãos de Aloysio Nunes Ferreira (Governo), que desistiu da reeleição, e Andréa Matarazzo (Subprefeituras). Em declaração à imprensa, o novo prefeito declarou que “não será tutelado”. Piada! Algumas declarações dele já estão sendo criticadas. No Editorial “Desafios de Kassab”, a Folha comentou: “Soam preocupantes as declarações do novo prefeito dadas em entrevista publicada pela Folha. Elas dão a sensação de que, por ora, o principal desígnio de Kassab é ajudar o tucano José Serra a triunfar na eleição para o governo do Estado. (...) Vale lembrar que, embora Kassab tenha sido agraciado com o cargo de Serra, seu compromisso administrativo é com os quase 11 milhões de habitantes de São Paulo”. É por isso, desconfiança na atual administração, que a maioria dos eleitores da Capital e da Grande São Paulo, segundo o Datafolha, não aprovou a renúncia de Serra. Já no Interior, a maioria aprova!

O PFL é fraquíssimo em São Paulo. Na Capital, entre 55 vereadores, o partido tem apenas dois e no Estado somente 7 deputados federais e 6 estaduais. Em Mogi Guaçu, não tem nenhum vereador. Apesar disso, agora ganhou de mão beijada a Prefeitura da Capital (Kassab), governador do Estado (Cláudio Lembo), presidente da Assembléia (Rodrigo Garcia). Nem mesmo o Estado mais pefelista, Bahia, feudo de Antonio Carlos Magalhães, o partido tem tanto poder. Na capital, Salvador, o prefeito não é do PFL!

Cláudio Lembo está demonstrando que é um ventrílogo de Alckmin. Toda defesa do tucano é repetida pelo pefelista. No artigo “Lembo não entendeu o Bolsa-Roupa, Elio Gaspari diz: “(Lembo) Defendendo o guarda-roupa boca-rica de Lu Alckmin, disse que ele serve para “divulgar a moda brasileira, o estilo brasileiro e a mulher brasileira” Discuti-lo seria “uma grande tolice”. (...) Num mês, madame Alckmin veste mais grifes estrangeiras que Elisabeth de Windson, Laura Bush e Bernadette Chirac em um ano. Seu Valentino vermelho é inesquecível. Nesse aspecto, Lu Alckmin divulga a moda estrangeira. Indo-se ao seu cabideiro de peças da grife nativa de Rogério Figueiredo, Lembo deveria ter lido a entrevista que o estilista deu à repórter Mônica Bergamo. Está lá: “Tudo de dona Lu sempre foi importado. Nada é nacional”. O Bolsa-Roupa é um estímulo à indústria têxtil de ultramar. (...) Fica uma dúvida. Quantas peças teve o mimo? “Poucas” (segundo a assessoria da senhora), “quarenta” (segundo ela própria) ou “400”, segundo Rogério Figueiredo? Para o pessoal do Bolsa-Família, um trapinho desses sai por R$ 1.000, pelo menos”. Lembo não governa. Passeia “inaugurando” obras que não é dele e repete os argumentos de Alckmin!

Para finalizar, José Simão: “E São Paulo agora está assim: o Nunkassab e o Não Lembo. O Kassab parece um dos três porquinhos. E o Lembo parece diretor de usina nuclear. Aliás, um bom presente para o Lembo seria uma tesourinha de aparar sobrancelha. Rarará”. Quanto ao astronauta brasileiro, Simão escreveu: “E grandes coisas que o Lula gastou US$ 10 milhões para mandar um brasileiro ao espaço... O Corinthians não gastou US$ 20 milhões para trazer um argentino ao Brasil?”

O PFL não tem voto, mas tem São Paulo! Presente igual, nem de pai para filho.


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Sunday, April 09, 2006

ENTREVISTA DE DIRCEU AO JORNAL PÁGINA 12 DA ARGENTINA


Dirceu:

“VOU AJUDAR MUITO NA REELEIÇÃO”

José Dirceu teve que renunciar no ano passado a chefia da Casa Civil do governo Lula, após denúncias de corrupção. Em entrevista exclusiva ao Página 12, explica porque acredita que Lula sobreviverá à crise.


“Não há provas nem contra mim, nem contra o PT”.

“O governo de Lula tem razões suficientes para pedir ao povo que o reeleja”, afirmou à Página/12 José Dirceu, ex- Ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República do Brasil, no governo de Luís Inácio Lula da Silva e também a primeira vítima das denúncias de corrupção.

Dirceu teve que renunciar ao seu cargo no ano passado e teve seu mandato de deputado federal cassado, pela Câmara – atualmente luta no STF contra essa cassação – Advogado e consultor, foi presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) durante muitos anos e repete que é inocente das acusações que lhe fizeram. “Não existem provas contra mim, nem contra o PT”, repete.

- Quais foram às ações positivas do governo de Lula enquanto esteve a frente da Casa Civil?

- Em primeiro lugar, o governo tirou o Brasil de uma crise grave de governabilidade, de risco de hiperinflação, de descontrole do dólar e de crise energética. Não foi pouco o que fizemos. O país pagou grande parte de sua dívida externa, tivemos superávit comercial e de contas correntes, além de credibilidade no exterior. Também temos administrado a dívida interna, que é um grave problema no Brasil; criamos emprego – Lula vai terminar o governo criando cinco milhões de emprego em quatro anos – e reduzimos o valor da cesta básica. Lula também apoiou fortemente a agricultura familiar. Buscamos um intercâmbio importante na área social, na saúde e na educação, unindo um trabalho de integração do Brasil com a América do Sul e com a presença do nosso país no mundo. O governo de Lula tem razões suficientes para pedir ao povo que o reeleja.

- Quais as áreas o Senhor considera que estão pendentes?

- Fizemos a reforma tributária, do Poder Judiciário e da Previdência Social, porém não fizemos a reforma política. Pagamos caro por isso. Outra questão pendente é a reforma administrativa da gestão pública. As intervenções em infraestrutura foram importantes, contudo precisamos fazer mais nas estradas e nos portos. Precisamos avançar na reforma tributária ainda temos impostos que não estão unificados nos estados. O país necessita de agilidade. Agora que temos estabilidade econômica está na hora de desenrolarmos a máquina estatal.

- Como o senhor vê o seu futuro político depois do escândalo da corrupção?

- Eu não trabalho em curto prazo. Agora estou lutando na Corte Suprema para anular minha cassação. Além disso, estou trabalhando como advogado e consultor, e fazendo política como sempre. A única diferença é que não tenho mandato: não sou ministro, nem deputado, nem dirigente do PT. Porém estou trabalhando na reeleição de Lula, colaborando no que posso. Creio que vou ajudar muito.

- Como o senhor vê a reeleição de Lula?

- Com muitas chances reais, porque tem mais de 40% de intenções de voto, tem apoio do PT e de partidos aliados como o PTB, entre outros. Lula tem bases fortes nos estados e um bom programa de continuidade par apresentar ao país. Sim, há problemas, enfrentamos uma crise de governo e uma ofensiva muito forte da oposição. Não se provou nada contra o presidente e ele tem apoio popular.

- Quando o senhor ainda estava no governo, no ano passado, Lula lhe falou na possibilidade de disputar uma possível reeleição?

-Não, Lula não é de tomar decisões antecipadas. Tampouco é um defensor da reeleição, sempre esteve contra ela. Porém, não tem alternativa. O Brasil precisa do seu governo, que foi bom e que pode avançar mais em um segundo mandato.

- O senhor considera que seria melhor para Lula enfrentar José Serra como adversário, ao invés de Alckmin?

- Esperamos derrotar os dois, uma vez que ambos são adversários. O problema é que não são iguais. Na disputa interna do PSDB venceu a direita de Alckmin, o setor mais neoliberal, que tem políticas muito diferentes das nossas. Ganhou a continuidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

- Acredita que a saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda vá afetar o governo?

- Não creio que tenha grandes conseqüências, porque Lula teve uma resposta rápida. Sem dúvida, a saída de Palocci é uma grande perda para o presidente, para o governo e para todos nós, porque é um dirigente muito importante. Mas existem diferenças a respeito de sua política econômica, haverá uma nova inflexão, porque Guido Mantega tem outra personalidade.

- Houve uma manobra da direita para tirar Palocci do governo?

- Sim, a direita ia se aproveitar disto para incriminar Lula e também disseram que iam incriminar o filho de Lula para chegar a ele. Todo o país sabe disso. Há um grupo político que busca impedir a reeleição do presidente, com o pretexto de combater a corrupção. A oposição diz que quer acabar com o caixa 2 de financiamento de campanha, porém não faz a reforma política, que poderia efetivamente acabar com essa prática.

- Essa tática não dá legitimidade a direita?

- A nação acabou por entender que o objetivo da direita não é a ética, mas sim tirar Lula do governo. Foram desmascarados. Quando chegou a hora de fazer justiça, de investigar esses partidos não nos permitiram. O eleitorado do PT está convencido disso. A hora é agora ou nunca.

Reportagem de Virgínia Scardamaglia.

Mídia desmoralizada

Eduardo Guimarães

Você que anda revoltado com feitiçarias da mídia que transformam as denúncias do tamanho de um elefante que há contra os tucanos em denunciazinhas do tamanho de um ratinho, e denúncias do tamanho de um cavalo que há contra os petistas em denuncias descomunais, do tamanho de um bem fornido Tiranossauro Rex, provavelmente deve estar radiante com a completa desmoralização dos meios de comunicação que a pesquisa Datafolha revelou, pois, para sua maior felicidade, a sondagem colocou jornalistas das Folhas, Vejas, Globos e Estadões da vida na fossa, ouvindo boleros e enchendo suas caras-de-pau de uísque.

Agora, você sabe quem eu acho que mais perdeu, entre a mídia e os tucanos? Acho que foi a mídia. Políticos reciclam a si mesmos. Somem de cena e depois voltam fortes. Mas a mídia, não. Quem aprende a desconfiar dela nunca mais confia de novo. E ela está sempre lá, barulhenta, escandalosa, louca para aparecer. Não pode se dar ao luxo de sair de cena. E precisa de credibilidade como precisamos de ar. Assim, quando ela ataca com o ímpeto que atacou Lula, seu governo e seu partido nos últimos dez meses e se constata que a montanha não conseguiu sequer parir um rato, é porque está desmoralizada.

Mas, convenhamos, a mídia trabalhou duro para desmoralizar a si mesma. E, mesmo diante da pesquisa que lhe revela o descrédito crescente, continua se flagelando sem dó nem piedade. Jornais, telejornais e portais de grandes veículos na internet deram ou que "a vantagem" de Alckmin para Garotinho diminuiu ou que Lula e Alckmin caíram. Assim, os meios de comunicação manipularam os fatos da forma escandalosa com que fazem sempre, porque a oscilação negativa de Lula se deu dentro da margem de erro da pesquisa e a de Alckmin, a extrapolou. E o mais escandaloso é que o principal não foi dito claramente, ou seja, que aumentou a distância entre o petista e o tucano.

É ou não é vontade de se desmoralizar, o que a mídia faz?

Bem, meu amigo, mas se você está feliz, eu, apesar de também estar, ao mesmo tempo não estou tanto. Explico: a mídia, a imprensa é vital para uma sociedade. Se amanhã houver necessidade real e justa de ela combater um governo corrupto, estará desmoralizada. Umas das mais importantes instituições de uma nação está se enfraquecendo de uma forma espantosa. Isso não é bom para o país. No entanto, a mídia deixou a nós, democratas atentos, sem opção. Fomos obrigados a denunciá-la, pois uma ditadura midiática como a que Vejas, Globos, Estadões, Folhas e companhia limitada vêm tentando instalar no país, não se pode permitir.

Essa guerra que a direita e seus cães danados da mídia instalaram no país, no fim ninguém ganhará.
Escrito às 02h47

É LULA DE NOVO!

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada hoje, o Presidente Lula continua mantendo a liderança.
Lula tem 40% das intenções de voto; Alckmin (PSDB) caiu de 23% para 20% e Garotinho (PMDB - RJ) está com 15%.

Como podemos ver, com todas as manobras indecentes da tucanalha e dos pefelês para desestabilizar o governo Lula e atrapalhar a reeleição, o povo não está se deixando levar por essas calhordices e continua firme com o Presidente da República.

Tucanos, pefelistas e toda a corja que os acompanha, incluindo os enganadores do PSol, que pensam ainda conseguir enganar a população com uma falsa retórica de esquerda, vão ter que se curvar ao peso das urnas com o povo brasileiro mostrando que amadureceu e a época dos aventureiros chegou ao fim.

Bel

Saturday, April 08, 2006

José Dirceu divulga nota à Imprensa

São Paulo, 7 de abril de 2006


Nota à Imprensa


O relatório da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito dos Correios, aprovado ontem, pede o meu indiciamento pelo crime de corrupção ativa. Segundo a comissão, eu teria sido coordenador de um esquema de arrecadação de fundos para a compra de votos de parlamentares.

Essa acusação é absolutamente infundada e não se sustenta em nenhuma evidência concreta, mas tão somente nas palavras do ex-deputado federal Roberto Jefferson, cassado pela Câmara dos Deputados justamente por fazer acusações sem provas. O próprio relatório da CPMI dos Correios identifica, entre as inúmeras versões apresentadas, uma série de contradições apresentadas por aquele ex-parlamentar.

Os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico foram quebrados. A análise destas informações não forneceu qualquer tipo de elemento relacionado às afirmações irresponsáveis daquele ex-parlamentar que pudesse ser considerado prova. Eu também coloquei-me à disposição da CPMI dos Correios para conhecer e responder às acusações contra mim e, estranhamente, não me foi concedido esse direito elementar de defesa.

Aliás, o relatório final da CPMI dos Correios, pelo que foi divulgado até agora, contém partes extraídas de relatório aprovado pelo Conselho de Ética e reproduz, inclusive, trechos julgados ilícitos e extirpados pelo Supremo Tribunal Federal. O relatório do Conselho de Ética, elaborado pelo deputado Júlio Delgado, por sua vez, baseou-se no relatório parcial do deputado Osmar Serraglio, divulgado em 2005 – que, frise-se mais uma vez, não apresenta indícios, evidências ou provas, e sim apenas repete as afirmações do ex-deputado Roberto Jefferson.

Esse círculo vicioso de relatórios alquebrados é revelador, porque demonstra que, dez meses depois das afirmações de Roberto Jefferson, a CPMI dos Correios, a CPMI da Compra de Votos e o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados não encontraram qualquer nexo que ligue a minha atuação na Casa Civil da Presidência da República a irregularidades. Em um gesto extremo para me acusar, a CPMI dos Correios apontou um suposto corruptor, sem que fosse capaz de apontar quem são os corrompidos.

Isto porque as afirmações de que eu teria participação nos empréstimos bancários concedidos ao Partido dos Trabalhadores foi veemente negada pelos diretores dos bancos Rural e BMG. A quebra de meus sigilos também demonstra que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério Fernandes de Souza – e não poderia ser diferente, já que, vale lembrar, em depoimentos, ele chegou a classificar-me como inimigo.

Os depoimentos do advogado Rogério Lanza Tolentino e do senhor Ivan Guimarães, da mesma forma, afirmam, categoricamente, que eu não tive qualquer tipo de influência para a concessão de empréstimo ou colocação profissional para a minha ex-esposa. É necessário lembrar ainda que ela própria, em nota, havia sido veemente ao declarar que me informou desses episódios somente em abril de 2005.

Sobre o episódio da empresa Portugal Telecom, o senhor Emerson Palmieri afirmou à CPMI dos Correios que viajou a Lisboa por determinação do ex-deputado Roberto Jefferson. No entanto, consta do relatório final do deputado Osmar Serraglio que a viagem do ex-tesoureiro do PTB se deu para “testemunhar uma reunião a pedido de José Dirceu”. A exemplo do que ocorrera no Conselho de Ética, o relator deu atenção, apenas, aos trechos de depoimentos que lhe convinham.

As apurações da CPMI dos Correios não foram conduzidas com responsabilidade, isenção e apego a fatos e provas. Desse modo, a decisão de me indiciar por corrupção ativa revela apenas finalidades exclusivamente políticas e eleitoreiras. É uma repetição lastimável das razões subjetivas e absurdas da cassação de meu mandato parlamentar.

Depois de ter sido perseguido e banido de meu país durante a ditadura militar, imaginava que os processos políticos faziam parte de um passado sombrio de nossa história, até porque a Constituição os proíbe. Os expedientes dos tribunais de exceção não podem subsistir em pleno Estado Democrático de Direito. As provas são indispensáveis e não podem ser substituídas pela espetacularização de denúncias falsas e sem fundamento e, tampouco, pela lógica das conjunturas pré-eleitorais.

Refuto as acusações levianas e infundadas feitas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, durante dez meses, não colheu uma única prova que possa macular a minha honra e comprometer a minha trajetória de luta por um Brasil justo, soberano e igualitário. Refuto também a sugestão de indiciamento e, da mesma forma que fui obrigado a agir no Conselho de Ética da Câmara, vou resistir, defender os meus direitos e desmascarar a trama política orquestrada pela oposição contra o governo Lula. O Brasil tem uma Constituição, tem leis.


José Dirceu

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Friday, April 07, 2006

A França é aqui!

José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil - JB

A revolta social voltou às ruas da Europa e escolheu a margem esquerda do Sena para anunciar ao mundo que a juventude não aceita ter, como destino, a lata de lixo da história. Na versão francesa, esse destino tem um nome, Contrato de Primeiro Emprego - CEP, maneira elegante de legalizar o ''bico'' e instalar a lógica da ocupação precária no mercado de trabalho.

O CEP rebaixa direitos e permite demissão sem justa causa, nos primeiros 24 meses do contrato de trabalho. O primeiro-ministro Villepin assegura que é a única maneira de enfrentar taxas de desemprego de 9% a 20% num país onde a mão-de-obra ganha US$ 18 por hora, contra US$ 0,60/hora da concorrência chinesa, que se impõe como novo paradigma no metabolismo do comércio global.

A juventude e os sindicatos franceses enxergaram, na medida, um cavalo de Tróia, destinado a implodir as bases do modelo de Bem-Estar Social numa França cada vez mais ilhada pela maré neoliberal. A verdade é que, exceto pela reconhecida capacidade de mobilização francesa, a revolta em marcha não reflete, propriamente, uma questão local. Seja em Paris, no Morro do Alemão carioca ou no Capão Redondo, em São Paulo, as forças de mercado passaram a emitir um mesmo e inquietante recado aos jovens de quase todo o planeta: o futuro acabou.

Essa é a origem do grande mal-estar que ronda a Europa e explica por que um mero projeto-de-lei conservador do governo Chirac, agora aprovado, conseguiu unir praticamente toda a oposição e colocar de novo nas ruas, lado a lado, operários, estudantes e aposentados, em defesa de direitos que os economistas ortodoxos, de lá e de cá, dizem não ter mais lugar na história.

A lógica em curso é clara. Para que as economias possam prosperar, as sociedades devem aceitar o crepúsculo de suas conquistas históricas. Flexibilização de orçamentos sociais, privatizações, Estado mínimo e redução do guarda-chuva trabalhista formam o ideário da transição em marcha.

Adotada no Brasil, nos anos 90, essa receita teve um custo alto que pagamos até hoje: de 1995 a 2002, fomos o país com maior redução de postos de trabalho entre as vinte maiores economias do mundo - perdemos 20% das vagas -, e o impacto maior desse ajuste recaiu sobre o contingente com menos de 25 anos de idade.

Que tipo de cidadão esse modelo econômico produz? Segundo a pesquisa Ibase/Pólis, 27,1% dos nossos jovens não estão na escola nem no trabalho; 25,9% só trabalham (não se sabe em que condições) e 33,6% só estudam, privilégio apenas aparente que pode dissimular o desemprego oculto.

Não há dúvida de que a porta de entrada da escola é uma das saídas para credenciar o jovem a disputar uma vaga no mercado de trabalho competitivo do século 21. São muitas as iniciativas do governo federal que buscam enfrentar esse grande desafio. O Fundeb, já aprovado pela Câmara dos Deputados, cria as condições para um aumento constante das vagas de ensino médio e nas escolas técnicas e profissionalizantes públicas.

Hoje, o Brasil constrói, simultaneamente, quatro novas universidades federais, transforma seis faculdades em universidades e tem 45 extensões universitárias sendo implantadas no interior, além de 32 novas escolas técnicas em construção. O ProUni já beneficiou 203 mil jovens oriundos de escolas públicas e o Pró Jovem atende 92 mil jovens entre 18 e 24 anos, que recebem uma bolsa por 12 meses enquanto se qualificam profissionalmente.

É preciso continuar investindo fortemente na educação, em especial nos ensinos médio e profissionalizante. Porém, garantir escola e qualificação à nossa juventude é condição necessária, mas não suficiente. Os jovens franceses que, nos últimos dias, incendeiam Paris, saem das melhores universidades do mundo direto para o desemprego.

A lição é muito clara: um sistema educacional só tem sentido se estiver articulado a um grande projeto de desenvolvimento do país, democraticamente negociado com a sociedade e não apenas com o mercado. Esse é o desafio deste ano eleitoral: definir nossa brecha de excelência na economia globalizada para devolver à cidadania e, sobretudo, à juventude, um sentido de pertencimento que resgate o direito à esperança e ao futuro.

Thursday, April 06, 2006

PT de Santos Debate Conjuntura Nacional


Neste sábado, às 17 horas, na sede do PT de Santos, Av. Pinheiro Machado, 492, o PT de Santos fará uma avaliação da Conjuntura Nacional.

O debate coordenado pelo Presidente da Comissão Executiva Municipal José A. MAIA, terá a participação de DOUGLAS MARTINS DE SOUZA, Secretário Adjunto da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e GERSON ROZZO, assessor jurídico da EMBRATUR.

Ambos são filiados ao PT de Santos e participaram da reunião nacional promovida pelo Presidente nacional do PT Ricardo Berzoini e Marco Aurélio Garcia da Comissão Nacional do PT que organiza o texto básico do programa do PT para reeleição de Lula este ano, com os filiados do PT que ocupam cargo de confiança na estrutura do Governo Federal.

A Executiva Municipal esta convidando todos os filiados para que participem do debate.

PT SANTOS EDITORIAL
LAMIR VAZ DE LIMA

FORA DELCÍDIO !!!!!!!!!


JUDAS!!!!!!!

SAIA JÁ DO NOSSO PARTIDO!!!!!

SOU PT E NÃO QUERO VOCÊ!!!

FORA!!!

Wednesday, April 05, 2006

Carequinha, meu bom menino, vá em paz!



Saibam todos porque eu chorei muito esta manhã. Não foi por estar decepcionada com os seres humanos, suas mazelas plolítico-econômicas ou mesmo suas ações fomentadas pela ambição, orgulho, inveja ou mentira.

Chorei, porque me dei conta do quanto amava o palhaço Carequinha, meu amigo de infância, que se foi hoje, aos noventa anos, como um bom menino, que ensinou a ser bonachonas, milhares e milhares de crianças brasileiras, nas décadas em que nos encantou com sua pureza de alma e seus conselhos de bondade.

Um sonhador com os pés no chão, o palhaço encarna o espírito da alegria conduzido pela alma infantil, dadivosa de sorrisos largos, gestos afetados, cambalhotas expressivas, choros pirracentos e amores sem cobranças.

Num filme dele, recordo, de tanto tempo atrás, ele cantava e saltava com os paraquedistas brasileiros, numa performance nacionalista, que tanta falta faz nos tempos atuais.

Cantava que o " bom menino não faz xixi na cama", com a graça de quem é pai, avô, tio de toda a gente. Dava exemplos pessoais de humildade, e nunca nos passava suas dores, como um grande palhaço, deve ter tido muito sofrimentos, mas os escondeu bem escondidos, para só nos oferecer a felicidade instantânea da tradição circense.

Uma ocasião, eu, já senhora trintona, e com meu filho na casa dos seus 10 anos, o vi, se apresentando em cima de um caminhão, na praça, na cidade serrana de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Parei para reviver minha criança até então adormecida, e me soltei com as suas repetidas piadas. Ele já era um senhor de quase 70, que se tornava menino ali, pulando, brincando, fazendo graça, comou um duende sem idade.

Naquela tarde, aplaudindo euforicamente, no meio da garotada, orgulhei-me das gargalhadas que dei, junto ao meu menino Léo, que teve a chance de conhecer pessoalmente aquele meu ídolo, o Carequinha, colorido, extravagante, ágil, pequenino no tamanho, gigante na lição de vida.

Ele nasceu em Carangola (MG) em 18 de julho de 1915. Foi artista de circo, cantor e compositor. Sua mãe era trapezista e seu nascimento foi num picadeiro de circo. Ela se equilibrava no arame e sentiu as dores do parto logo após o espetáculo. Veio ao mundo para nos fazer felizes, esperançosos.

Não pregou o egoísmo. Não nos fez competitivos como se fora um Big Brother, só nos ensinou a ser "bonzinhos". Em seus oportunos aconselhamentos, só deixou que sentíssemos a importância do amor e da solidariedade.

Talvez tenha ficado ultrapassado demais , cada conceito que nos legou, de tentarmos ser tão educados, sem fazer "má-criação", como ele dizia.

É possível que esteja morrendo hoje, com ele, cada idéia inocente de convivência pacífica e respeitosa entre seres humanos. Sabemos que os meninos aliciados pelo tráfico não tiveram oportunidade de conhecer o Carequinha. Suas ilusões são podadas muito cedo, pelo advento da podridão humana, do comércio das emoções fabricadas pelas drogas pesadas.

Mas, lembro que vi no tal documentário que passou recentemente, na televisão, como se fosse um grito de protesto, uma revolta interior, um dos meninos entrevistados, dando uma declaração, que parecia um apelo inconciente ao nosso Carequinha.

O menino franzino, de rosto encoberto pela imagem televisiva, falava muito bem da mãe, sua única referência de afeto sincero. Mas, como uma vítima da estrutura perversa que nos foi apresentada tal uma vergonha humana de sociedade falida na condução da própria infância, o garoto meliante, o falcão traficante, o malvado capaz de matar e ser assassinado naquela barbárie, com uma expressão absurdamente salvadora e condutora da sua redenção, declarou: - "eu sempre tive o sonho de um dia ir num circo, mas minha mãe prometeu e nunca levou".

Viu, Carequinha? Faltam circos e palhaços como você, nos tempos atuais. E, como a hora chega para todos nós, fique certo de que você, amigo das nossas esperanças ainda não perdidas, fez o máximo nos seus 90anos. Fez de nós, os sobrinhos do Carequinha, uma legião de criaturas que ainda podem se claassificar de bons meninos e boas meninas.

Com nos ensinou, querido palhaço, com alma e coração, "aprendemos sempre a lição", e por isso, quando eu lamento sua partida, agradeço por sua escola de vida, a paz que me proporcionou e a consciência de respeitar a infância brasileira, custe o que custar, acima de tudo.

Poucos homens, nesse país, respeitaram tanto as crianças como você!
Se eu fosse autoridade, criava agora o Projeto Carequinha de Escola Social.
Ia ter muita lição para estudar, mas , nos intervalos, concurso de cambalhotas, como parte integrante da eduação física. A cada menino ou menina feliz, claro, por todo o Brasil, estaríamos legando a paz que o cidadão George Savalla Gomes, caracterizado de palhaço, soube passar para cada um de nós.

É justamente ela, a paz, que eu desejo seja sua eterna companheira, ao descansar de tantas cambalhotas, querido Carequinha!

Aparecida Torneros
Jornalista - Rio de Janeiro

Monday, April 03, 2006

De Palocci à renúncia de Serra

Jasson de Oliveira Andrade

A queda do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, repercute ainda hoje. O motivo da demissão foi uma trapalhada. Ela começou com a denúncia do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, de que viu o ministro na Casa onde, segundo se supõe, reunia o grupo de Ribeirão Preto. Como Palocci havia declarado à CPI dos Bingos que nunca estivera lá, a denúncia do caseiro o desmentia. Em declaração sobre a fala de Nildo, ele voltou a afirmar que nunca havia estado naquela casa e que NÃO dirigia em Brasília (o caseiro disse que o viu dirigindo o carro). Era a palavra do ministro contra a do caseiro. Aí veio a trapalhada. A CPI dos Bingos, dominada pela oposição, quis ouvir Francenildo. No entanto, a pedido de um senador do PT, a convocação dele foi anulada pelo Supremo Tribunal. Segundo essa decisão, o caso nada tinha a ver com bingos. Mesmo assim, Nildo já havia iniciado o seu depoimento, que foi suspenso. Antes, o caseiro, respondendo a uma pergunta da senadora Heloisa Helena, se “tem mais alguém que o senhor sabe que estava com ele na casa”, ele disse: “Era sempre a menina que ele [Palocci] sempre ficava lá com ela. Ela chegava na frente”. Realmente essa declaração, se verdadeira, era íntima e nada tinha com bingos. Aí, como veremos, houve novas trapalhadas, essas sim graves e que motivaram a queda do ministro.

Palocci ficou sabendo que Francenildo dos Santos Costa tinha dinheiro recente depositado em sua conta na Caixa Federal, em valor elevado pelo salário que percebia. Como se desconfiava que o caseiro tivesse recebido dinheiro de tucanos (ele foi apresentado por um senador do PSDB), o ministro ficou eufórico. Tentou desmoralizá-lo. A revista Época publicou a história do recebimento desse dinheiro. Estourou, então, o escândalo. É que houve a quebra ilegal do sigilo bancário na Caixa Econômica Federal, banco onde Nildo tem conta-poupança. Descobriu-se depois que o dinheiro, R$ 25 mil em três vezes, não foi depositado pelos tucanos, como pensava Palocci, mas pelo suposto pai do caseiro, empresário Eurípides Soares, para que ele desistisse de entrar na Justiça com um processo de reconhecimento de paternidade. Em entrevista ao Estado, o suposto pai declarou: “Para me amedrontar, ele [Nildo] disse que falaria para minha família. Aí me derrubou todinho. Mandei o dinheiro para evitar um escândalo para minha mulher e minha filha”. Não evitou o escândalo e ainda causou um bem maior: na sindicância interna da Caixa Econômica, chegou-se à conclusão que o extrato do caseiro foi entregue ao ministro. Antes de chegar a essa conclusão, segundo informou o Estado, “na quinta [23/3] e sexta [24/3], o presidente Lula distribuiu broncas. Foi duro nas cobranças. Disse que era preciso entregar logo a cabeça do culpado para dar uma resposta à sociedade. Está particularmente aborrecido com a imagem de que seu governo persegue um caseiro”. Palocci, então, pediu o AFASTAMENTO do cargo. Lula o demitiu! Agora o ex-ministro poderá ser indiciado pelo crime. Seria um tiro contra a oposição, mas o tiro saiu pela culatra. Um depoimento que não daria em nada (seria a palavra de um contra a do outro), terminou em crime. Uma operação desastrada. Pior. Foi uma BURRICE!

Outro assunto do dia: a renúncia de Serra à Prefeitura para ser candidato a governador. Carlos Marchi, do Estado, constatou: “José Serra nasceu predestinado a ser presidente do Brasil. E o primeiro a achar isso, antes de seus pais, foi ele mesmo. Por este sonho, queimou etapas: o mais paulista dos políticos brasileiros nunca pensou em ser governador de São Paulo, garantem seus amigos”. Como Alckmin foi escolhido para presidente, restou para ele o prêmio de consolação: sair candidato a governador, cargo que nunca havia pensado. O motivo que o levou a aceitar a candidatura: o Datafolha foi-lhe favorável e ele ganharia já no primeiro turno. Serra tem contra si o compromisso que assumiu de ficar quatro anos na Prefeitura. Deve-se lembrar que os alckmistas, quando disputavam com ele, diziam que Serra não deveria renunciar. Com faixas, afirmavam: FICA SERRA. Depois de escolhido, Alckmin “esqueceu” a campanha e lutou para que ele fosse candidato ao governo de São Paulo. Agora ele não seria um estorvo e sim um cabo-eleitoral. Política (ou politicalha?). Entretanto, a campanha dos alckmistas vai pesar nas eleições. Segundo o Estadão, “muitos paulistanos se lembram na promessa feita em 2004 pelo então candidato José Serra, garantindo que não deixaria a Prefeitura da cidade no meio do mandato, caso fosse eleito. Lembram e estão dispostos a cobrá-la. O Estado ouviu, na avenida Paulista, 100 eleitores e 75 deles disseram reprovar a decisão de Serra de disputar a eleição para governador. Outras 23 pessoas aprovam a decisão, e duas não souberam responder. (...) Essa enquete, sem método cientifico, indica os argumentos que deverão ser lembrados contra e a favor da saída de Serra durante a campanha eleitoral”. Fernando Rodrigues revela: “Os petistas estão eufóricos. Acham que essas cenas serão suficientes para equilibrar um pouco o jogo”. Será? A conferir.

José Simão não perdeu a oportunidade. Ele diz: “Ao contrário do Dia do Fico, o Serra inventou o Dia do Saio: “Se é para o bem dos tucanos e a felicidade geral do PFL, diga ao povo que EU SAIO”. Mas ele não assinou documento dizendo que ia ficar na prefeitura? Depois dessa, quem vai querer o Serra como avalista? Não serve nem pra avalista!” Realmente a renúncia foi a felicidade geral do PFL, que ganhou de mãos beijadas a Prefeitura de São Paulo. Antes, o partido já havia recebido o governo do Estado, com a renúncia de Alckmin. Se é para o bem dos tucanos, só o tempo dirá.

A trapalhada (ou burrice?) de Palocci e a renúncia de Serra vão influenciar as eleições de outubro. Vamos esperar.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Sunday, April 02, 2006

Estatal banca revista que promove Alckmin

CHICO DE GOIS
DA REPORTAGEM LOCAL - Folha de SP

A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), empresa do governo de São Paulo, pagou R$ 60 mil a título de "patrocínio institucional" à revista Ch'an Tao, da Associação de Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, presidida pelo médico Jou Eel Jia, acupunturista do pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.
Em janeiro deste ano, ao encaminhar o pedido de um novo patrocínio para o presidente da Cteep, José Sidnei Colombo Martini, a associação informou que "em contrapartida, o patrocinador terá espaço para matéria de cunho editorial do assunto que achar interessante".A publicação deste mês traz na capa o ex-governador Geraldo Alckmin, que concedeu entrevista exclusiva para a revista, de propriedade do acupunturista do tucano. Das 48 páginas da revista, Alckmin aparece em nove, em fotos ou em entrevista. Além disso, na página 10 há uma resenha do livro "Seis Lições de Solidariedade", sobre a ex-primeira-dama Lu Alckmin, escrito pelo ex-secretário de Educação Gabriel Chalita.
Na edição deste mês, o patrocinador é a Sabesp, outra estatal paulista, que não quis informar quanto pagou por uma página de anúncio. A publicação tem, ao todo, oito páginas de propaganda. Os demais anunciantes são da iniciativa privada, incluindo o spa do dono da revista.
Antecedentes
Na semana passada, a Folha noticiou que outra estatal, a Nossa Caixa, direcionava propaganda para publicações e programas de aliados de Alckmin. O PT tentou, sem sucesso, aprovar na Assembléia Legislativa uma CPI para investigar o assunto.
A Ch'an Tao está em sua quinta edição -a primeira foi feita por outra editora. A publicação é bimestral e tem tiragem de 40 mil exemplares, segundo Kleber Leme Dutra, assessor de Lou Eel Jia.Ainda segundo a justificativa para o patrocínio, a distribuição da revista se daria "nas secretarias e para toda a rede de ensino do Estado e nos eventos em que lhe for mais útil [para a Cteep]".
Júlio Siqueira, chefe da assessoria de comunicação da Cteep, confirmou que a estatal, vinculada à Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, fez anúncio na "Ch'an Tao" e informou que a empresa "poderia sugerir matéria, mas somente publicou anúncio institucional".
Já o assessor do acupunturista de Alckmin disse que a informação de que "o patrocinador terá matéria de cunho editorial do assunto que achar importante" foi "uma infelicidade do texto".Em julho do ano passado, quando a Cteep concedeu o primeiro patrocínio de R$ 60 mil à revista, o ofício de solicitação de propaganda dizia que "em contrapartida, o patrocinador terá espaço de uma página de cunho institucional e 3.000 exemplares para distribuição exclusiva". Não havia referência a cessão de espaço editorial.
A Cteep aprovou a concessão de mais R$ 60 mil para a próxima edição, que deverá circular em maio. A empresa foi criada a partir da cisão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e iniciou suas operações em 1º de abril de 1999 e, em novembro de 2001, incorporou a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A.), oriunda da cisão da Eletropaulo.

É mais fácil esculachar

Brasil

Fernando Soares CamposLa Insignia. Brasil, abril de 2006.

Quando cheguei ao Rio de Janeiro, há muitos anos, vindo lá do Nordeste, logo me dei conta do espírito humorístico dos cariocas, das suas brincadeiras, das gozações desse povo naturalmente caçoísta, tanto quanto o povo de minha terra. Foi quando observei que as pessoas gostavam de conversar comigo por vários motivos, mas principalmente porque achavam engraçado o meu jeito de falar, o meu sotaque e os diversos termos que eu usava. Nunca esqueço do meu primeiro "oxente!" pronunciado em público, aqui no Rio. Somente muito tempo depois foi que entendi por que, quando o proferi, atraí a atenção de um grupo, numa festa de aniversário. A partir daquele momento, todos queriam conversar comigo. Daí em diante, tudo que eu falava era motivo de riso, brincadeiras e alimentava ainda mais a animada roda de bate-papo. E eu lá, aos 19 anos de idade, centro das atenções, crente que estava abafando, como a gente se sentia na época. Lembro até que ainda usava alguns termos considerados arcaicos, como, por exemplo, "vindouro". Enquanto um carioca dizia "semana que vem", eu dizia "semana vindoura", e aquilo, pra eles, era uma preciosidade!

Por que tomo a defesa do presidente Lula em relação a algumas frases que ele andou proferindo e que repercutiu de forma tão negativa na mídia? Certamente porque sei que interpretações ao pé da letra, em outras regiões do nosso país, daquilo que diz um nordestino de modesta educação formal (formal) podem gerar uma certa e compreensível confusão. Muita gente poderia alegar que o presidente Lula viveu muito mais tempo em São Paulo que no Nordeste. Podem ainda dizer que ele chegou ao "Sul Maravilha" quando esta expressão ainda nem havia sido cunhada pelo Henfil. Mas os nordestinos, como tantos outros migrantes internos e imigrantes, mantêm hábitos, costumes e traços peculiares que, como todos nós sabemos, passam de geração a geração. Hábitos alimentares e indumentários, rituais religiosos, gestos, acentos de sotaque, termos e expressões de suas origens. Tenho um primo que mora aqui no Rio há quase cinqüenta anos, e quem conversar com ele, hoje, pode imaginar que o "paraíba" chegou ontem do Nordeste. Seus filhos, e até alguns netos, todos cariocas, manifestam determinadas características próprias dos nordestinos. Acho que esta é uma das mais importantes heranças que ele deixará aos seus descendentes, depois da educação moral e ética que lhes transmitiu.

Por ser nordestino, sei o que o presidente Lula quis dizer, por exemplo, quando declarou: "Ler é pior que fazer exercício em esteira". Ao pronunciar tal frase, com a melhor das intenções, alguns setores da imprensa fizeram o maior alvoroço. Achavam que o presidente havia dito que preferia fazer exercícios numa esteira. Intelectuais de todos os credos escreveram indignados artigos. Alguns diziam até que o presidente estava fazendo apologia à ignorância. E eu imagino como se sente o presidente quando lê esse tipo de crítica nas revistas e jornais, ou quando delas toma conhecimento assistindo aos telejornais. São feitas, geralmente, em tom galhofeiro. São escárnios que pretendem se passar por perspicacíssimas crônicas.

"Pior", lá no meu Nordeste, em diversos contextos, tem sentido de "mais difícil". Há anos, quando aqui cheguei, eu teria dito coisas assim: "Ler é pior (mais difícil) que fazer esteira", ou seja, estaria empregando o termo "pior" no lugar da expressão "mais difícil". E aí pergunto: o que você acha? Ler é mais difícil que fazer esteira? Claro que sim, pois fazer esteira, passar um bom tempo caminhando de lugar algum para nenhum lugar não exige esforço intelectual. Ler, por exemplo, um texto acadêmico, aí é que se torna pior... quer dizer, mais difícil que caminhar sobre uma esteira rolante. Fazer exercícios em esteira é melhor ("mais fácil", pois também usamos "melhor" com este sentido) do que ler. Concorda? Fazer exercícios numa esteira pode ser "intelectualmente" equiparado a assistir televisão. Isto sim.

Ontem, por indicação de uns amigos meus, encontrei, em dezenas de blogs e sites, um texto intitulado "Presidente, vá se danar", de autoria de Adriana Vandoni Curvo, professora, especializada na Fundação Getúlio Vargas, pós-graduada em Gestão de Cidades. O artigo foi publicado no jornal A Gazeta (impresso), Mato Grosso, no dia 24 de julho de 2005, edição 5046. Em "Presidente, vá se danar", Adriana Vandoni Curvo afirma que o presidente Lula teria dito que "tem mais moral e ética que qualquer um aqui neste país".

A verdade é que, certa ocasião, o presidente falou e, dias depois, reiterou: " Ninguém tem mais autoridade moral e ética do que eu", frase que qualquer cidadão, imbuído de senso moral e princípios éticos, diria, como eu o digo: "Ninguém tem mais autoridade moral e ética do que eu". Posso encontrar milhões de pessoas que tenham esta autoridade em igualdade de condições, em igual teor, porém não conheço quem tenha mais autoridade moral e ética do que eu. Como também não conheço quem tenha essa autoridade mais que o presidente Lula.

A professora distorceu as palavras do presidente e ainda se sentiu no direito de, com essa espécie de calemburgo infame, mandar o presidente se danar. Quanta baixaria! Não tem vergonha de fazer um troço desses, professora Adriana? A senhora que deveria ser um exemplo para os seus filhos e alunos, faz um trocadilho tão asqueroso. A não ser que a senhora prove que as duas frases são a mesma coisa, ou que não havia notado a diferença.

Veja, professora, repita comigo e anote aí no quadro negro:

Frase 1: Tenho mais moral e ética que qualquer um neste país.

Frase 2: Ninguém tem mais autoridade moral e ética do que eu.

Viu? Notou a diferença? Não?! Então explico:

No primeiro caso, professora, eu estaria determinando que sou o máximo, isoladamente, que sou único! Seria um delírio, como a senhora pretende que o presidente tenha tido.

No segundo caso, o presidente Lula e milhões de pessoas (entre estas, eu) podem pronunciar a frase, sem qualquer constrangimento. Não sei se a senhora também poderia, pois quem fez o que a senhora fez, das duas uma: ou o fez de má-fé, ou ingenuamente, por não ter interpretado corretamente uma frase tão simples.

A senhora, que tanto leu, tanto estudou, tantos diplomas exibe, não soube interpretar uma frase tão simples, professora?! Não soube, ou, propositadamente, distorceu a frase do presidente Lula, atitude que excluiria a senhora da possibilidade de ser uma dessas pessoas que poderiam dizer: "Ninguém tem mais autoridade moral ética que eu", pois a senhora feriu a moral e a ética dos que devem preservá-las quando escrevem para o público.

A senhora me disse, numa resposta automática do seu endereço eletrônico: "Este artigo não foi enviado ao presidente Lula, até porque, ele já declarou diversas vezes que ler é pior que fazer esteira... e tem outra, será que se ele lesse, entenderia?" Bom, eu também lhe pergunto: a senhora saberia andar na esteira sem qualquer problema? Creio que sim. Mas deve ter dificuldade em relação ao que lê ou ouve, não é mesmo? E agora, entendeu por que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "Ler é pior (mais difícil) que fazer exercício em esteira"?

Professora, o presidente Lula e eu, em determinado momento histórico do nosso país, saciamos nossa fome de saber no mesmo banquete literário: o velho Pasquim, jornal que fez história na imprensa nacional. Foram mais de 20 anos de resistência à ditadura militar, com humor e os melhores articulistas que conheci. Alguns em plena atividade; outros, lá em cima, assistindo a essa patifaria que a imprensa faz hoje em nosso país, aceitando publicar um artigo estúpido como o seu. Confira o time do velho Pasca: Ziraldo, Jaguar, Millôr Fernandes, Ivan Lessa (BBC-Londres), Sérgio Augusto, Alberto Dines (Observatório da Imprensa), Chico Buarque, Antonio Callado e tantos outros. Dentre estes "outros", Fausto Wolff, atualmente colunista do Jornal do Brasil e colaborador de La Insígnia. O Fausto, à época, era o preferido do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva (conforme ele declarou), hoje presidente da República Federativa do Brasil.
Mas, professora, aqui pra nós: poderia nos dizer quem tem mais autoridade moral e ética que a senhora? Não vá dizer que é aquela turma da pesada que anda cuspindo ódio lá no Senado.

Avaliação da CPI


Dalmo de Abreu Dallari - JB
Jurista

Depois de quase dez meses de atividades, incluindo audiências, pedidos de informações, discursos inflamados e manifestações indignadas, acusações e insinuações, tudo em ambiente de espetáculo, com ampla cobertura da mídia e muito exibicionismo, chegou ao fim o trabalho da CPI dos Correios, Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a denúncia de irregularidades nos Correios. É curioso ressaltar que os Correios ocuparam espaço muito pequeno nas atividades da Comissão e agora, apresentado o relatório final, nem se fala nos Correios. A par disso, tendo em conta que as atividades da CPI ocuparam muito tempo dos parlamentares, implicaram o deslocamento de muitas pessoas, em idas e vindas para Brasília, exigiram a ampla utilização de recursos tecnológicos para obtenção e transmissão de informações, provocaram o acionamento de muitos órgãos públicos, além de muitas outras despesas, é razoável perguntar se os resultados obtidos justificam o altíssimo custo de toda essa movimentação. Além disso, é preciso considerar também o custo político-social representado pela grave perturbação dos trabalhos do Legislativo, que foi afastado de tarefas essenciais. É razoável perguntar: valeu a pena?

Não há dúvida de que a Comissão Parlamentar de Inquérito é um importante instrumento de fiscalização e controle, que o Legislativo pode e deve utilizar quando esse for o meio mais adequado para a investigação de denúncias de interesse público relevante. Aqui já se impõe uma primeira observação: a Constituição, pelo artigo 58, § 3º, dá às Casas do Legislativo o poder de criar comissão parlamentar de inquérito ''para apurar fato determinado''. Existe aí uma expressa limitação constitucional e o desbordamento, a utilização da CPI para a realização de uma ampla devassa ou para a investigação de outros fatos, é juridicamente irregular e pode servir de base para a anulação de suas conclusões. No caso da CPI dos Correios é possível que esse ponto seja invocado numa ação judicial. O Judiciário não poderá ignorar a existência da limitação constitucional e aceitar a alegação de interesse público para a prática da ilegalidade, pois admitido isso todas as arbitrariedades e violências poderão ser cometidas, ofendendo e anulando direitos, sob pretexto de interesse público, o que significaria a morte do Estado de Direito.

Outro ponto importante que suscitado pelo relatório final da CPI é uma grave omissão, que evidencia uma espécie de parcialidade nas conclusões. De acordo com o disposto no já referido artigo 58, § 3º, da Constituição, a CPI deverá ter um prazo certo para a realização das investigações, ''sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores''. Como já foi amplamente noticiado e vem reafirmado no relatório final, foram praticadas muitas infrações, ligadas à compra de apoio de parlamentares, envolvendo entidades públicas e privadas, sendo nominalmente referidas várias empresas. O relatório final recomenda o indiciamento de parlamentares e outros ocupantes de cargos públicos, e da área privada só menciona três dirigentes do Banco Santos, que já é objeto de ampla investigação em ações judiciais. Se as infrações realmente ocorreram e se foram cometidas com a cumplicidade ativa de empresários estes também devem ser indiciados.
Essa omissão leva à lembrança de outra, de extrema relevância. Se as investigações levadas a efeito pela CPI revelam a existência de um esquema propício à prática de corrupção, é dever da CPI apontar esses vícios e propor medidas, legais ou administrativas, visando desmantelar o esquema e impedir que ele continue sendo usado para a prática das mesmas irregularidades. No relatório final não se faz a identificação dos mecanismos de corrupção e não são feitas sugestões para o seu desmantelamento, o que leva à conclusão de que não entrou na cogitação dos membros da CPI o fechamento desses caminhos. É verdade que a Constituição não diz expressamente que isso deve constar do relatório final de uma CPI, mas tal providência é de elementar bom senso e pode-se dizer que seria o ponto mais importante do relatório final, pois se é necessário e justo punir os que já cometeram infrações, prejudicando o interesse público, é dever ético e jurídico dos que obtiveram informações minuciosas e precisas sobre a existência de um mecanismo de corrupção, denunciar tais mecanismos e propor medidas visando a sua extinção.

Saturday, April 01, 2006

Sader: Destino da América Latina depende do Brasil

A esperança para os que acreditam num "outro mundo possível" reside na América Latina - hoje o maior centro de resistência ao modelo neoliberal que se disseminou pelo planeta. A análise, do professor Emir Sader, foi proferida nesta sexta-feira (31) durante a palestra de abertura da Conferência sobre Relações Internacionais do PT. Sader foi categórico ao afirmar que é "fundamental" reeleger Lula, em outubro, para que o processo de resistência latino-americana - na busca de um modelo próprio de integração regional - tenha continuidade e seja aperfeiçoado. "O destino da América Latina, de alguma maneira, está sendo jogado no Brasil", afirmou.

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Destino da América Latina depende do Brasil

Sader: Destino da América Latina depende do Brasil

A esperança para os que acreditam num "outro mundo possível" reside na América Latina - hoje o maior centro de resistência ao modelo neoliberal que se disseminou pelo planeta. A análise, do professor Emir Sader, foi proferida nesta sexta-feira (31) durante a palestra de abertura da Conferência sobre Relações Internacionais do PT. Sader foi categórico ao afirmar que é "fundamental" reeleger Lula, em outubro, para que o processo de resistência latino-americana - na busca de um modelo próprio de integração regional - tenha continuidade e seja aperfeiçoado. "O destino da América Latina, de alguma maneira, está sendo jogado no Brasil", afirmou.

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Carta aos amigos



De: Luiz Fernando Carceroni

Acredito que o pedido de meu indiciamento em 4(quatro) crimes, apontados pelo relator Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, tem o objetivo político de, através da minha pessoa, envolver o PT na eventual falsificação da Lista de Furnas A Lista de Furnas surgiu das mãos de Nilton Monteiro e para que todos saibam, não conheço Nilton Monteiro, não sei onde mora e nem seus telefones e nunca falei com ele, por qualquer meio de comunicação. Entretanto o relator amarrou o meu destino ao dele como seu colaborador e contribuinte em seus eventuais crimes. É o que escreveu no relatório. Lá no mesmo relatório, está explícita a posição dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal. Atestam que não se pode concluir sobre a autenticidade ou não da Lista de Furnas, com base apenas na cópia autenticada, mas afirmam ser o selo de autenticação do cartório verdadeiro, a assinatura do funcionário do cartório autêntica e a assinatura e rubrica de Dimas Toledo convergentes com as amostras das assinaturas e rubricas colhidas para a confrontação pericial. A Polícia Federal nunca atestou falsidade na Lista de Furnas, como afirma Osmar Serráglio.

Serraglio afirmou ser falsa a Lista de Furnas em desacordo com a perícia oficial e com base em perícias privadas, encomendadas e pagas pela oposição PFL/PSDB. Ele desconheceu por completo o relato dos peritos criminais oficiais, em resposta aos quesitos do delegado de polícia federal, encarregado do inquérito.

O relator tratou de modo diferente as denúncias sob investigação. Quem acusou membros do governo e do PT, mesmo sem provas ou documentos, só de ouvir falar, foi respeitado e ouvido com atenção nesta CPI, pelo relator. Ao contrário, não ouviu ou convocou testemunhas que denunciaram crimes atribuídos à membros da oposição, mesmo documentados. E como exemplo cito: O mesmo senhor Nilton Monteiro apresentou à Polícia Federal a Lista do caixa 2 de Eduardo Azeredo, atribuída a Cláudio Mourão, tesoureiro de sua campanha eleitoral em 1998. Ela foi periciada é dada como autêntica, com assinatura, rubricas e texto sem adulterações ou fraudes, pela perícia oficial efetuada, a pedido do delegado federal que investiga o fato. Nilton Monteiro foi convocado pela CPI dos Correios em Agosto de 2005 e nunca teve marcada a data de seu depoimento. O relator deixou de lado o assunto por exigência da da oposição.

Por outro lado, apresentei representações aos órgãos públicos competentes para efetuar as investigações sobre a veracidade ou não da Lista de Furnas. As representações alcançaram a Polícia Federal, O ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União, em 17/12/2005. Estes órgãos jamais me convocaram para depor sobre a autenticidade ou não da Lista, já que apenas cumpri com a minha obrigação de cidadão, ao tomar conhecimento de um possível indício de crime. Agi dentro da legalidade. As investigações estão em curso e alguns fatos relatados na lista estão sendo apurados e até comprovados, conforme noticiou a imprensa. O relator tenta inverter os fatos a pedido da oposição. Afirmou que cometi crimes ao pedir que possíveis crimes fossem apurados se verdadeiros ou não. Parece brincadeira, mas não foi. Muitos parentes e amigos me ligaram no dia seguinte, ao ver meu nome figurar entre os que terão pedido de indiciamento pelo relator da CPI dos correios, estampada nos jornais de Belo Horizonte. Perguntaram porque teria sido denunciado por corrupção nos correios. Não me conformo com esta atitude injusta, e injuriosa do relator Osmar Serraglio. Vou lutar pela exclusão de meu nome do relatório da CPI dos Correios, incluído sem nenhuma prova legal ou depoimento e peço ajuda a todos. Foi um ato puramente político, sem qualquer fundamento ou base em apuração ou relato dos órgãos que investigam os fatos. O juízo emitido pelo relator é unicamente calcado nas pretensões da oposição de desmoralizar e barrar a qualquer custo as investigações sobre a Lista de Furnas. E mais grave, foge absolutamente do objeto de investigação desta CPI dos Correios.

Luiz Fernando Carceroni
Belo Horizonte, 31 de Março de 2006