Friday, March 31, 2006

Lágrimas de Crocodilo

José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil


Parece mentira, mas é verdade. Voltamos ao clima de fim do mundo, tão caro à CPI dos Bingos. Agora, quase toda a mídia assume, falsamente escandalizada, um ar de indignação e estupefação contra o governo e dá curso aos piores ressentimentos da oposição que, alegremente, tenta levar o país a um beco sem saída.

Seu propósito golpista, via Paulo Okamotto, foi facilitado - e muito - com a crise da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Um fato de extrema gravidade, inadmissível, que está sendo, rigorosamente, apurado pela Polícia Federal e que levou às demissões do ministro Antonio Palocci e do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso.

A paranóia chegou ao limite, com a histeria desencadeada pelos catões de plantão, contra a manifestação da deputada do PT, Ângela Guadagnin, de aprovação à absolvição de João Magno, deputado de seu partido.

Os que condenaram o comportamento da deputada são os mesmos que silenciaram, junto com parte expressiva da mídia, quando o líder do PSDB, deputado baiano Jutahy Magalhães Filho, disse, para todo o Brasil, ''que caixa dois é crime eleitoral sujeito a multa, e não a cassação de mandato'', ao justificar o voto do PSDB-PFL pela absolvição do deputado Roberto Brant.

Tudo fica mais grave, quando sabemos que a Comissão de Ética do Senado absolveu o senador Eduardo Azeredo, réu confesso, apoiando-se na falácia de que o ex-governador e ex-presidente do PSDB não era parlamentar na época do ocorrido.

Sabem o Senado, e toda a mídia, o STF decidiu que o decoro parlamentar independe de estar, ou não, o cidadão no exercício do mandato, razão pela qual um parlamentar-ministro pode ser processado por quebra do decoro, mesmo licenciado.

Mais grave ainda, porque revela os verdadeiros objetivos da oposição e de seus pistoleiros de aluguel, é a hipocrisia com relação ao ato, condenável, de quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana, enumerou todos os casos de violação flagrante, por parte da oposição, dos sigilos telefônico, bancário e fiscal de várias pessoas. Todos eles realizados com o apoio de certa mídia, que, em muitos casos, chegou a pressionar pela violação, e usou e abusou da publicação dos dados sigilosos.

Vou citar cada um desses casos de quebra de sigilo, para provar o farisaísmo e a total irresponsabilidade dessa mesma mídia: o de Henrique Meireles, da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil - Concrab; o dos deputados federais petistas Devanir Ribeiro, Zezéu Ribeiro, Wasny de Roure e Vicentinho; o de Maurício Marinho, ex-funcionário dos Correios; de dados sigilosos do TCU sobre a Petrobrás e, por fim, do meu, quando era deputado.

Também irresponsável foi o vazamento dos dados do publicitário Duda Mendonça, transferidos para a CPMI pelas autoridades do governo norte-americano. O próprio Paulo Okamotto teve seus sigilos bancário, fiscal e telefônico devassados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A Folha de S. Paulo faz, agora, um editorial de primeira página, onde expressa sua desfaçatez, ao acusar o governo Lula de conviver mal com a imprensa. Chega ao cúmulo de lhe atribuir a Lei da Mordaça, obra do ex-presidente FHC e de seu partido, o PSDB, engavetada pelo presidente Lula. No afã de provar abuso de poder por parte do governo, revive o caso do correspondente do The New York Times e a proposta do Conselho Nacional de Jornalismo.

Tudo para mostrar que o governo Lula abusa do poder, quando a realidade é outra; quem o faz são as oposições, tanto na violação dos sigilos, como na ação da CPMI dos Bingos, ilegal e inconstitucional, segundo manifestação do próprio STF.

A verdade é que nenhum governo foi tão investigado e tão devassado. Toda e qualquer denúncia divulgada pela imprensa é, imediatamente, levada à CPMI. Ministério Público, Polícia Federal, TCU, CGU acompanham e investigam tudo.

O desespero da oposição e de seus apoiadores vem do fato de que nada ficou provado contra o presidente e, também, do fato de que não há provas de o governo ter praticado qualquer irregularidade ou ilícito ou de se ter omitido.
Na verdade, estamos assistindo a mais um episódio explícito da campanha eleitoral, com ameaças e ares de chantagem barata contra o governo, sob o pretexto da defesa das liberdades e dos direitos dos cidadãos.

QUESTÃO DE ORDEM: Os tucanos contra Lula

Quem imagina, como os tucanos da OAB, obter o impeachment do presidente, que se prepare para confrontar-se com a reação dos trabalhadores. Lula pode ter todos os defeitos que lhe atribuem. Se os tiver, não estará sendo diferente de muitos de seus antecessores. A diferença é que ele não é do grupo dos que sempre mandaram no Brasil.

Mauro Santayana * Carta Maior



BRASÍLIA - Joaquim Cardozo, o grande calculista de Niemeyer e excelente poeta, começa um de seus poemas com a fantasia de que se haviam reunido, em congresso, todos os ventos do mundo. Era o engenheiro, ser construído para lutar contra os elementos naturais – sobretudo o vento – que se assustava com a previsível tragédia de uma convenção que juntasse o euro e o siroco, o minuano, os ventos atlânticos e os tufões caribenhos.Começam a reunir-se, nesta sexta-feira, dia de desincompatibilização, todos os irrequietos e imprevisíveis ciclones políticos. O ministro Palocci, que começou a escorregar ainda em Ribeirão Preto ao escolher mafiosos de subúrbio como auxiliares diretos, caiu na fossa da desgraça por motivos de rasteira futilidade. Deu à oposição mais pólvora para o ataque ao governo. Enfim, está caindo pelos pecados menores, e não pela sua obediência automática aos recados do Império, repassados com fidelidade pelo Sr. Henrique Meirelles.

O caseiro Francenildo descobrirá, dentro de pouco tempo, que está sendo usado pelos tucanos que – como é de praxe nesses casos – irão deixá-lo na calçada, quando ele lhes deixar de ser útil. Os homens mais experientes não sabem como se sentir mais penalizados diante do caso do rapaz piauiense, cujo nascimento acidentado, em uma sociedade hipócrita como a nossa, já era um fardo a carregar: se com a sua situação social, ou com o festival de cinismo com que o exaltam nestes dias.

Nestes dias, é claro, o rapaz se sente como uma celebridade nacional, como celebridades foram, um dia, o motorista e a secretária, no caso Collor. Mas é constrangedor ver homens que normalmente não lhe dirigiriam a palavra, senão de cima para baixo, saudá-lo como o grande herói nacional, e usá-lo, como o usaram os tucanos da OAB, como garoto propaganda de um ridículo movimento de impeachment contra o presidente da República.

Se esses senhores meditassem o que ocorreu há 42 anos, exatamente naquela véspera de 1º de abril, seriam menos afoitos. É possível que estejam jogando com os grã-finos e alienados que se reúnem hoje no Instituto Millenium e no movimento “Queremos mais Brasil”, que pretendem reeditar o que houve em 1964. Mas se esquecem de que a história pode repetir-se como farsa (de acordo com Marx) ou rodando para trás.

Quem imagina obter o impeachment do presidente, assim sem mais nem menos, que se prepare para confrontar-se a uma reação poderosa dos trabalhadores. Lula pode ter todos os defeitos que lhe atribuem, e alguns mais. Se os tiver, não estará sendo muito diferente de muitos de seus antecessores. A diferença é que ele não é do grupo dos que sempre mandaram no Brasil.

E não contem com os quartéis. É mais fácil, na situação nacional de hoje, encontrar militares com a consciência de que o inimigo deixou de estar no Sul, para vir do Norte, do que aqueles que, enganados pelas circunstâncias, aplaudiram a teoria das fronteiras ideológicas. Os que estão enfrentando as dificuldades da selva amazônica, e preocupados na vastidão das fronteiras ocidentais do Brasil, sabem muito bem que as fronteiras são físicas, concretas, que devem ser rigorosamente fechadas contra os aventureiros.

UMA SUCESSÃO TUMULTUADA
Nessa fase de formação das candidaturas, tem havido de tudo. Os tucanos, no afã de ampliar e consolidar suas alianças, prometem o paraíso a seus aliados possíveis. Mas, em política, o pecado maior não é a falsa promessa, mas a boa-fé em tê-la como válida. O Sr. Itamar Franco não toca no assunto, mas o Sr. Barbosa Lima Sobrinho que, no limiar dos cem anos, permanecia arguto observador, afirmava a seus amigos saber que Fernando Henrique, para garantir o apoio do então presidente, na fase de escolha de candidatos presidenciais, prometeu-lhe fazê-lo candidato à sucessão em 1998. Outro testemunho, neste sentido, foi o do jornalista João Emílio Falcão, em confidência a este colunista. Quando a glória deu ao grão tucano o manto de pavão, Fernando Henrique achou que ninguém podia a ele suceder, senão ele mesmo.

Prevendo as dificuldades em vencer Lula, a oposição usará todas as armas possíveis. No interior, os partidários do presidente devem acautelar-se contra os atos habituais de provocação. Nas grandes cidades corremos o risco de confronto entre manifestantes do PSDB de um lado e de defensores do atual governo, do outro. Nessa hora, é bom que, de um lado e de outro, haja pessoas de bom-senso.

Estamos construindo, com todas as dificuldades, o estado democrático, e qualquer retrocesso, para um lado ou outro do espectro político, será danoso. O país – e é sempre bom dizer – anseia por um governo de centro. Salvador de Madariaga, grande pensador espanhol, dizia que a República malograra em seu país porque malograra o centro político. Quer queiram, ou não, o governo Lula tem sido um governo de centro, enquanto o de Fernando Henrique foi – em termos de ação e resultados – um governo neo-conservador, distanciado do centro pelo lado direito.

OS ÊXITOS ECONÔMICOS
Embora a política econômica tenha continuado monetarista, os seus resultados foram muito mais efetivos do que no passado. Lula conseguiu reduzir a velocidade do endividamento interno, saldou grande parte dos compromissos externos, quitou as dívidas tucanas com o FMI e com o Clube de Paris e conseguiu, nestes três anos anteriores, saldos comerciais de quase cem bilhões de dólares. Os sacrifícios do povo foram quase os mesmos, mas conseguimos mais autonomia diante dos credores internacionais. Se o resultado do PIB continua pífio, podemos lembrar que não foi melhor na média dos oito anos de Fernando Henrique, que só puderam ser comparados aos anos loucos do encilhamento, e da conseqüente “austeridade” recessiva de Joaquim Murtinho, no início de nossa vida republicana.

Será difícil aos tucanos convencer os empresários de bom senso que é melhor voltar aos tempos privatizantes de Fernando Henrique. Já se anuncia que o Sr. Luis Carlos Mendonça de Barros prepara um plano de governo que privatizará totalmente a Petrobras (a fim de evitar a sua associação com a Pedevesa, da Venezuela), completará a privatização das empresas de energia elétrica (o que se impediu graças à reação viril de Itamar em Minas) e retornará aos “bons tempos” em que ele e os meninos de ouro do Banco Central sabiam administrar com êxito os seus rendosos negócios privados, sem deixar a gestão da economia pública.



Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

O MUNDO PELO AVESSO

Nem veja. Nem leia

Se você quiser saber tudo sobre o governo FHC, não leia o livro de auto-ajuda “A arte da política”, assinado pelo ex-presidente. Não leia, porque ali nada se explica sobre as privatizações, conluio com a grande mídia, a explosão da dívida pública e aprovação da emenda da reeleição.

Emir Sader * Agência Carta Maior


Se você quiser saber como FHC foi fabricado como candidato para o Plano Real e não o Plano para o candidato;

Se você quiser saber como a inflação foi transformada na multiplicação da dívida pública em 11 vezes, pelo candidato que dizia que “o Estado gasta muito, o Estado gasta mal”, mas entregou o Estado falido a seu sucessor;

Se você quiser saber como o presidente dos EUA mandou seu assessor para apoiar a candidatura de FHC e ganhou, de quebra, o Sivam, para uma empresa financiadora de sua campanha;

Se você quiser saber como parlamentares foram comprados para que a Constituição fosse reformada e a emenda da reeleição, reformada;

Se você quiser saber como o conluio entre a grade mídia privada e o governo de FHC impediu que houvesse CPI da compra de votos;

Se você quiser saber como o país foi quebrado três vezes durante o governo de FHC, ao seguir rigorosamente as normas do FMI;

Se você quiser saber quanto e como se multiplicaram fortunas com a privatização das empresas públicas – o maior negócio de corrupção da história do Brasil;

Se você quiser saber quanto e como se multiplicaram fortunas com a brutal desvalorização da moeda em janeiro de 1999;

Se você quiser saber como e por que fracassou o governo de FHC, derrotado estrepitosamente nas eleições para sua sucessão;

Se você quiser saber estas e outras verdades fundamentais para entender o Brasil contemporâneo e por que o ex-presidente FHC é o mais rejeitado de todos os nomes aventados como candidatos à presidência da República;

Se você quiser saber por que seus correligionários disseram a FHC que calasse a boca, porque suas intervenções desastrosas ajudavam a recuperação eleitoral de Lula;

Se você quiser saber por que FHC não conseguiu nenhum cargo internacional – como era seu sonho – e tem que se contentar com o luxuoso escritório no Vale do Anhangabaú, montado por grandes empresários paulistas, em agradecimento pelo que lucraram durante seu governo;

Se você quiser saber por que FHC se tornou tão rancoroso diante do sucesso de Lula e de sua política externa;

Se você quiser saber dos vínculos sorrateiros da “Veja” com o ex-presidente, que deram – na única resenha da imprensa – capa do seu livro, apresentada por um escriba de plantão;

Se você quiser saber tudo isso e muito mais sobre o governo FHC, não leia o livro de auto-ajuda (para ele levantar sua decaída auto-estima), recém publicado pelo ex-presidente, decadente e marginalizado.

Não leia, porque nada disso está ali, senão autobajulações, autojustificativas, perfeitamente adequadas a que se esqueça antes mesmo de ler. Nem veja, nem leia.


Emir Sader é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

Assembléia investiga doações de vestidos a Lu Alckmin

Primeira-dama de São Paulo diz que vestidos que ganhou foram entregues a instituição de caridade; deputado vê improbidade e Assembléia investiga doações a Lu Alckmin

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

A Assembléia Legislativa de São Paulo vai investigar as doações de roupas que foram feitas pelo estilista Rogério Figueiredo para a primeira-dama do Estado, Lu Alckmin. O estilista revelou à Folha que já doou 400 peças de alta-costura para a primeira-dama.

Em carta enviada anteontem ao jornal e publicada ontem, a assessora de Lu Alckmin, Cristina Macedo, afirmou que "a senhora Lu Alckmin não recebeu 400 peças" de Rogério Figueiredo e que "as poucas peças" entregues foram doadas para "a entidade social Fraternidade Irmã Clara".

Ao jornal "O Estado de S. Paulo", Lu Alckmin afirmou que recebeu 40 peças do estilista e que todas foram doadas à Fraternidade Irmã Clara "em três lotes, em anos consecutivos".

A entidade não confirma tais doações. Já o estilista reafirmou à Folha que doou 400 peças, ou cerca de 200 modelos completos, a ela.

"Quarenta roupas ou 400 não muda absolutamente nada. Então quer dizer que ela ganhou R$ 200 mil em presentes e não R$ 2 milhões? É improbidade administrativa do mesmo jeito", diz o deputado Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP), autor do requerimento que pede explicações ao governador Geraldo Alckmin pelos "confortos proporcionados de graça à sua esposa". Os vestidos de Figueiredo custam de R$ 3.000 a R$ 5.000.

A presidente da Fraternidade Irmã Clara, Elizabeth Teixeira, diz "não ter conhecimento" das doações de 40 vestidos que teriam sido feitas à entidade pela primeira-dama. De acordo com Elizabeth, a FIC recebeu um telefonema de Lu Alckmin na terça, 28, dois dias após a Folha ter publicado reportagem com as revelações do estilista. A primeira-dama disse a ela que faria uma doação. "Foram dez vestidos de festa", afirma Elizabeth, entregues todos no mesmo dia. "Que eu saiba, foi a primeira doação de vestidos".

As doações feitas pelo estilista a Lu repercutiram de forma negativa entre os aliados de Alckmin. O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), por exemplo, afirmou: "Imagine o tamanho de um armário para guardar tudo isso". Para Maia, que já defendeu o impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva porque a primeira-dama, Marisa Letícia, recebeu 27 tailleurs de graça de um estilista, "é claro que a senhora Lu Alckmin deve prestar todas as informações, pois não foi na condição de pessoa física que recebeu tantos regalos".

"Eu tenho a prova de que foram feitas mais de 400 peças de roupa", diz Figueiredo. "Foram quatro anos [de 2001 a 2005], ela não tinha nem o que vestir. Só de tricôs e casaquinhos foram mais de cem. Vestidinhos básicos, milhares. Ela nunca pagou nada".

"Sua sócia, Kátia Grubisich, mulher de José Grubisich, presidente da Braskem, confirma que o estilista fala a verdade. "Está chato para ela [Lu Alckmin], não é? Eu sinto muito. O assunto tomou um rumo diferente, virou político." Kátia é sócia de Figueiredo desde maio de 2005.

Ângela Guadagnin volta ao Conselho de Ética

O presidente da Câmara, Aldo Rabelo, fez muito bem. E o deputado Roberto Freire com tantos anos de mandato deveria ter vergonha de não saber fazer uma representação.
Bel

FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) está de volta ao Conselho de Ética. O afastamento da deputada pela "dança da pizza" no plenário da Câmara dos Deputados durou apenas 24 horas. O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP), acolheu na quinta-feira representação do PPS contra a deputada.

No texto, o partido pedia uma punição para a deputada, mas não tratava de perda de mandato por quebra de decoro. Justamente por isso a deputada não podia e nem precisava se afastar das atividades no Conselho.

O regimento determina que o parlamentar que integra o Conselho de Ética deve se afastar das atividades quando tiver de responder a um processo por quebra de decoro. A punição mais branda não demanda abertura de processo. A definição da penalidade, nesse caso, é da Mesa Diretora da Câmara, ou seja, é uma pena administrativa.

A análise da Secretaria Geral da Mesa gerou reação imediata do presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE)."O Aldo Rebelo [presidente da Câmara] mais uma vez desmoraliza as instituições. Aquele ato [a dança] chocou a sociedade", afirmou. "A falta de compostura não é motivo para cassação, mas não pode ficar sem punição."

Relator acusa "corruptores", mas ameniza com "corrompidos"

CPMI DOS CORREIOS

Relator acusa "corruptores", mas ameniza com "corrompidos"
Os deputados que receberam o chamado "mensalão" não foram indiciados por corrupção passiva no relatório final da CPMI dos Correios. Apenas por crimes eleitoral e fiscal. Se não foram subornados, como pode alguém ser acusado de subornar?

Nelson Breve – Carta Maior

BRASÍLIA - As 1828 páginas do relatório apresentado nesta quarta-feira (29) pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) retratam bem o que aconteceu nesses 10 meses de atuação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional destinada a apurar casos de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A despeito de terem encontrado fortes indícios de esquemas envolvendo políticos de diversos partidos, inclusive dos que hoje estão na oposição ao governo federal, o foco das investigações e das denúncias foi colocado sempre sobre o PT e seus integrantes.
O "valerioduto" (alcunha recebida pelo esquema de desvio de verbas públicas e privadas controlada pelo publicitário Marcos Valério) é apresentado como um esquema de desvio de recursos públicos em benefício de partidos políticos e de pessoas.
Quem lê as conclusões e indiciamentos do relatório fica com a impressão de que a falcatrua começou com o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. No entanto, as linhas investigativas abortadas ou desconsideradas indicam que o esquema começou a ser operado na administração do governador tucano Eduardo Azeredo, em Minas Gerais. Infiltrou-se no governo federal do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Ramificou-se para governos estaduais, como os de São Paulo (administração tucana) e do Distrito Federal (PMDB). E prosseguiu no governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva.
As tintas do relatório reproduzem as opções de investigação feitas pela CPI. Do "valerioduto", só interessou o que fosse necessário para sustentar a existência do esquema ilícito de cooptação de apoio político denominado "mensalão". A CPI abandonou a investigação das relações suspeitas entre as agências de publicidade DNA e SMPB, do lobista Marcos Valério, e o Governo do Distrito Federal (GDF) na administração do peemedebista Joaquim Roriz (que esta semana declarou apoio ao candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin).
Foram R$ 74,2 milhões repassados pela Secretaria de Fazenda do DF e pela estatal Terracap ao "valerioduto". Da mesma forma, permaneceram nebulosos os vínculos do "valerioduto" com o governo do estado de São Paulo, especialmente as transações entre a Telesp, antes de ser privatizada, e a SMPB-SP. Pelas contas da SMPB-SP passaram R$ 104 milhões de abril de 1997 a março de 1999. Desse total, R$ 41 milhões foram repassados pela Telesp.
A CPI não levou adiante essas investigações alegando que invadiam a esfera estadual. Mas, sequer citá-las no relatório é omissão. Até porque o governo tucano não deixa a Assembléia Legislativa de São Paulo abrir investigação alguma. O exemplo mais recente é a denúcia do mensalinho da Nossa Caixa para comprar apoio no Legislativo estadual. No GDF também há interesse nessa investigação, até porque a Câmara Legislativa local também repassava recursos ao "valerioduto".
A ligação das empresas de Marcos Valério com outras empresas privadas interessadas em boas relações com o governo federal e o governo mineiro foram mencionadas de passagem. O nome do empresário Daniel Dantas, ligado ao PFL, mal aparece no relatório, embora empresas do grupo BrasilTelecom, administradas por ele, tenham irrigado generosamente as contas de Marcos Valério. Entre 2000 e 2005, foram R$ 122,3 milhões da Telemig e R$ 36,5 da Amazônia Celular.
A Usiminas não foi investigada, também, apesar de indícios fortes de participação maior no esquema de financiamento ilegal de campanhas eleitorais por intermédio do Valerioduto. Os repasses foram da ordem de R$ 32 milhões em cinco anos.O critério de não levar as investigações para o plano estadual perdeu sustentação na medida em que o relator viu-se obrigado a incluir o esquema voltado para a reeleição do senador tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.
Se a justificativa para não excluir esse caso foi “não refugir ao que estivesse relacionado com o Valerioduto”, as transações com a Telesp e o GDF também deveriam ser mencionados da mesma forma.
O esquema para tentar reeleger Azeredo é idêntico ao que a CPI considera “desvio de recursos públicos para partidos e pessoas”. Tem agência de publicidade, tem contrato com o governo, tem empréstimos, tem repasses para políticos em campanha. É possível até que tenha sido usado em eleições anteriores à de 1998.
A licitação que abriu as portas do governo de Minas para as agências de publicidade de Marcos Valério foi a primeira realizada pelo governo Azeredo quando tomou posse em janeiro de 1994.Pelo relatório dá para perceber que a CPI usou critérios distintos para analisar e julgar tucanos e petistas.
Enquanto Azeredo e seus operadores foram indiciados por crime eleitoral, que já prescreveu. Os petistas José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoíno e Delúbio Soares foram enquadrados por corrupção ativa (Gushiken também foi indiciado por tráfico de influência, Genoíno, por falsidade ideológica e crime eleitoral, e Delúbio, além destes, por lavagem de dinheiro e peculato).
A defesa de Azeredo é considerada no relatório. A dos petistas, não.Pelo contrário, na tentativa de reforçar os argumentos, a CPI recorre a pareceres do Conselho de Ética da Câmara. No caso de José Dirceu, a investigação não avançou em nenhum ponto a partir do encaminhamento do relatório parcial ao Conselho de Ética. Pelo contrário, considerações levantadas antes foram retiradas no relatório final.
Serraglio considera Dirceu o grande idealizador do “esquema de corrupção destinado a garantir uma base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados” com base, exclusivamente, na palavra do ex-deputado Roberto Jefferson, cassado por não ter comprovado suas acusações.
O relatório contém uma contradição incontornável que inibiu qualquer outro tipo de indiciamento de Dirceu. Se os empréstimos eram fictícios, porque o então ministro da Casa Civil precisaria ser o avalista político perante os bancos Rural e BMG? Por essa razão, Dirceu foi indiciado apenas por corrupção ativa, como responsável supostamente pelo pagamento de suborno aos deputados.
Estes mesmos deputados, no entanto, não foram indiciados por corrupção passiva. Apenas por crimes eleitoral e fiscal. Se não foram subornados, como pode alguém ser acusado de subornar?
Fora Jefferson, apenas o tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri, faz ilações com base no que teria ouvido, ou do próprio Jefferson, ou de Delúbio e Genoino. Estes negam. Na palavra contra palavra, o relator prefere dar o crédito aos acusadores.Assim foi a CPI. Tem crédito quem acusa o PT ou o governo. Não tem quem acusa outros partidos.
O lobista Nilton Mourão, que denunciou a Lista de Furnas, considerada falsa por perícias encomendadas pela CPI, não foi ouvido por falta de credibilidade. “A lista pode ser falsa, mas quantos criminosos não foram ouvidos na CPI?”, questiona o deputado Jamil Murad (PCdoB-SP).
Qual a credibilidade do doleiro Toninho da Barcelona, que levantou suspeitas e depois precisou declarar que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era inocente para acalmar o mercado financeiro?
O relatório faz um esforço muito grande para comprovar a tese do mensalão. Consegue demonstrar que existiram repasses sistemáticos. O Caso do PL é o mais evidente. O partido começa a receber quotas semanais de R$ 500 mil no início de 2003. Fica algum tempo sem receber, depois os repasses caem para R$ 300 mil semanais, R$ 200 mil e R$ 100 mil. Os partidos envolvidos asseguram tratar-se de pagamento de dívidas eleitorais e preparação da campanha para as prefeituras, em 2004. Essa justificativa pode não ser verdadeira, mas o relatório não consegue desmontá-la.
As tentativas de demonstrar coincidências entre repasses e votações importantes no Congresso não são convincentes. O relatório se apóia em um parecer inconsistente do deputado Julio Delgado no processo de cassação de José Dirceu.
Ele menciona uma série de telefonemas e desembolsos no período de votações importantes, como Lei de Biossegurança, desoneração do PIS e da Cofins, liberação do plantio de soja transgênica e outros em que os conflitos eram setoriais e não partidários. E a maior parte dos recursos mencionados foi para parlamentares do PT.
Além disso, os trechos utilizados por Seraglio não constam mais do parecer de Delgado. Foram suprimidos por decisão judicial, pois foram obtidos indevidamente da própria CPI. Isso desmoraliza a CPI, que não foi capaz de fazer os cruzamentos das informações.
A maior desmoralização da CPI, no entanto, é dizer que tem mensalão e não indiciar os mensaleiros.

Thursday, March 30, 2006

Relatório ou obra de ficção?

O relator da CPI dos Correios apresentou ontem o seu relatório em que conclui que o “mensalão” foi uma realidade. Mesmo sem a existência de nenhuma prova concreta, mesmo que a própria CPI do mensalão não tenha chegado a nenhuma conclusão a esse respeito e sequer tenha apresentado um relatório.

Mesmo assim, o Sr. Serraglio resolve tirar as suas próprias conclusões, baseado em disse-me-disse e em reportagens pouco confiáveis da mídia conservadora. Para fundamentar as suas fantasiosas conclusões, cita inclusive trecho de artigo da Srª Lúcia Hippolito, a quem ele classifica de cientista política.

Aí fico pensando: como devem se sentir nessas horas os verdadeiros cientistas políticos? Como deve se sentir um Cândido Mendes? Com deve se sentir o meu grande mestre José Murilo de Carvalho, num país em que tudo é usurpado, até os títulos?
Serraglio segue então a sua tresvairada leitura do resumo do relatório e além de concluir que ouve mensalão, sugere o indiciamento do ex-ministro José Dirceu por corrupção ativa. Acusa-o de ser o responsável pelo fictício esquema que todos nós já cansamos de saber ter sido fruto de uma manobra mesquinha da oposição, a fim de desgastar o governo, o PT e subtrair da cena política o principal quadro do Partido, o ex-ministro José Dirceu.
Já esperávamos que fosse essa a conclusão final do relator, pois em nenhum momento ele se mostrou coerente entre os boatos e os fatos que sempre desmentiram as manchetes sensacionalistas que a mídia tucana todos os dias estampava em seus veículos de comunicação.
Entretanto, não posso deixar de questionar a presença, como presidente dessa CPI, do petista postiço Delcídio Amaral. O que faz ele ali? O que faz ele no nosso Partido? Como se atreve a compactuar com um relatório que pede o indiciamento de José Dirceu por corrupção? Onde estão as provas que justificam esse pedido?
Estamos enfrentando uma das maiores crises que esse país já viu, impulsionada como já sabemos, pelas forças políticas retrógradas, inconformadas com a perda de poder, que os novos tempos anunciam. Sendo assim é de extrema importância ter clareza do caminho a seguir. Não podemos aceitar que um sujeito como esse, esteja filiado ao PT e presida essa CPI com uma postura de total sintonia com os nossos algozes.

É evidente que estamos travando uma luta de classes repaginada e aí não posso deixar de citar Thompson (Historiador inglês do século passado – 1924/1993), para ele classe tinha a ação humana como condicionante. A partir dessa leitura podemos afirmar que a nossa ação tem sido no sentido de nos reafirmarmos enquanto classe social menos favorecida, buscando as oportunidades perdidas em anos de dominação, porém sem perder a nossa identidade. E é essa clareza do que somos, de onde estivemos, estamos e pra onde vamos, que não podemos perder.
Continuemos jogando o jogo e lutando a luta, sem jamais, entretanto esquecermos de quem somos.

Bel

Wednesday, March 29, 2006

Boletim Cultura PT

29/03/2006

TEIA de Cultura/ Educação,Cidadania e Economia Solidária - de 5 a 9 de abril no Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera em São Paulo


Índice

Cultura inscreve hoje para concurso - Jornal de Brasília - 29/03/2006
Frente da Cultura pretende reunir esforços e orçamento para a área – Boletim Informes – 29/03/2006
Relatório da TV digital fica pronto amanhã - Jornal do Commercio - 29/03/2006
Luta de classe afinada - Jornal do Brasil – RJ – 29/03/2006

Acesse também o sitio da Secretaria Nacional de Cultura do PT pelo endereço www.pt.org.br
Se você também tem notícias de seu estado ou cidade e quer divulgar em nosso boletim, basta enviar para o e-mail cultura@pt.org.br, a/c Roseli.
Cultura inscreve hoje para concurso - Jornal de Brasília - 29/03/2006

Interessados podem se candidatar a partir de hoje ou até o dia 19 de abril para vagas de nível superior ou médio

Começam hoje as inscrições para o concurso do Ministério da Cultura, Fundação Biblioteca Nacional, Funarte e FCP. Serão oferecidas 215 vagas, divididas entre nível superior e médio. Os salários serão de R$ 1.768 e R$ 1.560, respectivamente. Do total de cargos, 64 serão destinados para o DF.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 19 de abril no site http://concurso.fgv.br/inscrição/minc06. As taxas vão de R$ 39,02 a R$ 44,22. Além do Ministério da Cultura, haverá seleção para o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que abriu 25 vagas para analista especializado em softwares. O salário inicial é de R$ 3.642. Do total, 15 postos serão destinados a Brasília, enquanto o restante será para São Paulo.

Para disputar as vagas, o candidato precisa ter diploma superior em tecnologia da informação e comunicação ou de ciências exatas. Pessoas com graduação que possuam curso seqüencial de formação em software básico também poderão participar da seleção. As inscrições poderão ser feitas no site do Cespe (www.cespe.unb.br/concursos), de 3 a 16 de abril. A taxa é de R$ 50.

O Banco do Nordeste publicou edital oferecendo 95 vagas. O salário é de R$ 1.893, sujeitos a gratificações extras. As provas serão feitas em Brasília, Fortaleza, Recife, Salvador e São Luís. Sendo que as inscrições irão de 4 a 19 de abril. Interessados podem acessar www.concursos.acep.org.br, e pagar uma taxa de R$ 80.

provas No próximo domingo, serão realizadas as provas para pesquisador da Embrapa. As provas serão aplicadas na Unb. Para pesquisador II (nível mestrado), o horário do exame é às 8h. Já para pesquisador III (nível doutorado), é às 15h. A previsão é que até junho a Embrapa abrirá mais vagas para técnico de nível superior.

No mesmo dia, acontecerão as provas objetivas do concurso do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Locais e horários pelo site www.cespe.unb.br/mdic2006.
Frente da Cultura pretende reunir esforços e orçamento para a área – Boletim Informes – 29/03/2006

Com o objetivo de reunir iniciativas do Executivo e do Legislativo para um novo desenvolvimento cultural, foi instalada ontem a Frente Parlamentar da Cultura. A frente conta, até agora, com a assinatura de 122 deputados de diversos partidos. O lançamento reuniu o ministro da Cultura, Gilberto Gil, parlamentares e representantes de movimentos culturais. Gil afirmou que a iniciativa representa "a responsabilidade coletiva que nossa sociedade tem em entender a cultura como algo estratégico".

Ele defendeu a concretização de pautas prioritárias, entre elas a aprovação da proposta que vincula percentuais orçamentários ao Ministério da Cultura, a ratificação pelo Brasil da convenção internacional sobre diversidade cultural, e a aprovação do Plano Nacional de Cultura. "Temos questões imediatas a trabalhar", afirmou.

Para o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), por reunir um maior número de deputados como mesmo propósito, a frente poderá obter resultados efetivos. "Vamos trabalhar para a aprovação da PEC que vincula os recursos federais, estaduais e municipais para o orçamento da cultura (PEC 150/03). Já entregamos a PEC ao presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e esperamos a instalação de uma comissão especial. A frente irá encaminhar iniciativas práticas", afirmou.
Relatório da TV digital fica pronto amanhã - Jornal do Commercio - 29/03/2006

A apresentação do relatório é uma exigência do decreto de 2003, que definiu a necessidade do País estudar o modelo brasileiro de TV digital

governo, deverá concluir amanhã o relatório com a proposta para a implantação do novo serviço no Brasil. Com o relatório em mãos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá condições de decidir qual será o padrão da TV digital a ser implantado no País – japonês (ISDB), europeu (DVB) ou norte-americano (ATSC). Segundo uma fonte do governo, os ministros já chegaram a um consenso.

A apresentação do relatório é uma exigência do decreto de 2003, que definiu a necessidade do País estudar o modelo brasileiro de TV digital. O conselho terá que recomendar ao presidente, além do padrão tecnológico, o modelo de negócios a ser implantado. Isto é, se a TV digital será de alta definição, com som e imagens melhores do que o cinema, ou standard, mas permitindo a transmissão de até quatro canais.

O conselho de desenvolvimento é formado pelos ministérios da Fazenda, das Comunicações, do Desenvolvimento, de Ciência e Tecnologia, da Cultura, de Relações Exteriores, da Educação e do Planejamento e a Casa Civil.

Uma equipe de ministros deverá seguir no dia 9 ou de 10 de abril para o Japão e a Coréia do Sul. Eles vão visitar as fábricas de semicondutores japonesas e de cristal líquido na Coréia. O governo deve dar preferência a investidores que instalarem indústria no País.

Japoneses e os europeus manifestaram interesse em construir a fábrica, mas não há ainda um compromisso formal de nenhum dos lados.
Luta de classe afinada - Jornal do Brasil – RJ – 29/03/2006

Artistas levam grande público à Lapa em show contra direção da Ordem dos Músicos do Brasil

O espaço não poderia ser mais apropriado para um show em defesa de uma Ordem dos Músicos do Brasil mais democrática: os Arcos da Lapa, local que sempre acolheu as mais diversas manifestações artísticas. De forma tímida, o público se aproximava do espaço ao redor do palco, enquanto os técnicos de som e músicos acertavam os últimos detalhes. Pouco depois das 16h de anteontem, hora marcada para o início do show Fora de Ordem - que começou apenas às 17h20 - o céu fechado desencorajava curiosos que interrompiam seu trajeto ante à inusitada movimentação e fãs das atrações programadas para subir ao palco até o fim da noite. Mas logo as nuvens dissiparam, abrindo espaço para as estrelas que se reuniram para cantar, tocar e protestar.

A linguagem musical uniu representantes do samba, do rock, do soul/funk e da música clássica. Mas as faixas afixadas ao palco - Música é liberdade!, Uma vida melhor, Dignidade profissional - não deixavam dúvidas sobre o caráter de mobilização política do evento. O embate entre os artistas reunidos no show pelo Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro e a administração da OMB - cuja representação regional cassou, no fim do ano passado, o registro profissional do músico Eduardo Camenietzki, que encabeçava um abaixo-assinado contra a antecipação das eleições da entidade - foi esmiuçada ao público em depoimentos de medalhões como Beth Carvalho, Chico Buarque e o próprio ministro da Cultura Gilberto Gil, exibidos em telões ao lado do palco.

Mas os ídolos que levaram um número surpreendente de pessoas à Lapa numa segunda-feira à noite também se mostraram afinados com o discurso de seus pares:
Espero nunca mais ouvir falar que nossa classe é desunida - defendeu o sambista Jorge Aragão.

Alcione engrossou o coro dos descontentes:
Estamos aqui para cantar e protestar contra o que fazem com os músicos. Precisamos criar leis que nos protejam.

Ivo Meirelles, que se apresentou com seu grupo Funk'n Lata, ressaltou a necessidade da regulamentação profissional:
Temos que deixar de ser marginais e ter uma profissão realmente regulamentada. Porque no Brasil o artista sem projeção continua sendo marginalizado.

Zélia Duncan fez uma mea culpa da classe:
Falar mal de tudo é fácil. Difícil é sair de casa para protestar. Temos que melhorar nossa idéia sobre a profissão. Parece que essas questões só importam para quem não está sob os holofotes.

Frejat, que tocou acompanhado dos demais integrantes do Barão Vermelho, além de Zélia Duncan e Jards Macalé, destacou a presença do público, mas disse que o show foi importante para a própria mobilização dos artistas.

As pessoas que estão assistindo não precisam entender completamente as questões envolvendo os músicos e a Ordem. Mas é ótimo que elas estejam participando junto conosco. Nossa profissão tem o privilégio de levar diversão ao público, mesmo quando estamos protestando - brincou o cantor.

Lenine também elogiou a união em torno de uma causa comum:
A gente está sempre negligenciando os problemas profissionais por conta do trabalho, das viagens, da família. Esta noite foi uma prova de coesão, um exemplo de mobilização profissional. E o mais importante é que não houve um fundo político, foi um movimento da classe.

Como destacou o cantor pernambucano, nenhum político subiu ao palco para discursar junto aos músicos. Ainda assim, muitos deles apoiaram o protesto, como os deputados Fernado Gabeira (PV), Carlos Minc (PT) e Jandira Feghalli (PC do B).

Estou aqui como política e baterista, registrada na OMB desde 1970. Vamos fazer dessa movimentação um instrumento para agilizar no Congresso projetos para a área, desde da lei antijabá até medidas que permitam mudanças na OMB - adiantou a deputada.

Camenietzki, que fez um discurso inflamado contra os dirigentes da OMB, afirmou que o show de anteontem foi apenas o primeiro passo para uma mobilização de maior porte:

Os fóruns dos outros estados sugeriram que o Fora de Ordem se torne um evento anual, com uma participação mais ampla de artistas de todo o Brasil.
Secretário Nacional de Cultura PT: Glauber Piva
Coletivo Nacional de Cultura PT: Carlos Henrique Gonçalves (PA), Cleise Campos (RJ), Elida Márcia Lana da Silva (MG), Glória Pereira da Cunha (SP), Hamilton Dias Braga (RS), Hamilton Pereira da Silva (DF), João Francisco dos Santos (SE), Maria dos Prazeres Firmino Barros (PE), Morgana Eneile (RJ), Rômulo Brando Assis Ribeiro (AC), Arnaldo Godoy (MG), Cláudia Lobo (MA) e Claudinei Pirelli (DF).
Assessoria e Produção do Boletim: Roseli Oliveira

Secretaria Nacional de Cultura do PT
Rua Silveira Martins, 132, São Paulo, SP. CEP 01019-000
Telefones: (0**11) 3243-1371/3243-1372 – Fax: (0**11) 3243-1370
Correio Eletrônico: cultura@pt.org.br – Sítio: www.pt.org.br

Breve, muito breve, Nelson

Brasil

Fernando Soares CamposLa Insignia. Brasil, março de 2006.

"Há um movimento golpista incitado por aqueles que dizem abertamente estarem cansados do governo Lula. Como não há um ambiente propício para um golpe militar, hoje, no Brasil, os golpistas enrustidos [enrustidos?] partem para a incitação de outras instituições." Nelson Breve, em "A apologia do golpe", Agência Carta Maior (1).
Esta é, a meu ver, uma crença ingênua, a de que "... não há ambiente propício para um golpe militar, hoje, no Brasil".
Realmente, o incitamento, hoje, é para que o Congresso Nacional, principalmente o Senado, ou confiando acima de tudo nesta instituição, concretize o golpe; porém, no caso de este vir a se consumar, as Força Armadas seriam convocadas (e elas já se colocaram à disposição) para agir de imediato (urgente!) contra "o narcotráfico", "o contrabando de armas" e "o crime organizado em geral", em operações urbanas.
Hoje (27/03) assisti, através da TV Senado, ao senador Magno Malta (PL-ES) elogiando a atuação do Exército no enfrentamento ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Dizia ele que a operação cerca-boca, a da busca das armas roubadas de um quartel em São Cristóvão, foi realizada de forma tão perfeita que, durante as manobras, até mesmo o número de bala perdida diminuiu (acho que o senador "assistiu" ao último episódio de Bonnie & Clyde of Goitacaz's Fields), e ele acredita ainda que a governadora Rosinha Garotinho e seu marido "governadoro" apoiariam uma nova ação dessa natureza, disponibilizando reforço policial, pelo bem do povo e felicidade geral da Nação. O senador chegou a sugerir que se evacue cerca de 200 famílias em cada favela, assentando-as em local seguro, e que em seus lugares sejam instaladas as tropas que promoveriam a paz nas favelas. Aleluia, irmão!
Entenderam? Ou, como diria Pelé, entende?
Pois bem, para quem ainda não entendeu, eu explico o que entendi: desta vez as Forças Armadas não estariam a serviço de um golpe de Estado, entende? A ação seria em benefício da "segurança pública", entende? Com as Forças Armadas combatendo "o narcotráfico", "o contrabando de armas" e desenvolvendo outras ações voltadas para a "segurança do cidadão", em operações urbanas, entende? A população em geral, "satisfeita" (vimos, há pouco tempo, em duas semanas de enquete em todos os jornais do Rio, 93% da população apoiando a intervenção militar, entende?), pois bem, a população "satisfeita", refém da violência urbana, certamente apoiaria o combate a possíveis revoltas de "petistas baderneiros", que insistissem em pedir a volta do presidente, entende? Provavelmente, o Exército também combateria as ações "violentas" dos sem-terra, como as que foram mostradas hoje (27/03) no Jornal Nacional, na tela da Globo, entende?! Alguns sem-terra saqueando caminhões, mais laboratórios depredados por sem-terra (informou o âncora), e a polícia assistindo a tudo, "impassível", "impotente", numa estrada, em Alagoas. Onde nasci, me criei e sei que um tiro para o alto faria todo mundo ali correr léguas, entende? Mas os policiais apenas assistiam. E, nas salas de estar, botequins, recepções, ante-salas e onde mais se costuma manter um televisor ligado na Globo, muita gente deve ter gritado : "Só o Exército pode restaurar a ordem!", entende? Pois bem, depois de tudo isso, quem você acha que durante toda a semana será chamado de fraco? Para os que assim pensam, ser forte é ser truculento, é agir como no Estado do Pará, em 17 de abril de 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram fuzilados, o que ficou conhecido como massacre de Eldorado dos Carajás.
Não duvido que, a qualquer momento, entrevistem alguns generais e os consultem sobre as possibilidades de um iminente golpe de Estado. Eu já vi coisas assim: repórteres perguntando a generais se existia algum golpe em andamento. Como se algum conspirador admitisse as intenções de golpear. Não estou com isso dizendo que algum general conspira, atualmente, no Brasil, refiro-me à "ingenuidade" de certos profissionais de imprensa.
Conspiração contra um governo (qualquer que seja) é uma constante, é uma atitude comum a oposições. Golpear um governo não depende apenas de "clima" ou "ambiente"; mas, acima de tudo, de oportunidade. E essa oportunidade a oposição brasileira está criando, com o apoio da mídia golpista, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Lembram-se? Quer dizer, entende? Os tempos são outros, os métodos talvez também sejam outros, mais sutis, porém não menos violentos.
Milhares de pessoas já morreram porque não acreditavam em golpe militar iminente. Duvido que, na manhã de 31 de março de 64, os militantes de esquerda e a população brasileira em geral acreditassem que, naquele mesmo dia, os tanques estariam nas ruas.
Eu perguntaria aos companheiros chilenos se eles poderiam nos relatar como se sentiam no dia em que bombardearam o La Moneda e eliminaram o presidente Salvador Allende. Se haviam sido notificados sobre o "evento". Se os companheiros argentinos, por acaso, receberam algum boletim informativo com uma nota do tipo "Amanhã cedo vamos golpear". Como foi o primeiro dia de matança aí na Argentina, hein? Como estava o clima naquele dia? Muito frio? Chuvoso? Nevasca? Calor?
Agora, aterrissando novamente em terras tupiniquins, vejamos alguns trechos do que escreveu o capitão-de-mar-e-guerra Cláudio Buchholz Ferreira, no Manifesto dos Companheiros das Forças Armadas, em outubro de 2005:
"Em um momento da vida nacional em que o povo mais precisa das Forças Armadas para o restabelecimento da ordem e da garantia das Instituições, fiquem certos de que elas não se acovardarão ante o processo de desvalorização dos seus integrantes e da premeditada ação de anulação de sua capacidade de reação e de cumprimento do seu dever, nem em face de tentativas de implantação de regimes totalitários, contrários às nossas mais sagradas tradições." (...) Não temos permissão para nos acomodar. Por juramento, somos obrigados a tomar uma atitude. Chega de chantagens emocionais "quartelada", "golpe", "patrulhamento". (...) Fazemos votos para que aqueles que, em dissonância com a história, ainda pretendem implantar no Brasil um estado totalitário, desistam da idéia, porque não é isso que os brasileiros querem e se eles não querem nós não vamos deixar que isso aconteça. O que todos querem é muito simples: imprensa livre, repetindo, IMPRENSA LIVRE..." (Para ler o texto completo, use o link 2)
Imprensa livre, entende? Como se liberdade de imprensa conferisse o direito à mentira, ao engodo, às meias-verdades, às acusações precipitadas, sem que o acusado tenha direito a defesa. O AI-5 do general Costa e Silva, em 68, impôs o fechamento do Congresso Nacional; no entanto, nos dias de hoje, com a imprensa e o Congresso que temos aí, nem precisa cassar mandatos, nem precisa impor censura à imprensa. Pra quê?! Eles já aprenderam a autocensurar-se, a obedecer, a mancomunar-se. Nada de atos de exceção, hoje basta o que já temos aí: impérios jornalísticos a serviço do poder econômico, engasgados com um presidente de origem paupérrima, de pouca instrução formal, mas competente, ensinando como se governa um país. Isto, para as oligarquias que dominaram este país durante séculos, é inaceitável. Não adianta multiplicarem seus lucros, o importante para elas será a retomada do poder institucional. Imaginem quantas madames estão torcendo o nariz para a primeira dama, quanta cobrança fazem aos seus maridos, instigando-lhes o ódio e a cobiça. Quanta inveja! Imagine de quanta covardia serão capazes, para novamente se apossarem do trono.
Com o clima existente, hoje, aqui no Brasil, vendo aqueles senadores cuspir, a gente tem a certeza do ódio, da conspiração. Hoje (27/03), quando o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), na Tribuna do Senado, aos berros, acusava o atual governo de ter inventado a corrupção, o homem lançou placas de cuspe e babou abundantemente ao pronunciar o nome do presidente Luiz Inácio Lula das Silva. Assim sendo, para nos protegermos, para não sermos surpreendidos, a gente precisa acreditar em golpe, completo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Breve, muito breve, Nelson.

Nelson Breve foi repórter das rádios Eldorado e CBN, da Agência Estado e do Jornal do Brasil, e assessor de imprensa da Confederação Nacional da Indústria e do ex-deputado José Dirceu. Retorna à Carta Maior para atuar como repórter especial na Sucursal de Brasília.

USAR O QUE ESTIVER AO NOSSO ALCANCE

Amigos, não estou tentando demonstrar que no nosso país, hoje, não existe um golpe militar em andamento, porque isso é evidente. Ou seja, que não há "clima" ou "ambiente" para golpe militar. Mas o que vemos, hoje, são os golpistas de sempre, alguns até já exibindo suas crias e treinando-as para novos embates.
Vejamos, por exemplo, a queda e cassação do Dirceu, uma atitude golpista. A queda do Palocci.

Vejamos o "efeito dominó" conforme o PFL passa à população, dando a impressão de que são os próprios impérios midiáticos que estão alertando a população. Para milhões de pessoas menos atentas (milhões), quem veiculou aquelas imagens foram as próprias empresas jornalisticas, para o povão, foi a televisão!

O PFL, com vergonha de si próprio, esconde a sigla, que, no final da exibição das pedras do dominó caindo, aparece lá num cantinho, camuflada. Alguém ainda acha que os golpistas não conseguiriam deflagrar (porque engendrado já está) um "escândalo" contra o presidente Lula? Um enredo "abominável"! Inventado! Coisa do tipo que quase ocorre nas eleições de 2002. Um golpe impedido pela ação de homens de bem, que conseguiram demovê-los da asquerosa idéia, com ajuda do próprio FHC, que deve ter fingido que não sabia de nada, mas que acabou mandando seus cupinchas abortar o plano.

Em 2002 eles ainda tinham esperança de ganhar as eleições, mesmo que fosse por obra e graça de um milagre, por isso foram demovidos de suas más intenções. Quando perderam a eleição presidencial, passaram a acreditar que o governo do presidente Lula seria um desastre, e esperaram, "conformados" com a derrota, que o governo caísse de podre pela incompetência.

Nada! Pelo contrário, aí estão os resultados: um banho de competência. Certamente ninguém acredita nem precisa nem deve acreditar em golpe à antiga, com os tanques cercando o Palácio do Planalto e defenestrando o presidente; assim, à força. Quando os números, os gráficos e os relatórios demonstraram que este governo, tendo à frente um homem de pouca instrução formal, mas de muito saber empírico, fazia as nossas instituições darem um salto qualitativo e melhorava a qualidade de vida daqueles que só serviam pra eleger demagogo, o jeito foi criar o "Congresso Delegacia", nos moldes em que estamos assistindo.

Apoiados por uma mídia que nem se defende das acusações de parcialidade e conivência, como podemos ler em centenas (milhares?) de textos na internet. Pelo visto, ainda assim, aparentemente, estão em desvantagem. E o desespero bate à porta daqueles que sonham, em pesadelos hitchcockianos, com os seus retornos ao poder institucional, porque o poder econômico eles têm, suficiente para queimar dezenas de fazendas e laboratórios da agroindústria, grana suficiente para a perda de muitas cargas nas estradas, até para perderem um pouco, por uma "nobre" causa, com a queda na venda de drogas.

Tudo, tudo mesmo, todo tipo de covardia será colocada em prática para depor o presidente Lula.

Não duvidem de nada! E tudo acontecerá com as bênçãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ou alguém acha que podemos contar com algum apoio de quem esteve no poder durante tantos séculos?

Não dá pra descartar nenhuma possível covardia. Para nos defender (e isso não é paranóia, está baseado no que assistimos), precisamos, no momento, acreditar em tudo isso que estamos vendo!

Enquanto não temos uma mídia a serviço do povo, a serviço de todos, o negócio é o seguinte: panfletagem, uso de todos os instrumentos dos quais dispusermos, para mostrar números, gráficos, relatórios, tudo!, tudo que pudermos fazer para comparar e demonstrar o BANHO DE COMPETÊNCIA

Fernando Soares Campos

CARTA AO CHEFE Como a IstoÉ tornou-se IstoEra

OBSERVATORIO DA IMPRENSA 28 MARÇO 2006

Luiz Cláudio Cunha (*)


Mensagem enviada pelo signatário, editor de Política da sucursal de Brasília da IstoÉ, a Carlos José Marques, diretor-editorial da IstoÉ - com cópias para Domingo Alzugaray, diretor responsável da Editora Três, e Alberto Dines, editor responsável deste Observatório. O OI procurou Marques por e-mail, às 19h43 de segunda-feira (27/3), solicitando uma manifestação sua; passadas 24 horas, não obteve resposta. De todo modo, o espaço para sua réplica está garantido. Intertítulos da Redação do OI. (L.E.)

"Jornalismo é a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter." Cláudio Abramo (1923-1987)

Marques, eu não o conheço e, certamente, V. me conhece menos ainda. Sou um devoto da palavra escrita. Minha inspiração é o bravo Churchill, meu conservador predileto, que atravessou as madrugadas de Londres iluminadas pelas bombas da Luftwaffe ditando bilhetes, lapidando discursos memoráveis e escrevendo a História que o faria ganhar a guerra. Como o velho bulldog inglês, estou com a alma angustiada pelo bombardeio da semana passada, que detonou o emprego de dois editores na sucursal, Amaury Ribeiro Jr. e Donizete Arruda e, por conseqüência, do chefe Tales Faria, demitido ao reagir com a dignidade devida à sua injustificada blitzkrieg. Sei que nem bilhete, nem discurso vão apagar este incêndio, mas silenciar agora seria admitir que V. está no caminho da vitória. "Não se ganham guerras com retiradas", advertiu o sábio Winston ao povo inglês, ainda inebriado pelo épico milagroso de Dunquerque. A inglória e enganosa retirada de Brasília marca um atalho perigoso para a derrota. Não se abate impunemente um profissional do talento e da integridade de Tales Faria sem lançar um véu de maus presságios sobre os novos tempos. Sob o comando dele, ao longo de sete anos, a Sucursal de Brasília de ISTOÉ chegou a sete finais de Prêmio Esso - e faturou três, uma delas com o demitido Amaury. O Tales - ao contrário de V., Marques - atende com sobras aos dois paradigmas expressos pelo Cláudio Abramo para esta profissão tão marcada por bombas, retiradas, derrotas, vitórias, dignidade e vilanias.


Com 55 anos de vida e 37 de estrada, já vi muita coisa bonita e muita coisa feia nas redações de jornais e revistas. Com este longo prontuário, sou praticamente uma página virada e, neste aspecto, V. ainda é um noviço no jornalismo. Eu só tenho passado e V., pelo que vejo, só tem futuro, muito futuro. Por isso, não quero perder aqui a chance de discutir não nossas carreiras, com inflexões tão distintas, mas o futuro imediato de algo que preocupa a todos nós: a revista ISTOÉ. Compartilho este debate com outras duas pessoas, e justifico. O Seu Domingo, por ser o interessado direto no futuro de sua revista, condicionado ao perfil e ao conteúdo dos profissionais que vão garantir sua qualidade e sua relevância. E o Dines, por ser o responsável e mentor do Observatório de Imprensa, um espaço nobre e influente na internet dedicado justamente ao objetivo central desta carta: a reflexão, a crítica, o debate maduro e responsável do que pensamos e do que fazemos como jornalistas, desde o mais modesto repórter até o mais poderoso chefão - como V., Marques.

Vivemos tempos muito estranhos, em que as coisas que precisam ser ditas ficam escamoteadas, camufladas, sussurradas, caladas. Nada se reclama, nada se critica, para preservar amigos, cargos, salários, posições, espaços de poder, enquanto o jornalismo vai se diluindo e dissolvendo na sua incapacidade de autocrítica. Não sou de freqüentar boteco, nem de extravasar minhas mágoas em mesa de bar, Marques. Prefiro ganhar a guerra resistindo, pensando e escrevendo. Sem mágoa, nem ressentimento, prefiro escancarar aqui - com a ajuda do Observatório da Imprensa - uma discussão que, na nossa restrita área de influência, ficaria confinada às conversas pouco conclusivas que envolvem só os personagens diretamente interessados - o diretor que demite, o chefe demitido, os editores perplexos, os repórteres confusos, todos nós desorientados e apreensivos com o novo passaralho que vem por aí na semana que vem, no mês seguinte, quem sabe?

Quero quebrar esta caixa preta e propor, com a serenidade recomendável e a prudência necessária, um debate sobre o papel que todos nós temos no empobrecimento continuado de algumas de nossas principais revistas semanais. A crise econômica, o custo do papel, a retração dos anunciantes, a concorrência da TV, o surgimento da internet e outros quesitos geralmente justificam a recorrente onda de enxugamentos nas redações de jornais e revistas, nivelando por baixo salários e profissionais. Esta é uma dura realidade, que não é nova nem parece prestes a acabar. Pelo contrário.

Onde o norte?

Neste quadro recessivo, que inquieta patrões e assusta empregados, é natural o surgimento do "jornalismo de resultado" e seus profetas - os executivos moderninhos que prometem redações baratas, revistas idem, amenidades muitas e reflexão zero. Apostam no padrão do leitor que consome mas não pensa, no perfil Homer Simpson que se satisfaz com o atendimento às suas demandas meramente consumistas, do estilo shopping center que simboliza o templo de devoção da classe média e seus periféricos. Para este tipo de leitor, com tanto a comprar e tão pouca disposição para ler, o jeito é o modelito USA Today, o jornalão fast food destes tempos midiáticos para uma leitura rápida, calórica e saborosa como um Big Mac. Assim, nossas semanais sofrem cada vez mais a tentação de atender a este novo mercado emergente, abdicando de sua função primordial: o texto mais consistente, mais abrangente, para refletir e ponderar sobre a salada de informações frenéticas e redundantes que o dia-a-dia de jornais, rádios, TVs e internet enfia goela abaixo do cidadão.

A revista, que devia ser o oásis de reflexão para ajudar o pobre leitor a atravessar esta overdose semanal de notícias e mais notícias, abdica de seu papel e mergulha no turbilhão do jornalismo rápido e rasteiro. A estética vale mais do que a essência. A forma se impõe ao conteúdo. O texto curto confina os detalhes. A foto, espelhada e escancarada, come os espaços de uma informação cada vez mais estrangulada. Tudo induz uma leitura ligeira, quase leviana, para não afrontar o relógio e a agenda do nosso leitor tão apressado. E, em vez de procurar saciar a fome de informação e conteúdo, a revista sucumbe e se submete à magra dieta jornalística que ela diz ser exigência do leitor moderno. Alguém está enganando alguém neste jogo.


Como a idéia, aqui, é dizer o que precisa ser dito, devo ser franco e direto: a atual ISTOÉ conseguiu, no espaço de poucas semanas, conquistar a merecida pole position no grid da mediocridade nacional. Uma revista, como diria Otto Lara Resende, bonitinha mas ordinária. Das grandes semanais brasileiras, clube que ela sempre integrou com honra e mérito, ISTOÉ hoje se transformou num arremedo da revista instigante, provocativa, inteligente que era. Sob seu tacão, Marques, a revista afundou num mar de futilidades e amenidades, tragada por uma pauta desorientada e açoitada por textos curtinhos de idéias e de talento.

Para uma semanal que já teve em seu timão capitães do porte de Mino Carta, Tão Gomes Pinto, Milton Coelho da Graça e Hélio Campos Mello, seria justo esperar uma travessia e um rumo mais definido. A revista perdeu o norte e corre o sério risco de virar uma publicação fútil e irrelevante, incapaz de arrastar o leitor de sua casa até a banca mais próxima. Leitor só levanta o traseiro do comodismo, como diria o companheiro Lula, atraído pelo furo, pela reportagem bem apurada e bem escrita, pela matéria que faz história, que consola os aflitos e aflige os consolados.
Bicada inexistente.


ISTOÉ, pelo jeito, não quer afligir mais ninguém, principalmente os poderosos. Deve ser por isso que a ISTOÉ desta semana consegue o milagre de produzir uma matéria sobre o caseiro Nildo, aquele que viu as bandalheiras da "República de Ribeirão Preto", sem citar uma única vez o santo nome de Antonio Palocci. E discorre sobre a vergonhosa quebra de sigilo do caseiro omitindo acintosamente o nome do assessor de imprensa Marcelo Netto, um dos suspeitos de envolvimento no crime. Reclamo porque fui eu que escrevi a matéria, e nela constavam os dois nomes - Palocci e Marcelo. Meu texto foi lipoaspirado, desintoxicado dos nomes do ministro e do assessor, e assim publicado. Por isso, recusei assinar a matéria, que não refletia o que o repórter mandou de Brasília na noite de quinta-feira 23 . E nem precisaria tanto drama, porque os nomes da dupla já estavam, desde manhã cedo, nas edições da Folha de S.Paulo e do Correio Braziliense. A revista não estaria fazendo carga contra ninguém, estaria apenas sendo fiel aos fatos. Perdeu uma bela oportunidade de não ficar calada. Até porque, momentos atrás, o Palocci acaba de se demitir, por todos os motivos que tínhamos e não explicitamos.


Ainda bem que a concorrente, a VEJA, cumpriu seu dever direitinho, colocando inclusive uma foto do Marcelo ao lado de seu protegido. Até o colunista Diogo Mainardi, sob o título um tanto explícito de "Marcelo Netto, Marcelo Netto", disse com toda a clareza: "Quem difundiu o extrato bancário do caseiro foi o assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto. Desde a semana passada, todos os jornalistas sabiam disso. Marcelo Netto é jornalista. E jornalistas não denunciam jornalistas".

Silêncios assim, inexplicáveis, é que incomodam tanta gente que, como o filósofo Millôr Fernandes, acha que jornalismo é oposição - o resto é armazém de secos e molhados. Uma revista semanal com a história de ISTOÉ não pode acabar disputando espaço no cesto de revistinhas de sala de espera de dentista. Ninguém tem o direito de malbaratar o esforço sério de tantos profissionais talentosos, ao longo de tantos anos, que ajudaram a construir o prestígio e a importância de ISTOÉ no jornalismo brasileiro.


Falo isso porque o exemplo que vem de cima é preocupante. Sua estréia na direção da revista, na edição 1894 (de 8 de fevereiro de 2006), foi bombástica: uma entrevista forte de FHC. Título da chamada na capa: "A ética do PT é roubar". Só pra lembrar:

Era uma frase candente, que até destoava um pouco do estilo medido e comedido do elegante doutor honoris causa de Cambridge, Sorbonne e quetais. Por isso, valia o quanto pesava. O PT ficou tão furibundo que anunciou processo na Justiça pela injúria publicada. Mas exatamente um mês depois (8 de março de 2006), Cláudio Humberto publica a seguinte nota em sua coluna, sempre bem informada e comentada:


A dedução que se faz, a partir destes fatos, é que a bicada do tucano-rei simplesmente não existiu. Alguém no comando da revista achou por bem melhorar o que FHC diz, sempre com elegância e na maioria das vezes com propriedade. Ou seja, enxertaram uma frase, dura e agressiva, na conversa gravada de um ex-presidente da República, e tascaram o remendo na capa da revista! Em qualquer publicação séria, isso seria motivo para uma rápida apuração e inapelável demissão. Mas nada aconteceu.

Explicação possível

Podia ter sido um acidente de percurso, algo a ser relevado, travessura que não se repetiria mais. Bola pra frente! Mas eis que, quatro edições seguintes, na ISTOÉ 1898 (de 8 de março de 2006), que tinha como capa a pandemia da gripe aviária, é reservada a entrevista das páginas vermelhas ao ex-governador Anthony Garotinho, candidato dali a dez dias nas prévias do PMDB. E a gripe que deixou bicudo FHC também contaminou o coitado do Garotinho. A assessoria do ex-governador percebeu, com natural perplexidade, que o texto trazia não só respostas não dadas, mas perguntas que não haviam sido feitas, conforme os registros gravados da conversa. Vou reproduzir apenas o trecho que melhor identifica o foco da doença. É o seguinte:

1) TEXTO GRAVADO E TRANSCRITO DA CONVERSA:
ISTOÉ - Como o sr. vê a tentativa dos governistas de abortar as prévias?
Garotinho - Sem dúvida, é golpe. A prévia foi estabelecida em convenção e regulamentada pela executiva nacional. Todos participaram de tudo, inclusive os governistas. O verdadeiro motivo que os move é a vontade de entregar o partido ao PT.


2) TEXTO PUBLICADO NA REVISTA:

ISTOÉ - Líderes do PMDB intencionam ir à Justiça contra as prévias no partido. O sr. gosta dessa idéia?

Garotinho - (...) É uma tentativa de golpe, sem dúvida. A prévia foi estabelecida em convenção e regulamentada pela Executiva Nacional. Todos participaram de tudo, inclusive os governistas. Não dá para mudar as coisas assim, de uma hora para outra, como se fazia antigamente, num acerto de caciques que os índios têm de cumprir. O verdadeiro motivo que os move é a vontade de entregar o partido ao PT.

Menos mal, cara-pálida, que o Garotinho tenha deixado pra lá a travessura e evitado repetir FHC. Mas, cá pra nós, Marques, não dá para mudar as coisas assim, de uma hora para outra (...) num acerto de caciques que os índios têm de cumprir! (Sei não, mas fui tomado, agora, por uma enorme sensação de dèja vu...)

Pesquisando nos arquivos implacáveis do Google, que já não nos deixa dormir em paz, descobri que este mal insidioso grassou em outra redação, por coincidência dirigida por V. Muito antes do Garotinho, foi o garotão de Mr. Bush no Brasil, o embaixador John Danilovich, que protestou contra os graves sintomas da gripe. Pelo jeito, é pandemia mesmo! O vigilante Observatório da Imprensa publicou, no dia 17 de agosto de 2004, a seguinte matéria:


ISTOÉ DINHEIRO

Embaixada americana contesta entrevista
[do release da embaixada]
IstoÉ Dinheiro montou "entrevista" com embaixador Danilovich
A "entrevista" com o embaixador John Danilovich apresentada pela revista IstoÉ Dinheiro na edição de 11 de agosto, intitulada "10 Perguntas para John Danilovich", foi uma montagem.
O artigo apresenta uma colagem de trechos da palestra do embaixador Danilovich no Instituto Fernando Henrique Cardoso, dia 3 de agosto, além de respostas dadas pelo embaixador a um grupo de jornalistas no mesmo evento - a "entrevista" da IstoÉ Dinheiro não menciona o fato de que o jornalista Marco Damiani fez apenas três das cinco perguntas colocadas durante aquela conversa.


A embaixada enviou à redação da IstoÉ Dinheiro a seguinte carta, que não foi publicada na edição desta semana (18 de agosto):
Brasília, 11 de agosto de 2004
Diretor de Redação, Dinheiro
Fax: 11-3611-6411
dinheiro@zaz.com.br
Gostaria de alertar os leitores sobre o fato de que sua recente "entrevista" com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, foi montada. O repórter Marco Damiani, da Istoé Dinheiro, na realidade não fez uma entrevista com o embaixador. Em vez disso, entre cinco perguntas que alguns jornalistas dirigiram ao embaixador durante o intervalo de um seminário, três foram feitas pelo repórter . Várias das "perguntas" incluídas na sua entrevista nunca foram formuladas. O repórter tirou as últimas três respostas, fora de contexto, dos comentários preparados pelo embaixador para o seminário, cujo texto pode ser encontrado na íntegra na homepage da embaixada: (http://brasilia.usembassy.gov).
Esse formato montado de "entrevista" foi desonesto e é um desserviço aos seus leitores.


Obrigado

R. Wesley Carrington, adido de Imprensa

Um atento infectologista perceberia que o ponto em comum entre os dois pacientes, o ex-presidente e o ex-embaixador, é o editor executivo de ISTOÉ Marco Damiani, que ciscou nos dois quintais e deve ter sido contaminado. É a única explicação possível. Esta gripe quase secreta, que não deveria jamais atingir redações saudáveis e imunes ao vírus do esquentamento, não é o único problema da revista. Outro, mais escancarado e visível, atinge o coração do atual projeto editorial da revista: as fotos. Antes expressão da verdade, estágio cru da notícia, a foto nas suas talentosas mãos virou artifício para dourar a realidade e, desta forma atravessada, pregar pequenas peças no leitor incauto.

Boa idéia, mal copiada

Na edição 1895 da ISTOÉ (de 15 de fevereiro de 2006), V. publicou uma matéria de Comportamento, "Na onda das mulheres surfistas", no velho modelito 1 x 1 - uma página com uma bela foto, uma página com um texto leve, ligeiro, rapidinho, no gênero bobinho que V. imagina fazer tanto sucesso. Pois a foto, um belíssimo tubo de onda azul por onde desliza a catarinense Jacqueline Silva, campeã mundial do circuito em 2001, é uma pegadinha, um truque para enganar o leitor.

Alguém desatento pensaria que era um tubo portentoso num santuário havaiano. Alguém mais atento veria, no canto esquerdo inferior da página 48, que era uma reles montagem. Cruzes!, V. adora montagens, Marques! Como a contenção de despesas não recomenda gastar uma passagem ida e volta São Paulo-Havaí, o que lhe pareceu mais inteligente foi recortar o rosto da garota e colar sua carinha bonita no corpo - certamente não tão bonito quanto o original verde-amarelo - de alguma surfista privilegiada do Pacífico. (Espero que a Jacqueline, a surfista americana e o fotógrafo da AP, Pierre Tostee, autor da foto remendada, não nos leiam, senão os advogados terão ainda mais trabalho...) E viva o Santo Photoshop!

Só pra relembrar, aqui vai de novo a foto, aliás muito bonitinha:

No caso da Jacqueline, ainda existe a atenuante do crime confessado, a montagem. E quando ela não é anunciada? Bem, aí é processo na certa, como anunciou o ex-ministro José Dirceu. Na edição 437 (de 1º de fevereiro de 2006), a ISTOÉ Dinheiro, também dirigida por V., conseguiu fazer tudo errado numa única página, a 31. Na matéria "Dirceu sem destino", o ministro easy-rider aparece como o futuro proprietário de uma bela moto Harley Davidson de R$ 90 mil, que já estaria sendo produzida na fábrica de York, EUA. Para coroar o bolo, uma bela foto do Dirceu, todo pimpão, com tênis, jeans, jaqueta e luvas, montado na poderosa V-Road da Harley. Para quem duvida, olha ele aí, gente!

De novo, o velho truque: é a cara do ministro num corpinho que nunca foi dele. E, desta vez, nem há indicação de que tudo é montagem. O Zé Dirceu, que não é nenhum Garotinho, leu a travessura no exterior e mandou o advogado processar a revista pela traquinagem. Ele diz que não comprou, não vai comprar e, pior, nunca pilotou uma moto.

Quando não é a montagem, é a clonagem. É uma rima, mas não é uma solução. Por tudo que tenho ouvido a seu respeito, V. é um obcecado por belas fotos, especialmente fotos da imprensa americana, tipo Time ou Newsweek. Acho uma boa, até porque a imprensa de Tio Sam ainda é a melhor do mundo, apesar do momento vil e covarde que vive, intimidada pela direita, pelos falcões do Pentágono e pelo fundamentalismo religioso do bando de paranóicos que cerca o apalermado W.Bush. Voltemos às fotos: V. junta, reúne, espalha, guarda na gaveta toda e qualquer foto que lhe pareça boa. Acho bom se inspirar em coisas de qualidade. Mas inspirar não é copiar! Assim como a foto da gatinha surfista, V. distribui cópias via fax da foto eleita e pede outra igual, exatamente igual.

Se não é possível a clonagem, pura e simples, vem a montagem, dura e seca. Na capa da edição 1899 da ISTOÉ (de 15 de março de 2006), V. nos brindou com uma capa do nosso astronauta.

Lembra?

Pois é. Parecia uma boa sacada. O rosto sorridente do nosso herói espacial enfiado no seu reluzente capacete prateado, metido num terno com gravata num tom azulado - uniforme esquisito para um tenente-coronel da ativa da FAB, como é o caso do nosso simpático Marcos César Pontes. Mas, na semana passada, um amigo chato, desses que não deixa passar nada, passou diante da prateleira de revistas importadas, no aeroporto de São Paulo, e o que ele viu ali? Uma ISTOÉ importada? Não, uma ISTOÉ clonada. Observe:

É uma edição da revista americana Business 2.0 , que pode ser acessada no sítio www.cnnmoney.com, com uma capa exatamente igual. É um sujeito, sem o sorriso e a simpatia do nosso astronauta, enfiado no mesmo capacete prateado, com um terno escuro e a gravata, aqui, vermelha. Mas, neste caso, o terno não parece inadequado, diante do título da capa: The Entrepreneurs´s Guide to the Galaxy (algo como o "Guia de Empreendedores para a Galáxia"). O tema aqui é o filão de milionários e aventureiros abonados que, um dia, farão turismo espacial. Nada a ver com coronel de salário mixuruca de Força Aérea.

No caso da Businnes, a foto fazia sentido. No caso da ISTOÉ, a foto é um absurdo. O pior é que a ISTOÉ não foi clonada. É o contrário. A edição americana tem a data de capa de 27 de fevereiro de 2006 - duas semanas antes da brasileira. Mais uma grande idéia, mal copiada e mal executada, que brotou da gaveta inesgotável do diretor de ISTOÉ. Que mau exemplo, Marques!
A velha e boa semanal


V. poderia alegar que este é apenas mais um caso de "foto-referência", que hoje virou clichê na redação da revista, junto com a "foto-conceito" e a "foto-atitude". Não tenho a menor idéia do que seja isso, nem os atarantados fotógrafos de sua equipe, mas talvez seja outro belo tema para o Dines abordar no Observatório. Entre algumas das máximas da "ideologia marquesista", explicitada em reuniões com seus editores e repassada a suas equipes, destaco três preciosidades: A saber:

** Jóia 1: "Não gosto de suíte."
Para sorte do jornalismo mundial e da história americana, Mr. Marques não usurpava a cadeira de Ben Bradlee como editor do The Washington Post em 1972. Na noite de 17 de junho, cinco homens invadiram as salas do QG do partido Democrata, na capital americana. Se a dupla Woodward e Bernstein, que assumiu o caso, voltasse dias depois à sala de Mr. Marques pedindo mais espaço para a série que começava a nascer, seriam enxotados: "Não gosto de suíte". E o mundo não conheceria o Caso Watergate, uma bobagem de mais de dois anos que só acabou na noite de 8 de agosto de 1974, com a renúncia do vigarista Nixon.


Na II Guerra Mundial, uma tediosa suíte de cinco intermináveis anos, o gênio Marques teria que escolher um ou outro tema para não cansar seus leitores com a dura rotina do maior conflito bélico da humanidade. O Dia D talvez, Pearl Harbor quem sabe, provavelmente Hiroshima, um ou outro poderiam ter espaço no seu jornal ou revista. Stalingrado? Não, não, é sempre a mesma coisa todo dia, quero novidades. Vladimir Herzog? Vamos dar a missa na Catedral da Sé. E não quero suíte. O Riocentro? Publique o acidente com a bombinha no Puma do DOI-CODI. O resto é suíte. A história que não couber no espaço de uma edição do mestre Marques, bem.....azar da história.

O pior é que a vida, as guerras, os escândalos, os fatos insistem em se estender, prolongar e até repetir, semana após semana, para desespero de nosso intransigente diretor, que deve odiar até a Quebra-Nozes de Tchaikowski. Como o poeta Chico Buarque avisou, o tempo passou na janela e só Marques não viu.

** Jóia 2: "Não quero preto, nem pobre na revista".
É uma visão clean da vida que combina bem com seu estilo aprumado, fashion, de ternos bem cortados e etiqueta de griffe. Mas ficaria bem na Quinta Avenida, em Nova York, não na Lapa de Baixo paulistana. Sua visão estreita e preconceituosa ignora o fato de que o Brasil se estende além dos prédios modernosos, de vidro espelhado, da opulenta Avenida Paulista. Este país varonil de 190 milhões em ação, prontos para vestir verde-amarelo para torcer pelo Brasil-il-il na Copa do Mundo, ainda tem 55 milhões de pobres - gente com renda familiar de meio salário mínimo. É o Brasil que certamente não mostra sua cara na ISTOÉ de Marques.


Pretos e pobres - que coisa mais desagradável! - asseguram ao Brasil o vice-campeonato mundial em concentração de renda, atrás apenas de Serra Leoa. Não fazemos revista para este tipo de gente, até porque, se tivesse algum dinheiro no bolso, certamente iria gastar em comida, não numa edição amena e colorida de ISTOÉ, não é, Marques?

Os leitores apressadinhos da nova ISTOÉ provavelmente não gostariam de perder tempo com as constrangedoras comparações da ONU, mostrando que o mundo gasta US$ 18 bilhões por ano com maquiagem, quando bastariam US$ 19 bilhões para sustentar os 800 milhões de seres humanos - na maioria pretos, seguramente todos pobres - que não têm o que comer. Outros US$ 15 bilhões são desperdiçados com perfumes, US$ 5 bilhões a mais do que o exigido para garantir água num planeta onde 1,1 bilhão de pessoas - todas pobres, muitas pretas - não têm o que beber.

** Jóia 3: "Não gosto de política".
Acho desconcertante que o diretor de uma das mais importantes revistas semanais do país diga tamanha sandice. Goste V. ou não, a Política está aí, desde a Grécia Clássica, para nos apontar os caminhos que o cidadão tem para atender suas necessidades de forma organizada e evoluir como sociedade. Uma revista como ISTOÉ e jornalistas como nós, Marques, devemos sempre pensar e agir, pela via do bom e relevante jornalismo, para que se faça a melhor política e se exclua do meio os maus políticos que a degradam, como ferramenta fundamental da democracia e da liberdade.


V. ainda é muito jovem, Marques, para abdicar desta missão. Brasília, com todos os seus vícios e defeitos, é fundamental para que o país saia do buraco em que está. O Brasil que trate de melhorar Brasília, votando e elegendo em gente melhor. E V., faça sua parte, fazendo uma ISTOÉ boa como antigamente. Nas suas mãos, a velha e boa semanal do Seu Domingo morreu, acabou, já era.

Acabou de nascer a ISTOEra, a ISTOÉ da Era Marques.
Eu, e milhares de leitores, lamentamos.
Saudações, Luiz Cláudio Cunha
[Brasília, 27 de março de 2006]
(*) Jornalista

DIRCEU DIZ QUE PSDB TENTA DESESTABILIZAR LULA





Dirceu diz que o governo Lula errou ao fazer aliança com o PL e disse que o PMDB será o âncora das eleições deste ano

Agliberto Lima/AE
Fotos: Bruno Wincler


Ex-ministro acredita que a nomeação de Mantega para o Ministério da Fazenda encerra a crise política

SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu culpou na noite desta segunda-feira a disputa política e o "desespero tucano" pela crise que culminou pela queda do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "É uma tentativa de desestabilizar o governo Lula. Quem não tem voto tenta ganhar no tapetão", disse, referindo as pesquisas que apontam Lula na liderança da disputa.

Em palestra na Assembléia Legislativa, Dirceu condenou a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa, mas disse que a imprensa lançou outros extratos bancários e não foi punida por isso. "A conta do Okamoto, a minha, a do Henrique Meirelles foram devassadas. É crime também. Como podem dizer que abusamos do poder?", disse.

Dirceu insistiu que sua cassação foi um ato político movido pela oposição e que não existe prova contra ele. "Podem me indiciar porque papel aceita tudo, mas não há indícios contra mim. Eu quero ser investigado."

Metas para o segundo mandato

Na palestra, que tinha o tema "O PT e o governo Lula: O que devemos fazer no futuro", Dirceu estabeleceu metas para um eventual segundo mandato de Lula e elegeu os erros que não podem ser cometidos. "O primeiro foi o estilo das alianças. Erramos ao nos unir ao PL e em não termos votado a reforma política", disse, O ex-ministro admitiu que o partido errou quando o quadro mais qualificado do PT saiu da direção do partido para entrar no governo.
Para as eleições desse ano, Dirceu disse ser fundamental uma aliança com o PMDB. Disse também que acredita que Garotinho não sairá como candidato. "A verticalização vai impedí-los de ter candidato. O PMDB é a âncora dessa eleição."

Educação e política externa

No próximo mandato, Dirceu disse que as prioridades são, além da reforma política, aumentar os investimentos na educação e na habitação. "Um País como o Brasil não pode ter analfabetos, é inadmissível", disse, lembrando que no atual mandato o governo lançou o ProUni. "Medida que abriu as portas da universidade à que não tinha condições de estudar."
Na economia, o ex-ministro defendeu todas as medidas e o caminho adotado por Palocci. "Nós fizemos o dever de casa. Estabilizamos a economia, diminuímos a inflação e eliminamos a dolarização da dívida interna".

Outro ponto favorável ao governo, apontado por Dirceu, diz respeito à sua política externa. "O Brasil passou a ser sujeito no cenário internacional, tendo um papel importante", disse o ex-ministro.

Fim da crise ?

José Dirceu acredita que a nomeação de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda encerra a crise política do governo. "A partir de agora devemos olhar para frente. O País precisa continuar tendo estabilidade com desenvolvimento".

Para ele, "o importante é ter governabilidade e que o ministro Guido Mantega dê respostas aos problemas do País, principalmente aumentando o investimento, com redução dos juros, reduzindo os custos e avançando na reforma tributária".


Tuesday, March 28, 2006

Peçonha virtual

Artur Virgílio é uma abominação. Um idiota, criado no seio de uma ridícula família burguesa, que se acha aristocrata só porque tem a falta de imaginação de repetir o mesmo nome há quatro gerações.

É um cafajeste metido a refinado, que grita com mulher em público e acha aceitável ameaçar dar uma surra no Presidente da República...

ACM Neto também é um boçalzinho, que nunca precisou trabalhar duro na vida, se elegeu deputado às custas do avô coronel. E que avô, hein? Fraudador de painel de votação do Congresso que, quando se viu prestes a perder o mandato, não honrou as calças que vestia e renunciou. Não vale um traque de José Dirceu. Pois é o netinho deste sujeito asqueroso quem se acha no direito de ameaçar publicamente o Presidente da República do Brasil, eleito com a maior votação da história. Queria ver ser macho pra ameaçar um dos generais ditadores que seu vovô tanto apoiava. Bravateiro, inconseqüente, arrogante, sem um pingo de compostura e decoro para exercer o cargo que exerce.

A louca da Heloísa Helena, que acha que ser de esquerda é fazer esse triste papel de lavadora das privadas da direita, o qual vem exercendo há tempos, também achou bonito ameaçar de pancada o mandatário maior da nação. É claro que não foi levada a sério, pois além de mal poder com um gato morto pelo rabo, sempre teve fama de histérica e mal-amada, que faz da agressividade verbal exibicionista uma espécie de sexualidade alternativa. É uma piada ambulante, até naquele Congresso de bufões.

O Brasil tem hoje a pior bancada na Câmara Federal de todos os tempos.Com raras e honrosas exceções, que só confirmam a regra.

E também, salvo as raras e honrosas exceções confirmadoras, o Brasil tem hoje a pior imprensa que já teve desde que vendidos e golpistas como Carlos Lacerda e David Nasser bateram as botas.

A começar pelas “estrelas” dos noticiários e programas de entrevistas. Arnaldo Jabor é um cineasta fracassado, que cometeu três filmecos pornográficos, metidos a cult. Desistiu, felizmente, e quando pensávamos estar livres de sua falta de talento, eis que o monstro ressurge e resolve torrar nossa paciência de outro jeito: fingindo que está com encosto do Paulo Francis. Paulo Francis era um direitista doente. Mas, pelo menos era ele mesmo. Uma bosta de ele mesmo, vale lembrar. Agora, imagine um pastiche desta bosta? Acertou, é Arnaldo Jabor.

Jô Soares é o filho único de um casal de grã-finos, criado no Copacabana Palace, e que nunca conseguiu superar a idade mental de doze anos. Tanto que não consegue fechar a boca e comer do jeito que um homem de sessenta anos deveria. Com barbas brancas na cara, continua se comportando como o garoto gordo que faz o papel de bobo da classe. Acha que é engraçado, quando está sendo apenas ridículo. Acha que é mais inteligente que todo mundo, quando só é arrogante. Assistiu um programinha mambembe de um entrevistador estadunidense, imitou em tudo, até no cenário, e com isso se sente no direito de humilhar seus entrevistados, seus músicos, sua equipe técnica e até sua platéia. Ou claque, melhor dizendo.Agora, decidiu que seu papel de deformador de opinião é fazer campanha declarada contra um governo que foi democraticamente eleito.

Nas quartas-feiras, reúne no seu picadeiro um grupelho de peruas, todas na menopausa e se achando o máximo por serem debochadamente chamadas de “meninas”.

Cristiane Lobo ri com cara de idiota e concorda com tudo que o Gordo diz. Talvez com medo de perder o empreguinho global e ter de cobrir defunto de periferia na Record. A pobre professora da USP , que deve estar por lá atrás de um mensalinho pra engordar seus honorários, tenta falar, mas, é sempre atropelada por Lúcia Hipólito. Aí sorri amarelo e deixa pra lá, com aquela cara de “tia” que entende a ignorância das criancinhas.

Ana Paula, aquela mistura de loura do Tchan com foca de jornal de bairro, é tão competente que só conseguiu emprego mesmo no falido JB. Diz um monte de besteiras, sacode as bijuterias e faz caras e bocas pra câmera, talvez sonhando com um convite tardio para posar na Playboy.

E tem a Lúcia Hipólito, a pior figura que já apareceu na telinha nos últimos tempos. É feia, é brega, é antipática, é arrogante, é mal educada, interrompe a fala das outras e ainda se acha a última coca-cola gelada do sertão. Parece a bruxa malvada das antigas histórias da Disney. É o estereótipo da perua de família rica que quer se afirmar como “intelectual” pra esnobar as amigas no chá das cinco. Apresenta-se como “cientista política”. Como assim, “cientista”? Alguém já leu algum artigo científico desta senhora? Já discutiu seus livros em algum congresso? Já viu o currículo Lattes dela? Ela realiza suas pesquisas científicas em qual instituição?

O que se sabe é que exerce função de jornalista e pelo que se intitula, sem ter a devida formação na área. Mas, acha que pode ditar regras sobre tudo. Solta batatas imperdoáveis até na boca de um estudante de primeiro período de sociologia. Como a da última quarta-feira, dia dois de novembro, quando disse que não poderíamos ter escolhido Lula para “gerenciar” o Brasil, “pois ele nunca gerenciou nem mesmo um carrinho de pipocas”. Claro que todo mundo que estudou “ciências políticas” sabe o quanto é importante a experiência gerencial de carrinhos de pipocas na carreira de um presidente da república, não é mesmo?

Alguém precisa avisar à “cientista” que o cargo de Presidente da República é representativo e não gerencial. E que o Estado não é uma empresa. Tem relações sociais, econômicas e humanas bem mais complexas que uma padaria ou uma fábrica de automóveis. Não pressupõe a hierarquia existente em uma empresa. Não visa o lucro e não tem dono. Se a gente fosse escolher Presidente, como se escolhe gerente, era melhor fazer concurso público em vez de eleição.

A única das “meninas” que dizia coisa com coisa, a veterana jornalista Teresa Cruivinel, foi posta pra fora do programa, ou saiu de lá correndo para não pagar mais mico naquele festim idiota, que mais parece um fim de tarde na Daslu.

E o que temos na mídia impressa? A revista VEJA. A revista VEJA merece um capítulo à parte, pois já deixou de ser uma publicação jornalística, pra embarcar no gênero ficcional com narrativa de literatura fantástica. Traz em suas páginas seres que só poderiam existir mesmo na ficção fantástica, como o Diogo Mainard.

Eu até acredito em fadas, saci, duendes e fantasmas. Mas, não acredito que alguém como o Diogo Mainard possa existir de verdade.

O pior é que, ao embarcar na literatura de ficção fantástica, a VEJA devia ter, pelo menos, treinado seus repórteres, distribuindo um exemplar de “Os Cavalinhos de Platiplanto”, clássico do gênero, escrito por J.J.Veiga. A boa referência literária faria com que as criaturas, pelo menos, conseguissem imaginar uma historieta melhor do que esta de Fidel mandando ao Brasil dinheiro para financiar a campanha de Lula. E ainda escondido em caixas de uísque. Por que não caixas de charutos, que seria mais verossímil? Ou será que Fidel invadiu o Paraguai desde 2002 e a gente ainda não sabe?

As outras publicações chafurdam num mar de jabaculês, sensacionalismo e ignorância. Nem escrever corretamente em português conseguem mais.

Mas, é essa imprensa sem preparo e totalmente comprometida com as forças conservadoras que forma a opinião da classe média brasileira.

A classe média brasileira que é tonta, idiota e tem péssima formação educacional. Quem chega a fazer faculdade, nunca mais lê um livro, depois que se forma. Quando lê, é auto-ajuda, escrita pelo Lair Ribeiro.

Mesmo assim, essa turma acha que é bem informada às custas de VEJAS, ÉPOCAS, FOLHAS, GLOBOS e se sente elite, adotando as idéias e comportamentos da gentalha da mídia, que forma sua opinião.

Já a elite de verdade é hipócrita, canalha, egoísta e cruel. Tem ódio de Lula, por ser mestiço, nordestino e pobre. Acha um insulto ser governada por ele e se pudesse já o teria tirado do poder na ponta da baioneta, como fez com João Goulart, que nem pobre, nem nordestino era, apenas um moderado socialista.

É uma elite pobre de cultura e formação, composta por quatrocentões decadentes, descendentes de degredados, que se julgam nobres e por emergentes ridículos, que se sentem quatrocentões.

Uma elite ignara, que compra livros como de fossem azulejos, para decorar paredes. E é uma elite burra, que nunca leu Gilberto Freyre nem Adam Smith e não aprendeu que, até para poder continuar a habitar a casa grande, precisa deixar a senzala comer um pouco melhor.

Não, poeta Cazuza, eu não vou pedir "piedade pra essa gente careta e covarde"! "Pelo menos esta noite, não.” Estou mais é querendo que todos eles vão pro diabo que os carregue.

Estou de saco cheio de tanta baixaria, mediocridade, autoritarismo, maucaratismo e violência real e simbólica.

Estou de saco cheio de ver esses cretinos mentindo, enganando e manipulando pra não deixar que o sonho do povo se realize.

Estou de saco cheio de ver a desfaçatez com que tentam convencer o povo de que ele sempre toma a decisão errada e que, por isso, é melhor não decidir mais e entregar o país pra que eles, os iluminados, governem.

Estou de saco cheio de ver esse mesmo filme se repetindo nos últimos quarenta anos, desde que me entendo por gente: a elite canalha governando, mesmo que à força. A classe média pusilânime aplaudindo, e se sentindo representada, como se tivesse algum poder. E o povo, sofrido e conformado, “levando pedras como penitente” e sonhando com um Messias, que o virá salvar.

Estou de saco cheio de ver o país dar um passo adiante e dez para trás, por que o progresso democrático contraria os interesses de meia dúzia de poderosos, cuja ganância é maior que o tempo que eles terão de vida para aproveitar o produto de sua perversidade. Estou de saco cheio de ver o único Governo em muitos anos que nos livrou do FMI, voltou a financiar moradias, criou um programa de segurança alimentar para atender os famintos, assumiu a liderança da América Latina e impôs respeito no mundo todo, ser execrado diariamente nos jornais, como se tivesse inventado a corrupção, a violência e todos os problemas que o país arrasta há quinhentos anos.

Estou de saco cheio de saber que isso é preconceito, sim. É ódio de classe, sim. É desejo de manter privilégios inaceitáveis, sim. Pois quando o sociólogo da Sorbone quebrou o país três vezes, liquidou o patrimônio do país a preço de banana, sucateou o parque industrial do país com uma política monetária absurda, multiplicou a dívida externa e comprou votos pela bagatela de duzentos mil para se reeleger, nunca mereceu da mídia o linchamento diário que vêm recebendo o Governo Lula e o PT. Nunca foi desrespeitado em plenário pela oposição da forma como o presidente Lula tem sido desrespeitado. Nunca foi ameaçado de pancada por um canalha, uma histérica e um herdeirozinho de quinta categoria.

Estou de saco cheio de ver tanta injustiça, tanta mentira tanta cara-de-pau, tanta irresponsabilidade com o futuro do país, no esforço de criar uma crise que eles sabem que é hipócrita, falsa e eleitoreira, pois trata como novidade práticas seculares.

E tudo isso em um momento que poderíamos estar aproveitando para crescer, promover o bem-estar do povo, afirmar nossa grandeza como nação pacífica e progressista diante do mundo.

Eles não se importam em jogar na lata do lixo da história o futuro das nossas crianças, desde que´possam trazer de volta ao poder o partido da compra de votos, da privataria, da dengue, da quebradeira e do apagão.

Eles não pensam que, se interrompermos os projetos sociais que hoje assistem a mais de trinta milhões de brasileiros, estaremos fomentando ainda mais os bolsões de miséria, donde sairão os bandidos que matarão, seqüestrarão e roubarão a paz de seus filhos e netos.

Essa gente dorme, meu Deus? Essa gente coloca a cabeça no travesseiro à noite e sonha com os anjos, sem ouvir a voz do Ministro Gil cantando insistentemente em seus ouvidos “gente estúpida, gente hipócrita” ?

Se você está acostumado a ler meus textos, deve estar espantado e até indignado com a virulência e agressividade deste aqui. Deve estar também de saco cheio de me ver aqui a xingar e blasfemar por tantas linhas. Pois saiba que é exatamente assim que estou me sentindo, depois de passar seis meses sendo submetida a um bombardeio diário de baixarias e canalhices golpistas daqueles que querem única e exclusivamente o poder.

Esse texto é um desabafo, uma vingança, um grito transbordante de quem está de saco cheio de agir corretamente, de respeitar os outros, de seguir as leis, a Ética, os bons modos, o politicamente correto e, olhando em volta, ver o triunfo dos canalhas sobre o homem de bem, do medo sobre a esperança, da covardia sobre a vontade de mudar pra melhor.

É um gesto de legítima defesa, destes que a campanha do “NÃO” tanto nos convenceu ser um direito.

O texto está ofensivo, grosseiro, chocante? Que bom! Era isso mesmo que eu queria.Que toda a bile que derramei aqui possa chegar até essa gente nefasta e provocar neles raiva, amargor, ódio, ressentimento.

Palavras não matam, mas, ferem. Ficam ecoando na cabeça e infernizando a alma por muito tempo.

Tomara que todos eles leiam. E tenham um mau dia. Uma péssima semana. E um mês pior ainda.
Veruska

Carta de Palocci para o Presidente Lula




Brasília, 27 de março de 2006

A Sua Excelência o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil

Senhor Presidente e amigo,

Peço a Vossa Excelência meu afastamento, nesta data, do cargo de Ministro de Estado da Fazenda.

Desde 1º de janeiro de 2003, trabalhei incansavelmente para corresponder à confiança com que Vossa Excelência me honrou ao escolher-me para servir ao seu lado como executor da política econômica de seu governo. Dei o melhor de mim, sem medir esforços.

Estou convencido, porém, de que minha permanência no Ministério da Fazenda, neste momento de exacerbado conflito político, e quando sou alvo de todo tipo de maldades e acusações, não mais contribui para o avanço da obra do governo de Vossa Excelência, nem serve ao melhor interesse do Brasil.

Desde agosto do ano passado, iniciou-se um movimento sistemático para lançar dúvidas e suspeitas sobre o meu trabalho e a minha pessoa. Durante todo o final de 2005, procurei, por meio da imprensa e de três visitas sucessivas ao Congresso Nacional, esclarecer toda sorte de questões lançadas a meu respeito. No início deste ano, compareci perante comissão parlamentar de inquérito do Senado Federal, antes mesmo de ser convocado, para prestar esclarecimento amplo e direto sobre todas essas questões.

Julguei haver refutado, naquele momento, em termos objetivos, a inconsistência das acusações e ter restabelecido as condições de trabalho deste Ministério. Entretanto, Senhor Presidente, a luta política se exacerbou nas últimas semanas e questões já superadas foram trazidas novamente à pauta.

Tenho lidado com esta situação procurando sempre preservar a economia dos efeitos da luta política, assim como todo o trabalho do nosso Ministério. Entretanto, tornou-se cada vez mais difícil manter esta conduta, pois, em momentos de tal turbulência, os argumentos, as explicações e as ponderações perdem valor diante de acusações descabidas e conclusões apressadas.

Mais recentemente, episódio na Caixa Econômica Federal trouxe novamente a este Ministério pressões que tornaram impossível a continuidade regular do meu trabalho. Quero esclarecer, Senhor Presidente, que não tive nenhuma participação, nem de mando, nem operacional, no que se refere à quebra do sigilo bancário de quem quer que seja.

Reafirmo ainda que não divulguei nem autorizei nenhuma divulgação sobre informações sigilosas da Caixa Econômica Federal. Sou consciente das leis e da responsabilidade do meu cargo. Sou consciente das regras da democracia e do Estado de Direito.

Foi com esta postura que realizamos um trabalho forte de estabilização da economia brasileira. Durante estes três anos e três meses, não houve lugar para malfeitos de qualquer ordem. Digo isto em meu nome e, tenho certeza, no nome de todos os secretários que comigo conduziram este trabalho.

Tenho orgulho de haver colaborado para a implementação da exitosa política econômica de Vossa Excelência, que tanto contribuiu para a estabilidade de nossa economia, com claros benefícios para as parcelas mais pobres de nosso povo.

O controle definitivo da inflação, os números recorde de geração de emprego, a evolução do crédito, a boa administração da dívida pública e, particularmente, o espetacular desempenho das contas externas do País são conquistas do Brasil para as quais muitos governos colaboraram e seu governo consolidou.

Estou extremamente feliz por haver contribuído para alcançar esses resultados. O Brasil está mais forte, mais preparado e maduro, para, sob a liderança de Vossa Excelência, seguir adiante trilhando esta política, no caminho do desenvolvimento econômico e social.

Tomo a decisão de pedir o meu afastamento com tranqüilidade. A consistência do trabalho feito e a solidez da economia brasileira me dão a certeza de que a estabilidade do país e de suas instituições não depende da pessoa do Ministro da Fazenda e sim das políticas definidas por Vossa Excelência. Sempre servi ao governo de Vossa Excelência sem personalismos nem ambições pessoais.

Minha dedicação e minha energia sempre estiveram voltadas para o progresso do Brasil e de seu povo. Esta é a mesma convicção da honrada equipe do Ministério da Fazenda e, tenho certeza, do próximo ministro que Vossa Excelência escolherá.

Respeitosamente, e com toda a gratidão.

Antonio Palocci Filho
Ministro de Estado da Fazenda

PT de Ribeirão quer Palocci candidato a deputado federal

28 de março de 2006 - 12:49
Palocci seria um deputado praticamente eleito que ainda puxaria outros nomes na bancada", disse presidente do partido na cidade Gustavo Porto.

RIBEIRÃO PRETO - O presidente do PT de Ribeirão Preto, vereador Jorge Parada, afirmou que o partido defenderá a candidatura do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a deputado federal e que irá consultá-lo formalmente sobre a possibilidade da disputa. "O partido não tem candidato a federal definido ainda (em Ribeirão Preto) e o Palocci seria um deputado praticamente eleito que ainda puxaria outros nomes na bancada", disse Parada. "Nós vamos consultá-lo e só depende dele decidir ou não", completou o presidente do PT.

Parada assina uma nota oficial da Executiva do PT de Ribeirão Preto, na qual o partido, além de se solidarizar com o ex-ministro, critica a oposição. De acordo com o documento, a ofensiva contra Palocci, além de atingir a honra pessoal do ex-ministro, tem como objetivo "desestabilizar o governo democrático e popular" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."As forças conservadoras representadas na oposição tucano-pefelista atacam o governo federal buscando o desgaste do companheiro Palocci", informa a nota.

Veja a íntegra da nota oficial do Partido dos Trabalhadores de Ribeirão Preto

Nós da Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores de Ribeirão Preto nos solidarizamos com o companheiro Antonio Palocci no momento em que não somente sua vida pública, mas também sua honra pessoal são atacadas. Esta ofensiva busca destruir a historia de luta pelo povo brasileiro de Palocci e em última instância tem como objetivo desestabilizar o governo democrático e popular do presidente Lula.

Neste momento em que as forças conservadoras representadas na oposição tucano-pefelista atacam o governo federal buscando o desgaste do companheiro Palocci, reafirmamos nosso apoio às conquistas econômicas, políticas e sociais de nosso governo como: a retomada de nossas exportações, a estabilidade da inflação combinada com a retomada do crescimento econômico, o aumento dos empregos formais, a transferência de renda por meio do programa Bolsa Família, a criação do PROUNI e as expansões das Universidades Federais, entre muitas outras conquistas.

Continuamos, portanto, na linha de frente de defesa ao governo federal liderada por nosso partido e sublinhamos nossa solidariedade ao companheiro Palocci, uma das lideranças partidárias fundamentais para nossa vitória nas eleições de 2002 e pelas conquistas de nosso governo que ficam cada vez mais evidentes para a maioria da sociedade brasileira.

Jorge Parada Presidente do Partido dos Trabalhadores de Ribeirão Preto

Monday, March 27, 2006

Ângela: A Dança da Alegria

Jasson de Oliveira Andrade

O deputado João Magno (PT-MG) foi absolvido da acusação de ter recebido dinheiro do valerioduto. A deputada Ângela Guadagnin festejou a absolvição de seu colega de partido com uma dança no plenário da Câmara Federal. Ela não o inocentou. Havia pedido uma pena menor, como a suspensão do mandato, uma vez que ele fez uso do caixa 2, um crime eleitoral. Seu pedido não foi aceito. Dias antes, pelo mesmo motivo, um deputado federal do PFL também foi inocentado. No Senado, o senador tucano Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, teve o processo por ter recebido também o dinheiro do valerioduto, aliás, foi o primeiro, arquivado. Se não era crime a ser punido quando os parlamentares eram do PFL e do PSDB, por que, então, punir um deputado do partido dela? Por isso festejou, dançando. Foi a dança da alegria. Ela se justificou: “O plenário Ulysses Guimarães já foi palco de muitas coisas, como apitaço, Constituição rasgada e até xingamentos. Eu apenas demonstrei alegria. Em minha opinião, ela agiu erradamente. No entanto, a sua ação não merecia o estardalhaço que a imprensa escrita e falada dedicou ao ato. Acho, como jornalista, que a dança deveria ser mostrada: é um fato político que merecia ser registrado. No entanto, a mídia, principalmente a tucana, extrapolou, como vamos ver.

Além de apresentar a dança da alegria, os jornais dedicaram ao fato Editoriais, pegando pesado. A Folha publicou o Editorial “Na cadência do deboche”. O Estadão não ficou atrás, no Editorial “A dança da impunidade”. O mesmo aconteceu com um jornal de Mogi Guaçu, com o Editorial jocoso: “A “bailarina” do mensalão”. Alguns deputados, mesmo da oposição, foram mais amenos. Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou: “Discordo dela, mas respeito a forma convicta como age. Só não sei se é convicção pessoal ou partidária. Ela fala com o coração”. Outra oposicionista, Maninha (PSOL-DF), declarou à Folha: “Todo mundo perdeu a vergonha, ninguém fica mais constrangido com sua própria postura”. Ela acha, porém, que a repercussão é maior por se tratar de uma deputada. “Se a Ângela fosse homem e esse homem tivesse ensaiado passos no plenário, o caso teria outra dimensão”. Além de mulher, deputada, Guadagnin é do PT. Esse fato, ser petista, foi ressaltado, por Fabiano Santos, professor do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro. Para ele, a dança de Guadagnin é um tema irrelevante. O único problema que ele disse ter visto no gesto da deputada foi a sua falta de percepção de que, hoje, “tudo o que o PT faz pode se voltar contra o PT”. Fernando Rodrigues, em artigo na Folha (Tucanos e petistas), analisou essa atitude, em minha opinião, ingênua, da deputada: “No Congresso, os petistas são mais bobos que os tucanos. Não se viu ninguém do PSDB dançar no plenário quando foi arquivado o caso de Eduardo Azeredo, também acusado de envolvimento com o “mensalão”. Mas houve comemoração em privado, com certeza”. A Veja, como já era esperado, dedicou a capa à deputada Ângela. Quanto ao Azeredo, isto nunca vai acontecer!
Tivemos manifestações de intelectuais contra a dança da alegria. Alguns espinafrando a deputada. Outros a defenderam, como a socióloga Maria Victória Benevides, que, após dizer que o gesto de Ângela foi “estapafúrdio” e “infantil”, ser ele, o gesto, “muito menos grave do que outros, como, por exemplo, o senador Arthur Virgílio [PSDB-AM] vir ao microfone e dizer que vai dar uma surra no presidente da República”. Outros fatos, além desse apontado, são também mais graves do que a dança da alegria. Dias atrás, deputados do PMDB, governistas e defensores de Garotinho, trocaram tapas no Congresso, quando tentavam indicar o líder do partido. Vocês viram estardalhaços, oba-oba, na divulgação da briga? Eu não vi!

Os leitores dos grandes jornais se manifestaram. A maioria das cartas publicadas era de condenação, seguindo a opinião desses jornais, como é óbvio. Alguns, poucos, defendendo-a. Esse foi o caso de Pedro Valentim (Bauru-SP), no Painel do Leitor da Folha: “Quanto à dança após a absolvição do deputado João Magno (PT-MG), vejo um estardalhaço hipócrita e falso moralista por parte da sociedade, da imprensa e da oposição. A psicologia do comportamento humano vê a dança como manifestação física e psicológica do nosso corpo. Reflete alegria do momento. (...) Acho estranho uma sociedade que não se indigna com o fato de cachorrinhos de estimação [de madames] viverem e comerem melhor do que milhares de crianças pobres se revoltar contra uma atitude no máximo discutível e que não significa nenhum fim do mundo”. Não é o que pensa a alegria raivosa, como diz Chico Buarque!

Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil (Folha) não deixou por menos: fez severas críticas à deputada Ângela, no artigo “Da dança ao lixão”. Sobre esse último tema, escreveu: “O “banho de ética” prometido por Geraldo Alckmin ao Brasil acaba de levar uma ducha de água fria com a excelente reportagem de Frederico Vasconcelos, nesta Folha, a respeito do “lixão” – como eram chamados os anúncios da Nossa Caixa politicamente direcionados pelo governo do Estado, tudo por baixo do pano. (...) Isso para não falar nas 400 peças de alta-costura de dona Lu [esposa de Alckmin], todas “doadas” pelo estilista Rogério Figueiredo. Pois é. Os alckmistas estão chegando, estão chegando os alckmistas.”

A dança da alegria foi um erro menor. Mesmo assim, a grande mídia tucana não perdoou. Agora ela deve estar preocupada com a queda de Palocci, com análises justas, umas, e tendenciosas, outras! Hoje vamos ficar com o ato alegre de Ângela. Depois trataremos da alegria, sem dança pública, dos tucanos!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE, jornalista em Mogi Guaçu

CARTAS NA MESA

A apologia do golpe

Há um movimento golpista incitado por aqueles que dizem abertamente estarem cansados do governo Lula. Os mesmos setores que blindaram o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enquanto ele servia aos seus fins, são hoje seus principais algozes.

Nelson Breve

1) O que nos espanta e estarrece é que os chefes das nossas Forças Armadas não se tenham convencido até agora de que não é um governo isso que aí está, e que é faltar com o respeito que eles devem ao país o recusarem-se a agir, enquanto é tempo, com a altivez e a visão das coisas brasileiras que demonstraram em outubro de 45 e em agosto de 54. (A catástrofe em que vamos soçobrando – 8/10/1963.)

2) É preciso que o Legislativo comece a dizer basta. Melhor seria então que, para isso, simplesmente ignorasse a decisão de Jobim e fizesse a oitiva de Francenildo Costa na CPI dos Bingos. Com certeza, assim agindo o Legislativo deixará claro que na representação legitima que faz da sociedade brasileira ínsita não está a submissão subserviente e humilhante a outros Poderes. (A Hora de o Congresso dizer basta! – 22/03/2006.)

Um intervalo de 42 anos separa a publicação destes dois editoriais. O que há de comum entre eles é que ambos foram publicados pelo mesmo jornal. O que mais há de comum entre eles? Defendem abertamente a ruptura da ordem institucional. O primeiro alcançou o objetivo de instar as Forças Armadas a derrubarem o governo do presidente João Goulart. O segundo incita a maioria oposicionista do Senado a se insurgir contra uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que busca resguardar os limites de uma investigação parlamentar estabelecidos pela Constituição Federal.

É a apologia do golpe contra o Estado de Direito, que só tem valor, na opinião de parte significante da imprensa brasileira, quando resguarda apenas um dos lados da disputa política. Há um movimento golpista incitado por aqueles que dizem abertamente estarem cansados do governo Lula. Como não há um ambiente propício para um golpe militar, hoje, no Brasil, os golpistas enrustidos partem para a incitação de outras instituições. Não se importam com a violação dos preceitos democráticos, desde que o objetivo final seja desmoralizar um governo que se recusa a governar do jeito que eles querem.

Os mesmos setores que blindaram o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enquanto ele servia aos seus fins, são hoje seus principais algozes. O mesmo jornal dos editorias acima proibia, há dois anos, que seus repórteres escrevessem que a política econômica era contestada internamente no governo. A palavra de ministros de Estado era considerada insuficiente para contestar o ministro da Fazenda. Hoje, ele é apontado como mentiroso com base na palavra de gente do povo, que pode ou não estar sendo manipulada por interesses espúrios.

Vamos partir do princípio de que o caseiro esteja dizendo a verdade. Qual é o crime cometido pelo ministro Palocci? Ter freqüentado uma casa difamada? Não ter falado a verdade? O que isso tem a ver com o interesse público? Se o ministro é suspeito de ter desviado recursos públicos ou tomado decisões contrárias aos interesses nacionais ou aos princípios da moralidade na administração pública, que coloquem na mesa as acusações. Criam um escândalo a partir de uma contradição, para justificar uma investigação ilegal, inconstitucional e imoral. Mistificam o caso para dar um ar de gravidade que ele não teria se ocorresse em um governo do PFL ou do PSDB. Desprezam as linhas de investigação que não servem para sangrar o governo.

Mas o governo também tem sua culpa. Foi incompetente em todas as áreas, especialmente na condução política e na comunicação. Silenciou quando a CPI dos Bingos saiu do foco para o qual foi criada. Não operou com empenho para assegurar maioria na Comissão. Não montou um esquadrão de crise para enfrentar a batalha da comunicação, combatendo a tropa organizada pela oposição. Com isso deixou prevalecer na mídia versões incorretas em prejuízo do governo ou de seus aliados.

A questão da quebra do sigilo, por exemplo. É falso dizer que o sigilo foi quebrado quando alguém da CAIXA levantou um extrato da movimentação bancária de Francenildo Santos Costa. Qualquer funcionário minimamente graduado da CAIXA tem permissão para obter essa informação. Informações desse tipo são levantadas aos milhares, todos os dias, por questão de segurança ou de estratégia de negócios. Não só na CAIXA, em qualquer banco.

Os extratos podem transitar por toda uma linha hierárquica, sem que tenha ocorrido crime algum. A violação só se dá quando a movimentação bancária é revelada para alguém de fora da instituição. Esse deve ser o ponto de partida de qualquer investigação séria e isenta. Primeiro: quem entregou o extrato para alguém de fora da instituição? Segundo: por ordem de quem? O resto é perda de tempo e desinformação.

Aparentemente, o folhetim do caseiro é mais uma dessas pantomimas concebidas no cruzamento da canalhice com a estupidez. No intuito de proteger o chefe de uma ofensiva criminosa, o guarda-costas comete um crime grave, que ganha proporções dantescas porque um dos lados está estrategicamente amparado pela cavalaria da mídia. O filme é conhecido. Já provocou o suicídio de um presidente, aqui, a renúncia de outros, em democracias mais perenes, e muitas fatalidades pelo mundo afora.

A oposição pode levar a cabeça de Palocci desse jeito. Os golpistas inveterados podem conseguir derrubar o governo Lula, ou desgastá-lo impiedosamente para chegar desmoralizado na disputa eleitoral. A cavalaria pode cortar muitas cabeças pelo caminho. Mas os bons soldados sabem que não há honra nesse tipo de vitória.

Nelson Breve foi repórter das rádios Eldorado e CBN, da Agência Estado e do Jornal do Brasil, e assessor de imprensa da Confederação Nacional da Indústria e do ex-deputado José Dirceu. Retorna à Carta Maior para atuar como repórter especial na Sucursal de Brasília.

Carta ao Jornal Estadão

Esta carta foi encaminhada ao jornal Estado de São Paulo, pelo jornalista Jasson de Oliveira Andrade e evidentemente não foi publicada. Como sempre a mídia tucana só publica o que lhe interessa.
Bel


Senhor Redator:

Com todo o respeito que me merece o governador Geraldo Alckmin, a sua declaração "caseiro é o povo brasileiro" foi infeliz. Ele extrapolou. Em declaração a esse jornal, o suposto pai do caseiro revelou que recebeu pressão (leia-se chantagem) do suposto filho, confessando, conforme manchete do Estado (25/3): "Mandei o dinheiro para evitar escâncalo". Quem age dessa maneira, extorguindo o suposto pai, "não é o povo brasileiro", que tem um comportamento, em sua maioria, decente. Realmente é "grave pôr o aparelho do Estado a serviço de pessoas". Entretanto, também é grave fazer esse tipo de declaração. JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE (Mogi Guaçu-SP).

Refinaria em Itaboraí foi escolha de Lula

A escolha do local onde será instalada a nova refinaria petroquímica da Petrobras passou pelo crivo do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que deve anunciar nesta semana a construção da unidade em Itaboraí, a noroeste da capital, na região metropolitana do Rio.

A cidade estava entre as alternativas técnicas da estatal, que incluíam pelo menos Guriri, no município de Campos; Itaguaí; e Duque de Caxias.Ao optar por Itaboraí, a Petrobras considerou o fato de a cidade não ter a concentração urbana e industrial de Itaguaí, o que facilita o escoamento da produção.

A área também fica mais próxima da refinaria Reduc do que Campos, onde seriam necessários investimentos adicionais para construção de um porto.Até a intervenção de Lula, a Petrobras havia constatado que Itaguaí, sua primeira opção, tinha sérios problemas ambientais, por já possuir densidade industrial muito elevada.
Isso confirmava em parte a tese do estado em defesa do Norte Fluminense, já que o município de Itaguaí, que abriga o porto de Sepetiba - o mais promissor da região e onde a Petrobras já possui um terreno - , não tem espaço para uma refinaria que vai atrair indústrias da segunda e terceira geração petroquímica para seu entorno.

Garotinho tenta atrasar o projeto

No início de março, a Secretaria Estadual de Receita revogou resolução da Secretaria Estadual de Fazenda que vigorava desde agosto de 1998 e permitia à estatal adquirir créditos de ICMS na venda de petróleo a outros estados. Pelos cálculos da Receita estadual, a nova regra aumentará em R$ 50 milhões mensais a arrecadação do ICMS.Na semana passada, a Petrobras foi notificada pelo governo do Estado da cobrança de R$ 800 milhões retroativos a 1998 e referentes à Participação Especial (taxa que incide sobre a produção de petróleo em campos gigantes) relativa ao campo de Marlim, o maior em produção no país, que fica na bacia de Campos.
A Petrobras informou que os pagamentos "foram procedidos em conformidade com a legislação em vigor".A refinaria petroquímica de óleos pesados é considerada hoje dentro da Petrobras seu principal projeto, mais importante até do que os programas de exploração e desenvolvimento de novos campos. E há uma explicação simples: as estimativas da empresa são de que, devido ao aumento da produção de petróleo pesado, impossível de ser totalmente processado pelas refinarias da estatal, ela estará exportando em 2010 nada menos que 500 mil barris desse tipo de óleo por dia.

Como existe uma defasagem de até US$ 15 por barril entre o preço do óleo pesado, menos valioso, e o do leve, esse dinheiro seria usado para comprar apenas 300 mil barris/dia de óleos leves do Oriente Médio, permitindo a composição do perfil de refino da empresa. A nova refinaria vai processar justamente parte desse óleo mais pesado, gerando valor agregado sobre a produção interna e evitando essa perda de US$ 15 por barril.
A Petrobras tem evitado falar sobre a escolha de Itaboraí para abrigar a nova petroquímica.Além disso, testada e aprovada em escala produtiva, a sofisticada e quase desconhecida tecnologia necessária para colocar em funcionamento a unidade, são consideradas enormes as chances de serem feitas outras semelhantes, expandindo a geração de matéria-prima petroquímica de outra fonte que não a nafta, muito mais cara e considerada inviável em futuro próximo.

A iniciativa brasileira tem sido acompanhada com atenção pelo resto do mundo e, como na exploração em águas profundas, pode colocar a Petrobras novamente na vanguarda de uma tecnologia com enormes perspectivas de ser adotada em outros países.Dado ao relativo desconhecimento das dificuldades que poderão surgir na partida da nova refinaria, é tido como provável alguma demora no início efetivo da sua produção comercial.

A Rio Polímeros, petroquímica a gás, uma tecnologia bem mais difundida, precisou de quase um ano para superar as dificuldades técnicas iniciais. Por isso, os parceiros da Petrobras terão de ter robustez financeira semelhante à da estatal para suportar um provável atraso do retorno do investimento.Esse contratempo, praticamente afasta a perspectiva da entrada de algum outro parceiro privado nacional, além do grupo Ultra, na primeira fase do projeto.

Essa etapa envolve a refinaria em si, com custo estimado em US$ 3 bilhões.A indústria petroquímica do país espera a definição do local de construção da unidade para correr e garantir terrenos para se posicionar ao lado da unidade para produzir as resinas derivadas da matéria-prima, como polietileno e polipropileno.

Essa segunda etapa tem investimentos estimados em US$ 3,5 bilhões. Com a terceira etapa (transformação das resinas em artigos de plástico), estima-se um total de US$ 10 bilhões no novo pólo.Embora já seja dada como certa a escolha do município de Itaboraí, a demora da Petrobras em divulgar o nome definitivo ainda esconde dúvidas técnicas.

Especialistas avaliam que, ao invés de Itaboraí, uma área com dificuldade de abastecimento de água e que exigirá importantes obras de logística para acessar a infra-estrutura portuária, seria mais razoável fazer a unidade em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde já existe uma refinaria (a Reduc) e um pólo petroquímico em funcionamento, além de toda a infra-estrutura logística

Deputado acusa Alckmin de negociar benefícios para mídia aliada

06:01 27/03
Do Portal Ig

SÃO PAULO - Em entrevista à rádio CBN, o deputado estadual Afanásio Jazadji (PFL-SP) acusou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de negociar pessoalmente um esquema supostamente promovido pelo Palácio dos Bandeirantes para beneficiar emissoras de rádio, TV e revistas ligadas a integrantes da base aliada, com verbas de publicidade da Nossa Caixa.

Leia abaixo o texto
Ontem, Alckmin negou que sua gestão tenha utilizado recursos da Nossa Caixa para favorecer políticos aliados e afirmou que não vai investigar o caso. "A investigação foi feita pela Nossa Caixa. Ela fez a sindicância, concluiu e encaminhou ao Ministério Público", disse. No entanto, o Ministério Público do Estado de São Paulo já decidiu apurar o caso e desde dezembro passado, vem realizando investigações em caráter preliminar.


As primeiras denúncias do suposto envolvimento de Alckmin no caso foram publicadas na edição do último domingo do jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com a reportagem, o governo teria pressionado e direcionado recursos da Nossa Caixa para favorecer a mídia aliada.

Saturday, March 25, 2006

Banco estatal beneficiou aliados do Chuchu


Da Redação - IG Último Segundo

18:58 25/03

SÃO PAULO – Documentos obtidos pelo jornal “Folha de S. Paulo” mostram que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) interferiu para beneficiar aliados com anúncios ou patrocínios. Os recursos sairiam da Nossa Caixa e favoreciam jornais, revistas, programas de rádio e televisão indicados por deputados.

Leia abaixo o texto

Uma auditoria na área de publicidade da Nossa Caixa mostraria que o banco foi pressionado para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de rádio. Além disso, autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista “Primeira Leitura”, publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso.

As ordens beneficiariam os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo “Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).

Entre as provas das pressões, segundo o jornal, estão e-mails trocados entre Saint´Clair de Vasconcelos, presidente da Contexto – agência que continha a conta da Casa Civil e, agora, atende à Nossa Caixa -, e o ex-gerente de marketing do banco, Jaime de Castro Júnior.

Em um deles, de agosto de 2004, Saint´Clair pede a Castro Júnior ajuda para “acalmar” o deputado Afanásio Jazadji. “Acertei com ele um montante que estou distribuindo entre os nossos parceiros. Você consegue programar uns 8 mil nos programas que ele tem no Canal SP-TVA?”, dizia o e-mail conseguido pelo jornal.

O assessor especial de comunicação do governo, Roger Ferreira, disse que os critérios para gastos de comunicação são “técnicos”. A Nossa Caixa informou que os veículos citados pelo jornal receberam apenas 1% do total de gastos do banco.

Dirceu:"Não há prova nenhum que me vincule com mensalão ou caixa 2"

ENTREVISTA

Dirceu: "Não há prova nenhuma que me vincule com o mensalão ou caixa 2"

Jornal da CBN – 23/03/2006 às 07:43 Duração da matéria: 11h36


REPÓRTER: Nós temos aqui a informação que o Ex-Deputado José Dirceu, Deputado Federal pelo PT de São Paulo, entra hoje com uma representação no Supremo Tribunal Federal para recuperar o seu mandato. Ele está aqui na ponta da linha do Jornal da CBN. Bom dia José Dirceu.

JOSÉ DIRCEU: Bom dia Herótodo. Bom dia ouvintes.

REPÓRTER: qual é o núcleo central da defesa?

JOSÉ DIRCEU: que eu não tive direito de defesa. E que houve violações constantes do código do processo. Não vou entrar no mérito da minha cassação. Porque não há provas nenhuma da minha cassação, mas a Câmara tomou a decisão, eu não vou entrar no mérito, eu não estou pedindo uma liminar, quero através do meu advogado, que o Supremo julgue definitivamente essa questão, certo.

REPÓRTER: na sua opinião esse julgamento poderia acontecer de uma maneira definitiva a tempo de você se candidatar novamente nesse ano?

JOSÉ DIRCEU: eu não tenho como objetivo me candidatar esse ano, Heródoto. Da mesma maneira que eu disse que não queria mais participar da direção do PT. Eu tomei a decisão de recomeçar a minha vida política como cidadão, como advogado, como filiado e militante é o que eu estou fazendo. É trabalhando, advogando, estou prestando consultoria, tenho viajado. Estou em Madrid. Estou indo a Salamanca fazer uma Conferência sobre a integração da América do Sul e as relações com a União Européia, tenho viajado e tenho trabalhado para a reeleição do Presidente Lula. Essa é a minha agenda. Não tenho objetivo em me recandidatar, digamos, a deputado. E no ano que vem com nova Câmara com o novo Governo. Tenho recebido constantes apelos e apoios de muitas entidades, personalidades: intelectuais, artistas, militantes, parlamentares de vários partidos para iniciar uma campanha pela minha anistia na Câmara dos Deputados.

REPÓRTER: José Dirceu, já que você tocou na questão do próximo governo com essa decisão dessa verticalização, qual é a análise que você faz do quadro eleitoral, especialmente, do PT?

JOSÉ DIRCEU: Eu acredito que a candidatura à reeleição do Lula, atual Presidente, se fortalece a medida que o PMDB tende a não ter candidato, pela necessidade, porque é um partido regional e não um partido nacional, apesar de que é um dos maiores partidos do país. PMDB dificilmente lançará candidato a Presidente da República. E acredito que o Presidente poderá ter apoio da maioria do PMDB e formar, não uma aliança eleitoral, informal apenas, uma coalizão para governar o Brasil com o PMDB. Que é o que eu tenho definido, até porque, há um DNA de desenvolvimento nacional, popular, democrático comum entre PMDB e o PT que tem o apoio, acredito, do PSB, do PCdoB e do PL, mas acredito que o PMDB conformaria uma aliança para fazer por exemplo, Herótodo e ouvintes da CBN, a reforma política e administrativa. Precisa de uma reforma política, que se nós queremos acabar com o caixa 2, se nós queremos fortalecer os partidos a democracia no Brasil e o parlamento, nós precisamos da lista partidária mesmo que o eleitor possa movê-la. E precisamos de financiamento público e da fidelidade partidária e de reduzir os gastos de campanha, mas o de reduzir mesmo. Precisamos unificar as eleições no Brasil. As eleições a cada 2 anos e depois já que quase desde 82 estamos tendo as eleições democrática, pode se dizer, as eleições de 82 já foi o rompimento para as normas da ditadura. O país já tem maturidade para fazer um processo de mandato de 5 anos, a cada 5 anos eleições gerais. Eleições a cada 2 anos e reeleição. Está na hora do Brasil avaliar se isso realmente ajuda o país a se desenvolver. Que é o que interessa para todos nós.

REPÓRTER: José Dirceu, já que você citou a questão do caixa 2, o que você avalia o fato de o Congresso Nacional está liberando, está inocentando outros deputados acusados de caixa 2 como no caso da sessão de ontem à noite.

JOSÉ DIRCEU: Sim veja bem, eu não fui acusado de caixa 2. A acusação que tem contra mim, inclusive esses dias saiu aí na CBN mesmo, o jornalista Berval, um grande jornalista, disse que eu era o chefe da corrupção. Eu não era o chefe da corrupção e não há nenhuma prova que eu tenha qualquer vinculação com o mensalão e muito menos com o caixa 2. De qualquer forma o líder do PSDB – Juthai Magalhães, disse com todas as letras, o que o PSDB e o PFL pensam, e não ouvi de ninguém um protesto lá nos partidos, inclusive, não ouvi de alguns deputados de outros partidos que foram os principais incentivadores da campanha que não podia terminar em pizza. O que disse o Juthai Magalhães é que o caixa 2 é para ser multado porque é crime eleitoral. Caixa 2 não pode levar, não é um ilícito que leva a quebra de decoro. A cassação do mandato. Portanto a própria oposição que fez toda a campanha contra o PT, contra o governo. Agora disse para o país que o caixa 2 é crime eleitoral punível com multa. Então Heródoto, quando a oposição fala isso, significa que todo mundo vai ser absorvido. Acredito que o Pedro Correia foi cassado, se não me engano, por 4 votos apenas, se não tem 4 votos não dá 47, muito mais pelas relações pela posição dele do que pela questão como eu fui cassado, muito mais pelo o meu papel no PT e na história da esquerda no governo, porque realmente os deputados da Câmara sabem que eu não tive nenhuma participação nisso, até porque eles conviveram comigo nos 30 meses e todos eles sabem que eu se quer era o articulador político do governo, quem eu tinha deixado essa função em fevereiro de 2004. Portanto a câmara tomou uma decisão, que é algo inacreditável, me cassaram mesmo retirando a minha representação, mesmo o Roberto Jefferson sendo cassado por que não provou que existe mensalão, eu fui cassado e agora a câmara absorve os deputados. Eu não quero entrar no mérito se devia absorver ou não, porque eu não quero pré-julgar eu prefiro que a justiça apure. O que eu quero é ser investigado pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela Justiça. Se a justiça me condenar aí eu perco não só o mandato, perderia mais os direitos políticos. Eu não perdi os direitos políticos. Fiquei inelegível e agora os inquéritos terminam e eu não sou indiciado em nenhum inquérito porque não há nenhuma prova contra mim. Não é que não há prova, é que eu não tenho nenhuma responsabilidade no que aconteceu.

REPÓRTER: José Dirceu ainda em relação à questão do clima eleitoral, já que você citava aí o segundo mandato do Presidente Lula a promessa do Ministro Antônio Palocci à frente do Ministério da Fazenda prejudica essa caminhada do Presidente, vendo o desgaste que o governo está sofrendo em relação a essas acusações e tudo isso que está na imprensa?

JOSÉ DIRCEU: eu acredito que não. Eu acredito que o Presidente que é o senhor da decisão e o próprio Ministro Palocci. Não vejo porque ele deva sair, porque ou nós aguardamos no Brasil as investigações, os inquéritos, os processos porque se nós....denúncias e acusações, veja bem, Heródoto, denúncias de corrupção na Administração Pública Federal, ....não só é...político responsável. Agora daí dizer que o governo é um governo que montou um sistema de corrupção, que é o governo mais corrupto da historia. Mesma coisa com relação ao Ministro Antônio Palocci. Tem denúncias? Vamos apurar. Agora daí dizer que ele tem que se afastar do cargo, sendo que ele ocupa o cargo de Ministro da Fazenda, nós sabemos a importância que tem isso. Porque no fundo a oposição com as pesquisas voltou a carga com Paulo Okamotto, com o Fábio Inácio da Silva, o filho do Presidente, na questão da....de imunidade e também voltou a carga com a questão do Ministro Antônio Palocci com a CPI dos Bingos. Que é uma CPI que tem como objetivo desestabilizar o governo. Aliais, ela é ilegal e inconstitucional. Porque ela não investiga nada sobre bingos, aliáis, investigou o caso do Waldomiro Diniz e não encontrou nada que me relacionasse, a bem da verdade para lembrar disso também. Portanto eu sou totalmente favorável a permanência do Ministro Antônio Palocci, salvo que ele mesmo chegue a conclusão, como foi o meu caso, que cheguei a conclusão que junto com o Presidente, ele tomou a decisão , certo, e eu aceitei, de eu me afastar do governo. Acho que eu fiz bem, certo, porque eu precisava me defender e defender o PT e o governo. E o fiz.

REPÓRTER: Agora José Dirceu, no caso de um Ministro não é relevante se ele diz a verdade ou não, não importa sobre que assunto?

JOSÉ DIRCEU: é relevante, mas não ta provado que ele não disse a verdade. Não é porque uma testemunha diz que alguém não disse, certo, a verdade, que nós podemos dizer que isto tem que ser transitado e julgado. Veja no caso de Santo André, certo, um dos irmãos de Celso Daniel afirma que o Gilberto Carvalho disse a ele que ele levou uma mala de R$ 1.200.000,00. O Supremo Tribunal Federal, com a decisão que é histórica, porque de certa forma, forma jurisprudência, disse que isso era uma denúncia irresponsável e deixou praticamente a entender que havia objetivos políticos na denúncia. Porque não havia prova nenhuma. Porque o próprio suposto denúnciador nega. O país precisa ter regras, existem leis. Existem normas jurídicas. Ou nós respeitamos ou depois de 2 – 4 anos nós vamos nos arrepender. Porque isto amanhã é como a CPI dos bingos, é como a questão da quebra de sigilo. Eu tenho uma lista aqui de violações de sigilo que a oposição fez nestes 8 meses. Condenável, como é condenável, se houve a quebra de sigilo do Francelino. Agora a oposição abusou de quebrar sigilo e de certa maneira muitos setores da imprensa estimularam, certo, clamaram pela quebra de sigilo e expuseram o sigilo, começando pelo Presidente do Banco Central – Henrique Meireles, que o que fizeram com o sigilo dele e o meu, inclusive, porque o sigilo é transferido para a CPI. Ele não é aberto. Ele é só transferido para as autoridades competentes. No entanto meu sigilo fiscal, telefônico foi todo exposto e eu escrevi cartas para os jornais e nenhum meio de comunicação me deu razão. Agora eu acredito que é lágrima de crocodilo, é uma espécie de quase um cinismo nacional. Porque violou-se e é condenável. Ele deve ser punido pelo sigilo do caseiro, do Francelino, que é um cidadão e merece todo respeito, como eu merecia, como o Henrique Meireles merecia, mas é preciso dizer para o país, certo, que esta prática foi incentivada pela oposição, estimulada e praticada abertamente, inclusive, no meu caso, um deputado convocou uma coletiva depois de uma seção reservada, certo, e passou pra imprensa informações totalmente descabidas, que não tinha nenhum, além de quebra de sigilo, elas não eram verdadeira, porque a denúncia não era verdadeira, porque estava tudo explicado na operação que eu tinha feito com o partido dos trabalhadores. Explicado para Receita, explicado do ponto de vista da legalidade do país, dos impostos, da origem dos recursos do meu e do PT. Então não havia legalidade. Ele quebrou o sigilo, inclusive está respondendo por isso no....

REPÓRTER: José Dirceu, obrigado aqui pela entrevista.

JOSÉ DIRCEU: Eu que agradeço, Bom Dia!

Lançamento

A Annablume Editora e a Cooperativa Cultural da UFRN convidam para o lançamento do livro

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL, NEOPATRIMONIALISMO E HEGEMONIA POLÍTICA
(RN, 1995-2002)
de
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO DE ANDRADE


Local: Centro de Convivência do Campus Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Dia: 30 de março de 2006, quinta-feira
a partir das 10:30h
Natal-RN
Fone (84) 3211-9230







Este livro procura analisar os empecilhos políticos que limitaram a operacionalização do planejamento educacional no Rio Grande do Norte. Evidencia a prática dos agrupamentos políticos partidários que hegemonizaram a política neste Estado, focalizando o jogo de interesses particulares de tais agrupamentos no âmbito do sistema educacional. Foram privilegiados os temas: pressupostos fundamentais do planejamento educacional brasileiro, princípios neoliberais – adaptados e incorporados ao planejamento educacional – e as práticas neopatrimoniais dos agrupamentos políticos. A análise do primeiro tema permite compreender que o planejamento educacional brasileiro contemplou os elementos básicos fundamentais da estratégia neoliberal que visava reconfigurar o capitalismo. Quanto ao segundo, sua abordagem evidenciou as diretrizes educacionais que se relacionaram com o combate ao Estado de bem-estar e com a perspectiva de modernização da máquina administrativa estatal. Finalmente, a partir dos conceitos clássicos weberianos – recepcionados no Brasil por Raymundo Faoro e Simon Schwartzman – como patrimonialismo e burocracia racional-legal, focaliza os limites do planejamento educacional estadual. Nesta perspectiva, evidencia as práticas neopatrimoniais dos agrupamentos políticos que hegemonizaram o governo estadual norte-riograndense no interregno 1995-2002.

Friday, March 24, 2006

Escondam as crianças

Algumas regras de comportamento para petistas e simpatizantes:

1) Escondam as crianças, elas estão sendo filmadas. Caso uma delas faça menção de tirar meleca em público, rapidamente aplique-lhe uma certeira palmada para evitar o gesto obsceno;
2) Evite alimentos causadores de gases como: refrigerantes, feijão, frituras, pão, queijo, enlatados, carne vermelha, embutidos como lingüiça, presunto, salame e salsicha; pois, de suas ingestões, pode resultar uma explosão flatulenta captada pelos sistemas de som ambiente; e, bem sabemos, um peido acima dos decibéis permitidos pela oposição pode provocar um escândalo de imprevisível repercussão;
3) Cuidado com as manifestações de regozijo, contenha-se; aproveite as idas ao banheiro e sorria. Você pode estranhar nas primeiras tentativas, mas logo irá acostumar-se a fazer careta e, concomitantemente, sorrir, enquanto libera os mais pétreos bolos fecais;
4) Nunca!, em hipótese alguma!, libere, em público, qualquer manifestação infantil, por mais lúdica que possa parecer. Escondam as crianças, principalmente aquelas que insistem em sobreviver dentro de cada um de nós.

Solicitamos a colaboração de todos a fim de elaborarmos uma completa Cartilha de Comportamento para Petistas e Simpatizantes (Carcompes).

Fernando Soares Campos




Bel: Lí e gostei de sua resposta à Hippolita (não sei se é assim que escreve). Quando uma mulher, Heloisa Helena, pula (ou dança) com os tucanos e pefelistas pode. Uma mulher que se diz de esquerda comemorando com a direita.
Incrível! Veja a foto que a mídia não mostra e não condena. Já uma petista comemorar a inocência de um petista mereceu destaque e comentários sarcárticos e humorísticos nos canais de televisão. Dois pesos e duas medidas. Por aí se vê que a campanha eleitoral deste ano vai ser uma apelação. Pode aguardar.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE, jornalista em Mogi Guaçu

Lúcia Hippolito e a dança da deputada Angela Guadagnin

Me senti no direito e no dever de escrever a respeito do comentário feito por essa senhora Lúcia Hippolito, que se apresenta como cientista política, sobre a dança da deputada petista Angela Guadagnin, no plenário da Câmara.

Até porque, ela cita as mulheres para dizer que ficou envergonhada ao assistir a cena reproduzida durante todo o dia de ontem pela internet. Classifica as imagens de dantescas e diz que o plenário da Câmara não é lugar para tais manifestações chegando inclusive a perguntar se não seria isso quebra de decoro parlamentar.

Usa a luta das mulheres por um lugar melhor na sociedade, usa as nossas conquistas alcançadas com muita determinação, força, coragem e por que não dizer, muitas vezes com muito suor e lágrimas, como forma de incitação contra a deputada Ângela Guadagnin.

Não me lembro da senhora Lúcia Hippolito demonstrando tanta indignação quando os deputados Arthur Virgílio e ACM Neto disseram que dariam uma surra no Presidente da República, também não me lembro dessa senhora se envergonhar tanto quando o senador Jorge Bornhausen disse que queria se ver livre dessa “raça”, numa clara demonstração de racismo e fascismo contra o povo representado pelo governo do PT.

Também não me lembro dessa senhora condenar com tanta veemência as cenas de socos e pontapés protagonizadas várias vezes pela direita no plenário da Câmara, nem pedir a quebra de decoro de nenhum desses parlamentares brigões.

A falta de ética no jornalismo também merecia ser alvo de sérias punições e certamente a senhora Lúcia Hippolito considera a sua postura parcial e direitista muito ética, considera a sua participação vexatória no programa do Jô à época do estouro do escândalo do suposto mensalão, rindo, galhofando e fazendo piada, principalmente do ex-ministro José Dirceu, como uma atitude perfeitamente coerente com seus princípios éticos pessoais e profissionais.

Também sou mulher e em momento algum me senti agredida com a dança da deputada, que a meu ver comemorou a absolvição de um companheiro que ela considerava inocente. Por que uma manifestação de alegria deve ser interpretada como quebra de decoro? A quem interessa transformar a alegria em um sentimento negativo? Próprio de pessoas corruptas e irresponsáveis.

Se a dança sempre foi utilizada nas mais variadas culturas, em templos sagrados desde os tempos mais remotos, para celebrar, cultuar, etc. Porque não pode ser usada no plenário da Câmara?

Essa senhora também ainda insiste na tese do mensalão, que definitivamente não ficou comprovado e continua se referindo aos deputados envolvidos, mesmo os que já foram inocentados como mensaleiros.

E o que é mais grave: incita a população a votar nulo. O que será que a jornalista pretende com esse discurso? Instaurar o anarquismo no país? Negar as instituições democráticas? Fazer o cidadão acreditar que o voto não é dentro de uma democracia um instrumento de transformação da sociedade?

Que tipo de jornalismo é esse? Cheio de rancor, falso moralista, tendencioso e carregado de interesses pessoais? Que espécie de jornalismo é esse existente no Brasil, que não tem por princípio levar a informação à sociedade, mas se alimenta de intrigas e denúncias irresponsáveis? Parafraseando Renato Russo: “Que país é esse”?

Que país é esse em que um caseiro de caráter duvidoso afronta um ministro de estado, desafia a Polícia Federal, possui 35 ou 38 mil em sua conta bancária e admite ser o dinheiro fruto de uma extorsão, por ele feita a um suposto pai e mesmo assim esse caseiro é considerado uma pessoa honesta? Fosse ele o dono da casa e todos esses antecedentes também o colocariam no rol das pessoas que não inspiram confiança, não é a condição social que determina o caráter de uma pessoa.

Não vamos querer agora entrar na onda da senhora Lúcia Hippolito e começar a ter vergonha de rir, dançar e celebrar a vida quando tivermos vontade. Os anos da repressão já se foram, vivemos em um país livre e não podemos cercear as manifestações de sentimentos positivos como a alegria.

Bel


Samba da vergonha

Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:

"Escândalo, escárnio, deboche, desrespeito, pasmo.Nenhum destes substantivos parece suficientemente abrangente para classificar a cena grotesca acontecida na madrugada de ontem na Câmara dos Deputados.

Uma deputada federal foi protagonista de uma das cenas mais inacreditáveis jamais acontecidas dentro do prédio do Congresso Nacional.Ao final da votação que absolveu mais um deputado mensaleiro do PT, a deputada petista Angela Guadagnin pôs-se a dançar de alegria com a absolvição do companheiro.

Ontem, durante o dia inteiro essas imagens dantescas correram o país pela Internet.Mas o principal sentimento foi mesmo de vergonha.

As mulheres vêm lutando há décadas para conquistar um lugar ao sol. Trabalhando, dando duro, estudando, prestando concursos rigorosíssimos, submetendo-se a eleições, enfim, batalhando para serem levadas a sério.

E aí aparece uma deputada, ex-prefeita de uma importante cidade paulista, portanto não se trata de uma marinheira de primeira viagem.E a deputada se põe a sambar, enquanto mais uma absolvição estapafúrdia acontecia no plenário da Câmara dos Deputados.

No Conselho de Ética da Câmara, a deputada petista tem votado sistematicamente pela absolvição de seus companheiros. Votou pela cassação só dos ex-deputados Roberto Jefferson e Pedro Correia. Para todos os outros, pediu absolvição.OK, faz parte do jogo. A deputada está no seu direito.

E é digno de respeito o fato de ela se expor, pronunciar seu voto em voz alta e não ter nenhum problema em apoiar companheiros envolvidos nos escândalo do mensalão.Mas o plenário da Câmara não é lugar para danças. Talvez numa churrascaria, num pagode ou num salão de baile, a deputada pudesse dar vazão a seus sentimentos de alegria com a absolvição do companheiro.Mas nunca no plenário da Câmara.

O que vai acontecer no dia em que a deputada estiver muito triste? Vai atear fogo às vestes ou cortar os pulsos dentro do plenário da Câmara?Francamente, certas pessoas, sobretudo certas autoridades, perderam inteiramente a compostura, perderam inteiramente o pudor.

Aliás, fica aqui a pergunta: este tipo de comportamento não configura quebra do decoro parlamentar?Por essas e outras, cresce a campanha pelo voto nulo ou pela renovação total da Câmara dos Deputados.

É uma pena."

Lúcia Hippolito é ruim da cabeça ou doente do pé

O povo SEMPRE SABE E SEMPRE SABERÁ MAIS do que a Lucia Hippólito e o Estadão e a Folha de S.Paulo e Veja [risos muitos]. O povo sempre sabe mais, SEMPRE!

Quem, no Brasil civilizado, aceitará como se fosse 'jornalismo', a idéia fraca (e chata, tipo estraga-festa) segundo a qual alguém 'não poderia' bailar uns passinhos de dança na hora do gol?!

Quem, no Brasil civilizado, aceitará como se fosse 'jornalismo', a idéia fraca (e chatíssima!) segundo aqual alguém 'não poderia' bailar uns passinhos de dança na hora em que a democracia consegue derrotar um Ônyx-o-Horrível?! [risos muitos]

Pirô, D. Lucia?! Pirô, D. Lillian?!
Fala aí, Vila Isabel! Fala, Mangueira! O Uol News e a D. Lillian Witte-Fibe e a Lucia (argh!) Hippólito querem PROIBIR a dança no Brasil!

Segue o baile! Xô, tristeza!
_____________________________________________________________

Quem espinafra uns passinhos de dança SEMPRE MOSTRA que é ruim da cabeça ou doente do pé[risos].

Ontem, a Lucia (argh!) Hippólito, 'ensinava' à D. Lillian Witte-Fibe, que "plenário não é lugar de dançar".

NUNCA ninguém ouviu nenhuma dessas duaszinhas 'ensinar' o cidadão-eleitor que "jornal não é lugar para fazer propaganda CONTRA O MEU VOTO DEMOCRÁTIICO".

A verdade é que, a cada dia que passa, essa tucanaria mais está sendo OBRIGADA a mostrar a cara!
Ver D.Lillian Witte-Fibe a repetir as 'aulas' de Lucia (argh!) Hippólito, ambas querendo PROIBIR O MEU SAMBINHA é ÓTIMO para a democracia, porque o cidadão eleitor brasileiro, assim, já identifica, logo, de vez, duas das mais ativas anti-jornalistas brasileiras, em plena ação de propaganda antidemocrática e CONTRA O MEU VOTO DEMOCRÁTICO, no UOL News.

Ouvidas/lidas uma vez... TODO MUNDO logo aprende a evitá-las para sempre.

Por exemplo: nem o PROGRAMA DO JÔ agüentou a Lucia Hippólito, a Lillian Witte-Fibe, a Ana Maria Tahan! [risos muitos]

Houve CENTENAS DE MILHARES DE CARTAS de internautas reclamando das tais "Meninas do Jô".

Nós já conseguimos tirar a Lucia Hippólito do Programa do Jô -- porque o Jô NÃO É BOBO!
As "Meninas do Jô" FORAM DEMITIDAS pelo nosso protesto.

Contudo... se a Lucia Hippólito não se metesse, agora, a querer PROIBIR O MEU BAILE... comé que eu ia descobrir que a Lucia Hippólito, além de ser contra o MEU VOTO DEMOCRÁTICO, também é contra o meu baile?!

Assim -- porque esse 'jornalismo' antidemocrático está OBRIGADO a mostrar a própria cara, a democracia avança e o leitor brasileiro vai-se vacinando contra esse tipo de frenesi tucano golpista brucutu.

Onde já se viu alguém querer proibir que EU DANCE na hora do gol?

D. Lillian, agora, pirô-de-veiz!

Atrás de cada espinafrador-maluco de canto-dança-e-alegria democrática, SEMPRE ESTÁ um fascista cinzento, soturno, emburrado, cintura dura e alma viciada e negra, incompetente para viver a plena alegria democrática.
Pessoalmente, acho uótimo que eles espinafrem assim, tão violentamente, um dancinha, um movimento espontâneo e belo e um simples gesto de sincera alegria democrática.

Nós continuaremos a bailar, lindos, livres, leves, soltos (e eleitos!), cada dia mais alegremente, mais livremente, mais democraticamente.

E eles continuarão, chatííííííiiiiiiiiiissimos, tentando estragar a nossa festa. Vai ser assim, todos os dias, até a reeleição de Lula.

Depois da reeleição de Lula, podem anotar aí: muitos desses 'jornalistas' que hoje são pagos para criar confusão no baile democrático do Brasil democrático, estarão en-co-lhi-di-nhos, falando beeeeeeeeeeeeeeeem fininho.

É dar tempo ao tempo e NUNCA PARAR DE CANTAR E BAILAR.

No pasarán! Lula 2006

Alguém aí esperava o quê?! Que Alckmin entendesse de samba-de-roda? Que Bornhausen fosse mestre capoeirista? Que FHC fosse bom de cintura? Esses caras sempre foram suuuuuuuuuuuuuper ruins de pé! Esses caras sempre foram muuuuuuuuuuuuuuito ruins de dança.

Levaram tábua nas eleições passadas e levarão tábua outra vez, em outubro.
De raiva, estão bufando aí, espinafrando até a festa do gol! [risos muitos]

A cada dia, TUDO aparece mais. Viva a democracia. Lula 2006!
Segue o baile!

Caia Fittipaldi

As oportunidades únicas da TV digital

José Dirceu


Ex-chefe da Casa Civil

Pode parecer para muitos que, no Brasil, a introdução da TV digital é mais uma daquelas conquistas tecnológicas que vai melhorar - e muito - a qualidade do sinal de tevê que se recebe em casa. Será o fim dos chuviscos e dos fantasmas, abrindo, além disso, as portas para novos serviços interativos.

Mas a TV digital não é só isso, nem para o telespectador nem para a nação. Ela traz oportunidades únicas para se criar uma política industrial que contemple toda a cadeia da produção de conteúdo, para a qual o país já demonstrou talento e capacidade. Que começa no projeto de semicondutores - segmento em que o país acumulou competência, nos anos 80, e que perdeu por falta de continuidade de políticas públicas consistentes -, na sua produção para abastecer a indústria eletroeletrônica, hoje só montadora, na indústria de software para o desenvolvimento da produção de conteúdos para as diversas mídias, e na própria produção dos conteúdos.

Ela traz, ainda, oportunidades de se avançar na convergência das redes, o que resulta em ganhos para o consumidor. Por quê? Porque usar as diferentes redes (telefone fixo, celular, TV por assinatura) para, também, distribuir conteúdo e acelerar a interatividade, inclusive com as redes de tevês, é melhorar o investimento já feito pelas empresas e pelos consumidores que, de alguma forma, pagaram por isso.

Ou seja, é caminhar em direção a um futuro inexorável e tirar o melhor partido do que a convergência tecnológica nos oferece. Ter mais redes para oferecer conteúdo é democratizar o acesso à distribuição, fugir da ditadura dos oligopólios e abrir espaço para as produções regional e alternativa.

Como não permitir que novos canais privilegiem a produção cultural estrangeira? Criando regras de distribuição de conteúdo em que a produção e o interesse nacionais estejam preservados. Impedir que redes controladas por capitais estrangeiros, como a maioria das operadoras de celulares, distribuam conteúdo é impedir o uso eficiente da infra-estrutura já instalada. No lugar de proíbi-las, temos que criar, no Congresso, regras para definir critérios na distribuição. Isso é fazer política pública em defesa da cultura e da diversidade nacionais.

No mais, é jogo de palavras para enganar a sociedade brasileira, pois uma emissora controlada por capitais nacionais também privilegia a distribuição de conteúdos estrangeiros. O problema não está no controle da infra-estrutura, mas na política de distribuição de conteúdo.

Por fim, a introdução da TV digital nos traz a possibilidade de ampliar o atual número de emissoras em operação. Consideramos que as já instaladas têm o direito à faixa de espectro de 6 MHz para prover a transmissão digital e a prosseguirem em seus negócios. Mas a digitalização deve observar o uso eficiente do espectro para viabilizar novos canais.

Para consolidar a democracia, precisamos democratizar as comunicações, deixando entrar novos agentes que contemplem as produções regional e comunitária, nos espaços comerciais e públicos, abrindo, também, espaço para um canal público, a exemplo do que acontece na Inglaterra.

Comunicação é um negócio - e como tal tem que ser respeitado - mas é, também, o espaço de manifestação das forças organizadas da sociedade. A TV digital nos impõe essa reflexão. E dela não podemos fugir.

É importante, ainda, destacar que o governo Lula tratou a questão da TV digital sob o ponto de vista dos interesses do Brasil: criou o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD); definiu diretrizes em decreto; estimulou a pesquisa em universidades e centros de desenvolvimento. O resultado, com investimento de mais de R$ 50 milhões, é palpável. Foram criadas condições para agregar competência tecnológica em qualquer dos padrões que vier a ser escolhido.

O governo vem conduzindo, com competência, as negociações com os padrões estrangeiros. É uma discussão de contrapartidas, em que conta o interesse nacional em termos de políticas industrial e tecnológica. O próximo passo é usar a oportunidade histórica da TV digital para fazer política pública de comunicações, em que os interesses de grupos sejam subordinados aos interesses da sociedade.

Thursday, March 23, 2006

"Vou continuar conspirando", admite Dirceu

19:21 23/03

Renata Agostini, especial para o Último Segundo

SALAMANCA - O ex-ministro e ex-deputado, José Dirceu, falou há pouco sobre o tema Integração da América Latina, em palestra na Universidade de Salamanca, na Espanha. Cercado por uma platéia de estudantes brasileiros, o ex-chefe da Casa Civil comentou a crise política, a reeleição do presidente Lula e admitiu que irá continuar "conspirando".



Leia abaixo o texto




Dirceu disse estar se adaptando a uma nova realidade, já que teve seus direitos políticos cassados até o ano de 2016. Ele afirmou que seguirá advogando, dando palestras pelo mundo, mas não deixará de atuar nos bastidores.
"Vou continuar conspirando", disse. "É uma ilusão pensar que, por não poder ser deputado, não posso fazer política. Fiz política durante dez anos na clandestinidade".
Dirceu fez duras críticas à imprensa brasileira, acusando-a de ser parcial. "Não foi a maior crise da minha vida, mas uma das piores. A mídia no Brasil sempre tomou partido e derrubou governos e dessa vez não foi diferente".
Sobre as eleições deste ano, ele afirmou que a reeleição de Lula não será fácil. “O Alckmin é um candidato forte. Tem muito apoio em São Paulo, apesar de não ter muita entrada no Rio e em Minas Gerais. Lula também sabe que a disputa será difícil”, disse.
Dirceu insistiu em diferenciar o mandato de Lula do governo de Fernando Henrique Cardoso e classificou este tipo de comparação como um erro gravíssimo. "Nao há continuísmo. É como água e vinho. PT e PSDB têm projetos diferentes, visões de Brasil diferentes. Não têm as mesmas origens, nem representam as mesmas classes sociais".
Ele defendeu ainda a organização de um movimento “Pró-Lula”, que una sindicatos, intelectuais e representantes da população para apoiar o segundo mandato do atual presidente.
Dirceu disse acreditar que intelectuais brasileiros como Chico Buarque, que historicamente estiveram ao lado do PT, não deixarão de apoiar o partido nas próximas eleições.

José Dirceu pede que STF anule sessão da Câmara em que foi cassado

Agencia Brasil


18:46 23/03


Brasília – O ex-deputado petista José Dirceu entrou hoje (23) com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo para que seja anulada a sessão do plenário da Câmara dos Deputados em que ele foi cassado e, assim, voltar a exercer seu mandato.
"Vou continuar conspirando", admite Dirceu



Leia abaixo o texto


Além disso, a defesa de Dirceu, representada pelo advogado José Luiz Oliveira Lima, alega que o processo legal, na Câmara, não foi respeitado, porque não deu o direito do ex-deputado se defender.

Na ação, a defesa argumenta que o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que defendia a cassação, aprovado no plenário da Casa no dia 30 de novembro, tinha conteúdo diferente daquele que foi votado no Conselho de Ética. Dirceu foi acusado de quebra de decoro parlamentar, sob a acusação de chefiar o suposto esquema do mensalão, a distribuição de dinheiro pelo PT a parlamentares da base aliada. O processo contra Dirceu, na Câmara, foi aberto depois que o PTB, do deputado Roberto Jefferson, entrou com representação no Conselho, em agosto do ano passado.

Em outubro, o Conselho aprovou o relatório de Delgado que pedia a cassação de Dirceu. Seu advogado entrou com recurso no STF, no mesmo dia, requerendo que a votação fosse anulada pelo fato da testemunha de acusação – a presidente do Banco Rural, Kátia Rabello – ter sido ouvida pelo Conselho depois das testemunhas de defesa. Os ministros do STF deferiram a liminar em parte: mantiveram a votação, mas determinaram que todas as citações de Kátia Rabello no relatório do deputado Júlio Delgado fossem retiradas. Com a decisão, Delgado retirou os trechos do depoimento de Kátia Rabello e enviou novo relatório ao plenário.

Na ação impetrada hoje no STF, a defesa alega que o relatório modificado teria que ser submetido novamente ao Conselho, antes de seguir para votação no plenário. "Admitindo a hipótese de que não teria que voltar para o Conselho de Ética (o novo relatório), entendemos que o novo relatório do deputado Júlio Delgado deveria ter sido publicado, para que a defesa tivesse acesso a ele e, assim, fizesse a defesa no plenário. E isso não foi feito, apesar de termos requerido antes ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo", explicou José Luiz Oliveira Lima.

Dirceu: DNA do PMDB é como do PT

Ex-ministro e ex-deputado comemora 60 anos com festa para 200 pessoas em São Paulo e compara os dois partidos


Juliana Rocha - JB



Ex-todo-poderoso do governo Lula, o ex-deputado José Dirceu (SP) comemorou na noite de segunda-feira o aniversário de 60 anos em uma cervejaria do Itaim, em São Paulo, mostrando que continua atuante na política e no PT. Ele afirmou à rádio CBN que o partido terá o apoio do PMDB nas eleições deste ano.
– O PT não ficará sem o PMDB. Nós temos até julho para decidir isso. Grande parte do PMDB vai apoiar o presidente Lula, porque o DNA do PMDB é parecido (com o do PT). Existe uma base próxima – comentou Dirceu, ao lado do escritor Fernando Morais – filiado ao PMDB e co-autor do livro do ex-deputado sobre o período em que esteve na Casa Civil.

Três meses depois de cassado, Dirceu tenta reaver o mandato. O advogado José Luiz de Oliveira Lima entrará amanhã com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular o processo de cassação. O advogado não quis informar qual será a argumentação. Mas é provável que compare com o caso do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que livrou-se ontem no Conselho de Ética, da perda de mandato porque não exercia o cargo no Legislativo quando usou o valerioduto. Quando denunciado, José Dirceu era chefe da Casa Civil.

Na festa, Dirceu também opinou sobre o escândalo envolvendo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

– Eu, como cidadão, apóio a decisão do presidente.

O ex-ministro recebeu cerca de 200 convidados na festa. Ele entrou na cervejaria pela porta dos fundos para evitar o encontro com os humoristas do programa Pânico na TV, da Rede TV!, porque um deles estava vestido de Roberto Jefferson (PTB-RJ), o ex-deputado delator do mensalão.

Wednesday, March 22, 2006

Dirceu pede mandato de volta ao STF

Blog do Josias - Folha de SP

O ex-deputado José Dirceu vai ingressar nesta quinta-feira com um recurso para tentar reaver no STF o seu mandato, cassado em novembro de 2005 pelo plenário da Câmara. A ação será protocolada no Supremo às 14h desta quinta-feira pelo advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima.



No recurso, o ex-chefe da Casa Civil pede explicitamente ao STF que restitua o seu mandato. O advogado de Dirceu disse ao blog que a cassação de seu cliente foi um “fuzilamento político”. Para reforçar a tese de que o deputado sofreu perseguição, ele menciona no recurso a forma distinta com que a Câmara tratou outros parlamentares envolvidos no chamado escândalo do mensalão, absolvendo-os em plenário.



Na entrevista que dera no dia seguinte à cassação, Dirceu dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Mudou de idéia, conforme havia sido noticiado aqui em 27 de fevereiro. Agora avalia que o ambiente político lhe é favorável. Seus advogados convenceram-no, de resto, de que o recurso tem boas chances de prevalecer no campo jurídico.



O advogado Oliveira Lima não incluiu na ação nenhum pedido de liminar. Ou seja, o caso será julgado em termos definitivos, mediante análise do mérito. O ministro que for sorteado para receber a causa pode julgar sozinho ou levar o assunto para uma decisão do plenário do Supremo.



O blog conversou na manhã desta quarta-feira com um ministro do STF. Ele disse que considera difícil que Dirceu venha a ter êxito no Supremo. Esclareceu que falava em tese, sem conhecer o teor da ação.

Heloísa Helena: "Meu Amigo Terrorista"



por Gabriel Castro em 17 de março de 2006

Resumo: A senadora teria muito a explicar, fosse este um país sério. Como não é, ela prefere calar-se. E fica tudo por isso mesmo.

© 2006 MidiaSemMascara.org

Em outubro, o país vai mais uma vez escolher seu presidente. Os pré-candidatos já fazem o possível para ter o máximo de exposição. Obviamente, há coisas que eles nunca contariam. Acostume-se com isto: nenhum político é confiável.

Há algumas semanas, o PSOL apresentou-se oficialmente à comunidade da UnB. Fiz a cobertura do evento (http://cacom.blogspot.com/2006/01/psol-na-unb.html), junto com os estudantes Marco Prates e Vitor Freire. Consegui falar com a senadora Heloísa Helena. Ela não quis conversar na hora, mas passou-me o número de seu celular. Liguei para a senadora e acertei uma entrevista com ela: eu enviaria as perguntas por e-mail. A equipe do Blog do CACOM discutiu a respeito e, então, enviamos as perguntas: uma sobre o PT, duas sobre a universidade pública e uma sobre a posição ideológica do PSOL. A quinta pergunta, a última, era a seguinte:

"A senhora e seus companheiros de partido têm sido criticados por serem colegas de Achille Lollo, que foi condenado por assassinato na Itália. Até onde é possível separar a vida pessoal da militância política de cada um, na opinião da senhora ?"













Lollo hoje




Achille Lollo é italiano. Em 1973, seu país vivia os Anos
chumbo e ele militava no Partido Operário. Num episódio que chocou a Itália, Lollo e dois companheiros de partido jogaram 5 litros de gasolina por baixo das entradas do pequeno apartamento onde Mario Mattei, sua mulher e seus seis filhos moravam na rua Bibbiena, no bairro operário de Primavalle em Roma. E atearam fogo. Mattei trabalhava como gari e era secretario da seção do MSI (Movimento Social Italiano, de direita) no bairro. O casal conseguiu escapar, junto com quatro filhos. Mas Virgilio, de oito anos, não conseguiu sair de seu quarto. Seu irmão Stefano, 14 anos mais velho, tentou salvá-lo. Ambos morreram queimados.





A casa de Mattei após o incêndio




O filho mais velho de Mattei, durante o incêncio, ainda vivo vivo.














O atentado ficou conhecido como Rogo di Primavalle (incêndio de Primavalle). Em 1987, Achille Lollo e dois companheiros de partido foram julgados e condenados a 18 anos de prisão. Porém, Lollo fugiu da Itália para, anos depois, reaparecer no Brasil. Em 1993, o governo brasileiro se negou a extraditá-lo e ele vive até hoje no país. Em 2004, Achille participou, junto de Heloísa Helena, da fundação do PSOL, partido do qual é um dos principais ideólogos. Não há notícia de que algum dirigente da legenda se incomode com sua militância. A senadora critica o presidente Lula por ser aliado de José Dirceu. Nada mais justo do que perguntar a ela sobre sua cooperação com Achille Lollo.

Lollo, na época do atentado







Mas seus assessores não pensam da mesma forma: depois de muitas tentativas, consegui ser respondido. Não da forma que esperávamos:
"Este jornal é realmente da UNB? E você é o editor?O publico alvo desde jornal são estudantes, funcionários e professores?Agora o seu público conhece o Achilles, e que ele tem haver com a Senadora?O seu Público sabe quem é Olavo de Carvalho?Assim fica difícil agente fazer alguma coisa". (os erros de escrita originários da Assessoria da senadora foram mantidos)
Olavo de Carvalho é articulista de alguns jornais de grande circulação. Ele critica pesadamente a senadora e seu partido, inclusive por causa da aliança com Achille Lollo. Mas eu não citei Olavo de Carvalho na entrevista e ninguém precisa concordar com ele para exigir respostas da senadora: uma breve pesquisa na Internet basta para se encontrar informações sobre o caso Mario Mattei.

Então, respondi à Assessoria:

"Certamente a maioria do meu público não conhece o senhor Achille e isto é até um fator que reforça a importância desta pergunta; a senadora é presidente do partido e candidata à Presidência daRepública; Achille Lollo é não só colega de partido, como foi co-fundador e parceiro militante da senadora. Sem dúvida a relação existe.

"(...)"

Não sei se, por sermos estudantes e por escrevermos para um jornal vinculado ao Centro Acadêmico (embora nem eu nem a maioria dos repórteres sejamos membros do CA), os senhores esperavam que fôssemos apenas elogiar a senadora e deixá-la discursar, algo que de fato ela faz bem. Mas definitivamente, não é o tipo de proposta que nós buscamos.

"(...)"Não vou retirar esta pergunta e continuo esperando que a senadora cumpra o combinado e mande as respostas. Mas se a incomoda a pergunta 5, não precisa responder. Tenho certeza de que ela sabe que este tipo de incômodo é apenas um indício de que vivemos numa democracia, e que mal seria se isso nunca acontecesse"

Esta mensagem não foi respondida. A equipe do Blog decidiu, então, esperar mais uma semana pelas respostas da entrevista. Eu enviei uma mensagem ao e-mail da senadora para informá-la do prazo. Escrevi:

"(...) aviso que (...) vamos colocar no ar a matéria, com ou sem as respostas. Não é uma ameaça, é só um aviso."

Desta vez, a própria senadora respondeu. E pôs em dúvida sua capacidade de interpretação: ela entendeu pelo contrário o que eu disse. E, claro, não perdeu a oportunidade de usar seu discurso de perseguida:

"(...) Ameaça?? Acha V.Sa. que eu tenho medo de alguma coisa??? Passei a vida como sobrevivente tendo que engolir meus próprios medos, entendeu???"

Ainda respondi, explicando o mal-entendido. Mas completou-se o prazo que estipulamos e a senadora (e sua Assessoria) nada mais disseram. As respostas da entrevista não chegaram. Conforme o nosso compromisso, estamos publicando este esclarecimento.

Por que será que a senadora, propagadora tão insistente da ética e da transparência, não se sentiu à vontade para responder à pergunta sobre Achille Lollo? Fosse esta uma acusação falsa e sem sentido, com certeza ela não se preocuparia em responder. Mas preferiu se esquivar. Achille matou duas pessoas e foi condenado a 18 anos de prisão. Isso são fatos, não são produtos da opinião do Blog. Que tipo de pessoa não se incomodaria ao ser acusado de aliar-se a um assassino de crianças? A senadora Heloísa Helena, ao omitir-se, dá-nos o direito de fazer todo o tipo de suposição (inclusive as mais graves. Principalmente, aliás).

Em 2003, o crime de Achille Lollo completou 30 anos e, pelas leis italianas, prescreveu (sua pena deixou de ter efeito). Entretanto, familiares das vitimas e grupos políticos italianos recolheram assinaturas e pressionaram a Justiça, que no ano passado declarou inválida a prescrição do crime. Ou seja: Lollo ainda tem uma pena de 18 anos para cumprir na Itália. Contudo, continua livre no Brasil (a leniência da Justiça brasileira não é novidade. Vide o caso Ronald Biggs).

O abaixo-assinado









Heloísa Helena vai se candidatar à Presidência da República. Tomara que seja mais transparente na campanha do que demonstrou ser conosco. Para mim, já não há dúvidas: quando um entrevistado foge e não responde a uma pergunta, sem querer ele diz muito mais do que se houvesse respondido.
Até o fechamento desta matéria, a senadora não enviou as respostas.

Nota: Na matéria "Heloísa Helena: 'Meu amigo terrorista'", as aspas sobre a expressão "meu amigo terrorista" não significam palavras da senadora. É um recurso utilizado pelo repórter para expressar ironia.

Links relacionados:
Relato do ataque à casa dos Mattei (em português):
http://www.italiamiga.com.br/noticias/artigos/quello_spaventoso_rogo_di_30_ann.htm
Cronologia do caso Mattei Fratelli (página em italiano):
http://redazione.romaone.it/4Daction/Web_RubricaNuova?ID=63379&doc=si
Páginas cobrando Justiça para os assassinos dos irmãos Mattei (em italiano) :
http://www.azionegiovani.org/modules.php?name=News&file=article&sid=35
http://www.lisistrata.com/2005politicainterna/002vergognalatitanti.htm
Um dos artigos de Achille Lollo no site oficial do PSOL:
http://www.psol.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=37&Itemid=27
Artigo de Achille Lollo no site do PSOL de São Paulo:
http://www.psolsp.org/?id=548&PHPSESSID=4b7a28a8cbbc069dcfe0c723d4fa4a43
Publicado pelo Blog informativo do Centro Acadêmico de Comunicação da Universidade de Brasília.



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Tuesday, March 21, 2006

Alckmin, candidato dos grupos financeiros

Jasson de Oliveira Andrade

Os serristas reclamavam que Alckmin não recebia críticas da mídia. Por esse motivo era bem avaliado. Afirmavam ainda que o mito de bom administrador era apenas mito e não a realidade. Escolhido como candidato dos tucanos à presidência contra, principalmente, Lula, o Chuchu, como ficou conhecido, continua a ser badalado pela imprensa escrita e falada. A mídia não o critica. Pelo contrário, o endeusa. De agora em diante, ele se tornará conhecido, principalmente nos programas políticos. Aí os eleitores vão conhecer a verdadeira face dele e não apenas essa vendida pela imprensa.
Um jornal de Mogi Guaçu, em Editorial, comentando a escolha de Alckmin, diz que, “ao contrário de Lula, (Alckmin) não está com o nome vinculado a qualquer esquema de corrupção”. Não é bem assim. O governador, por ter maioria na Assembléia, conseguiu impedir as CPIs que iriam vasculhar a corrupção em seu governo. São cerca de 69. Um número enorme. Enquanto no governo federal temos três CPIs, no governo do Estado nenhuma.Entretanto, na campanha, as acusações impedidas de serem investigadas e não comentadas na mídia serão conhecidas no Brasil.
Os escândalos abafados serão expostos. Existem denúncias gravíssimas. Não irei expô-las, porque o espaço é pequeno e terei que tratar de outros assuntos. Relatarei apenas uma. Na Folha (16/3), essa notícia do jornalista José Ernesto Credendio: “Relatório da Controladoria Geral da União apontou que o governo de São Paulo fez compras com preços superfaturados e firmou contratos irregulares com verba repassada pela União para a aquisição de merenda escolar e a distribuição de material didático.
O órgão ainda levantou indícios de irregularidades em licitações feitas pelo Estado”. O governo estadual contestou as acusações. O mesmo jornal guaçuano publicou artigo do deputado Romeu Tuma Júnior, deputado estadual (PMDB-SP), filho do senador alckmista Romeu Tuma (PFL), sob o título “A quem interessa a manutenção dos caça-níqueis?”. Após dizer que o governador vetou projeto dele – já aprovado pela Assembléia Legislativa – que proibia a máquinas caça-níqueis em bares e restaurantes do Estado, o deputado afirmou: “Ao dizer não ao projeto que proíbe os caça-níqueis, Alckmin volta a dar carta branca para os empresários do jogo, os contraventores, tradicionais financiadores de campanhas eleitorais.” Romeu Tuma Júnior finaliza assim o seu artigo: “Alckmin prova que não tem compromissos com combate à corrupção, à degradação familiar, nem com a violência doméstica e segurança pública. Azar do Brasil. Essas pessoas, que são vítimas da contravenção, com certeza não pensarão duas vezes na hora de decidir em quem votar”.
O senador Mercadante leu o artigo na CPI dos Bingos, cobrando: “Esta CPI investiga tudo menos os bingos e caça-níqueis. Vamos fazer esse debate, tomar posição, ou a CPI vai fingir que não está vendo?” Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o ACM, bateu-boca com Mercadante. Como a oposição tem maioria na CPI dos Bingos, o assunto morreu. Eles agora estão interessados com o caseiro que acusou Palocci, inclusive em casos íntimos, tornando-se o grande herói da oposição!
O conservadorismo de Alckmin faz com que ele tenha o apoio dos empresários, principalmente dos banqueiros. O ex-deputado Emerson Kapaz, que é a “ponte” entre Alckmin com o empresariado, ofereceu em agosto um jantar para o governador e 15 empresários de peso. Segundo a Folha (19/3), “à mesa, representantes de vários setores da economia, desde os banqueiros Roberto Setúbal (Itaú), Fábio Barbosa (ABN Amro Real) e Pedro Moreira Salles (Unibanco) até João Pedro Gouveia Vieira, presidente do Conselho de Administração do Grupo Ipiranga”.
Nesse jantar não poderia faltar João Roberto Marinho (vice-presidente das Organizações Globo). Em declaração à Folha, Kapaz disse o óbvio: o “problema de Alckmin na campanha não será financeiro”. Não se deve esquecer que a filha do governador foi gerente da Daslu, a loja preferida pelos milionários. Como se diz na gíria: Alckmin está com tudo e não está prosa!
O tino administrativo de Geraldo Alckmin também é contestado. Miriam Leitão, no artigo “PSDB improvisa e atropela eleições” (Diário de S.Paulo,19/3), constatou: “A idéia é que Geraldo Alckmin soube continuar o ajuste fiscal de Mário Covas, mas não tem sabido como dar o passo seguinte. Não soube o que fazer com os R$ 9 bilhões que tem em caixa. Fez coisas como vender ações da Nossa Caixa e pôr os R$ 700 milhões em caixa sem um projeto de uso do dinheiro”.

Essa atitude de Alckmin me fez lembrar de um prefeito de Mogi Guaçu, que também guardou o dinheiro arrecadado. Depois, o prefeito que o substituiu gastou, com muitas obras, esse dinheiro guardado e ficou com a fama de bom administrador. Pelo menos soube aplicar bem o dinheiro avidamente guardado!
No mesmo artigo, Miriam Leitão abordou um tema que será problemático para Alckmin: “As sucessivas rebeliões da Febem [e agora de presídios] produziram imagens dramáticas e histórias trágicas que certamente serão usadas contra ele. A operação Daslu pode se transformar em outra arma a ser explorada politicamente”. É verdade. Acabou a moleza que a mídia lhe deu. O chuchu de agora em diante será apimentado!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

PSDB e PFL querem atrasar o reajuste do salário-mínimo

Governo editará MP para correção do salário-mínimo se projeto de lei não for votado a tempo. Martha Beck e Evandro Éboli - O Globo

BRASÍLIA - O ministro do trabalho, Luiz Marinho, disse nesta terça-feira que o governo poderá retirar do Congresso o projeto de lei que aumenta o salário-mínimo de R$ 300 para R$ 350 e substituí-lo por uma medida provisória caso os parlamentares não votem a proposta até o próximo dia 29. O projeto do governo prevê que o aumento do mínimo comece a vigorar em abril, mas até agora ele ainda não foi votado.

- Caso ele não seja aprovado, estaremos obrigados a retirar o projeto de lei e mandar uma medida provisória. Isso é um constrangimento, mas já estamos com a MP preparada e penso em fazer isso até o dia 29 de março - disse o ministro.

Marinho, no entanto, fez um apelo para que o governo não seja obrigado a editar a MP.
- Quero aproveitar para mandar uma mensagem ao Parlamento. Nosso tempo de aprovação do salário-mínimo está se acabando e o governo mandou a proposta por projeto de lei a pedido do próprio Congresso.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, acredita que o projeto de lei pode ser votado até o fim do mês, mas observou que para isso é preciso a assinatura dos líderes dos partidos para que o projeto tramite em regime de urgência, o que não ocorreu ainda.

Marinho disse que muitos parlamentares estão mais preocupados com assuntos de menor interesse da população, como por exemplo a CPI dos Bingos:
- Está faltando o pessoal trabalhar mais no Congresso. Eles trabalham muito, mas deveriam se preocupar mais com assuntos de interesse da população. Estão dispersando esforços com assuntos como a CPI dos Bingos, por exemplo.

A pátria de Geraldo

MAURO SANTAYANA A pátria de Geraldo Artigo originalmente publicado em Agência Carta Maior

Não é de todo mau, para a democracia, que o Sr. Geraldo Alckmin assuma, claramente, a sua postura liberal-conservadora. Se assim se fizer, cumpre-se o projeto de Sérgio Motta e teremos um fernandismo com Geraldo, o que não haveria com José Serra.
O governo de Vichy resumia o seu projeto, como servidor dos alemães, em “Deus, Pátria e Trabalho”. Antes deles, os integralistas brasileiros mantinham dois dos termos do trinômio e trocavam o terceiro: “Deus, Pátria e Família”. Mais práticos, provavelmente pensando no financiamento de suas atividades, os fundadores da TFP, com o Sr. Plínio Correa de Oliveira à frente, optaram por “Tradição, Família e Propriedade”. Deus e a Pátria foram, convenientemente, deixados de lado.

O Sr. Geraldo Alckmin não tem o perfil dos seguidores de Maurras e de Pètain, nem de Plínio Salgado ou Correa de Oliveira. Era de esperar-se que tivesse um pouco do perfil do Sr. Mário Covas, o bravo combatente que enfermidade cruel impediu de continuar servindo ao Brasil com seu rigoroso apego aos valores republicanos. O atual governador de São Paulo parece ter a visão do mundo ofuscada pelos refletores da ribalta política. Quando ele diz que “as pátrias (ao pluralizar a expressão, banaliza-a) são as famílias, a religião, os costumes, a tradição” sua excelência usa a linguagem da extrema direita. Ao usá-la, com ela se identifica.

É provável que o governador de São Paulo tenha optado por assumir posição anti-Lula, ou seja, significar a opção maniqueísta, supondo que os eleitores são chamados a uma escolha de clube aristocrático, em que há bolas brancas e bolas negras. Se o bem educado governador de São Paulo conhecesse um pouco mais de História Política, talvez entendesse que os eleitores, normalmente, não raciocinam nesses termos absolutos. Eles fazem a escolha movidos por informações e sentimentos variados. Quando o governador usa o plural para famílias e costumes, e o singular para religião e tradição, confessa admitir uma só religião, que não explicitou, mas pode ser entendida como a católica de Pio IX e Pio XII, e uma só tradição, a conservadora.

A Pátria republicana, e é a que escolhemos e temos, pode ser entendida como a soma dialética da liberdade com a solidariedade. Ela admite todas as crenças e todas as idéias – incluídas as dos dois Plínios (o Salgado e o Correa de Oliveira) e as do governador Alckmin, sem esquecer Charles Maurras, paladino da monarquia absoluta e do anti-semitismo, e autor do citado slogan Dieu, Patrie et Travail. Mas ao admitir que elas sejam expostas, em nome da liberdade, não significa que vá a elas curvar-se e submeter-se: seu compromisso maior é com a preservação da nacionalidade, com a solidariedade. Exatamente para ser solidária com todos os seus nacionais, a República é, e deve ser, absolutamente pluralista e laica.

O governador Alckmin expressou certa solidariedade, de forma veemente, quando o grande centro comercial Daslu foi surpreendido por uma operação conjunta da Polícia Federal com a Secretaria da Receita. Expressou-a com os proprietários do negócio e com os seus bem situados clientes. Naquela solidariedade com a Daslu, o social democrata Alckmin contou com o apoio do liberal Antonio Carlos Magalhães e outras personalidades elevadas do cenário político e social do Brasil, ou seja, dos freqüentadores habituais das colunas políticas e das revistas semanais que tratam da vida sans souci das pessoas ricas e geralmente ociosas.

Não é de todo mal, para a democracia, que o Sr. Geraldo Alckmin assuma, claramente, a sua postura liberal-conservadora. É bom, da mesma forma, que anuncie – o que se espera quando apresentar o seu programa de governo – a retomada da venda das empresas nacionais aos investidores privados. E para que haja a benfazeja transparência, convém logo anunciar a sua equipe de governo, com o Sr. Luis Carlos Mendonça de Barros como o grão vizir da economia. É importante que, nesta decisão de se apresentar como o anti-Lula, reafirme os laços de entranhada solidariedade que Fernando Henrique estabeleceu com os Estados Unidos. E se quiser ousar ainda mais, o governador Geraldo Alckmin pode aceitar compartilhar com George Bush a soberania sobre os nosso território e seus recursos naturais.

Se assim se fizer – e ressalvando que ele fala em religião, enquanto seu chefe, Fernando Henrique, sempre se confessou ateu – cumpre-se o projeto de Sérgio Motta, e teremos um fernandismo sem Fernando, um fernandismo com Geraldo, o que não haveria com José Serra. E há outro efeito benéfico de tudo isso. Se, como dizem os franceses, a quelque chose malheur est bon, o reacionarismo de Alckmin poderá despertar os brios do PT, a fim de que o partido – para se contrapor ao governador de São Paulo – retome as bandeiras solidárias da esquerda republicana e se livre, de uma vez por todas, desses agregados de Harvard e arredores, que recebeu com os móveis do Banco Central e os computadores do Ministério da Fazenda.

Atenção! Estão tentando enganá-lo!

Todos os jornais, revistas, televisões e rádios fizeram aliança com o candidato a presidente da República Geraldo Alckmin, do partido de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB.

Esses veículos de comunicação estão trabalhando para o PSDB e por isso querem prejudicar a economia do país para que o povo fique insatisfeito e o candidato do PSDB a presidente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ganhe a eleição.

Para isso, o PSDB e o PFL pagaram 40 mil reais para um caseiro fazer denúncias falsas contra o ministro que administra a economia do Brasil, Antonio Palocci. Querem prejudicar a economia, fazer você perder o emprego, para ficar insatisfeito e votar em Alckmin contra Lula.

As TVs, jornais etc, estão dizendo que o governo violou a conta bancária do caseiro para acusá-lo, mas não diz que esse caseiro trabalha para um político do PSDB e o "pai" dele, que ele afirma que lhe deu os 40 mil reais, é do PFL.

Não acredite em TVs, jornais, rádios e revistas. A rede Globo, os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, o SBT, a TV Bandeirantes, a rádio CBN, a revista Veja e muitos outros veículos estão trabalhando para o PSDB, para o PFL e para o candidato Geraldo Alckmin.

Não se deixe enganar. Antes de acreditar nas TVs, jornais etc, procure saber de todos os fatos. Esses veículos estão dando informações falsas e manipuladas.

Eduardo Guimarães

Este cara mente.

Quando esse cara, jornalista da Folha, tal de Kennedy Alencar, diz que o "Planalto guarda silêncio" está querendo passar a falsa impressão de que o governo quer a saída de Palocci e isto não relete a realidade.
Bel

Dirceu defende Palocci; Planalto guarda silêncio

DA REPORTAGEM LOCAL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha de S.P

Conhecido por suas divergências com o ministro Antonio Palocci (Fazenda), o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) defendeu ontem a permanência do ministro no governo. "Não há razão para ele sair, a não ser que queira", declarou. "Quem decide é o presidente e, como cidadão, apóio a decisão do presidente Lula."

No Planalto, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao final do dia de ontem era manter o ministro, apesar de avaliar que a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa fragiliza o governo pela suspeita de que tenha sido armada para desmoralizar um testemunho contrário a Palocci.

Após o episódio do caseiro, Lula avalia que tomou um caminho sem volta. Acredita que, a essa altura dos acontecimentos, entregar a cabeça de Palocci significará colocar a sua própria cabeça como bola da vez. A estratégia do Planalto será tentar dar caráter de embate eleitoral ao caso.
A amigos, Palocci deu sinais de que sentiu o golpe. Em desabafos, disse que estava muito difícil driblar a atual crise. Ele passou o dia no Planalto, evitando ir à Fazenda para não encontrar a imprensa.

As afirmações de Dirceu foram feitas na comemoração de seus 60 anos. O evento ocorreu numa casa noturna da zona sul de São Paulo e reuniu cerca de 350 pessoas, entre elas a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), deputados federais como João Caldas (PL-AL) e deputados estaduais. (CHICO DE GOIS e KENNEDY ALENCAR)

Sunday, March 19, 2006

A "chapa tá quente".

Como dizemos aqui no Rio a chapa “tá” quente para o lado da oposição, que depois de ver todas as suas manobras para desestabilizar o governo e o PT sendo frustradas, com a crescente aprovação do governo e do Partido dos Trabalhadores, pela população. Segue em sua tentativa insana de desmoralizar agora o ministro Palocci.

A oposição não percebeu ainda que quanto mais sensacionalismo faz em conluio com setores reacionários da mídia direitista, mais e mais credibilidade vai perdendo junto ao povo.
A questão do caseiro é um exemplo claro disto. Não que um caseiro não possa passar credibilidade, apenas por que é uma pessoa simples do povo. Mas pelo fato desse mesmo caseiro possuir em sua conta bancária uma quantia considerável de 38 mil reais, incompatível com seus rendimentos mensais.

A explicação do depósito feito pelo pai que não o reconheceu, a meu ver parece muito esfarrapada. Primeiro porque se este pai não queria reconhecer o filho, para não ter problemas com sua família, de repente faz este reconhecimento para todo o país, até porque o assunto é notícia em todos os jornais. Não há mais como esconder.

Segundo porque se descobriu que este pai possui ligações políticas, sendo filiado ao PFL. O que de certa forma já os coloca como suspeitos de uma farsa. Fossem pessoas ingênuas e sem nenhum envolvimento político talvez as histórias ainda pudesse ser aceitas.
Outro ponto de relevância quanto às verdadeiras intenções da oposição tucana e pefelê é o fato de estarem usando de recursos baixos para atingir o adversário. Num primeiro momento as acusações são de que o ministro Palocci freqüentava a tal casa para realizar negociatas escusas e depois essa versão é mudada e o caseiro passa a dizer que o ministro freqüentava a casa para encontra-se com mulheres.

Ora, não sejamos hipócritas! Se o ministro freqüentava ou não a casa para encontros amorosos, isto não tem relevância alguma para a nação. O que é realmente relevante é a estabilização da economia. É isto que nos interessa e não a vida privada do ministro.
Tudo isto nos mostra o quanto patética está sendo a atuação da oposição, perdida, sem rumo diante da competência do governo petista que aos poucos vai diluindo o ranço de cinco séculos de dominação e dando ao povo a chance de vislumbrar perspectivas no sentido mais amplo da palavra.

Aos poucos as máscaras vão caindo e quem antes dominava absoluto agora sente o chão faltar. São os setores da imprensa tucana sem saber o que fazer para recuperar a credibilidade de anos ludibriando o povo e agora, de uma hora pra outra vêem os seus castelos mantidos as nossas custas ruírem assustadoramente.

Alckmin, o anti-Lula representando o tripé, família, religião e tradição chega na tentativa desesperada de preservar o domínio das elites - Entretando, no globo de hoje, até mesmo a comentarista tucana, Mirian Leitão diz em sua coluna que o governador de São Paulo tem 9 bilhões em caixa e não sabe o que fazer.

Não há na agenda alckmista nenhum projeto social, as rebeliões na FEBEM de São Paulo pipocam toda a semana e como resposta temos apenas a repressão. A falência desse sistema já está decretada há muito tempo, mas a sociedade conservadora, representada por Alckimim faz vistas grossas ao problema, pois os setores menos abastados tem acesso limitado aos mecanismos de cobrança, que façam com que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) seja cumprido em sua íntegra – Mas se depara com a blindagem conquistada com todos os programas sociais do governo popular do Partido dos Trabalhadores e por mais que tentem recuperar o poder perdido não conseguirão, por que quatro anos já foi suficiente para termos uma mostra de que o povo quer cidadania e é isto que o nosso governo está e vai continuar proporcionando.

A chapa está quente! É Lula de novo!

Bel

Berzoini: Tarefa principal é mobilizar militância contra manobras da oposição

18/03/2006 -

A tarefa fundamental do PT, após a reunião do Diretório Nacional, que ocorreu neste sábado (18), é mobilizar as bases partidárias para denunciar as manobras da oposição. Foi assim que o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, definiu a onda de ataques ao governo e ao ministro Antonio Palocci (Fazenda).

Para Berzoini, a dificuldade para se votar o Orçamento da União para 2006 é uma dessas manobras “inadmissíveis”. “Na prática, é um boicote aos programas sociais. O orçamento público se refere aos investimentos, ao custeio e aos programas sociais de transferência de renda e de apoio às políticas públicas. Portanto, o que a oposição está fazendo é trabalhar contra o país e contra a população brasileira”, denunciou.

De acordo com o dirigente petista, a tentativa da oposição de desgastar o ministro Palocci (Fazenda) tem o objetivo de criar um ambiente de crise e instabilidade do país. “Todos conhecem o papel fundamental do ministro Palocci na credibilidade econômica do país”, afirmou.

Resolução
O dirigente petista explicou o conteúdo da resolução aprovada pelo Diretório Nacional, que dialoga com uma questão de conjuntura imediata. Berzoini ressaltou do texto a dura crítica à CPI dos Bingos, considerada pelo partido um instrumento de disputa político-eleitoral.

Ele destacou também a caracterização das conquistas importantes do governo Lula, que resultou na mudança de ânimo da opinião pública neste período. Tanto o governo quanto o PT foram responsáveis por esse processo, em sua opinião. Berzoini lembrou que, não apenas o presidente Lula e a imagem do governo estão muito bem posicionados, como o PT recuperou seu patamar histórico de preferência partidária, de acordo com as pesquisas de opinião divulgadas recentemente.

Há divergências naturais de opinião sobre economia dentro do partido, mas procura-se construir o máximo de consenso possível, segundo Berzoini. “É óbvio que o governo está colaborando muito para que o diálogo dentro do partido seja objetivo e consistente”, disse. O líder petista está convencido de que o PT vai estar unido na defesa dos resultados econômicos do governo e da perspectivas de ter um programa de governo que reflita esta evolução da economia brasileira.

Alckmin

Berzoini criticou a forma como foi feita a definição do nome do candidato tucano à presidência. "Uma cúpula reduzida escolhe, em nome de todo o partido, sem que haja consulta às bases”.

Definiu o discurso do governador Geraldo Alckmin como extremamente conservador (em seu primeiro discurso como candidato, Alckmin defendeu a família, a religião e a propriedade) e lembrou que sua gestão, em São Paulo, tem inúmeras fragilidades, que o PT vai debater durante a campanha.

“Acredito que o presidente Lula tem todas as condições de fazer uma campanha propositiva, dialogando com o sentimento de o país de crescer, gerar empregos e viabilizar um novo padrão de desenvolvimento para o país”, ressaltou.

O centro da campanha do PT será destacar as realizações do governo Lula, especialmente no campo das políticas sociais. Berzoini diz também que o bom desempenho da economia será ressaltado. “Em especial, o fato de que eliminamos todos os fatores de constrangimentos que havia em 2002, e o Brasil hoje tem condições de ter uma economia mais sólida e as bases fundamentais para um crescimento mais acelerado”, falou.

PMDB
Questionado sobre possíveis alianças eleitorais com o PMDB, Berzoini afirmou que, independentemente da prévia do PMDB, que deverá ocorrer neste domingo, está disposto a manter a interlocução, por meio de lideranças mais próximas do PT, dos três ministros no governo e o presidente do partido, Michel Temer.

“Respeitamos o processo interno do PMDB e entendemos que cabe ao PMDB decidir seu destino. Mas temos que manter esta interlocução no sentido de discutir, independentemente do candidato próprio, a conjuntura política do país e avaliar o cenário”, disse Berzoini.

O PT tem trabalhado, de acordo com o deputado petista, com a perspectiva de dialogar com todos os partidos que estão na base do governo. Quem está no governo tem a responsabilidade de dialogar. “Se isso vai se concretizar em aliança ou não, só o futuro dirá”.

Cezar Xavier, do Portal do PT

Henrique Fontana: Desespero da Oposição tenta engessar governo

18/03/2006

O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse hoje que há uma tendência ao partido se unificar num momento de forte ataque. Ao chegar para a reunião do Diretório Nacional, em São Paulo, o parlamentar avaliou que PSDB e PFL partem para uma fase de desespero na disputa política.

Para ele, diante da forte recuperação do governo e do presidente Lula nas pesquisas de opinião, com possibilidade de obter a reeleição num primeiro turno, a oposição parte para “ataques irresponsáveis”.

“Há uma tentativa desesperada de evitar que cheguemos à eleição debatendo projetos, experiências políticas, comparando governos”, falou o líder petista.

A seqüência interminável de acusações contra petistas e o governo na CPI dos Bingos teria o objetivo de atar as mãos do PT e do governo, que ficaria na defensiva, sem poder partir para uma agenda mais afirmativa.

Fontana lembrou que as pesquisas indicam que, de cada três brasileiros que têm opinião, dois consideram o governo Lula melhor do que o governo Fernando Henrique Cardoso.

“Como o Alckmin representa aquele governo, há uma tentativa de retirar esta variável programática do processo eleitoral. Não vamos permitir isso”, falou, justificando a ação no STF que impediu o depoimento do caseiro na CPI dos Bingos.

Gato e sapato
“Demoramos demais para entrar no STF. A CPI do Fim do Mundo já passou do Fim do Mundo há muito tempo”, justificou. Fontana acha que a CPI tem cometido dezenas de atos ilegais, inconstitucionais, tem atacado a honra de pessoas, transformando inocentes em culpados. Para ele, com o desvio de objetivos investigativos a CPI acaba não investigando “coisa nenhuma”. Quem decidiu que o caseiro não poderia depor não foi o PT, ressaltou, mas a Justiça do país. “A justiça vale para todos”.

“Não estamos aqui para negar os fatos”. O deputado ressaltou que, embora tenha havido problemas de caixa 2, com repasse ilegal de recursos para partidos aliados, há também uma tentativa de inquisição contra o PT e contra o presidente Lula. Ele questionou o modo como a CPI transforma criminosos em testemunhas confiáveis para acusar petistas. Ele citou como exemplos o doleiro Toninho da Barcelona, responsável por uma enorme evasão de divisas do país, e preso pela Polícia Federal durante o governo Lula, e o ex-juiz Rocha Matos, preso pela Operação Anaconda por venda de sentenças.

“Não temos medo de nenhuma investigação. Poucos partidos foram tão investigados na história da República, como o PT. Poucos governos foram investigados à profundidade que está sendo investigado o governo Lula”, enfatizou. Fontana defendeu que todo o material levantado seja investigado pelo Ministério Público, “que não é nem do Lula, nem do Alckmin, nem do PT, nem do PSDB”.

Na opinião do líder parlamentar, o país está saturado desta pauta e “não agüenta mais ver tanto cinismo”. “Montaram uma maioria naquela CPI e fazem gato e sapato em desrespeito a Constituição”.

Irresponsabilidade
Se o ministro foi ou não a uma festa em determinada casa, na opinião do deputado isto é do âmbito privado de sua vida. Se ele tivesse cometido alguma irregularidade, em algum negócio público, as provas teriam que ser levantadas. “A nossa idéia é que o ministro permaneça, porque não se trata de um ataque a ele, mas ao governo Lula”, defendeu.

O deputado ainda criticou o que considerou uma irresponsabilidade da oposição com o país. Ele lembrou o preço bilionário pago pelo terrorismo eleitoral provocado pelos tucanos ao afirmarem que Lula levaria o caos à economia. “A economia quase quebrou”, diz. Agora, às vésperas de nova eleição, com o Brasil tendo a chance de crescer 5% este ano, surge ataques tão agressivos contra o ministro da Fazenda. “Será que os adversários querem impedir este crescimento e impedir o brasileiro de recuperar seu emprego. Impedir que tenhamos mais investimentos em infra-estrutura. Nós não aceitaremos esse ambiente de disputa eleitoral, queremos debater programas”, declarou.

O petista também repudiou a quebra do sigilo bancário do caseiro, revelando os altos depósitos feito em sua conta corrente neste ano. Mas Fontana também lamentou a quebra de direitos constitucionais feita pela CPI dos Bingos em várias outras ocasiões. “Não sei como foi divulgada a quebra de sigilo bancário do caseiro, como não sei como foram feitas tantas quebras de sigilo ilegais nesta CPI. A CPI do fim do mundo já quebrou o sigilo bancário do PT. Porque não quebra o sigilo bancário do PSDB que recebeu recursos de caixa 2 para a campanha do senador Eduardo Azeredo”, questionou.

“É preciso investigar se esse caseiro está recebendo vantagens para fazer estas denúncias”, sugeriu. O fato é que Fontana não sabe identificar o que é a verdade em todos esses episódios, por isso quer se fiar em “provas e fatos”. “O PSDB já está há cinco anos tentando tornar o PT culpado pelo assassinato do prefeito Celso Daniel. Quando é que a presunção da inocência será usada a favor do PT, para punir quem tem culpa e devolver a idoneidade a quem está sendo injustamente sendo acusado”, indagou.

Resolução Política aprovada pelo Diretório Nacional do PT

18/03/06

O Partido dos Trabalhadores e o governo do presidente Lula enfrentaram e superaram o cerco político movido pela oposição, em 2005, chegando ao ano eleitoral de forma muito positiva.

A superação do cerco político foi possível por uma série de fatores, entre os quais devemos destacar: a participação massiva dos filiados no processo de eleição das direções partidárias, o apoio popular ao presidente da República, a rearticulação da base do governo na eleição do atual presidente da Câmara dos Deputados, a maturação dos programas de governo e as iniciativas político-administrativas adotadas no último período.

Os resultados de programas sociais como Bolsa-Família, Universidade para Todos, Luz para Todos; a ampliação das linhas de crédito para agricultura familiar e o crédito popular; o aumento real do salário mínimo (mais de 20% acima da inflação em 2005 e 2006), negociado com as centrais sindicais, em processo inovador; a correção da tabela do imposto de renda; a redução do custo dos alimentos, pelo combate à inflação e redução dos impostos sobre a cesta básica; os orçamentos recordes para habitação; os assentamentos feitos e os que estão sendo realizados este ano; a ampliação dos programas SAMU, Brasil Sorridente e Farmácia Popular; e a criação de 10 universidades e 36 Escolas Técnicas; a geração de mais de 3,4 milhões de empregos formais, que resultou em queda recorde do desemprego, comprovada por pesquisas do IBGE e da Fundação SEADE/DIEESE, são elementos que mostram acertos políticos de nosso governo. A redução de tributação em relação à cesta básica, à construção civil e aos investimentos, bem como a aprovação do SIMPLES NACIONAL (que deve ocorrer nas próximas semanas), reforçam o caminho do crescimento. A divulgação do pacote de incentivo à construção e a recuperação emergencial das estradas tiveram impacto positivo.

Da mesma forma, a antecipação da liquidação de dívidas com o FMI e o Clube de Paris e a desdolarização da dívida interna abrem caminho para aprimorar a política econômica. Some-se a tudo isso a perspectiva da redução sustentada dos juros.

Nossa política externa, especialmente no quadro geopolítico da América Latina, com destaque para o Mercosul e para a Comunidade Sul-Americana das Nações, tem fortalecido os projetos da esquerda e é referência para os países que lutam por uma nova ordem política internacional.

A ofensiva política do PT e partidos aliados, combinada com a mobilização social e a pressão da opinião pública, resultaram na aprovação de avanços importantes, como a proibição de pagamentos extraordinários nas convocações do Congresso e a redução do recesso parlamentar, na mesma semana na qual aprovamos o FUNDEB, a Super-Receita e projeto de gestão de florestas.

Em contrapartida, o PSDB e o PFL atuam para inviabilizar a votação do Orçamento da União, com o único objetivo de prejudicar importantes políticas do governo.

Esses fatores refletem-se nas pesquisas de opinião, desde o início do ano. O PT continua sendo, dos partidos políticos brasileiros, o que tem maior apoio popular. A aprovação ao governo passou de 42% para 55%, de dezembro para março. Na comparação entre governos, 52% entendem que a gestão Lula é melhor que a de FHC, enquanto apenas 23% pensam o contrário. A intenção de voto melhorou de 9 a 11 pontos no período, e Lula vence em todos os cenários de primeiro e segundo turnos. Esses dados, da pesquisa IBOPE/CNI, é confirmado em vários outros levantamentos. É sintomática a persistente tentativa da direita de desqualificar a opção dos trabalhadores por Lula nas próximas eleições.

Os dados das pesquisas fortalecem nossa convicção acerca da evolução positiva do nosso governo. Mas devemos estar atentos ao significado das pesquisas, sem supervalorizar seus resultados quando são a nosso favor, nem desqualificar quando são contra. Portanto, o nosso otimismo neste momento deve ser moderado e realista, de quem irá enfrentar mais uma dura e decisiva disputa política de nossas vidas de militantes petistas.

É esse quadro que leva a oposição ao destempero. Apostando na idéia de que Lula e o PT chegariam muito enfraquecidos a 2006, o PSDB e o PFL foram surpreendidos com a capacidade de recuperação da nossa ofensiva. Por isso, retomaram a fúria denuncista, tentando levar novamente as atenções para esse campo, pois avaliam que perdem no campo programático e na comparação de governos.

Usam partidariamente a CPI dos Bingos, conhecida como CPI DO FIM DO MUNDO, buscando desesperadamente criar fatos políticos negativos contra o governo e o PT. O PT denunciou a inconstitucionalidade dessa CPI e buscou no Supremo Tribunal Federal o restabelecimento do fato determinado, pelo qual a CPI foi instalada. O STF deu provimento à liminar, restando à oposição vociferar contra o controle de constitucionalidade daquela Corte.

Por outro lado, o PT defende a imediata instalação da CPI das Privatizações que deve desencadear uma profunda investigação sobre o processo realizado no período em que a oposição governou o Brasil, aprofundando o conhecimento da sociedade sobre a natureza lesiva deste projeto e a marca anti-ética de sua atuação sobre o Estado brasileiro.

Recentemente, a oposição conduziu o processo de escolha do candidato tucano à Presidência da República, processo que demonstrou a natureza conservadora e antidemocrática do PSDB.

A própria dinâmica da escolha mostrou um PSDB dividido, com decisões centralizadas numa pequena cúpula e repleto de manobras obscuras.

Revelou, também, como eram infundadas as ilusões daqueles que acreditavam num suposto compromisso do PSDB com o desenvolvimento, a democracia e a modernidade.

Geraldo Alckmin e José Serra expressam as mesmas opções programáticas fundamentais, como demonstram a ação de José Serra à frente da prefeitura paulistana e as ações de Geraldo Alckmin à frente do Governo de São Paulo.

Aliás, durante doze anos à frente deste governo estadual, o PSDB reduziu os investimentos sociais, sucateou a saúde e a educação, privatizou empresas públicas, demitiu 195 mil funcionários públicos e impediu a instalação de nada mais, nada menos, do que 65 Comissões Parlamentares de Inquérito.

Qualquer que fosse, portanto, o candidato presidencial escolhido pelo PSDB, o programa da oposição de direita seria o mesmo: retomada da agenda neoliberal e reacionária, supressão dos direitos sociais e constitucionais, privatizações e repressão aos movimentos sociais, submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

O que a escolha do PSDB revela é que sua opção conservadora será apresentada sem disfarces. Geraldo Alckmin, o candidato preferido pelas elites, tem um discurso claramente conservador e reacionário, ao qual o PT oporá a defesa dos interesses democráticos, populares e nacionais.

O cenário eleitoral nacional ainda depende de vários fatores, entre os quais a definição a respeito da verticalização e a decisão do PMDB acerca de sua tática na eleição presidencial. A combinação das estratégias nacionais dos partidos com os movimentos táticos estaduais será decisiva para uma definição das alianças eleitorais.

A hora é de enfrentamento de projetos e de históricos. A oposição, capitaneada pela aliança tucano-pefelista que governou o Brasil por oito anos, desempregando, desregulamentando, privatizando e desestruturando o Estado Nacional e submetendo o país aos interesses do capital financeiro internacional, tenta desesperadamente desconstruir a imagem de nosso governo e, por isso, acirrou seus ataques, que certamente prosseguirão no próximo período. Mobilizar pela reeleição de Lula é lutar contra o retrocesso.

O PT mobiliza desde já seus filiados e simpatizantes, seus aliados nos movimentos sociais e a população em geral em defesa da reeleição de Lula, bem como pela eleição de governadores e governadoras, deputados e deputadas estaduais e federais, senadoras e senadores identificados com nosso projeto, capazes de representar o anseio de mudanças que já se expressou na eleição de Lula em 2002, elegendo legislativos e executivos mais representativos das aspirações populares, criando assim melhores condições institucionais para que nosso segundo mandato seja superior ao primeiro.

A direção nacional deve aprofundar o diálogo com os partidos, os movimentos e a intelectualidade progressista, no sentido de transformar este ano de 2006 em um ano de grande mobilização, em apoio ao governo Lula e pela conquista de mais um mandato presidencial, para prosseguir e aprofundar as conquistas deste governo, ampliar a participação popular na política e consolidar o projeto de democratização política e social no Brasil.

Como parte deste processo de mobilização, as instâncias partidárias devem constituir fóruns de debates sobre o balanço de nosso primeiro mandato e sobre o programa de governo para o segundo mandato, buscando reunir militantes partidários, dos movimentos sociais e intelectualidade democrática, para diagnosticar os avanços e as insuficiências, divulgar os programas federais e a aplicação de recursos em cada região, bem como debater as diretrizes de governo 2007-2010. Este debate deve ser combinado com a discussão sobre o programa de governo para as eleições estaduais.

O DN-PT convoca a base do partido a denunciar e reagir à tentativa da oposição de retomar o processo denuncista como forma de diminuir as possibilidades da reeleição de Lula. Ao fazermos isso, vamos também defender a democracia e a Constituição Federal. Devemos enfrentar, com franqueza, o tema da ética, e mostrar que, neste governo, a CGU ganhou força para controlar a administração, que a Polícia Federal tem mais orçamento e plena liberdade para investigar e que os dois procuradores-gerais do Ministério Público Federal não mereceram a alcunha de “engavetador-geral da República” como ficou conhecido Brindeiro no governo FHC.

Preparar o 13º Encontro Nacional do PT e transformá-lo em um momento marcante desse movimento é objetivo partidário fundamental e que contribuirá para assegurar a unidade partidária em defesa da reeleição do presidente Lula.

PT Convoca base a reagir contra denuncismo

18/03/2006

O Diretório Nacional do PT, reunido em São Paulo neste sábado (18), aprovou uma resolução em que convoca seus militantes a reagir contra o processo denuncista articulado pela oposição na tentativa de enfraquecer as possibilidades de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O documento, aprovado por ampla maioria — apenas dois votos contrários entre cerca de 80 membros presentes — condena a CPI dos Bingos, classificada como instrumento da oposição na “tentativa desesperada” de criar fatos políticos e negativos contra o governo e o PT, em um momento que pesquisas demonstram a capacidade de recuperação do partido.



“Apostando na idéia de que Lula e o PT chegariam muito enfraquecidos a 2006, o PSDB e o PFL foram surpreendidos com a capacidade de recuperação da nossa ofensiva. Por isso, retomaram a fúria denuncista, tentando levar novamente as atenções para esse campo, pois avaliam que perdem no campo programático e na comparação de governos”, diz o texto.



A resolução elenca uma série de avanços do governo Lula e destaca a contrapartida do PSDB e o PFL, que atuam, por exemplo, para inviabilizar a votação do Orçamento da União com objetivo de prejudicar importantes políticas do governo.



Durante a reunião, também foram apresentados os resumos de dois textos elaborados pelas comissões de conjuntura, tática e política de alianças; e diretrizes para a elaboração do programa de governo.



Os documentos foram discutidos, mas não houve votação. Eles retornarão às comissões para que sejam feitas alterações e, a partir do dia 3 de abril, serão enviados aos diretórios estaduais, que farão seus debates. A votação dos textos finais ocorrerá no 13º Encontro Nacional do PT, nos dias 28, 29 e 30 de abril.

Saturday, March 18, 2006

Acabou em pizza?

José Dirceu
Ex-Chefe da Casa Civil

A cena é patética. Sem Serra, a cúpula tucana comemorou, mas não parecia a escolha do seu candidato à Presidência da República. Sem discussão programática, sem debates democráticos, consultas ou prévias, o quase ex-governador de São Paulo foi ungido, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o AntiLula.

A escolha de Alckmin é a vitória dos liberais de direita no ninho tucano, com total apoio e cobertura da cúpula pefelista, uma derrota fragorosa para a chamada social democracia tucana. Assim ela foi recebida pelo chamado mercado, e são os serristas que estão espalhando essa pequena verdade, que só não vê quem não quer.

Ficou decidido que tudo continuará como antes, ou seja, continua a hegemonia liberal paulista-fernandista no PSDB, o resto é discurso de campanha. O programa, que já tem seus contornos definidos, dará continuidade aos oito anos de FHC.

De acordo com matéria publicada, no dia 15, no site Carta Maior, uma das principais idéias que orienta o grupo de especialistas, que se vem reunindo com Alckmin para discutir seu programa de governo, é o ''choque de gestão'' com o objetivo de pôr em prática os princípios da eficiência e do combate ao desperdício do Estado. Diz a matéria: ''Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais; fusão dos ministérios da Agricultura e da Reforma Agrária; adoção da política de déficit nominal zero; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca)''. Essas são algumas das idéias defendidas no esboço de um eventual programa de governo.

Não adianta o candidato falar em projeto nacional ou em banho de ética, pois o discurso não bate com a prática e com a realidade histórica. O país não se esqueceu dos oito anos de FHC, época em que falar em desenvolvimento, política industrial e tecnológica, em Estado e planejamento era uma heresia. Projeto nacional era palavrão de dinossauros da esquerda burra, ou o candidato já se esqueceu?

Causa espanto à sociedade ouvir, agora, da boca de um grão-tucano, ungido candidato, que ''dará um banho de ética no Brasil''. Se, de fato, se preocupa com a ética, seria mais eficiente e mais prático começar pelas atuais CPMIs e investigar as denúncias que atingem a oposição e envolvem o senador Antero de Barros, Furnas, o ex-governador Eduardo Azeredo, os fundos de pensão no governo FHC. Ou, ainda, permitir a instalação das CPIs que estão nas gavetas das Assembléias Legislativas de MG, PA, BA e São Paulo. Ou a ética, defendida pelos tucanos, só vale para o governo e a situação?

A desenvoltura tucana, ao falar em ética, só é superada pelo cinismo golpista pefelista que transformou a CPI dos Bingos em instrumento de um complô para derrubar o governo Lula. Aí vale tudo, investigam qualquer notícia ou denúncia, sobre o PT e o governo, não importa que o ato seja ilegal e inconstitucional. Essa farsa só tem tido continuidade porque conta com a cobertura e a cumplicidade, quando não, com o apoio, de certa mídia, a verdadeira tropa de choque das CPMIs, que perdeu a compostura e a vergonha, como nos idos de 61 e 64, e toma partido abertamente, abandonando um dos princípios do bom jornalismo, como o é a apuração isenta dos fatos.

No final da semana passada, assistimos a cenas explícitas de partidarização, falta de imparcialidade no trato da notícia e editorialização do noticiário, começando pelas matérias articuladas com o firme objetivo de atingir o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, tendo, como alvo final, o presidente.

A verdade nua e crua é que Geraldo Alckmin e o PSDB não têm autoridade moral para falar em ética. Nada expressa melhor essa verdade do que a declaração do líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Jutahy Magalhães Jr, para justificar o voto tucano pela absolvição do deputado Roberto Brant: ''Caixa dois é crime eleitoral punível com multa pela Justiça, não com perda de mandato''.

A questão que se coloca para o PT e para o governo Lula é responder à movimentação golpista pefelista, lançando um amplo movimento de mobilização da sociedade em apoio a um segundo mandato de Lula, com um programa de desenvolvimento nacional, baseado nas conquistas de seu primeiro mandato.
17/03/2006 - 23h56m
Nova liminar do STJ mantém prévias do PMDB

Globo Online
CBN

RIO - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou na noite desta sexta-feira a liminar que suspendera as prévias do PMDB para escolha do candidato a presidente da República, marcadas para domingo. O ministro Hamilton Carvalhido concedeu uma nova liminar ao PMDB garantindo a realização das prévias.

Pela manhã, uma outra liminar, concedida pelo presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, foi dada ao pedido do deputado federal Aníbal Ferreira Gomes (PMDB-CE). O deputado argumentava que as prévias não poderão ser realizadas no domingo porque a convenção nacional que decidiu pela candidatura própria, em dezembro de 2004, ainda está sub-júdice. Na noite desta sexta-feira, no entanto, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), recorreu ao próprio STJ.

A expectativa é de que haja uma guerra de liminares até domingo. O partido está dividido entre os que defendem candidatura própria e os que querem que o PMDB não lance candidato e se alinhe à chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra x Alckmin: Deu chuchu

Jasson de Oliveira Andrade

A briga tucana acabou: o escolhido foi Alckmin. O Chuchu (como Alckmin passou a se designar) atropelou o Serra. O motivo verdadeiro dessa escolha não foi analisado pelos comentaristas políticos. A desistência do prefeito de São Paulo se deu em Janeiro de 2006.

No dia 20 daquele mês, o Estadão publicou o resultado de uma sondagem feita pelo jornal junto aos deputados tucanos na Câmara Federal. O resultado: 27 votos (52% das preferências) para Alckmin e 15 votos (29% do total) para Serra. Por que esse resultado? O certo deveria ser o contrário, visto que o prefeito estava bem cotado nas pesquisas, praticamente empatado com Lula. Já o governador colocou-se bem abaixo, teoricamente um candidato fraco para enfrentar o presidente.

O mesmo acontecia com a maioria dos governadores tucanos, que eram alckmistas. A única explicação, para mim, é que Serra não é benquisto entre boa parte desses dirigentes tucanos. Ele é considerado egocêntrico, arrogante e obsessivo. Seus amigos dizem que não é bem assim. No entanto, o resultado da sondagem do Estadão confirma essa impressão.

Sabendo disso, Alckmin usou de um estratagema inteligente e que poderia, como realmente conseguiu, derrotar o adversário tucano. O governador queria a prévia. O prefeito declarava à mídia que aceitava a candidatura se fosse unanimidade no PSDB. A manchete da Folha (14/3) revelou o desejo do prefeito: “Serra quer candidatura, mas sem prévia”. Como prevaleceu a tese de Alckmin (consulta), Serra sabia que iria perder e, sabiamente, desistiu, dando a vitória ao governador!

Serra procurou dar outra explicação para a sua desistência, escondendo a verdadeira. Em nota à imprensa escrita e falada, ele justificou: “Coloquei-me a disposição do PSDB para assumir a candidatura se isso refletisse o desejo de todos os setores partidários. Surgiu, porém, a necessidade de uma disputa interna em razão da legítima postulação do governador Geraldo Alckmin e do seu desejo de que fosse realizado algum tipo de PRÉVIA (destaque meu) entre os militantes tucanos.
Isto, no entanto, traria sérios riscos de DIVISÃO DO PARTIDO (destaque meu), a começar por São Paulo, servindo aos propósitos de nossos adversários”. Essa a desculpa. Na realidade Serra sabia, como mostrei, que seria derrotado na prévia. A divisão, com a escolha de Alckmin, já existe, embora desmentida. Primeiro, porque o prefeito não fez um pronunciamento pessoal em apoio ao governador e se contentou com uma simples nota. Depois, essa manchete do Estadão diz tudo: “Sem a presença de Serra, PSDB lança Alckmin à Presidência”.
A ausência dele demonstra que a divisão realmente existe (ele poderá até dar um apoio verbal, mas sem entusiasmo). Agora querem que Serra seja candidato a governador. É o desejo de um setor do tucanato e também do Estadão. Mais uma manchete que explica os fatos: “Tasso quer Serra na disputa por SP; alckmistas resistem” (Folha, 15/3). Ao que parece o governador, que é apresentado como bom moço, é também arrogante e acha que é dono do nosso Estado!
No mesmo dia em que Alckmin era escolhido, a pesquisa do Ibope não lhe foi favorável. Nela, Serra está bem, mas, com o governador, Lula pode vencer já no primeiro turno: a diferença é massacrante: Lula, 43% e Alckmin, 19 (24 pontos!). Eliane Cantanhêde analisou a situação: “Alckmin é vendido como o “novo”, que tem tudo para crescer e derrotar Lula com o seu jeito certinho, eficiente, professoral. Mas, na prática, nua e crua, Serra tinha mais votos e empatava com Lula. Alckmin vai ter de suar muito para queimar 24 pontos atrás e chegar ao início do horário de TV em pé de igualdade com Lula”.
A grande esperança dos alckmistas é que os votos previstos a Serra nas pesquisas se revertam, migrem, para o governador. Não será fácil. Alckmin é conservador e, segundo a revista Época, ele pertence a Opus Dei, uma seita católica ultra-conservadora e fechada, bem como contrária ao ecumenismo, ou seja, ao diálogo com outras igrejas. Alckmin desmente a revista (diz que apenas parente é da Opus Dei).

No entanto, poderá perder votos de evangélicos, um eleitorado que pode decidir a eleição. O conservadorismo dele tem o apoio do Estadão, que, em Editorial, diz “O PSDB fez a coisa certa”, referindo-se à escolha do governador. Mas perderá votos de setores progressistas que apoiavam Serra. Tem outro motivo: ligado a Fernando Henrique Cardoso. Entre outras pessoas nomeadas pelo governador e a ele ligadas, o chefe da Casa Civil de Alckmin, cargo mais importante do governo, deputado Arnaldo Madeira, foi líder do governo FHC. Não pode, portanto, fugir das comparações do governo atual (Lula) com o anterior (Fernando Henrique). Temos ainda outros motivos que poderão tirar votos dele, mas fica para outro artigo.
Para terminar, José Simão: “Efeito Alckmin! O dólar cai e o chuchu sobe!”

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Berzoini: "CPI extrapolou todos os limites legais"

16/03/2006


O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, afirmou nesta quinta-feira (16) que a CPI dos Bingos, presidida e controla por senadores de oposição, extrapolou todos os limites legais ao dirigir as investigações para casos que não guardam qualquer relação com seu objetivo inicial – o que fere o artigo 58 da Constituição Federal.



Em entrevista à jornalista Lílian Wite Fibe, do Uol News, Berzoini falou sobre o mandado de segurança impetrado hoje pelo senador Tião Viana (PT-AC) no STF (Supremo Tribunal Federal), para impedir que isso continue acontecendo, com pedido de liminar contra o depoimento do caseiro Francenildo Costa. O STF concedeu a liminar e a audiência com o caseiro, que já havia começado, teve de ser suspensa.



Tanto quanto vários outros casos “investigados” pela CPI, o de Costa não tem nenhuma ligação com a questão dos bingos. Ele acusa o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de ter freqüentado uma casa em Brasília onde ex-assessores seus se reuniam para, supostamente, armar esquemas de favorecimento a empresas no governo. Palocci já negou, reiteradas vezes, que tenha freqüentado tal casa.



Segundo disse Berzoini à jornalista, o PT não impõe nem imporá qualquer obstáculo para que a denúncia seja investigada. “Nós não temos o desejo de evitar as investigações. Mas elas têm de ser feitas a partir dos instrumentos próprios, sem ilegalidade. A Polícia Federal e o Ministério Público têm toda a condição de investigar. Nos interessa a investigação nos fóruns descontaminados do processo político-eleitoral”, afirmou, lembrando que a CPI se transformou em palco para disputa política e que depoimentos como o de Francenildo servem apenas como “show para as câmeras”.



O presidente do PT garantiu o mandado no STF não foi motivado apenas pelo depoimento do caseiro. “Não é de hoje que nós estamos falando que a CPI dos Bingos vem extrapolando aquilo que diz a Constituição. E isso é muito perigoso para a democracia e a segurança jurídica”, alertou.



Para Berzoini, a CPI está “operando” com o objetivo único de fazer oposição ao governo. “É uma CPI do PT, não dos Bingos. E o PT não pode se sujeitar a esse comportamento claramente eleitoral e inconstitucional”.



Ele também criticou o presidente da Comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), por este constantemente defender a audiência com pessoas que nada têm a ver com o objeto da CPI.



Berzoini considera a posição de Efraim incoerente, já que ele agiu de maneira oposta, em 2001, durante a CPI do Banespa.



"Efraim deveria fazer uma auto-crítica da decisão que proferiu como presidente interino da Câmara, em 2001, durante a CPI do Banespa, quando nós queríamos trazer [o ex-diretor do Banco do Brasil] Ricardo Sérgio de Oliveira para prestar esclarecimentos de operações de crédito e ele rejeitou o requerimento porque não havia conexão entre o depoimento e o fato investigado."



Ao defender a decisão do STF, Berzoini lembrou que foi o mesmo tribunal que determinou a instalação da CPI, e que, na época, a oposição comemorou. O presidente do PT disse que as decisões da corte precisam ser respeitadas, “inclusive pelo Congresso”, porque é ela quem resguarda o cumprimento dos princípios constitucionais.



Berzoini afirmou ainda que há muito tempo vinha sendo cobrado pelas bases do partido para que recorresse ao Supremo contra as ilegalidades da CPI, com o que, pessoalmente, não concordava. "Mas o nível de abuso está crescendo", ponderou.



Para ele, esse recrudescimento se deve às pesquisas eleitorais de fevereiro e março, que mostram a recuperação da popularidade do governo e o favoritismo de Lula nas eleições peresidenciais deste ano.



"A oposição está esperneando através da CPI. Ela foi surpreendida (com as pesquisas) porque, primeiro, a população percebe o que há de correto e o que há de luta política nesse processo. Segundo, por causa dos bons indicadores sociais e econômicos do governo”, concluiu.



Leia também:site do pt, link ao lado
Fontana: “CPI dos Bingos virou palco eleitoral"
Liminar suspende depoimento de caseiro à CPI dos Bingos

Friday, March 17, 2006

Caseiro recebe 38 mil

Escrito por Revista Época - 17/03/06 18:45:02

Extratos revelam depósitos para caseiro
O caseiro Francenildo dos Santos Costa, que ganhou fama ao aparecer na CPI dos Bingos esta semana acusando o ministro Antonio Palocci de freqüentar a “casa do lobby”, montada por lobistas de Ribeirão Preto pode ser um trabalhador humilde, como foi descrito diversas vezes, mas está longe de passar por dificuldades financeiras.
Época teve acesso a um conjunto de extratos de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em nome dele. A conta, de número 1048-8, fica na agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalha e mora.
Segundo estes extratos, desde o início do ano, a conta recebeu depósitos de R$ 38.860,00. Todos foram registrados como “depósitos em dinheiro”. Francenildo reconheceu os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar.Os extratos indicam que, quando o ano começou, a conta em nome do caseiro tinha um saldo de R$ 24,76. No dia 6 de janeiro, é registrado um depósito de R$ 10.000,00.
Três dias depois, aparece um saque com cartão eletrônico de R$ 2.500,00. Nos dias seguintes, há outros saques, de menor valor. Em 6 de fevereiro, aparece um outro depósito, desta vez de R$ 9.990,00. A conta fica parada até o dia 15 de fevereiro, quando há um saque de R$ 15.000,00, novamente com cartão eletrônico. Um dia depois, outro depósito, desta vez de R$ 10.000,00, mais uma vez em dinheiro.
No dia 3 de março, há o registro de mais um depósito, de R$ 3.870,00. Finalmente, em 06 de março há outro depósito no valor de R$ 5.000,00. No dia 16 de março, quando foi tirado o extrato, o saldo da conta é de R$ 19.662,35. Neste dia, Francenildo depôs na CPI.Ao receber os extratos, a reportagem de Época entrou em contato com o advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que representa o caseiro. Ele levou um susto. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”.
Quinze minutos depois, o advogado telefonou para a redação. De acordo com ele, Francenildo reconheceu os depósitos, mas disse que o dinheiro veio de seu pai. “Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse o advogado.Segundo o caseiro, o pai mandou R$ 25 mil. O saque de R$ 15 mil teria sido para comprar um carro. “Ele desistiu de comprar o veículo e depositou de novo boa parte do dinheiro, cerca de R$ 13 mil”.
O empresário Euripedes Soares confirmou à Época que fez os depósitos, mas negou que seja pai do rapaz. "O sobrenome dele é muito diferente do meu para eu ser pai dele", disse. Ele afirma que só vai explicar o motivo do depósito "depois de falar com um advogado".(Gustavo Krieger e Andrei Meirelles)

O caseiro Nildo recebeu R$ 38,8 mil

O caseiro Nildo recebeu uma bolada de R$ 38.860,00 desde o início do ano, segundo informam os repórteres Gustavo Krieger e Andrei Meirelles, do blog de política da revista Época.
Segundo o blog, "O caseiro Francenildo dos Santos Costa, que ganhou fama ao aparecer na CPI dos Bingos esta semana acusando o ministro Antonio Palocci de freqüentar a “casa do lobby”, montada por lobistas de Ribeirão Preto pode ser um trabalhador humilde, como foi descrito diversas vezes, mas está longe de passar por dificuldades financeiras".

Um conjunto de extratos de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em nome de Nildo (número 1048-8, agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalha e mora) mostra depósitos de R$ 38.860,00. Tudo foi “depósitos em dinheiro”. Nildo reconhece os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar.

Eis mais um trecho do post de Krieger e Meirelles: "A reportagem de Época entrou em contato com o advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que representa o caseiro. Ele levou um susto. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”.
Quinze minutos depois, o advogado telefonou para a redação. De acordo com ele, Francenildo reconheceu os depósitos, mas disse que o dinheiro veio de seu pai. “Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse o advogado".
Muito esquisita essa história. É água no moinho do governo para tentar desqualificar o depoimento do caseiro. E para tentar segurar Palocci.
Nesses casos, a verdade muitas vezes (infelizmente) é o que menos importa. Há uma disputa política entre governo e oposição. Se o governo conseguir colocar em dúvida a credibilidade da principal testemunha da oposição, dá uma bagunçada no jogo. Escrito por Fernando Rodrigues

Blogs de defesa do governo Lula são retirados do ar

Os blogs Grupo Beatrice, Amigos do Presidente Lula, Onipresente e Brasil Brasil, foram misteriosamente retirados do ar. O curioso é que todos são do blogspot e fazem a defesa do PT e do governo Lula.
Precisamos denunciar mais este golpe da tucanalha, que com isso pretende nos intimidar e tentar acabar com o único espaço democrático, que até então pensavamos ter, que é a internet.
Não conseguirão nos calar! Estaremos na luta juntos sempre!

Thursday, March 16, 2006

Meu nome é Sylvia Manzano e fui convidada a entrar nessa tribuna pela Alyda e este é o primeiro e-mail que escrevo pra vocês.
Queria falar um pouco da minha experiência na eleição da Marta.
Sou escritora de livros para crianças e jovens, aliás, para quem quiser me conhecer melhor: www.sylviamanzano.com
e nos anos de 2003 e 2004 fiz parte de um projeto chamado "O escritor nas Bibliotecas", onde o escritor vai conversar com seus jovens leitores.
Em 2004 conheci vários CEUS que a Marta fez na periferia, dando palestra e curso de redação e fiquei encantada com o que vi, era tudo que sempre sonhei para as crianças pobres do Brasil.
Se eu já gostava da Marta, a partir disso fiquei simplesmente maravilhada com sua gestão, também pelo bilhete único e tudo o mais que ela fez.
Nos CEUS conversava muito com as mães e com as crianças e percebia que todos gostavam muito da Marta, eu diria até que ela era adorada por aquelas pessoas.
Acredito que ela perdeu a eleição pela campanha torpe que o Serra fez contra ela, mas entre outros motivos, acredito que o que ouvi dizer, faz muito sentido: muitas e muitas daquelas mães iriam certamente votar na Marta, mas não tinham transferido seus títulos de eleitores.
Essa situação é muito mais comum do que se imagina.
Os nortistas e nordestinos que vem trabalhar em São Paulo, que tanto fazem por esta cidade, que certamente sem eles, não teria essa pujança, não costumam transferir o título de eleitor.
Sou de conversar com todo mundo onde vou, onde tomo cafezinho, onde compro pipoca no cinema, na feira livre onde vou comprar frutas, sou - como diz um amigo - uma propaganda ambulante, porque com todos que converso pergunto em quem vai votar e isso o ano todo, não só na época da eleição, ah, esquecia de falar dos taxistas...e é muito grande a quantidade de pessoas que dizem que não transferiram seus títulos, pelo menos, em minha pesquisa particular e pouco abrangente.
O que digo é mais uma impressão que tenho, do que uma certeza de que isso realmente aconteça, mas eu acho que seria muito importante que o PT e os militantes pensassem muito nesse assunto e procurassem levar o maior número de nordestinos a transferir seus títulos, pra poder votar no Lula no dia da eleição.
Bem, era isso que eu tinha a dizer e aguardo os comentários.
Abraços
Sylvia Manzano

Duda Mendonça é filiado ao P do Eu

Duda não fez como milhares de militantes que, desde a deflagração da crise política artificial, permaneceram fiéis ao governo Lula e ao PT. Duda fez a gente de palhaço e fugiu, nós ficamos na luta. Duda volta, convocado, com um hábeas corpus e um advogado a tiracolo, e deixa tudo muito mais nebuloso para milhões de indecisos.

Agora eu tenho que estar com Duda, como alguns militantes estão propondo? Jamais! O depoimento de Duda Mendonça foi munição para a cassação do José Dirceu, para muitos militantes rasgarem a carteira de filiação ao partido e para engrossar as fileiras do adversário (apesar de que, se alguns se foram, então, vão com Deus!), foi arma poderosa no processo golpista que se instalou no Brasil contra o governo Lula.

Viva Delúbio! Este, sim, mantém-se fiel ao partido até tendo sido expulso.

Primeiro o sujeito corre, voluntariamente, para a mesa de uma CPMI e derrama lágrimas de rato, depois, quando convocado para depor na CPMI, endurece feito rato que comeu chumbinho. Estou me lixando para o que os grandes jornais estão dizendo, não li mais que a manchete de alguns e não me interesso pelo que suas matérias veiculem hoje, sobre o depoimento de Duda Mendonça, afinal, fosse qual fosse sua atitude, esses mesmos jornais formulariam suas deturpadas opiniões, defecariam seus editoriais, em qualquer versão que lhes fosse mais apropriada.

A meu ver, Duda Mendonça não desrespeitou certos parlamentares, mesmo porque certos parlamentares não merecem respeito. Porém tinha obrigação de responder mesmo àqueles que não merecem respeito. O respeito é um sentimento e atitude de auto-estima, não apenas de acatamento ou obediência aos outros.

Se mentiu, pedisse desculpas e revelasse a verdade, se falou a verdade, reiterasse-a; se não queria incriminar-se cada vez mais, tinha todo o direito, garantido não apenas através do instituto do Habeas Corpus, mas até mesmo pelo próprio Código Penal, que lhe garante o direito de não depor contra si mesmo.

A CPMI não é apenas um processo com características jurídico-administrativas, mas, acima de tudo, político. E desconheço em que uma atitude extremada como a do "depoente" Duda Mendonça possa significar uma boa estratégia política. O que aquilo não passou foi de uma defesa do patrimônio financeiro do Duda Mendonça, os seus milhões lá fora ou aqui. Aliás, esses canalhas, tão logo amealham seus primeiros milhões (geralmente de maneira escusa), mandam logo lá pra fora. E que ele não me venha com o lero-lero de que se trata apenas de movimentação com clientes estrangeiros. Vá contar a outro.

Com a sua postura na CPMI, ele apenas incrementou a desconfiança entre os mais céticos (refiro-me às pessoas de boa-fé que acompanham o desenrolar das questões), ele apenas fez com que eu passe a ouvir cada vez mais o refrão: "É tudo farinha do mesmo saco!", "Só tem ladrão", 'É igual ao Lula: não sabe de nada, não viu nada", essas coisas idiotas que a gente ouve por onde anda.

Pra mim, Duda Mendonça é realmente um corrupto. Pra mim? Ora! como sou pretensioso! As lágrimas de rato ou o silêncio de Duda Mendonça e os regougos e cinismo de Roberto Jefferson não têm diferença.

Duda Mendonça e seu advogado não pensam noutra coisa senão ganhar a causa, e a causa pra eles significa apenas os milhões de dólares que ele amealhou em campanhas eleitorais que lhe outorgaram preciosos títulos de "melhor publicitário do ano", "melhor marqueteiro do século" e coisas do gênero.

Duda Mendonça vende creme dental e políticos, mas usa o que o seu dentista, digo, seu advogado recomendar; enquanto milhões de eleitores usaram os produtos que Duda Mendonça recomendou (estou me referindo a eleitores menos atentos). Duda Mendonça recomendou Maluf como recomendou Lula. Pra ele tanto faz Colgate como Sensodine, o importante é vender.

Duda Mendonça que vá pro raio que o parta, vou torcer para que, na Justiça, se possa apurar realmente até onde Duda Mendonça, ou qualquer outro corrupto, venha de onde vier, esteja onde estiver, pague pelos seus crimes, se crimes houver ou puderem ser apurados.

E que Duda Mendonça vá chorar ou calar no inferno!

Fernando Soares Campos.

Casa de Ferreiro, espeto de pau

Senhores Deputados e Senadores:

Enquanto vocês posam de “Musas”, dignos de um BBB6, aproveitando todo o espaço para aparecerem na televisão. Ocupando-se em descer o pau no Governo Federal, no Presidente, nos Ministros. Tentando a todo o custo derrubar o Ministro Palocci, (o único a conseguir a façanha de controlar a inflação, derrubar os juros, livrar-se da dívida externa até 2007, abaixar o dólar sem recorrer a planos mirabolantes, fazer o risco país cair a um patamar nunca visto antes) os cenários de seus estados são bem diferentes:

Vejamos alguns:

ALAGOAS: Município Jacaré dos Homens decreta estado de “Calamidade Pública”, a população, a plantação e o gado morrem de fome e sede, enquanto os fazendeiros desviam água da adutora da Companhia de Água para abastecerem as suas piscinas e fazendas, vivendo em um verdadeiro Oásis, como informou Joelmir Beting. O MP já está investigando. .

BAHIA: Nossa querida Bahia continua exportando os seus miseráveis para os Estados vizinhos, criança e adolescente continuam sendo alvo da prostituição infantil, continuam mendigando e se prostituindo ao longo da Br-101, enquanto os seus políticos cada um mais corrupto que o outro, continuam roubando, empregando seus parentes em Prefeituras e Órgãos Públicos, desviando verbas federais para seus cabos eleitorais e cupinchas.

AMAZONAS: O Governo Federal, tão combatido e desrespeitado tem que enviar vacinas para combater “Rota Vírus”, doença causada por falta de saneamento básico e higiene. E por onde andam os políticos da terrinha? Defendendo Astronauta, passando a mão na cabeça de pedófilos e tirando da cadeia pessoa que gostam de exibir para as moças e delegada as suas partes íntimas.

Pois bem, se os deputados e senadores brasileiros se preocupassem em fazer o seu trabalho que é criar leis de políticas inclusivas, reforma política, reforma agrária, reforma trabalhista. E parassem de roubar, fazer conchavos para livrar “os seus”, parassem com discursos vazios e ultrapassados. Discursos estes que mais nos remetem aos nossos tempos de universitários, quando lutávamos para derrubar o Regime Militar e para reabrir os DCE e a UNE , o País com certeza seria bem mais desenvolvido, geraria muito mais empregos e a população abaixo da linha de pobreza reduziria drasticamente e tenham a certeza o Brasil estaria muito melhor.
Nós lhes fazemos a seguinte proposta: Proponham um referendo para saber de quem os brasileiros querem ficar livre?
- Do Presidente Lula ou do Congresso Nacional;
- Do Ministro Palocci ou dos Deputados e Senadores..

Tenham esta coragem e façam isto, porque assim talvez as próximas gerações de políticos não sejam tão corporativistas, corruptos, incultos, retrógrados e tão alienados. Façam isto nós agradeceríamos e avisamos: “Estamos Espiando”

Voluntariado de diversas Pastorais, Professorado, Comunidade de Base, Sindicatos, Associações de Moradores e ONG em defesa da democracia e por um Congresso sem corrupção.

CARTA AOS PARLAMENTARES PETISTAS

V. Exmas. e Caros Companheiros,

Foi muito decepcionante o data de hoje, dia 16/03/2006, vê-los apáticos, sem reação, a uma oposição que gasta seus dias, única e exclusivamente, para desestabilizar um país e assim receber dividendos eleitorais.

Tento refletir o que se passou na cabeça do nobre Senador Suplicy [que tanto admirava, mas mostra-se despreparado para defender o partido de manobras diversionistas da oposição] para concordar com a convocação deste motorista de hoje. Ainda que sejam boas suas verdadeiras intenções, esforço-me em não acreditar que V. Exma. tenha procurado se auto-promover, lançando aos leões seus colegas de partido, pois isso seria uma traição.

Gostaria também de manifestar minha profunda decepcão com os outros companheiros do Senado que não o aconselharam, ou foram inábeis neste ato, para evitar que cai-se no jogo da oposição.

V. Exmas são pessoas mais preparadas do que este humilde eleitor/militante e sabem da responsabilidade que possuem com o país. Sabem, também, os anos tristes que vivemos e superamos para conseguir dar este pequeno passo para um futuro promissor. Também, tem consciência do sacrifício que vivemos para conseguir ter uma economia fortalecida.

V. Exmas. tem a obrigação de não permitir o que aconteceu hoje e seus efeitos. Se a oposição quer vençer uma eleição, é seu direito lutar, porém, é o dever de todos os parlamentares proteger o país e seu povo.

Agradeço a atenção, desculpo e retrato-me se os ofendi de alguma forma, não foi minha intenção,

Reinaldo Copello de C. Filho

TENHO ORGULHO DO ZÉ DIRCEU

Patty,

O seu comentário é muito oportuno no dia de hoje, data em que o companheiro, comandante, líder, mestre e conselheiro José Dirceu está completando 60 anos de vida.
Nós só temos motivos para nos orgulharmos dele, o adesivo a que você se refere foi confeccionado por um companheiro do PT de Volta Redonda, o Ademir Cecílio, que criou no orkut uma comunidade com este mesmo nome: Tenho orgulho do Zé Dirceu.
Sempre iremos nos orgulhar dele como exemplo de cidadão brasileiro, de político reto, firme, que não foge a luta jamais. Assim é o nosso Zé, não o que a mídia inventou para tentar confundir a população.
Político que como poucos é capaz de colocar os interesses da nação acima dos seus, que como poucos é capaz de fazer uma análise clara dos últimos acontecimentos políticos no Brasil e na América Latina. América que finalmente começa a resgatar a sua identidade, Brasil que marcha junto com a onda latina que vem varrendo o conservadorismo das elites, sempre prontas a expropriar o povo.
Mas, que desta vez sofre um duro golpe, que é ver todo o seu poderio escorrendo por entre os dedos e o povo silenciosa e pacificamente fazendo uma verdadeira revolução. E o nosso Zé mesmo que as elites não queiram, é o principal responsável por isso.
Parabéns para ele e parabéns para nós que podemos ter o orgulho de estarmos ao seu lado.
Bel
Soneto ao brasileiro Zé, do 16 de março.

Por Maria Aparecida Torneros da Silva

Publicada em 15/03/2006


Soneto ao brasileiro Zé, do 16 de março

Desafio métrico, a escolha do tema é fácil
Homenageio o amigo dileto, tenho pressa,
de dizer o que me passa, como ave ágil,
voando de dentro para fora, nada me impeça.

Reparo na sua densa e forte trajetória
enquanto busco palavras fiéis e disponíveis
capazes de traduzir tanto a velha história,
como os capítulos ainda não previsíveis.

Sei que posso adjetivá-lo, como presente,
audaz, amigo, sincero, guerreiro e valente.
Preciso, no entanto, condensar o conceito.

Que tola poeta, afinal, sou eu assim, incerta,
decifrando o aniversariante, a porta da alma aberta,
vejo o Brasil, a brilhar, para sempre, no seu peito...

Cida Torneros é Jornalista.

Wednesday, March 15, 2006




Agenda de Alckmin prevê retomada da ALCA e privatizações

Candidato tucano já discute linhas gerais de seu programa de governo com um grupo apelidado de "República dos Bandeirantes".
Entre as propostas estão a retomada das privatizações, o fim do Ministério de Desenvolvimento Agrário e defesa da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Ao ser anunciado como candidato do PSDB à presidência da República, o governador de São Paulo anunciou alguns princípios gerais de seu programa de governo. Entre eles, os da eficiência e do combate ao desperdício na esfera do Estado. Alckmin já vem discutindo há algum tempo a aplicação concreta destes princípios com um grupo de especialistas reunidos por ele e que já recebeu o apelido de "República dos Bandeirantes".

Uma das principais idéias que orienta o grupo é "choque de gestão".Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais; fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário; adoção da política do déficit nominal zero; redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca): essas são algumas das idéias defendidas pelo grupo que vem se reunindo com Alckmin, com o objetivo de desenhar o esboço de um eventual programa de governo.

Em matéria publicada em 9 de janeiro deste ano, o jornal "Valor Econômico" anunciou: “Alckmin toma aulas para campanha”. Segundo a matéria, o ex-presidente do BNDES e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já se destaca como provável homem forte da “República dos Bandeirantes”.

Já participaram de reuniões da “República dos Bandeirantes”, entre outros: Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações de FHC), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central), Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação de FHC), Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Sérgio Amaral (ex-ministro do Desenvolvimento e ex-porta-voz da Presidência da República durante o governo FHC), Xico Graziano (ex-presidente do Incra e ex-secretário da Agricultura de São Paulo), Arnaldo Madeira (ex-líder de FHC na Câmara e atual secretário da Casa Civil de SP), Raul Velloso (especialista em contas públicas) e José Pastore (sociólogo, especialista em relações do trabalho).

As “aulas” deste grupo a Alckmin têm um objetivo claro: “o governador está em processo de entendimento dos problemas nacionais”, disse Mendonça de Barros ao "Valor".DÉFICIT NOMINAL ZERORepercutindo o mesmo tema, a "Folha de São Paulo" publicou em 10 de janeiro: “Alckmin já prepara plano econômico”. A matéria também fala das reuniões da “República dos Bandeirantes”, destacando conversas de Alckmin com Armínio Fraga e o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo a Folha, “Alckmin pretende utilizar na campanha as lições que tem recebido”. “Ele tem defendido, por exemplo, a idéia de déficit nominal zero, uma proposta antiga de Yoshiaki Nakano, um dos seus interlocutores mais freqüentes”, acrescenta. Segundo essa proposta, o governo teria que ter receitas para pagar todas as suas despesas, incluindo aí os gastos com juros da dívida pública.

Como não há espaço para aumento da carga tributária, a proposta prevê o corte de despesas pelo governo e o aumento do limite de desvinculação de receitas da União.Além de procurar “entender os problemas nacionais”, Alckmin também teria como objetivo, através das reuniões, demarcar aquela que seria uma de suas principais diferenças em relação ao prefeito de São Paulo, José Serra, outro líder tucano que postulava a candidatura à presidência da República.

Serra seria centralizador e Alckmin um gestor moderno que governaria com especialistas.
Com o fim dessa disputa, Alckmin dedica-se agora ao detalhamento de sua agenda para o Basil.As idéias dos especialistas ouvidos por Alckmin dão uma idéia dessa agenda que está em construção. Roberto Giannetti da Fonseca, por exemplo, segundo a reportagem do "Valor Econômico", é “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a Alca e as negociações com a União Européia”.

Já o sociólogo José Pastore “propõe uma reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos”. Além disso, é um crítico da obrigatoriedade do abono de férias e o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no formato atual. O deputado Xico Graziano, por sua vez, defende a fusão dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e a criação de uma agência reguladora voltada exclusivamente para o agronegócio.

E Raul Velloso propõe a redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação.CHOQUE DE GESTÃO E PRIVATIZAÇÕES Apontado como “homem forte” do grupo, Luiz Carlos Mendonça de Barros defende uma redução mais rápida da taxa de juros para conter a valorização do real. Considerado um dos principais representantes da ala desenvolvimentista do governo FHC – que acabou derrotada pela ala do ex-ministro Pedro Malan – Mendonça de Barros não propõe mudanças profundas em relação ao modelo atual.
Se, por um lado, é crítico da política de juros praticada hoje pelo Banco Central, por outro, ficou ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na recente polêmica com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica da tese do déficit nominal zero e defensora do aumento de investimentos nas áreas social e de infra-estrutura.

Definida a candidatura Alckmin, um dos carros-chefe de seu programa deve ser o discurso do “choque de gestão” a ser aplicado no Estado brasileiro, proposta que representa uma variação das teses do estado mínimo.Outra proposta da agenda tucana para o país que caminha nesta direção diz respeito às privatizações. Em entrevista concedida ao jornal "O Globo" (15 de janeiro de 2006), ao ser indagado se pretendia retomar a política de privatizações implementada pelo governo FHC, Alckmin respondeu positivamente e citou os bancos estaduais entre suas prioridades. “A maioria já foi privatizada, mas deveriam ser todos. Tem muita coisa que se pode avançar.

Susep, sistema de seguros, tem muita coisa que se pode privatizar”, respondeu. Perguntado se os Correios estariam nesta lista de empresas privatizáveis, o governador paulista foi mais cauteloso, mas não descartou a possibilidade. “Correios acho que teria que amadurecer um pouco. Tem muita coisa que não precisa privatizar”, afirmou sem especificar quais.
E, além das privatizações, acrescentou que pretende valorizar as parcerias público-privadas em um eventual governo tucano.POLÍTICA EXTERNA: PRIORIDADE PARA A ALCA.

Mas uma das principais diferenças em relação ao governo Lula aparece mesmo é no plano da política externa, onde os tucanos criticam a proximidade com o governo de Hugo Chávez, da Venezuela, e defendem a retomada das negociações da Alca com os EUA. Após a palestra realizada pelo presidente George W. Bush, durante sua visita a Brasília, no início de novembro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) elogiou a fala do líder norte-americano, destacando a questão da Alca.

Na avaliação do senador tucano, essa aliança comercial é de interesse do Brasil e “deve ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. Para Virgílio, a Alca surgirá com ou sem o Brasil. “Sem o Brasil, fará a alegria do México”, comentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria fazer um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias.

Em relação ao governo Chávez, a posição tucana ficou muito clara nas palavras de Virgílio. Para ele, Chávez só se sustenta na Venezuela “graças às milícias que procuram intimidar as oposições e ao alto preço do petróleo”. A simpatia do PSDB em relação à Alca manifesta-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da Alca.

Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica.

São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a Alca não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, escreveu o governador mineiro. Essas são algumas das idéias e prioridades que estão sendo alimentadas no ninho tucano para disputar o voto dos brasileiros este ano.
Deputado José Mentor

O Conselho de Ética deve votar sobre representação contra o deputado José Mentor (PT/SP) por quebra de decoro parlamentar na quinta-feira (16/3), as 10h. Cada caso é um caso. O do deputado José Mentor é diferente dos demais com processo no Conselho de Ética. O nome do deputado jamais esteve no rol de saques do Banco Rural, não foi citado pelo publicitário Marcos Valério, não consta na lista da senhora Simone Vasconcelos e nunca foi mencionado pelo ex-deputado Roberto Jefferson.

O escritório de advocacia José Mentor, Perera Mello e Souza Advogados Associados, de onde o deputado é sócio desde 1987, tem mais de 1.800 clientes e quase 500 processos em andamento. É um escritório de conhecida reputação e foi contratado para elaborar três estudos jurídicos.

O serviço prestado foi legal e transparente. O escritório recebeu, em depósito, cheque de R$ 60 mil emitido da conta pessoal do Dr. Rogério Tolentino. A segunda parcela, também em cheque, emitido pela empresa 2S Participações, foi entregue pelo próprio Dr. Tolentino. O escritório José Mentor, Perera Mello e Souza emitiu as notas fiscais referentes ao serviço prestado e os impostos foram pagos legalmente.

Não existe caixa dois no caso do deputado José Mentor. Os cheques têm origem e os dois cheques têm destino: as contas da pessoa jurídica, do escritório. Têm origem e destino. Não há clandestinidade. Não é caixa dois, foram recolhidos os impostos. O caixa dois é para esconder a origem ou para não pagar o imposto. Os impostos foram pagos. Portanto, se tiver de rotular, é de caixa um, porque é legal, está na contabilidade, está no Imposto de Renda.

Todos os documentos do serviço prestado foram periciados pelo renomado perito Ricardo Molina, da Unicamp, que atestou a veracidade de todos eles.

O nome de José Mentor jamais foi citado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, não consta no rol apresentado pelo publicitário Marcos Valério, não está na lista da senhora Simone Vasconcelos e também não está nos saques do Banco Rural.

José Mentor prestou depoimento nos dias 17 de janeiro e 2 de fevereiro ao Conselho de Etica e demonstrou claramente que não cometeu qualquer irregularidade. O deputado sempre esteve disposto a esclarecer os fatos e a provar que nenhuma das ações que desenvolveu comprometeram ou atingiram o decoro parlamentar. Não foram atos indecorosos. O deputado José Mentor não abusou de prerrogativas do mandato e não recebeu nenhum tipo de vantagem indevida.
CNI/IBOPE: Pesquisa mostra que Lula venceria eleições _ Jornal do Brasil


SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou a liderança na corrida sucessória e se distanciou dos demais "competidores". A conclusão é da pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. De acordo com o estudo, a recuperação na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dezembro do ano passado para março deste ano teve "evidente impacto" nas simulações de intenção de voto para as eleições 2006.

Como foi realizada antes do anúncio oficial do nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como candidato do PSDB à presidência, a pesquisa ainda incluiu o nome do prefeito da capital paulista, José Serra. No estudo, Serra aparece como o maior percentual de intenção de votos entre os possíveis candidatos de oposição.

Em dezembro do ano passado, o presidente Lula tinha 31% dos votos. Em março deste ano, o número subiu para 40%. Serra ficou em segundo lugar tanto em dezembro de 2005 (37%) como em março (31%).

Na simulação contra Alckmin, Lula ampliou a vantagem em relação à pesquisa realizada em dezembro. Alckmin passou de 20% para 19% e Lula, de 32% para 43% das intenções de voto.
Nas simulações para o segundo turno, o presidente Lula abriu vantagem em relação a todos os possíveis candidatos. Na pesquisa de dezembro, Serra liderava por 13 pontos percentuais e agora aparece quatro pontos atrás de Lula, configurando empate técnico.
Já Alckmin, que em dezembro aparecia tecnicamente empatado com Lula, teve a diferença aumentada para 18 pontos percentuais.

Monday, March 13, 2006

Zé, depois que li seu artigo : E o Brasil?Iniciei dentro de mim um processo de rememorar qual era o meu Brasil...e me vi assim...como porta-bandeira, aos 7 anos, na escola primária do bairro, num subúrbio carioca, nos anos 60, com a faixa verde-amarela transpassada no corpinho magro, o auri-verde pendão apoiado na cintura, marchando no pátio da escola, diante do público composto de professores e pais de alunos, entre os quais eu podia ver os olhinhos orgulhosos da minha mãezinha, enquanto eu iniciava o processo de entendimento do que fosse representativo por aquela bandeira.
Aí, um ano depois da responsabilidade em hastear diariamente a bandeira, chegou o dia em que eu devia passar o cargo ao novo pimeiro aluno da primeira série, e esse era o meu irmão Paulo ( que eu chamava Paulinho, hj é engenheiro, tem 54 anos).
Em casa, decoramos por dias seguidos, repetidamente um texto em que eu lhe dizia coisas sobre o símbolo nacional e ele respondia assumindo a guarda de honra daquela flâmula.
No dia 19 de novembro, com luvinhas brancas, eu e ele, nossa mãe emocionada e chorosa a postos, eu falei tudinho e ele engasgou... eu soprei sua parte, ele foi repetindo, too o público percebendo seu nervosimo, talvez por ter naquele tempo, ele só seis anos e eu oito, e por estarmos ambos aprendendo a ser cidadãos brasileiros.
Dali em diante, estudamos muito e sempre em colégios públicos, até a universidade. Ele fez engenharia na UFRJ e eu jornalismo na UFF. Somos muito unidos e conscientes, trabalhadores e incansáveis, como todos os brasileiros costumam ser.
Já fiz muito discurso, pela vida afora, homenageando o Brasil, me orgulhando dele ou mesmo me lamentando o atraso do seu caminhar, entre tapas e beijos, quando me deparo no dia a dia do meu trabalho com tanta desigualdade e injustiça. mas, não perdi o foco, sei que há muito a conquistar, e luto por isso, no meu modo de fazer as coisas, procurando conscientizar as pessoas da responsabilidade que é tocar este país para um patamar superior, ao que se encontra ainda.
Identifico isso em vc, um sonho de Brasil melhor com um crescimento real que não seja esse maquiado conjunto de números que não reflete a realidade do olhar justaposto nas periferias das grandes cidades. Não basta escrever e enumerar... é preciso sair a pé, nas ruas dos pobres, e ver. só isso. Quando se vê essas vielas por onde brasileirinhos descalços e descamisados teimam em sobreviver, é que se tem a certeza de que falta patriotismo nos homens e mulheres que estão com a faca e o queijo nas mãos e se empenham muito pouco pela mudança real e necessária.
No Chile, quando caminhei nas ruas dos suburbios e vi o nível de vida das pessoas, pensei que era assim que eu gostaria de ver o meu Brasil, sem lixo e com cara de saúde. Vi isso no Japão, há 30 anos, vi nos EUA, vi na Argentina ( antes da crise) , vi na Espanha... quero ver no Brasil, como sei que você quer ver também. o Brasil do Zé, eu tenho certeza, é como o da Cida: justo, crescido, maduro, com educação básica para todos, sem analfabetismo, com dignidade... Nosso Brasil é sonho por enquanto, mas há de ser real um dia, e nesse dia, mesmo longe, teremos a lembrança feliz de havermos segurado bem a bandeira, nas marchas dos pátios das escolas, e nas plenárias, para discutir as demandas que podem mudar o curso lento da mudança na vida nacional.
Vou lhe dar de presente, de aniversário, uma Bandeira do Brasil.e... luvas brancas, para que a conduza, sempre...beijo e feliz aniversário...Cida

Aparecida Torneros
Este é um tipo de matéria que Veja jamais publicará.
Bel

O COMENDADOR E OS TUCANOS

As ligações entre o senador Antero Paes de Barros, o ex-governador Dante de Oliveira e o bicheiro João Arcanjo

Por Leandro Fortes, de Cuiabá

Na quarta-feira 8, a assessoria de imprensa do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) distribuiu um texto intitulado Velhacos e Bestalhões. O documento, um arrazoado de divagações e clichês sobre o governo do PT, conclama o Ministério Público Federal a uma “ação efetiva” contra o que o parlamentar chama de “desrespeito à lei eleitoral”, no caso, a declaração do presidente Lula de que todo político faz campanha eleitoral 365 dias por ano. Trata-se de uma relação dúbia do senador com o Ministério Público. Ao mesmo tempo em que urge providências na esfera federal, Antero vocifera contra outra ação do MP a nível estadual. Tem lá seus motivos.

Um inquérito aberto há pouco mais de dois anos pela Polícia Federal do Mato Grosso investiga as estranhas e lucrativas ligações da cúpula do PSDB regional com o crime organizado local. Não se trata, diga-se de passagem, de uma organização qualquer. O chefe da quadrilha é o banqueiro do jogo de bicho João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, acusado de ter ordenado o assassinato de mais de 30 pessoas em Mato Grosso, e o espancamento e mutilação de pelo menos outras 50. Entre 1994 e 2002, diversas empresas ilegais de factoring (empresas que antecipam dinheiro de cheques pré-datados) montadas por Arcanjo serviram para irrigar dinheiro em campanhas eleitorais do PSDB. Apenas na campanha a governador de Antero Paes de Barros, em 2002, foram encontrados 84 cheques de uma factoring do bicheiro no valor total de 240 mil reais.

O assunto, obviamente, transtorna o senador. Em 16 de fevereiro, Antero teve um ataque de nervos em plena CPI dos Bingos, justamente quando era ouvido o juiz Julier Sebastião da Silva, titular da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Mato Grosso. Convidado pela comissão, Julier teve pouco tempo para explicar o que tem feito em Cuiabá. Na capital mato-grossense, com a ajuda dos procuradores da República Pedro Taques e Mário Lúcio de Avelar, o juiz desmantelou o império de Arcanjo e desnudou as relações do bicheiro com o ex-governador tucano Dante de Oliveira, o senador Antero, o comitê financeiro do PSDB, deputados estaduais e gente graúda da administração estadual.

“Mentiroso, mentiroso!”, berrava Antero Paes de Barros no plenário da CPI dos Bingos, irritado com a explanação constrangedoramente simples dada pelo juiz Julier da Silva, a quem o senador prometeu processar. Aos senadores da comissão, ele disse apenas que dava seqüência jurídica ao processo com base nas provas anexadas aos autos, todas obtidas em ações de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal. Sem saber, procuradores e policiais federais abriram uma Caixa de Pandora de onde saltaram transações de quase 1 bilhão de reais banhados com sangue.
A primeira descoberta dos investigadores foi que, a partir de 1994, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso colocou 81 milhões de reais em factorings do Comendador. Essa dinheirama foi transferida para as mãos de João Arcanjo Ribeiro, graças a uma ação direta do governo Dante de Oliveira. Ainda no governo do tucano, o Departamento de Viação e Obras Públicas de Mato Grosso depositou nas contas das empresas do bicheiro outros 9 milhões de reais.

O Ministério Público descobriu, ainda, que o ex-secretário de Segurança Pública do estado, Hilário Mozer Neto, nomeado por Dante, depositou 1,5 milhão de reais nos cofres de Arcanjo. Não bastasse isso, Mozer Neto, soube-se em seguida, era presidente da empresa offshore Gamza S.A., localizada no Uruguai, o mais importante paraíso fiscal ao sul do Equador. A Gamza, com capital social de 16 milhões de dólares (ou 34,7 milhões de reais), é de propriedade do Comendador.

Também se descobriu, ao longo das investigações, que uma empresa, a Amper – Construções Elétricas Ltda., movimentou mais de 6 milhões de dólares (13 milhões de reais), entre créditos e débitos, na factoring uruguaia de Comendador. Além disso, a Amper foi beneficiária de empréstimos fraudulentos obtidos no Uruguai junto à outra offshore do bicheiro, a Aveyron S.A., ponta-de-lança do esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado mato-grossense. Detalhe importante: o dono da Amper chama-se Armando Martins, e vem a ser irmão do ex-governador Dante Martins de Oliveira.

Os cheques da Vip Factoring colocados nas contas do PSDB foram descobertos a partir de um laudo preparado pela Polícia Federal. As informações estavam dentro de um computador apreendido pelos agentes na sede da empresa do Comendador, em Cuiabá. No disco rígido da máquina estavam todas as operações da empresa do bicheiro com o denominado “comitê financeiro único estadual do PSDB”. Os cheques encontrados, 240 mil reais ao todo, eram de doadores da campanha do senador Antero Paes de Barros à sucessão de Dante de Oliveira, este candidato ao Senado. Ambos, aliás, foram derrotados.

O delegado Eliomar da Silva Pereira é o presidente do inquérito que investiga, na Polícia Federal, as ligações do PSDB com o crime organizado em Mato Grosso. Até hoje, ele ouviu apenas um envolvido, Paulo Ronan Ferraz Santos, presidente do comitê financeiro estadual do partido. Ao policial, Ronan afirmou que os 240 mil reais descobertos nas contas da campanha de Antero fazem parte de outros 750 mil reais arrecadados por ele em um jantar de adesão com empresários do estado. Os doadores teriam pago para ouvir um certo Luiz Martins, “consultor” de investimentos de Mato Grosso.

Eliomar Pereira não sabe o que foi feito com o resto do dinheiro, nem tem planos para ouvir o senador Antero Paes de Barros e o ex-governador Dante de Oliveira. Na sala onde trabalha, estão sete caixas de documentos, centenas de disquetes e outras dezenas de HDs de computadores das factorings de Arcanjo. Boa parte do material ainda precisa ser periciada. Quanto ao senador, ele afirma que vai ouvi-lo quando encerrar todas as perícias. Em relação a Dante, o delegado está equivocado. Acredita existir uma decisão judicial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o impede de investigar o ex-governador e acessar as provas colhidas contra ele. “Por enquanto, não posso mexer em nada que diga respeito ao ex-governador”, garante. Na verdade, o STJ rejeitou uma reclamação nesse sentido de Dante, em novembro de 2005. O tucano queria foro especial em Brasília, longe dos olhos do juiz Julier Sebastião da Silva. CartaCapital /não conseguiu localizar Dante por meio do número de telefone fornecido pela PF.

Juiz federal há 11 anos, Julier vive sob proteção policial desde que remexeu no baú de maldades de José Arcanjo Ribeiro. Na sessão da CPI dos Bingos, realizada em fevereiro, foi praticamente impedido de falar, além de ter sido acusado por Antero Paes de Barros de ter montado a acusação porque era do PT. De fato, Julier foi militante do movimento estudantil pelo partido, na Universidade Federal de Mato Grosso, no fim dos anos 80. Desfiliou-se em 1995, quando se tornou juiz federal, uns poucos anos depois de outro companheiro petista e mato-grossense. O próprio Antero Paes de Barros. O senador, atual antipetista de carteirinha, foi deputado federal constituinte pelo PT, ao lado de Lula, entre 1986 e 1990.

Julier garante nunca ter sido incomodado pessoalmente, nem por tucanos, nem por bandidos do crime organizado local. Mas por causa de um plano de assassinato descoberto pela PF, vive, há dois anos, dentro de um aparato que inclui agentes federais e da Polícia Militar. “Não dá para brincar”, avalia. Ainda assim, não desiste da investigação e garante que superar o medo é parte do trabalho de quem, em nome do Estado, tem de tomar decisões. “Não tem jeito, só sei fazer isto: ser juiz”.

Segundo ele, a participação na CPI dos Bingos, no mês passado, foi “um teatro” montado para partidarizar, deliberadamente, a discussão. “Aquilo foi montado para o senador se defender, mas fiquei quieto, porque estava na condição de convidado, e os fatos falam por si mesmos”, diz. Mesmo sob ataque, preferiu não comprar a briga. “Não perco a paciência nem me meto em falsas polêmicas”, avisa. Segundo ele, não há paixão nem muito menos interferência política nas acusações. “Qualquer um que lê os autos e a sentença de condenação de Arcanjo pode entender isso.”
O procurador Pedro Taques, atualmente lotado na Procuradoria Regional de São Paulo, também estava na CPI dos Bingos, ao lado do juiz Julier, quando o senador Antero Paes de Barros disparou contra as investigações. Taques, um dos procuradores mais atuantes do País contra o crime organizado, já havia falado duas vezes na comissão, sempre sobre o problema de bingos e sempre de forma genérica. Naquela ocasião, queria discorrer sobre as ligações de Arcanjo com o PSDB. Não teve tempo. Por causa do barraco armado por tucanos e governistas, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), encerrou precocemente a sessão.
Pedro Taques foi convidado a voltar a Brasília, mas não sabe ainda quando será chamado, uma vez que a CPI do Bingo teve os trabalhos prorrogados por mais 60 dias. Espera, desta vez, ter chance de falar sobre as investigações. “Não adianta partidarizar a questão, porque os elementos de prova são todos técnicos”, diz Taques. “O Ministério Público não é nem oposição, nem situação – é Constituição.” O procurador não quer somente mostrar as ligações entre o poder público e o crime organizado em Mato Grosso, mas demonstrar, também, como se processou a degradação decorrente dessa associação na sociedade mato-grossense.
Para se entender o que Taques quer dizer, é preciso compreender, antes, o perfil de João Arcanjo Ribeiro, um sociopata nascido em Luziânia (GO) que, em duas décadas, foi da condição de humilde policial civil a chefe de uma das maiores e mais violentas organizações criminosas do País. Banqueiro do jogo do bicho no início dos anos 80, foi só a partir de 1994, no primeiro governo de Dante de Oliveira, que Arcanjo começou a fazer negócios com factorings dentro da administração estadual. Antes, dominava o mercado de caça-níqueis e mantinha um concorrido cassino ilegal próximo a Cuiabá, o Estância 21.
Em pouco tempo, Arcanjo passou a dominar o mercado financeiro local, a ponto de, ilegalmente, transformar as empresas em bancos informais acessados e distribuídos por todo o estado. Pelos cálculos da Polícia Federal, entre 1994 e 2002, de 30% a 40% de todo o dinheiro de Mato Grosso circulou pelas contas do bicheiro. Cobrava juros menores, mas era um cobrador implacável. Para garantir os pagamentos, contratou torturadores da Polícia Civil e Militar, além de pistoleiros. O grupo quebrava as pernas e braços dos devedores, estuprava familiares e, em último caso, apelava para assassinatos à luz do dia, em ruas movimentadas de Cuiabá, apenas à guisa de exemplo.

Foi nesse período que José Arcanjo, já influente no estado, foi agraciado com duas comendas, uma da Assembléia Legislativa, outra da Câmara de Vereadores – esta cassada em 2005. A que foi concedida pelos deputados estaduais ainda permanece válida. Tornou-se, a partir de então, cidadão emérito de Cuiabá, ocasião em que ganhou o pomposo apelido de “Comendador”. Passou a agir, depois disso, como caricatura de mafioso siciliano. Na igreja, aonde ia todos os domingos, rezava cercado de capangas. Nos restaurantes que freqüentava, chegava ao ponto de interditar o banheiro aos demais clientes, para poder, tranqüilamente, ocupá-lo sozinho. Em outra ocasião, mandou matar um desafeto, mas fez questão de manter o conforto da viúva, a quem deu um apartamento e garantiu o pagamento da taxa de condomínio do imóvel.

Luiz Alberto Dondo Gonçalvez, contador das empresas de Arcanjo, foi a chave para o juiz Julier da Silva e o procurador Pedro Taques desvendarem alguns dos mecanismos utilizados pelo Comendador em suas negociatas em Mato Grosso. Em depoimento à Justiça Federal, ele revelou que uma das factorings do bicheiro, a Confiança, teria feito empréstimos ao Grupo de Comunicação Gazeta, de Cuiabá, para custear a campanha de Antero Paes de Barros, em 2002. O “empréstimo” de 5,7 milhões de reais teria sido intermediado pela Vip Factoring, também com auxílio de outro colaborador de Comendador, o gerente financeiro-Nilson Roberto Teixeira.

A quebra dos sigilos de Dorileo Leal, dono do Grupo Gazeta (um jornal, rádios e a emissora de TV afiliada da Record em Mato Grosso) revelou depósitos de 2,5 milhões de reais, em agosto de 2002, sem qualquer justificativa de prestação de serviço. O relatório entregue à Justiça Federal foi feito pelo Banco Central e cobre, justamente, o período mais crítico da eleição estadual. Envolve três factorings de Arcanjo: Confiança, Vip e Mundial.

O assassinato do jornalista Sávio Brandão Lima Júnior, em 30 de setembro de 2002, com vários tiros na cabeça, foi a gota d’água, mas as investigações começaram antes. Brandão, dono da Folha do Estado, teria fornecido informações sobre Arcanjo para jornalistas de fora do Mato Grosso e suscitado a fúria do bicheiro. O juiz Julier decretou a prisão temporária de Comendador em 2 de dezembro de 2004. Em seguida, foram expedidos mandados de busca e apreensão para dar suporte à Operação Arca de Noé, da PF, em 5 de dezembro.

João Arcanjo fugiu para o Uruguai, juntamente com a segunda mulher, Sílvia Shirato, manicure da primeira esposa do Comendador. Acabou preso pela Justiça uruguaia, após ter sido condenado, no Brasil, a 37 anos de cadeia por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, delitos tributários e formação de quadrilha. Responde, ainda, por mando de homicídios na Justiça de Mato Grosso. A mulher, Sílvia, foi condenada a 25 anos de cadeia por lavagem de dinheiro. Mas como esse crime não é tipificado no Uruguai, não corre o risco de ser extraditada.

A extradição do Comendador, no entanto, já está decidida. Faltam apenas trâmites burocráticos. Julier da Silva e Pedro Taques defendem a transferência dele para o presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. Isso porque Arcanjo terá de comparecer a diversas audiências na Justiça comum, por conta das acusações de assassinato, e, mais tarde, levado a júri popular na capital mato-grossense.

Mas a Polícia Federal prefere levá-lo para Brasília até que o presídio federal de Campo Grande (MS) fique pronto, com previsão para novembro deste ano. Os delegados envolvidos nos inquéritos acham arriscado mantê-lo no presídio de Cuiabá, de onde um dos matadores do Comendador chegou a fugir pela porta da frente. A PF se dispôs a garantir o traslado do bicheiro para Mato Grosso toda vez que se fizer necessário.

Ao todo, 11 inquéritos foram abertos por conta da Operação Arca de Noé, mas ainda é preciso avaliar toda a documentação liberada pela Justiça do Uruguai. A PF está debruçada, agora, no que chama de “conexão americana”, alusão a um hotel comprado por Arcanjo em Orlando, na Flórida (EUA). O Comendador tem um patrimônio a descoberto, ou seja, jamais notificado à Receita Federal, de mais de 800 milhões de reais no País, além de outros 40 milhões de dólares no Uruguai. “Pode ter muito mais no exterior, mas temos muita dificuldade de conseguir informações nos paraísos fiscais”, diz o delegado Aldair da Rocha, superintendente da PF em Mato Grosso. Ele lembra que, no Uruguai, por exemplo, não é possível identificar os nomes dos donos das empresas após mudanças societárias. Então, basta colocar laranjas para abrir a offshore e, em seguida, mudar o nome dos sócios.

Procurado por CartaCapital, o senador Antero Paes de Barros solicitou que as perguntas da revista fossem feitas via e-mail. Sobre as ligações com José Arcanjo, disse apenas que conhecia o Comendador “como todos em Cuiabá”, mas que jamais teve relações sociais e nem de negócios com ele. Segundo Antero, as acusações contra ele são “uma grande farsa”. Ele acusa o juiz Julier de ter usado os documentos apreendidos pela PF para invadir a sede do PSDB em Cuiabá e, assim, ajudar o candidato do PT a governador, Alexandre César, nas eleições de 2002.

Antero garante que os cheques, no total de 240 mil reais, arrecadados pelo comitê financeiro do PSDB, foram trocados na Vip Factoring por meio de uma operação de fomento mercantil – operação esta feita, diz o senador, sem o conhecimento dele. Ainda assim, garante, toda a transação foi declarada na prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. “Não houve doação de Arcanjo e de suas empresas à campanha do PSDB”, afirma.

Clique abaixo e confira: O Ministério Público e a Justiça Federal não têm dúvidas da ligação dos tucanos com a máfia

Sunday, March 12, 2006

Agora é o Estadão tentando reeditar a perseguição a Dirceu.


Não satisfeitos com a campanha que fizeram em prol da cassação do ex-ministro José Dirceu, que na verdade, mesmo sem o mandato não se curvou às chibatadas da direita e continua presente no cenário nacional. Eles, os mesmo de sempre, os que estiveram no poder deste país desde a República Velha, preparam agora uma nova estratégia para tentar atingi-lo.

A matéria aí embaixo, afirma que o ex-ministro controla empresas estatais, responsáveis pelo caixa dois e falta pouco pedir a demissão de todas as diretorias das empresas citadas.
Eu particularmente gostaria de saber quando no governo FHC ou em governos anteriores, houve concurso público para dirigentes de estatais? Qual era o critério adotado nesses governos para o preenchimento desses cargos?
No final da matéria, como para não cair em contradição, eles dizem que essa prática não é invenção do Governo Lula. Mas, eu também tenho mais uma pergunta que não quer calar: quais são os critérios utilizados pelo governo Alckmin para o preenchimento de cargos públicos? E o Serra? Será que realizam concursos para cargo de confiança em seus governos?
Dizer que Dirceu controla os cargos mais importantes na Petrobrás e que a empresa é fonte de arrecadação de caixa dois, é uma estratégia da mídia tucana de continuar a associá-lo a corrupção e ao suposto mensalão, que jamais foi provado existir.
Num momento em que Dirceu anuncia que vai entrar no STF, para tentar reaver o seu legítimo mandato político, usurpado pelas forças retrógradas e conservadoras deste país, eles voltam a colocá-lo nos principais jornais, com matérias negativas que visam embaçar seus planos de ver a justiça desse país ser aplicada para todos.
Ora, ora, porque a mídia tucana não anuncia em seus veículos os milhões gastos pela Petrobrás em programas de incentivo social, cultural e educacional, focados para as populações de baixa renda?
Combater a corrupção e a pratica do caixa 2 no país é uma atitude legítima que a nossa sociedade deve encampar. Porém, pau que dá em Chico, também tem que dá em Francisco.
A cassação do ex-Deputado José Dirceu foi um ato político, que até hoje ficou atravessado em nossas gargantas. Imposto, em parte, por setores da mídia comprometidos com o atraso deste país, que falavam de exigência da opinião pública pela punição dos culpados. Quando eu também sou opinião pública e a minha exigência sempre foi que Zé Dirceu fosse julgado de forma justa e inocentado. Por que quem não cometeu crime não merece castigo.
Então, não será agora que essa mesma mídia que o julgou, condenou e ajudou a "executá-lo" sem provas, vai querer retornar ao picadeiro e tentar novamente nos empurrar goela abaixo uma reedição desse massacre político.
Até porque, esses setores que monopolizam os meios de comunicação, também saíram queimados desse processo. Não passaram credibilidade, foram parciais ao extremo e agora pagam o preço do descrédito popular.
Vide o JN, que a cada dia vê a sua audiência esvair-se, sendo trocada pelas novelas da concorrência. E Veja? Essa é credibilidade zero. E Época? Que praticamente se transformou numa revista de fofoca, tal a falta de matérias (quem leu Época da semana passada, pensava estar lendo Quem Acontece) desses veículos.
Hoje (domingo) quem for ler a Folha não precisa ler o Globo e vice-versa, as matérias são as mesmas. Acho que estão xerocando os jornais e revistas para economizar.
No momento atual, a imprensa tucana enche as páginas de seus jornais, sites e noticiários televisivos com a discussão sobre o candidato do PSDB à Presidência da República, restringindo uma discussão nacional ao estado de São Paulo.
Foi essa mesma imprensa que serviu aos interesses da oposição na tentativa de obstruir o caminho de Dirceu. E é ela que agora também nos bombardeia com a propaganda tucana sobre a escolha de seu candidato.
Pois bem, o cenário está montado e os atores atuando. Só não podemos esquecer de quê já vimos esse filme antes.

Bel



Acusados por mensalão ainda controlam cargos mais cobiçados

José Dirceu, Costa Neto e José Janene indicaram ocupantes dos principais postos de estatais e órgãos federais

Diego Escosteguy
BRASÍLIA

Oito meses de acusações, três CPIs, 28 demissões no governo e muitas provas de corrupção depois, os cargos mais cobiçados da administração federal continuam sob o comando de apadrinhados dos principais acusados de operar o mensalão.
Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-deputados José Dirceu (PT) e Valdemar Costa Neto (PL), além do deputado José Janene (PP), dividem os cargos mais poderosos de estatais como a Petrobrás e órgãos como o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
Nos últimos dois meses, o Estado entrevistou parlamentares, lobistas e empresários, que contaram como o loteamento político de cargos estratégicos - apontado pelo ex-deputado Roberto Jefferson como a principal forma de arrecadação para o caixa 2 dos partidos - resiste à atual crise.
Com ajuda dessas fontes, a reportagem elaborou a lista dos 20 cargos mais visados, ordenada pelo volume de contratos gerenciados, pelo poder sobre negócios de grandes empresas e pelo potencial para fazer caixa irregular.
A conclusão? Não só todos estão sob indicação de partidos políticos, como a maioria se encontra sob a batuta de Dirceu, Costa Neto e Janene. Os demais estão distribuídos entre as cúpulas do PT e do PMDB.
Hoje, esse tipo de nomeação costuma passar pelo crivo direto do presidente, do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Apesar de cassado, Dirceu ainda exerce influência sobre indicações.
Segundo as fontes consultadas, seria um equívoco medir a importância desses cargos apenas pelo orçamento deles. A força de muitos dos cargos cobiçados está na capacidade de privilegiar amigos ou prejudicar inimigos.
Treze dos 20 cargos levantados pelo Estado são de estatais, que concentram os maiores orçamentos da máquina pública.
Outros cargos disputados a foice estão no DNIT, na Receita Federal, na Infraero, em Itaipu, nos Correios, no Serpro, no Denatran e na Infraero. "É o filé", resume um lobista.
Esse "mapa da mina" não pressupõe que os ocupantes dos cargos tenham cometido irregularidades. A lista traz os locais mais atraentes para eventuais operações ilegais de arrecadação para partidos.
Nenhum lugar está tão sujeito a esse mecanismo quanto a Petrobrás, que controla R$ 23 bilhões anuais em investimentos. Cinco de suas diretorias aparecem na lista. Ali, quem dá as cartas são Dirceu e Janene, além do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-diretor da empresa. A cúpula da Petrobrás permanece quase a mesma desde o começo da crise política.
Envolvido no mensalão, Costa Neto aumentou seu poder junto a Lula com a crise. Passou a dominar todo o DNIT, por ter mobilizado sua bancada para eleger Aldo Rebelo (PCdoB) presidente da Câmara. Indicado por Costa Neto para a presidência do órgão, Mauro Barbosa coordena os gastos de quase R$ 500 milhões da operação tapa-buraco. Em dezembro, a sessão do Senado que aprovou a nomeação dele foi um sucesso de público entre governistas. "Não sei por que tanto empenho para aprovar um cargo. Não deve ser coisa boa", cutucou na ocasião o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
A prática de usar cargos para seduzir parlamentares não é invenção do governo Lula. Desde a gestão Sarney, no final dos anos 80, esse tipo de barganha é usada e se tornou fonte recorrente de escândalos. Mas surpreende que a crise do mensalão nada tenha mudado. "O escândalo não serviu de lição", desabafa o senador Jefferson Peres (PDT-AM). "Os mesmos mecanismos que geraram o escândalo são usados por Lula para administrar a crise.
Certamente podemos esperar mais casos no futuro", prevê Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil.
Questionada sobre as nomeações políticas, a Petrobrás deu resposta lacônica por e-mail, informando que "os cargos técnicos de gerência são ocupados por profissionais concursados". A Casa Civil foi procurada na quinta, mas até a noite de sexta não se manifestou.

Saturday, March 11, 2006

Arnaldo Bloch- *O Globo

Seriam os magros uns canalhas?

Há, nos barrigudos, uma imensa, uma inestancável, cordialidade. Eles pingam simpatia como um guarda-chuva encharcado. Ao passo que, por uma funesta coincidência, os canalhas são sempre magros.” A frase de Nelson Rodrigues (que reli outro dia no excelente apanhado de Ruy Castro com mil máximas do anjo pornográfico) perde toda a graça se o leitor apanhá-la ao pé da letra.

Pois, se correspondesse à realidade literal, teríamos, por exemplo, um Betinho (Deus o tenha) cafajeste, e um Adhemar de Barros (o homem do “rouba mas faz”) ilibado, honestíssimo. Marco Maciel (o do perfil invisível) seria o canalha-mor, ao passo que Delfim Netto livrar-se-ia de qualquer sombra que pesasse (e como!) sobre ele. Ronaldo Fenômeno seria o simpático enquanto o Gaúcho cuspiria fel (e todos sabemos que “rogordo e romagro” formam uma dupla do barulho).

Mas o curioso é que, séculos e séculos antes de Nelson, Shakespeare, num diálogo de Júlio César com Marco Antônio, abordaria o assunto:
— Quero homens gordos e de cara lustrosa à minha volta. Ali está Cássio, com um aspecto magro e esfaimado. Pensa demais. Tais homens são perigosos.

De espírito apaziguador, Marco Antônio defende Cássio, dizendo que é um bom romano, um homem honesto. Mas a história mostrará que César estava certo: Cássio era um conspirador e o tempo iria fechar, ou melhor, desfechar, na famosa facada de Brutus — que não era nem magro nem gordo, mas um pulha, isso ninguém discute.

Bom, antes que a patrulha dos corretos se manifeste, vamos esclarecer que essa discussão não inclui o magro que o é por motivo socioeconômico ou por mal de doença glandular, bulimia, anorexia.
Falamos aqui do magro que o é por compleição, por vocação ou por opção, o magro que é “magro de ruim”, como diz a sabedoria popular, em perfeita sintonia, aliás, com Nelson, Júlio e Shakespeare. Falamos também do magro guloso, acusado, com razão, de abusar da capacidade de deglutir o mundo sem que a insidiosa banha-mãe domine seu sangue imune.

Mas falamos, sobretudo, do “magro de alma”, aquele que não engorda por passar as noites consumindo-se (como Cássio) no fogo alto da inveja, na cobiça, nas maquinações, no ódio e na ânsia urgente da traição. A esse magro não há prato que apeteça: como gozar as delícias, os aromas, as texturas, se César está lá, no bem-bom, no alto da carne-seca romana?

Como lamber os beiços se eles estão frios e trêmulos de rancor e despeito? Como lambuzar-se de leite e mel se o estômago revolve-se, faminto de poder? Como embriagar-se do bom vinho se o veneno do espírito já tomou o coração?

Mas o leitor há de perguntar: e os gordos invejosos? E os frustrados, que compensam o pânico do fracasso rendendo-se à compulsão desavergonhada? E os gordos sem caráter, que roubam do povo, ostentam a fartura e humilham, e ofendem, os que nada têm?

Responderei: em todo gordo canalha (eles existem) reside a alma magra de Cássio; a banha canalha é mero disfarce, é espuma cultivada, é a capa do mau filé, é a falsa momice, a vileza convertida em simpatia.

O gordo canalha é o magro dos magros, pois sua fome é infinita, e seu gigantesco estômago flagela-se, dia e noite, em hecatombes gasosas, em lavas escuras que vêm do inferno da bile.
Misturado aos bons gordos, o gordo canalha esconde a ossada de um monstro, magra, torta, em cujo tutano corre o germe da infâmia humana.

Friday, March 10, 2006

Bolsa-Família não é esmola (Porque Lula subiu na Pesquisa)
Jasson de Oliveira Andrade

O Datafolha constatou que a subida do presidente Lula na pesquisa se deve, em grande parte, ao Bolsa-Família, distribuído pelo governo federal. Então, alguns se espantam com o fato e, pior, procuram menosprezar, diminuir mesmo, essa política social.
Com essa atitude, cometem injustiças para dizer o mínimo. Afirmam com desprezo que o Bolsa-Família é “esmola”, “migalhas” e “querelas”. É, sem dúvida, uma crítica política, mas que não condiz com a verdade.
O Bolsa-Família, como vamos PROVAR, é inclusão social, nunca “esmola”. Mas o que é e como funciona essa política social? É o dinheiro do governo distribuído aos filhos de pessoas que precisam de ajuda financeira. Não foi uma invenção de Lula. O programa já existia com outros nomes e agora, em outubro de 2003, o presidente unificou-os.
As crianças precisam trabalhar, mas o trabalho do menor é proibido. Mesmo assim, muitos deles trabalhavam para ajudar o sustento da casa. Agora cada um delas recebe um auxílio financeiro do governo. No entanto, para fazer jus a esse dinheiro é obrigado a estudar. As escolas são obrigadas a fornecer a freqüência. Não precisam trabalhar, ganham e ESTUDAM. Eis aí a PROVA de que é inclusão social e não “esmola”. Um educador deveria elogiar e não criticar essa política social!
Se não é “esmola”, não é também “migalhas”, “querelas”. A importância é pequena, mas muito importante para a família com pouco recursos. Não só importante, como essencial. Estudo comprova isso. O VALOR ECONÔMICO, jornal respeitável e muito conceituado, noticiou: “Em algumas localidades, o Bolsa-Família chega a representar mais de 40% total da renda municipal, segundo a professora Rosa Maria Marques, autora do estudo “A importância do Bolsa Família nos municípios brasileiros” e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Políticas para o Desenvolvimento Econômico da PUC/SP.
Os dados revelam que quanto menor a receita disponível nas cidades, maior o impacto dos recursos transferidos pelo programa Bolsa-Família. Isto acontece principalmente no Nordeste, onde há maior desigualdade em relação à distribuição de renda. A explicação, segunda a pesquisadora, se deve ao fato de que o gasto governamental tem efeito multiplicador na economia.
As compras que o governo efetua resultam em novas demandas para as empresas que, ao aumentarem a produção, elevam pedidos junto a seus fornecedores, aumentando também o nível de contratação dos trabalhadores”. Em Mogi Guaçu o impacto é menor, mas não deixa de ser significativo. O atendimento, através da Secretaria de Promoção Social, em janeiro de 2006, é de 3.211 famílias pelo Bolsa-Família; Bolsa-Escola, 572, Bolsa-Alimentação, 23 e Auxílio-Gás, 788, totalizando, 4.574 famílias. O total que nossa cidade recebe: R$ 198.821,00. Quase 200 mil reais por MÊS e mais de DOIS MILHÕES por ano! Isto não é “migalhas” e muito menos “esmola”.
Esse dinheiro movimenta nossas empresas e resulta em mais emprego. É um dinheiro que a Prefeitura não precisa dispor e poderá ser aplicado em outros setores. Temos ainda a freqüência escolar, que é fornecida pelas escolas guaçuanas. Sem ela, não se paga o Bolsa-Família. Os dados oficiais me foram repassados pelo Secretário Nelson Morelli. Eu os desconhecia e considero esses números EXPRESSIVOS!
Os tucanos não podem designar esse programa de “esmola” porque também o distribuiu. O governo Fernando Henrique Cardoso (governou 8 anos) atendeu apenas 1,7 milhão de famílias. O governo Lula, em 3 anos, atendeu 8,7 milhão de famílias, ou seja, muito mais! Fala-se que até o final deste ano atenderá 11.6 milhões. Quem, então, se preocupou mais com a distribuição de renda?
Os números apresentados não mentem e mostram a resposta! Se alguma dúvida ainda existisse, o estudo “Distribuição de Renda o Brasil 1976 a 2004”, do pesquisador Sergei Soares, técnico de Planejamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica de Pesquisa Econômica Aplicada), iria dissipá-la. Segundo o pesquisador, “os programas que contribuíram com um terço no resultado final da queda na desigualdade, o Bolsa-Família teve impacto “chave” na distribuição de renda desde que foi criado em outubro de 2003.
(...) Somente o Bolsa-Família consumiu no ano passado R$ 5,592 BILHÕES [destaque meu] para atender a 8,7 milhões de famílias cadastradas. Somados ao recursos aplicados nos programas remanescentes – Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Auxílio-Gás e Cartão Alimentação - chega a R$ 6,66 bilhões. (Folha, 5/3/2006)”.
Nelson de Sá, da Folha, ao analisar as noticias sobre a visita de Lula à Inglaterra, diz que o “Times” elogiou desde o pagamento da dívida com o FMI até o “pioneiro programa antipobreza do presidente, o Bolsa-Família, dado como exemplar pelo Banco Mundial”. O “Independent” afirmou que Lula “não levou o Brasil à ruína, como muitos profetas do apocalipse previram”: “Pelo contrário, sua Terceira Via obteve realizações impressionantes.
Diminuiu a distância entre ricos e pobres e reduziu o percentual da população que vive na pobreza – e tudo sem levar as classes médias e os investidores estrangeiros ao pânico”. O combate ao desnível social é realizado não só pelo Brasil, através do presidente Lula, como também nos países ricos.
É uma luta difícil. Clovis Rossi, que está em Londres, no artigo “Pobreza, a nossa e a deles”, escreveu: “O jornal Financial Times” relata que o governo Tony Blair não conseguiu alcançar sua meta de reduzir a pobreza infantil em um quarto durante seus dois primeiros períodos (1997/2001 e 2001/2005)”. Não sei se Blair foi criticado por essa luta como alguns fazem com Lula relativo ao Bolsa-Família!
O Bolsa-Família é um programa que, sem dúvida, vai consagrar o governo Lula, apesar de seus adversários procurarem desmoralizá-lo, designando-o de “esmola”!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.
E o Brasil?

José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil - * Jornal do Brasil

Estamos assistindo a cenas surrealistas no debate (?) eleitoral. Uma luta interminável, sem regras, pela definição do candidato tucano. Sobre o futuro do país, os oito anos de governo FHC, as intermináveis denúncias sobre os desmandos ocorridos no caixa dois tucano de 98 e 2002, nenhuma palavra.Tampouco o que se passa do lado de cá pode satisfazer ao PT e ao presidente.

Não se discute publicamente qual será o programa que dará continuidade ao governo Lula. Que os tucanos estejam desesperados e sem rumo, dá para compreender: afinal, não destruíram o PT ou derrubaram o governo e, pior, assistem nervosamente o presidente recuperar seus índices históricos de aprovação e intenção eleitoral.

Mas ao PT e ao governo Lula deveria interessar profundamente o debate de idéias. A não ser que a decisão seja não mudar nada ou simplesmente não discutir, fazer de conta que bastam as pesquisas e a popularidade do presidente.Do outro lado da Praça dos Três Poderes, assistimos a um Congresso que, apesar da crise, não fez a reforma política; ao contrário, quer pôr fim à verticalização.
Mas o que o país esperava era uma ampla e geral reforma política, que criasse as condições necessárias para fortalecer os partidos e afastar o poder econômico das eleições.Vale tudo na cruzada tucana-pefelista. O que importa é a vitória.
Seus representantes tentam desacreditar pesquisas, que apresentam Lula ganhando nos dois turnos. E prorrogam CPMIs, desde que não sejam investigadas as denúncias contra o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de MG e ex-presidente do PSDB, e a lista de Furnas. Mas fogem da discussão principal: o desenvolvimento nacional.
O que todos esperamos é que o PT e o governo assumam abertamente esse debate, começando pela questão da taxa de juros, da dívida interna, do crescimento econômico, da distribuição de renda e do desenvolvimento nacional, salientando os passos positivos, mas também reconhecendo erros e propondo alternativas.
Fora desse caminho, governar não faz diferença para forças políticas que fizeram sua trajetória sob o compromisso de gerações com a transformação social e a soberania do país.A verdadeira questão é que não existem mais razões externas ou internas, para a manutenção da atual taxa de juros.
Salta à vista que reduzindo a taxa real de juros para, ao menos, 5%, seremos capazes de administrar a dívida interna, levá-la para algo em torno de 30% do PIB e devolver, ao orçamento nacional, parte do superávit primário, incrementando o nível de investimentos. É preciso cumprir metas que mudem o país, mantendo a inflação baixa e reduzindo o déficit da Previdência para cerca de 1%.
O governo Lula debelou a crise herdada de seu antecessor e abriu uma oportunidade histórica. Não podemos perdê-la por falta de audácia ou por fraqueza diante dos interesses que sempre dominaram o país.Apenas com uma política nacional de desenvolvimento poderemos investir para resolver problemas sociais e econômicos que se arrastam há décadas e nos envergonham. Alfabetizar todos os brasileiros; universalizar o ensino médio técnico-profissional; reduzir a pobreza radicalmente, principalmente criando 2 milhões de empregos formais por ano; universalizar o saneamento básico; solucionar, nas metrópoles brasileiras, graves deficiências de transporte público e habitação; democratizar o campo com uma reforma agrária ampla e integrada ao desenvolvimento do país.
E dar aos cidadãos acesso à Justiça e segurança.É preciso assumir que o Estado brasileiro pode e deve planejar e coordenar o desenvolvimento nacional, investindo em infra-estrutura, seja através do Orçamento Geral da União, seja por concessões ou parcerias com a iniciativa privada. Também é necessário dar continuidade à política industrial e de inovação, garantindo os investimentos necessários em ciência e tecnologia. Sem isso, o Brasil não será um país desenvolvido.
A verdade - e o país reconhece - é que o presidente Lula e seu governo, com apoio do Congresso, da sociedade e do empresariado, criaram as condições de estabilidade e credibilidade para que o Brasil possa retomar, agora, sua trajetória de desenvolvimento.
Esse é o debate que interessa ao país.
A impressão que me dá é a de que grandes meios de comunicação mantêm correspondentes e comentaristas desse tipo com o claro propósito de manter a militância ocupada com picuinhas. Não vejo mais motivo algum para desperdiçarmos tempo e energia preciosos com um sujeito abaixo do medíocre, como esse. Ontem ri do Jabor no Jornal da Globo, já não me provoca ira, como nos velhos tempos, apenas rio. Esses sujeitos mantêm seus postos devido a reações como a nossa, não fosse isso, já teriam sido dispensados. Pra escrever uma baboseira dessas, um jornalão qualquer não precisaria pagar tão caro, pagam porque nós mantemos suas famas, dando-lhes atenção, analisando essas idiotices, perdendo tempo, enquanto eles armam outros golpes midiáticos.

Ontem Garotinho, no programa do Leão, fez exatamente o que eu já disse aqui e que já estava em meu artigo, hoje publicado em La Insignia: falou da questão da segurança pública (não só no Rio, mas em todo o Brasil), transferindo a responsabilidade para o governo federal. Disse que Lula nada fez para conter o tráfico de drogas. E hoje a gente está aqui falando de Clovis Rossi, mas nenhuma resposta ao "governadoro". A Polícia Federal no governo Lula fez grandes apreensões de droga e mantém as fronteiras sob cerrada vigilância, de tal forma que abalou o tráfico de drogas no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro.
Se ninguém aqui for capaz de imaginar por que ocorreu aquele assalto ao quartel do Exército, juro que vou pensar que o nosso lado está emburrecido, cego!
Vou dar uma dica: o que você faria se fosse um grande mafioso político envolvido com o tráfico de drogas que está capenga, encontrando mil e uma dificuldade de abastecer e armar as bocas?

Pois é isso mesmo: os aparelhos corruptos do Estado estavam se sentindo incapazes de justificar para o tráfico a dificuldade de manter as bocas abastecidas de drogas e armas. A "banda podre" preferiu sair de cena e deixar que os traficantes dos morros, nada politizados, pensem que o problema é o Exército; enquanto Garotinho tenta faturar politicamente.

Eu estou aqui, com endereço conhecido. Recentemente tive minha vida pessoal espionada até por um indivíduo que tentou se passar por juiz federal.
Um coronel reformado do Exército, desses que atuou nos porões da ditadura, também recentemente, colocou meu e-mail entre os endereços eletrônicos de dezenas de amigos seus e mandou avisar aos "amigos" que havia mudado de e-mail, dando a entender a todos que eu também me correspondia com ele. Esse camarada é conhecido colaborador do governo Garotinho, e eu nunca lhe mandei nenhuma mensagem. Já protocolei, tempos atrás, em seu gabinete, uma denúncia contra um diretor de unidade do departamento em que este coronel esteve à frente, até bem pouco tempo, como diretor geral. Eles nunca vão me deixar em paz, porque não aceito compactuar com práticas de tortura.

Tem muito mais. Sei que posso ser assassinado a qualquer momento. E isso não é paranóia. Não vou mais dar atenção aos Clovis Rossis e Jabores, pois é isso que estão esperando de nós, para fazerem o que estão fazendo, e muito mais virá.

Fernando Soares Campos - * La Insignia

P.S.: Ninguém pense que não amo minha vida, pois tenho meus momentos de felicidade; eles ocorrem quando consigo não pensar numa possível eleição de Garotinho, ou de Serra, ou de Alckmim, ou de... à Presidência da República.




CLÓVIS ROSSI
Volta, Zé, rapidinho

LONDRES - Para não gastar meu fígado com mau defunto, vou plagiar a mim mesmo, reproduzindo o profético texto "a pizza é inevitável", aqui publicado no dia 30 de julho passado.
Alguns trechos: "Roberto Jefferson revelou-se profético como um Nostradamus tropical quando cantou sua opereta "somos todos iguais" no plenário da CPMI dos Correios. Cada dia mais, evidencia-se que são mesmo.
O notável é que o mais igual dos iguais é o tal de PT, que, antes, enchia a boca para indignar-se sempre que alguém fazia alguma denúncia contra o partido.Seus líderes diziam que não eram "farinha do mesmo saco". Agora, ao contrário, ficam felizes como pintos no lixo (literalmente) ao se encontrarem com outros partidos no gigantesco pântano Brasil.
É impressionante, aliás, a quantidade de líderes partidários alcançados pela lama. Só do PT, há dois ex-presidentes e dois ex-líderes no Congresso. Do que se deduz que os que os elegeram ou são uns tolinhos distraídos ou são cúmplices.
Nos demais partidos, também só há, praticamente, "alto clero", a começar do presidente do PSDB.No que pudicamente se chama de base aliada (não seria mais correto chamar de base cúmplice?), os acusados são líderes ou presidentes também. Ou ex-presidente, caso do próprio Roberto Jefferson.
Como é lógico supor que líderes só são escolhidos porque representam condignamente as bancadas ou partidos que os elegem, a conseqüência inescapável do "somos todos iguais" acabará sendo uma só: pizza tamanho gigante".
Nada a retirar, nada a acrescentar. A não ser o pedido de clemência para José Dirceu. Se quatro deputados já foram absolvidos, é porque seus pares não enxergam pecado na ponta do recebimento. Logo, não é justo punir só a outra ponta. Agora, o plágio é de Millôr Fernandes: já que não se restaura a moralidade, que se locupletem todos.
Matéria maldosa do Jornal O Globo.

Realmente a perseguição ao ex-ministro José Dirceu, por seus opositores, chega beirar a crueldade. Ele, como qualquer cidadão deste país, tem o direito de recorrer a todos os mecanismos disponíveis para reparar a injustiça de que foi vítima.
Injustiça sim, porque não provaram as acusações e mesmo assim lhe arrancaram o mandato.
A absolvição de todos os acusados, que até agora foram julgados só reforça a tese de que queriam cassá-lo, para desestabilizar o governo e o PT.
Não sei se a cúpula do governo disse realmente o que está aí nessa matéria, mas se disse, falou bobagem. Não foi o Zé Dirceu quem trouxe um clima de anormalidade ao país, mas sim a reação da direita organizada a um governo que tem como meta a questão social.
Que começa a dividir o bolo e se programa para abrir perspectivas e oportunidades para o povo brasileiro, que há anos vive abandonado à própria sorte, por conta de uma elite conservadora que ainda não perdeu o ranço herdado da República dos coronéis e continua a querer subjugá-lo.
Não acredito que a mídia, que também saiu chamuscada, se atreva a continuar perseguindo o ex-ministro. Além do mais, se realmente o Planalto disse o que está escrito aí embaixo, engana-se mais uma vez. Pois o povo que hoje coloca Lula na frente em todas as pesquisas, não é um povo que se orienta pela mídia. São os beneficiários dos programas Bolsa-Família, Brasil- Alfabetizado, Luz para Todos e mais uma infinidade de ações sociais desenvolvidas nesse governo que também é de José Dirceu.
Esse é o povo que aprova o governo Lula. E se aprova o governo Lula, aprova José Dirceu. Porque ele, mais do que ninguém dedicou vários anos de sua vida para fazer de um operário Presidente da República, rompendo assim um ciclo secular de dominação que levou a nossa gente ao grande abismo que estamos assistindo agora. Com domínio do narcotráfico, crescimento da miséria, analfabetismo e toda a sorte de coisas que atravancaram o nosso desenvolvimento.
Ele está escrevendo artigos sim, e está mais do que provado que nós petistas queremos ouvi-lo e saber o que ele está pensado, continuamos querendo seguir as suas orientações. E não só os petistas querem ouvi-lo, milhões de brasileiros sem vinculo partidário, também querem que o Zé Dirceu expresse seu pensamento sobre todas as questões deste país.
Ele, não tem que se sacrificar pelo governo, mas é o governo que precisa tomar uma atitude e assumir de que lado realmente está. É preciso ter firmeza para se fazer respeitar. E este governo precisa ser firme.
Não precisamos de líderes carismáticos para governar o país, precisamos de um governo que tenha propostas, que trace metas e não fique a mercê dos ventos que sopram do lado direito.
É tão clara a perseguição de alguns setores da mídia a José Dirceu, que estão tendo o descaramento de criticar até a sua festa de aniversário. Coisa que qualquer ser humano tem direito, comemorar o dia do seu nascimento. Queriam o quê? Um velório? Ele vai comemorar sim e em alto estilo, porque só se faz 60 anos uma vez na vida. E ele merece.

Bel


" Pizzas" animam Dirceu a entrar com ação para tentar reaver o mandato

Gerson Camarotti e Helena Celestino O Globo 10/3/2006

Com a absolvição de mais dois parlamentares acusados de envolvimento no escândalo do mensalão (RobertoBrant e Professor Luizinho), o ex-deputado José Dirceu(PT-SP) confirmou ontem sua disposição de tentar anular seu julgamento na Câmara com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal.
A decisão aumentou a preocupação do presidente Luiz Inácio Lulada Silva e seus auxiliares, que consideram que uma onda de absolvições acabará respingando no governo e no presidente. O Governo mapeia tendência dos futuros julgamentos .Ontem, Dirceu confirmou que vai recorrer antes doprazo final permitido, 30 de março - 120 dias após acondenação. - Vou entrar com o mandado no STF. Tenho cada dia maisrazões para acreditar que minha cassação foi política.Portanto, é um ato nulo.
As absolvições reforçam o que estou dizendo. Meus direitos de defesa não foram respeitados - disse Dirceu. - Efetivamente vou entrar no Supremo porque entendo que o direito de defesa do meu cliente foi violado -reforçou o advogado José Luiz Oliveira Lima.
O maior temor na cúpula do governo é de que a reação negativa da mídia às absolvições contamine a melhora do desempenho de Lula nas pesquisas. Ontem, ministros tentavam mapear a tendência das próximas votações no plenário. A eventual absolvição de deputado João PauloCunha (PT-SP) foi citada como prejudicial. - Se for absolvição geral daqui para a frente vamos ter problemas - admitiu um ministro petista.
O Planalto não está satisfeito com a ação de Dirceu e até o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, falou com pessoas próximas a ele para tentar demovê-lo da idéia. O argumento é que é preciso recuperar o clima de normalidade no país. Mas Dirceu está mais preocupado em recuperar a própria imagem.
Está escrevendo artigos, aprendendo inglês e no próximo dia 20 pretende comemorar em grande estilo seu aniversário: receberá convidados num badalado bar em São Paulo.
Em Nova York, o ministro Jacques Wagner amenizou o impacto da crise. - Tem o espírito de corpo e tem o efeito negativo do prolongamento das CPIs e dos julgamentos. Não sei se isso aumenta o desgaste da classe política, o desgaste já está consolidado.
Wagner anunciou que vai ser candidato a governador da Bahia mas informou que sua saída do governo ainda depende de uma conversa com Lula. "

Thursday, March 09, 2006

ANIVERSÁRIO DO ZÉ DIRCEU

O aniversário do Zé Dirceu será dia 16 de março, mas a festa dia 20 de março. Todos vocês estão convidados.
A festa será no Estância (antiga Choperia Continental), Alto da Serra Itaim, na avenida Juscelino Kubitschek, 317 , próximo ao túnel. Horário: 19:00 horas.
Não esqueça e convide os amigos do Zé Dirceu.
ENCONTRO COM JOSÉ DIRCEU


Local : Flat Paulistania
End. Al. Casabranca, 343 - Jd. Paulista

11/03/06 ( sábado )
15:00 às 18:00 hs


Zé Dirceu no STF.

Da coluna do Anselmo Gois

Os advogados de Zé Dirceu protocolaram terça, na Câmara, um pedido de quatro cópias completas — haja xerox! — do processo de cassação.

É com base nesta montanha de papel que o ex-deputado vai recorrer ao STF.

Wednesday, March 08, 2006

Palocci diz que 2006 será ano de 'forte crescimento'

Da BBC Brasil

08/03/200613h02-O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse nesta quarta-feira, em Londres, que 2006 será, "com certeza, um ano de forte crescimento econômico". "Os indicadores macroeconômicos continuam evoluindo para o bem, ou seja, as taxas de risco caindo, o perfil da nossa dívida externa nunca esteve tão positiva", afirmou o ministro. "Certamente nós vamos ter um ano de forte crescimento em 2006 e nos próximos.
Nós queremos que seja o fortalecimento de um ciclo longo de crescimento para o Brasil, onde a inflação permaneça sob controle, as contas externas continuem fortes e nós possamos crescer muitos anos", avaliou. Palocci voltou a afirmar que este ano tem um perfil "muito parecido" com o de 2004, quando a economia cresceu mais de 4%.
"Temos alguns elementos melhores, o risco está menor, a nossa dívida está com perfil bastante positivo", disse Palocci. Sem falar em uma taxa específica de crescimento do PIB para 2006, Palocci disse que uma expectativa de 4% "não está muito otimista, está dentro dos elementos que o Banco Central leva em conta para estabelecer essas expectativas".

Juros e eleição
O ministro da Fazenda disse que as taxas de juros "estão em queda" e destacou a recuperação da atividade industrial que "já mostrava força em outubro, novembro e principalmente dezembro". Palocci rebateu qualquer associação entre o aumento de crescimento previsto por ele para este ano e a realização das eleições para presidente, governadores e para o Congresso em outubro.
"Ele (o crescimento econômico) não tem nenhum aspecto eleitoral, o processo de ajuste que foi feito no passado permite uma inflação menor, e a inflação menor com indicadores evoluindo positivamente vai trazer um crescimento forte." O ministro, que falou à imprensa após um encontro com professores da London School of Economics, repetiu a idéia de que o importante para o país não é registrar crescimento significativo em um ano específico apenas.
"O mais importante para o Brasil não é crescer bem um ano, é parar de ter crises, é parar de crescer um período e ter crescimento negativo em outro", disse."Eu penso que essa história o Brasil já superou, eu tenho muita segurança de que nós vamos entrar num ciclo longo de crescimento. Um ano mais forte, outro ano um pouco mais fraco, mas certamente um período longo de crescimento."As razões para isso, segundo Palocci, estão ligadas à melhoria de diversos aspectos da economia.
"Hoje nós estamos com uma relação da dívida total do Brasil, pública e privada, com as exportações que é a menor relação dos últimos 30 anos, então isso vai se refletir em incentivo para a produtividade das empresas e para o aumento da produção." Sobre o fraco crescimento registrado no ano passado, de apenas 2,3%, bem abaixo das previsões iniciais do governo, Palocci disse que o "governo não trabalha com metas de crescimento, o governo olha expectativas de crescimento".
convida para


Palestra com José Dirceu


"O PT e o Governo Lula, o que Podemos Esperar para o Futuro"




Dia 27 de março

às 19 horas

Local: Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo

Auditório Teotônio Vilela

Anexo ao prédio da ALESP - Rua: Pedro Alvares Cabral, 201 - São Paulo (1º andar)

* Confirmar presença pelo telefone: (11)3541-3723 de segunda a quinta-feira das 14 às 18 e sextas-feira das 09 às 14 horas; ou e-mail: cives@cives.org.br


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CIVES – Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania

Av. Paulista, 726 – 7º andar, conjunto 704 A – Bela Vista – Cep: 01310-100

cives@cives.org.br tel: 3541-3723
08/03/2006 - 10h34m
Exército faz bloqueio em estradas para recuperar armas roubadas
O Globo -Extra -Globo Online

RIO - A operação do Exército para tentar recuperar as armas roubadas na sexta-feira de um quartel em São Cristóvão chegou às estradas. Os soldados fazem bloqueios com ajuda de patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal em quatro pontos: na saída da Ponte Rio-Niterói; na Rodovia Washington Luís (Rio-Petrópolis), na altura do bairro da Figueira, em Duque de Caxias; na Rodovia Presidente Dutra (Rio-São Paulo), na altura de Belvedere; e na Rio-Santos, em Itaguaí. Carros de passeio, ônibus e caminhões são revistados em busca das armas. Na Washington Luís, a pista lateral no sentido Rio foi parcialmente fechada e os motoristas enfrentam congestionamento.
Também nesta quarta-feira o Exército iniciou uma ocupação na Favela do Metral, em Bangu, a décima a ser patrulhada pelas Forças Armadas desde sexta passada. Além disso, uma lancha da Polícia Federal, na Baía de Guanabara, também apóia o Exército na busca dos dez fuzis e da pistola roubados. Na Favela do Metral quatro helicópteros fizeram sobrevôos no início da ocupação. Já as favelas da Vila dos Pinheiros e Parque Alegria foram desocupadas.

Mais tiros na Mangueira

Na noite de terça-feira balas traçantes cruzaram o céu sobre o Morro da Mangueira, um dos que estão ocupados por soldados do Exército. Segundo a polícia, traficantes de uma favela próxima deram tiros para o alto para tentar assustar os homens das Forças Armadas. Também na Mangueira, disparos foram ouvidos na madrugada de terça e na noite de segunda-feira, dando início a uma troca de acusações. Moradores dizem que soldados teriam atirado a esmo. Segundo o presidente da Associação de Moradores da Mangueira, José Roque Ferreira, os militares passavam de caminhão sobre uma galeria de águas pluviais na localidade da Candelária quando a calçada, feita para pedestres, teria, devido ao excesso de peso, cedido. Nervosos, soldados teriam atirado. O relações-públicas do Comando Militar do Leste, coronel Fernando Lemos, disse ontem que os tiros ouvidos na Mangueira foram disparados para o alto por traficantes e que ninguém se feriu. Segundo ele, não havia informação sobre qualquer acidente com veículo militar.
O primeiro ataque de traficantes contra soldados do Exército desde o início da operação, na sexta, ocorreu no Morro da Providência, na noite de domingo. Durante a troca de guarda houve tiroteio. Também naquela ocasião ninguém ficou ferido.

Nas favelas, 1.500 homens do Exército
O Exército mantém 1.500 mil homens na ocupação de oito favelas do Rio de Janeiro, efetivo maior do que o de 1.200 soldados enviados à operação da ONU no Haiti. Investigações da força-tarefa instalada no Comando Militar do Leste (CML) apontam dois militares - um cabo e um soldado - como suspeitos de envolvimento no roubo.
Um grupo de militares passou a noite de segunda-feira na Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (Cispen). Eles pediram apoio na busca de informações para descobrir o paradeiro das armas roubadas. Todas as informações conseguidas dentro dos presídios serão repassadas para o comando de operações, que coordena as incursões nas favelas.

Tuesday, March 07, 2006

Relator pede cassação de João Paulo Cunha por quebra de decoro

Da FolhaNews
Atualizada às 14h55

07/03/200613h24-O relator do parecer do processo de cassação contra o deputado João Paulo Cunha, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), pediu hoje a cassação do ex-presidente da Câmara por quebra de decoro parlamentar. Ele recomendou a perda de mandato do ex-presidente da Câmara pelo uso para proveito próprio do cargo que ocupava e de sua posição no PT.



A roubalheira na Bahia corre solta. Como sempre comandada pelo clã Magalhães.
O netinho faz escola com o avô e posa de baluarte da honestidade na Câmara Federal.
Esta matéria da revista Carta Capital, mostra que para os ACMs roubalheira pouca é bobagem.


Antecedentes.“Pense em algum absurdo e ele já aconteceu na Bahia”, dizia Otávio Mangabeira, em frase banalizada com a ascensão de ACM.mostra que para os ACMs roubalheira pouca é bobagem.




UM DUTO BAIANO
Uma conta fantasma de R$ 101 milhões, pagamentos irregulares e suspeita de caixa 2 rondam o terreiro de ACM

Por Leandro Fortes, de Salvador

“Pense em algo excêntrico, inusitado, em algum absurdo qualquer: ele já aconteceu na Bahia”. A frase é de Otávio Mangabeira, governador do estado em meados do século XX, representante de um tempo em que a política baiana ainda nutria gosto pela gentileza e pelo bom humor. A frase, há muito, inclusive, deixou de ser singular. É repetida Brasil afora, com alguma constância, por folclore ou resignação, mas tem ganhado um sentido pleno nesses tempos de CPIs – menos pelos absurdos cometidos pelos acusados, mais pela qualidade dos acusadores. Prova disso é a presença diária da bancada baiana do PFL na corte televisiva da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios. É uma turma que engrossa a voz no Congresso Nacional e faz ouvidos moucos às denúncias de maracutaia na Terrinha. Nem uma única palavra, por exemplo, sobre um esquema semelhante ao duto de Marcos Valério Fernandes montado na Bahia e descoberto, este ano, por um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O conselheiro em questão chama-se Pedro Lino. Foi secretário de governo do ex-governador e senador Antonio Carlos Magalhães e do atual governador, Paulo Souto, ambos do PFL. Indicado para o TCE por ACM, dele se afastou aos poucos, por alegada grosseria e falta de modos do ex-chefe, até se firmar como uma das poucas vozes independentes dentro do tribunal. São dele as auditorias que causaram as maiores polêmicas sobre licitações e concorrências ligadas ao governo baiano, sobretudo nas áreas de educação e cultura. Em junho deste ano, um relatório de Lino, em particular, deixou incomodada a entourage carlista. À frente de um grupo de técnicos, o conselheiro produziu mais de 200 páginas sobre estranhas relações contratuais entre o governo baiano, a agência de publicidade Rede Interamericana/Propeg, do publicitário Fernando Barros, e organizações não-governamentais formadas por servidores públicos.
No centro da investigação está a Bahiatursa, estatal de turismo local subordinada à Secretaria de Cultura e Turismo do estado. O relatório do TCE aponta uma movimentação, entre 2003 e abril de 2005, de R$ 101 milhões por meio de uma conta bancária não registrada no sistema de controle do Erário baiano. Quase o dobro dos R$ 55 milhões movimentados por Marcos Valério no chamado “escândalo do mensalão”. O dinheiro, segundo o relatório, foi utilizado para fazer pagamentos irregulares, uma vez tratar-se de recursos para aumento de capital da estatal. É o que, tecnicamente, chama-se de “créditos de acionistas para aumento de capital”, destinados, exclusivamente, para dar musculatura financeira às empresas. Via de regra, no caso da Bahiatursa, trata-se de dinheiro público, dos cofres estaduais. As despesas não tinham nenhuma relação, portanto, com a finalidade expressa dos recursos, esclarece o documento do TCE. Desses R$ 101 milhões, R$ 48,1 milhões foram depositados nas contas da Rede Interamericana/Propeg, do publicitário Fernando Barros – homem intimamente ligado ao clã dos Magalhães e ao PFL baiano, além de ser um campeão local de licitações. Para ter uma idéia dessa ligação, nos primeiros quatro meses de 2005, 62% de todos os recursos da Bahiatursa foram para a Propeg. Além disso, a estatal, uma empresa dependente do governo estadual, gastou 94,55% do orçamento apenas no primeiro quadrimestre deste ano.
De acordo com o relatório do conselheiro Pedro Lino, a conta 0800-1, do Bradesco, por onde circulou a dinheirama toda, não está registrada nem no Sistema de Informações Contábeis e Financeiras (Sicof) nem no Sistema de Gestão de Gastos Públicos (Sigap), que controlam e fiscalizam os gastos públicos na Bahia. O caminho do dinheiro configura um esquema clássico de caixa 2. A Bahiatursa recebe recursos do Tesouro estadual e os repassa para pagamento de despesas e transferências para empresas privadas por meio de convênios pouco ou nada confiáveis.
O TCE fez uma radiografia dessas movimentações e descobriu coisas interessantes. Um delas diz respeito a uma certa Oficina das Artes, ONG formalmente responsável por “atividades artísticas de fomento às ações culturais e conscientização turística, organização, promoção e realização de eventos artísticos e culturais”. Na prática, faz oficinas com instrumentos musicais de plástico para jovens de baixa renda do centro histórico de Salvador. Detalhe: os cinco sócios e os dois membros do conselho fiscal da entidade são funcionários da Secretaria de Cultura e Turismo (SCT) da Bahia, à qual, vale relembrar, a Bahiatursa é subordinada. Sobre o tema, o conselheiro Pedro Lino escreveu: “O fato de constar no seu quadro social e no Conselho Fiscal da mesma (Oficina das Artes), parcela significativa de servidores públicos vinculados à SCT ou às entidades integrantes de sua estrutura, situação que, conforme verificou-se, permanece até o presente exercício (2005), evidenciando o comprometimento da impessoalidade no desenvolvimento da política pública nessa área”.

Uma das sócias, segundo o relatório, Maria de Fátima Dantas Gaudenzi, é irmã do atual secretário estadual de Cultura, Paulo Gaudenzi, também ex-presidente da Bahiatursa. Outras duas, as irmãs Tânia e Vânia Redig Lisboa, são servidoras da Bahiatursa. Os demais são Eulâmpia Reiber, Carlos Américo Machado, Ivonete Maria Campos e Nidalvo Quinto dos Santos. Este último, membro do Conselho Fiscal, é da equipe técnica da SCT que assina, ao lado do secretário Gaudenzi, a publicação Século XXI: consolidação de turismo – estratégia turística da Bahia (2003 a 2020).
Os documentos do TCE indicam que a Oficina das Artes recebeu, entre 2003 e 2005, R$ 10,5 milhões por intermédio da Rede Interamericana/Propeg. De acordo com o relatório do conselheiro Pedro Lino, a figura do intermediador cultural tem dado um prejuízo inexplicável para a Bahiatursa e, por extensão, aos cofres públicos baianos. A estatal tem de pagar 4% de comissão sobre o valor de cada fatura apresentada pela Oficina das Artes. Apenas entre janeiro e abril deste ano, diz o TCE, os custos dos eventos patrocinados pela Bahiatursa foram onerados em R$ 111,4 mil por conta dessa circunstância. Situações semelhantes foram constatadas em pagamentos de divulgação do concurso Miss Bahia 2005, no patrocínio de atletas e na subcontratação de terceiros pela Rede Interamericana/Propeg. Esse expediente torna a fiscalização dos recursos bastante complicada. Isso porque o TCE pode auditar os contratos do governo baiano com a agência de publicidade de Fernando Barros, mas não os repasses da empresa do publicitário, por ser privada, para as ONGs beneficiadas com os recursos.
O relatório do TCE, aliás, mostra que as relações do governo da Bahia com Barros são bastante generosas, desde 1999. Na época, a Propeg assinou um contrato de R$ 40 milhões para prestação de “serviços de comunicação”, durante a gestão do ex-governador e senador César Borges, do PFL. Em 22 de dezembro de 2000, um termo aditivo prorrogou o contrato original em 12 meses e acrescentou R$ 2 milhões aos valores iniciais. Em 10 de agosto de 2001, quando a Propeg gerou a “empresa-irmã” Rede Interamericana, outros dois aditivos jogaram o prazo de vigência do contrato para frente por mais três anos. Com isso, a agência de publicidade teve outros R$ 25 milhões disponibilizados pelo governo baiano.
Entre as irregularidades apontadas pelo relatório do TCE estão os pagamentos de subfornecedores com notas fiscais que mal discriminam os serviços ou sem apresentação de valores capazes de justificar as escolhas feitas, além de intermediações desnecessárias de serviços para realização de shows. “Constataram-se, ainda, na amostra analisada, alguns pagamentos efetuados à Rede Interamericana, cujos processos não apresentavam os comprovantes atestando a sua efetivação”, esclarece o documento.
Há, ainda, casos de subcontratação de gráficas para impressão de folders e livros. Algumas dessas publicações foram impressas em Porto Alegre – a 3 mil quilômetros de Salvador. O relatório cita como exemplo um gasto de R$ 2,25 milhões da estatal de turismo em apoio à campanha da Rede Globo “Amigos da Escola”. A família do senador Antonio Carlos Magalhães é proprietária da TV Bahia, retransmissora da TV Globo no estado. Mantém, ainda, o jornal Correio da Bahia, descaradamente usado para defender e propagar os interesses carlistas no estado. Por conta do relatório sobre a Bahiatursa, o conselheiro Pedro Lino apanhou um bocado no jornal dos Magalhães. Um dos editoriais insinuou que ele era alcoólatra. Ainda assim, os colegas do TCE não moveram uma palha para defendê-lo.
Outro caso emblemático é a assinatura, em 2002, de um convênio entre a Bahiatursa e a Sociedade Cultural Auguste Rodin, no valor de R$ 1,6 milhão. Por conta de três termos de aditivos, essa parceria foi prorrogada até 25 de fevereiro de 2004. O festival de irregularidades apontadas pelo TCE, nesse caso, é de deixar de queixo caído até o Pensador, mais famosa estátua do artista francês a ser supostamente homenageado por um museu em Salvador. “A Sociedade Rodin vem pagando, costumeiramente, impostos e taxas fora dos prazos de vencimento, acrescidos de juros e multas, utilizando para pagamentos desses encargos os recursos financeiros do convênio”, registra o relatório do TCE.
O documento do TCE cita, ainda, um rol de descalabros relacionado à Sociedade Rodin: aquisição de uma cadeira de couro natural por R$ 1,8 mil; apoio à participação de artistas plásticos na V Bienal Di Roma e nas comemorações dos 110 anos de nascimento de Mãe Menininha do Gantois; pagamento por consultoria de feng shui (antiga ciência chinesa capaz de, em tese, localizar diferentes tipos de energia em um ambiente); compra de uma camisa de grife para o engenheiro responsável pela obra do futuro Museu Rodin; pagamento de hospedagem, no fim de semana na Praia do Forte, para representantes do Museu Rodin de Paris; aluguel de TV por assinatura e, finalmente, um pacote de despesas aparentemente superfaturadas com empresas de fotocopiadoras.
Além disso, a Bahiatursa mandou reformar, por R$ 39,1 mil, um casarão do século XIX, no bairro nobre da Graça (onde mora ACM), para a instalação do Museu Rodin da Bahia. O imóvel é alugado. O contribuinte baiano paga R$ 2,6 mil mensais para o dono do lugar, Sérgio Freire Sobral, que fez um negócio da China. As reformas pagas com dinheiro público, assim como o novo mobiliário (disposto em feng shui, bem entendido) da casa, terão apenas ele como beneficiário final. Somente entre 2003 e abril de 2005, a Sociedade Cultural Auguste Rodin embolsou R$ 3,7 milhões da Bahiatursa, diz o relatório do conselheiro Pedro Lino.
A fiscalização dos gastos do governo da Bahia depende de fatores pouco favoráveis ao contribuinte local. Dos sete conselheiros do TCE, cinco foram indicados por ACM e correligionários, inclusive Pedro Lino. Dois foram indicados por outros governadores: Filemon Mattos, por Waldir Pires, hoje corregedor-geral da União; e França Teixeira, por Nilo Coelho. Pedro Lino, aparentemente, libertou-se da órbita carlista. Mas, em compensação, o conselheiro Filemon tem votado com freqüência a favor das administrações ligadas ao PFL. Na imprensa baiana, apenas o jornal A Tarde arriscou-se a publicar reportagens sobre o assunto, mas sofreu forte pressão do governo baiano, dono da publicidade oficial.
Em nível nacional, o caso da Oficina das Artes chegou a ser anunciado, por duas semanas consecutivas, no índice da revista Época, mas a reportagem jamais foi publicada. Na primeira vez, na edição de 10 de outubro, a revista trouxe no sumário a seguinte chamada: “Bahia: ONG que tem sete funcionários públicos em seus quadros recebeu dinheiro do governo – Página 43”. Mas nada do texto. Na edição da semana seguinte, de 17 de outubro, o mesmo anúncio, mas para a página 37. Novamente, nem uma linha sobre o assunto.
Segundo o editor-executivo de Época, jornalista David Friedlander, boa parte do problema se deu, basicamente, porque a página do sumário da revista fica pronta antes das demais. No caso da edição do dia 10, ele afirma que a matéria sobre a Oficina das Artes, antes mesmo de ser lida pelo editor, teve de ser suprimida, de última hora, para dar espaço para a extensão de uma outra, sobre a CPMI dos Correios. Na edição do dia 17, houve outro problema, diz Friedlander: ao ler a matéria, ele teria constatado “falhas de apuração”, razão pela qual teria mandado o repórter responsável debruçar-se outra vez sobre o assunto. E, finalmente, na semana seguinte, explica o editor, não saiu nem índice nem matéria, desta vez por causa de um problema pessoal que o impediu de analisar o material.
Na Bahia, é história corrente que a reportagem foi sustada por intervenção direta de Antonio Carlos e ACM Neto. O deputado, também do PFL, nega e empenha a palavra na negativa. Ele afirma ter sido avisado dessa versão, na sexta-feira 21, quando viajava para o interior da Bahia ao lado do governador Paulo Souto. “Queria eu ter força para barrar qualquer notícia em uma publicação da Editora Globo”, diz ACM Neto. “Falo isso também por meu avô.” O fato é que o atual presidente da Bahiatursa, Cláudio Taboada, foi indicado por ele para o cargo. Ambos têm uma ligação política fraternal. Basta ler o que está escrito na abertura do site de ACM Neto (www.acmneto.com.br), sobre a saída dele da presidência da Juventude Pefelista em prol da candidatura à Câmara dos Deputados: “(...) e ainda apoiou o jovem Cláudio Taboada, diretor da Bahiatursa, para secretário-geral do Diretório Nacional do PFL Jovem”.
Para piorar, os parlamentares da Assembléia Legislativa da Bahia não têm qualquer acesso às contas do governo estadual. Não existe por lá, como há em nível federal, uma ferramenta como o Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro (Siaf), que permite aos deputados federais e senadores acessarem a movimentação de despesas e pagamentos da administração federal. A oposição local, comandada pelo PT, entrou e ganhou na Justiça uma ação que obriga a direção da Assembléia a implantar um sistema de fiscalização, mas nada foi feito, sob alegação de incompatibilidade tecnológica com a rede de informática do lugar. Agora, tenta-se negociar a implantação do sistema, pelo menos, na presidência da Casa. Os deputados teriam de marcar uma hora para fazer a fiscalização. “É um caos, ninguém consegue saber no que o governo estadual gasta o dinheiro da população”, reclama o depultado Zilton Rocha, líder do PT na Assembléia baiana.
Junta-se a essa circunstância o fato de haver, na Bahia, uma estranha duplicação na estrutura de fiscalização de contas. Além do TCE, existe um Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), supostamente montado para auditar a relação das contas municipais com a administração estadual. Além da Bahia, apenas Ceará, Pará e Goiás possuem estrutura semelhante. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, por serem centros urbanos muito populosos, possuem tribunais de contas próprios. Em tempo, os sete conselheiros do TCM baiano foram indicados por Antonio Carlos Magalhães.
O secretário de Fazenda da Bahia, Albérico Mascarenhas, é titular do Conselho de Administração da Bahiatursa. Ele admite que a conta 0800-1, do Bradesco, não foi registrada nos sistemas de fiscalização do Erário por conta de uma tradição, segundo ele, de “duas décadas”. Segundo Mascarenhas, essa conta recebe os repasses de aumento de capital da Bahiatursa desde 1988, contabilizados como despesa “para evitar dupla tributação”. O secretário baseia-se em resolução unânime do TCE, de julho do ano passado, favorável a transferências a paróquias católicas e à prefeitura de Ilhéus, no sul do estado. “Agora quero saber se o tribunal mudou de posição”, argumenta. Antes, porém, acautelou-se. Assim que o relatório do conselheiro Pedro Lino veio a público, Mascarenhas suspendeu as transferências. “Não vou ficar brigando com o tribunal por uma questão de procedimento, apenas”, alega. “Mas eu não tenho dúvida de que essa forma está correta.”
O secretário de Cultura e Turismo, Paulo Gaudenzi, é fã incondicional da Oficina das Artes, além de grande entusiasta da construção do Museu Rodin da Bahia. Mas alega desconhecer o movimento de receitas e despesas da Bahiatursa – da qual também desconhece o número de funcionários. O volume de dinheiro deslocado para as contas da Rede Interamericana/Propeg, explica, foi uma maneira de facilitar o trabalho de fomento ao turismo e da área cultural. “A Propeg foi contratada para trabalhar como uma agência de publicidade da Bahiatursa”, explica Gaudenzi. O fato de o TCE ter registrado uma irmã e seis funcionárias da secretaria da qual é titular no comando da Oficina das Artes (R$ 10,5 milhões recebidos em dois anos e quatro meses) também não lhe demove a tranqüilidade. “Eles nunca receberam um tostão, eram todos voluntários”, avisa.
O relatório do TCE, assinado pelo conselheiro Pedro Lino e mais quatro técnicos, será agregado às informações gerais da administração estadual para, terminada a gestão do governador Paulo Souto, ser submetido ao plenário do tribunal. Aí, então, os sete conselheiros vão aprová-lo ou não. Nunca, no entanto, as contas do PFL foram reprovadas na Bahia. O TCE, contudo, não estará sozinho nessa empreitada. As denúncias contra a Bahiatursa também estão sendo investigadas pelo Ministério Público baiano. O procurador-geral Aquiles Siquara quer saber se os repasses de recursos podem estar ligados a caixa 2 e lavagem de dinheiro. Também investiga a possibilidade de as licitações do governo da Bahia, principalmente na área de publicidade, serem dirigidas. Clique aqui e confira trechos do documento do Tribunal de Contas do Estado da Bahia

Monday, March 06, 2006

José Dirceu diz que motorista de Jucá servirá para reaver seus direitos políticos.
Germano Oliveira - O Globo

SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, vai utilizar o episódio do envolvimento do motorista do senador Romero Jucá (PMDB-RR), Roberto Jefferson Marques, que seria o verdadeiro Roberto Marques responsável pelo saque de R$ 50 mil no Banco Rural, para tentar reaver seu mandato, cassado no fim do ano passado.
Entre os argumentos que levaram à sua cassação, havia a suspeita de que o Roberto Marques que sacou R$ 50 mil no Banco Rural em 2004 era seu ex-assessor e amigo Bob Marques, que trabalha como assessor na bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo. Dirceu já conversou com seu advogado e disse ao GLOBO que o caso do motorista de Jucá agora será usado para reforçar o mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal com o objetivo de retomar seu mandato de deputado federal e reaver seus direitos políticos cassados por oito anos.
- Desde o começo eu sabia que o Roberto Marques não era o Bob, meu amigo. O Bob ofereceu todos os documentos e não constava no Banco Rural o seu CPF, seu RG, assinatura, nada, que comprovasse que o Roberto Marques que sacou os R$ 50 mil era o Bob. Não havia nenhuma prova na CPI ou na Polícia Federal contra o Bob e mesmo assim o deputado Julio Delgado e o Osmar Serraglio (relator da CPI dos Correios) se basearam nesse saque para justificar o meu envolvimento com o valerioduto. O surgimento desse motorista do senador Jucá desmonta essa parte importante do processo de minha cassação - disse José Dirceu ao GLOBO neste domingo, ao ser informado sobre a reportagem do Correio Braziliense mostrando uma fita atribuída ao motorista de Jucá, Roberto Jefferson Marques, confessando ter sacado os R$ 50 mil para o senador de Roraima.
José Dirceu disse esperar agora que o motorista de Jucá, e o próprio senador, sejam chamados a depor na CPI, no Ministério Público e na Polícia Federal, para que se esclareça o episódio.
- Espero que investiguem tudo agora. Da outra vez, ninguém quis investigar a história. O Bob dizia que não era ele e ninguém se interessou em apurar quem era o verdadeiro Roberto Marques. Espero também que a fita seja apreendida e divulgada. Afinal, parece que há muita gente envolvida na história, além do Jucá - disse Dirceu.
O ex-deputado disse que conversou sobre o assunto no domingo mesmo com seu advogado José Luiz Oliveira Lima e que nos próximos dias deve ingressar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para reaver seus direitos políticos.
- Tudo isso fortalece a tese de que minha cassação foi política, sem base legal e sem provas. Os tucanos, como o deputado Gustavo Fruet, estão perdendo toda a credibilidade, na tentativa de abafar as investigações contra o senador Eduardo Azeredo. Cada dia fica mais claro que à pretexto de combater o caixa dois e a corrupção no governo Lula, cassaram meu mandato, mas não conseguiram provar nada, nem na CPI, nem na PF e nem na Procuradoria - disse Dirceu.
Para ele, a oposição queria tirá-lo do governo e cassar o seu mandato desde o episódio Valdomiro Diniz.
- Já naquela época nunca provaram nada contra mim. Só que o Valdomiro tinha sido meu assessor, mas não provaram nada, nem na CPI da Loterj no Rio e em lugar algum - desbafou Dirceu.

06/03/2006 - 20h06m
Bob Marques, amigo de José Dirceu, quer reparação de danos

Germano Oliveira - O Globo
SÃO PAULO - Roberto Marques, o Bob, amigo de Dirceu, disse que hoje pretende usar o caso do homônimo motorista do senador Romero Jucá, Roberto Jefferson Marques, para processar os que disseram que ele "carregava malas de dinheiro" para José Dirceu.
- Desde início eu disse que era homônimo, que era uma armação para prejudicarem o José Dirceu. Mostrei que não havia meu RG, CPF, que a assinatura no saque no Banco Rural não era minha, mas ninguém quis acreditar - explicou Bob Marques, que atualmente trabalha na assessoria da bancada do PT na Assembléia paulista.
Para ele, não passa de "ironia do destino" o fato do verdadeiro Roberto Marques que fez o saque de R$ 50 mil ter o nome de Jefferson no meio.
- Ainda não sei que medidas vou tomar, mas vou consultar meu advogado para saber o que fazer. É possível que eu tome algumas medidas legais contra a revista "Veja", que fez uma capa dizendo que eu carregava malas para José Dirceu. A revista dizia não saber se nas malas estavam recheadas de cuecas ou de dólares. Expuseram meu nome, o da minha família e agora acho que mereço uma reparação por danos morais - disse Bob Marques.
JÚLIO DELGADO E RICARDO IZAR SÃO MENTIROSOS E CALUNIADORES. VEJAM QUEM ERA O BOB MARQUES. CASSARAM JOSÉ DIRCEU SEM PROVAS E COM MUITA MENTIRA. HIPÓCRITAS! O BRASIL ASSISTIRÁ A DECADÊNCIA DE VOCÊS!



Motorista acusa senador. - * Correio braziliense

Ex-funcionário do gabinete de Jucá confessa, em gravação obtida pela Polícia Federal, ser o verdadeiro Roberto Marques que retirou R$ 50 mil de Marcos Valério no Banco Rural em 2004.
Ex-ministro nega.

Luciene Soares, Rodrigo Lopes e Marcelo Rocha da equipe do Correio


Romero Jucá nega ter ordenado o saque no banco Rural, mas ex-motorista continua sob sua proteção em Boa Vista

Uma conversa gravada em fita cassete pode ajudar a esclarecer um dos enigmas ainda não desvendados no escândalo do mensalão. Nela, o ex-motorista do senador Romero Jucá (PMDB- RR), e hoje funcionário da prefeitura de Boa Vista (RR), Roberto Jefferson Marques, afirma a um interlocutor ser o Roberto Marques autorizado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza a sacar dinheiro das contas da agência SMPB. As suspeitas, até o momento, pairam sobre o homônimo, amigo, assessor e carregador de malas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
No diálogo, ao qual o Correio Braziliense teve acesso, o ex-motorista de Romero Jucá afirma ter retirado R$ 50 mil no Banco Rural, em Brasília, em junho de 2004, a pedido do próprio senador. Ele afirma ainda ter chegado ao banco e procurado uma pessoa de nome André — funcionário que o teria levado a uma sala e lhe pedido para assinar o recibo. “Eu peguei e só rubriquei Roberto Marques. Não quis botar identidade, e o cara não conferiu. Não conferiu, realmente”, sustenta.
O assessor disse que não foi preciso mencionar ao funcionário do Rural o nome do senador peemedebista, mas apenas o seu próprio nome para retirar os valores. “Eu só cheguei lá (no banco) e disse: ‘Meu nome é Roberto Jefferson Marques’. Aí, o cara falou: ‘Ah, tudo bem’. Só isso. E me entregou um envelope amarelo, grampeado em cima. Não abri, não fiz nada.”
Roberto Marques alega que não sabia quanto de dinheiro havia no envelope. Teria recebido o pacote e entregado a Romero Jucá em Brasília. Em seguida, acrescenta o assessor, foi a Belo Horizonte levar o carro do senador. Disse que o patrão viajou de avião para a capital mineira. Marques explicou ainda que o chefe tinha uma amiga naquela cidade e a visitava com certa freqüência. Noutro trecho da gravação, Marques afirma ter entregue o dinheiro a um amigo de Jucá chamado Magela.
Segundo Marques, que trabalhava como motorista no gabinete de Roraima, o senador apenas o pediu para ele ir a Brasília buscar uma encomenda no Rural, sem mais detalhes. “Xuxa (apelido de Roberto Marques em Boa Vista ), tu vai para Brasília e vai pegar uma encomenda para mim no banco tal (Rural) porque eu não vou estar lá, vou estar em São Paulo”, teria dito Jucá ao assessor.
Com as denúncias sobre a existência do mensalão em meados do ano passado, prossegue Roberto Marques na gravação, o assessor teria procurado Romero Jucá para pedir explicações sobre o caso. “Senador, e agora? Vai pegar alguma coisa para mim? Porque, se for pegar alguma coisa para mim, o senhor me tira daqui (Brasília) logo. Me manda para Belém”, teria afirmado.
O senador, de acordo com as declarações do assessor, teria perguntado o que fez no banco. E ele respondeu que apenas assinou o nome em um recibo. E foi, então, tranqüilizado por Jucá, de que não haveria nenhum problema. “Aí, eu peguei e foi quando eu cheguei a viajar. Aí, fui, passei um mês e pouco para lá (Belém). Aí, não deu nada, não chamaram. Aí, descobriram aquele tal de Roberto Marques que trabalha com o ministro (ex-ministro josé dirceu), mas o cara provou que não era ele, não sei como”, disse Roberto lembrando da conversa que teve, na época, com o ex-patrão.
Roberto Marques disse que o exame grafotécnico — comparação da assinatura no recibo do Banco Rural, com sua caligrafia — poderá comprovar ter sido ele o autor do saque. Roberto Marques foi nomeado no gabinete de Romero Jucá em 20 de abril de 2004, no cargo de assistente parlamentar AP 05. Ele trabalhou no Senado até 1° de abril de 2005, quando foi exonerado pelo suplente Wirlandes da Luz, que assumiu o mandato quando Jucá foi ocupar o cargo de ministro da Previdência. Em poder da Polícia Federal, a fita já passou por uma análise preliminar de peritos, que reconheceram haver interrupções, mas sem montagem nas gravações. Também confirmaram se tratar da voz de Roberto Marques, conforme comparação com uma outra gravação da voz do ex-assessor.
Na fita, o motorista conta ainda que depois que deixou o gabinete do senador não conseguiu mais conversar sobre o episódio com ele. Em outubro de 2005, desempregado, teria procurado Jucá novamente, mas sem sucesso. Afirma ter pedido a um assessor de Jucá em Boa Vista para dizer ao ex-patrão que estava no sufoco financeiro e que precisava de dinheiro para pagar a pensão alimentícia dos filhos e o aluguel de casa — segundo ele, vencido há quatro meses —, mas não teve resposta.
Desempregado A fita cassete em que Roberto Marques faz as revelações foi gravada no final de outubro de 2005, durante uma conversa no interior de um veículo. O interlocutor de Marques, que fez a gravação, prefere não se identificar. Na época, Marques estava desempregado. Depois que tomou conhecimento do que dizia seu ex-motorista, o senador voltou a empregá-lo. Hoje, trabalhando na Prefeitura de Boa Vista, cuja titular é Tereza Jucá, mulher de Romero Jucá, ele nega ter feito saques a pedido do senador, e disse também desconhecer qualquer coisa relacionada ao assunto.
Procurado pela reportagem, o gabinete do senador Romero Jucá em Brasília confirma que Roberto Jefferson Marques foi nomeado assistente parlamentar em março de 2004, para exercer a função de motorista do gabinete de apoio de Jucá em Boa Vista, e exonerado em abril de 2005. No período, segundo a assessoria, não houve ordem ou exigência por parte do parlamentar ou de funcionários do gabinete para que ele viajasse de Roraima a outro lugar do país. “O senador Romero Jucá repudia a acusação e afirma, veementemente, que não teve ou tem envolvimento de qualquer espécie com o Banco Rural ou com os saques atribuídos ao esquema chamado valerioduto”, afirma a nota.
A CPI dos Correios investiga a participação de outros parlamentares, além dos 18 já conhecidos, no esquema do mensalão. A partir de uma lista de servidores da Câmara, os técnicos da comissão tentam encontrar outros sacadores. Também está sendo feito o cruzamento de dados sobre esses saques com registros bancários das corretoras Bônus-Banval e Guaranhuns. As duas operaram com alguns dos 14 fundos de pensão investigados pelos congressistas, e suspeita-se que tenham sido usadas para abastecer o esquema de corrupção. Nessa nova lista, estaria, de acordo com informações já divulgadas na imprensa, o deputado Nilton Baiano (PP-ES). Um assessor dele teria recebido R$ 100 mil. A CPI não confirma nem desmente a informação.
Senador, e agora? Vai pegar alguma coisa para mim? Porque, se for pegar alguma coisa para mim, o senhor me tira daqui (Brasília) logo. Me manda para Belém

Roberto Marques, ex-assessor do Senado ao questionar Romero Jucá sobre a divulgação de nomes de scadores do mensalão no Banco Rural

Confusão





Em 2005, a PF apreendeu no Banco Rural, entre recibos de sacadores do mensalão, um que trazia o nome de Roberto Marques, a quem era atribuída retirada de R$ 50 mil. A descoberta provocou frisson na oposição, que viu no documento um indício de participação de josé dirceu — o ex-ministro tinha um assessor chamado Roberto Marques (foto) —, com o caixa 2 do PT. Marcos Valério disse que a determinação para incluir o nome na lista partiu do ex-tesoureiro Delúbio Soares, que depois mandou substitui-lo pelo funcionário de uma corretora.


“Ele é o chefe; faço o que ele manda”

Motorista do senador Romero Jucá conta como pegou R$ 50 mil do valerioduto a mando do patrão. E revela que foi desligado do gabinete do parlamentar quando o escândalo do mensalão foi denunciado
Xuxa é o apelido do motorista do senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-ministro da Previdência do governo Lula, ex-líder no Senado do governo Fernando Henrique e um dos parlamentares mais ativos da comissão do Congresso que elabora a lei orçamentária.
O verdadeiro nome de Xuxa é Roberto Jefferson Marques. Ele serviu ao gabinete de Jucá em Brasília e hoje é funcionário da prefeitura de Boa Vista (RR), comandada pela mulher do senador, Tereza Jucá. Xuxa foi o emissário do parlamentar para sacar R$ 50 mil em 2004 na agência do Banco Rural em Brasília. O dinheiro era um presente do empresário Marcos Valério. O motorista sabe a confusão em que se meteu. Mas é fiel a Jucá: “Ele é o chefe. Eu faço o que ele manda”.
Na conversa gravada, Xuxa conta como driblou as investigações da CPI dos Correios. Ele trabalhava no gabinete de Jucá e perguntou ao chefe: “Senador, e agora, vai pegar alguma coisa pra mim?” E apresentou a solução: “Porque se for pegar alguma coisa pra mim, o senhor me tira daqui logo. Me manda pra Belém.” Precavido, Jucá quis saber de Xuxa o que ele tinha feito no Banco Rural quando pegou o dinheiro. Quando ouviu a resposta, o tranqüilizou: “Não te preocupa com isso. Pode ir sossegado”, teria dito Jucá, que desligou o funcionário do gabinete e mandou Xuxa viajar. Na conversa gravada por um amigo, Roberto Marques dá uma dica para a PF desvendar o mistério: “ Só comparando a minha assinatura.”
Confira o que disse o ex-funcionário de Romero Jucá sobre saque de dinheiro no Banco RuralInterlocutor – Mas veja, como foi lá? Tu chegou lá no Banco Rural e… O Romero tinha falado com tu antes? Tu chegou lá e disse “vim sacar pro senador Romero Jucá”?

Roberto Marques – Não, nunca. Não teve nada de senador. Cheguei lá, procurei um tal de André, o cara me levou até lá dentro e falou: “Agora, você assina esse recibo aqui”. Eu peguei e só rubriquei Roberto Marques e não quis botar identidade e o cara não conferiu.

Interlocutor – Mas e como ele sabia que tu era o emissário do senador? Marques – Eu só cheguei lá e falei “Meu nome é Roberto Jefferson Marques”. Aí, o cara falou “ah, tudo bem”. Só isso. E me entregou um envelope amarelo, grampeado em cima. Não abri, não fiz nada.

Interlocutor – Mas tu sabia que eram os R$ 50 mil…

Marques – Não, mas eu escondi esse dinheiro… Interlocutor – Mas ele falou que eram R$ 50 mil?

Marques – Não. Não falou nada. Mas para mim, tinha até mais que isso. (…) Eu peguei e dei para o Romero, fui para Belo Horizonte com uma gata que ele tinha lá, levei o carro dele e ele foi de avião. Ele é chefe, p… Eu faço o que ele manda.

Interlocutor – Mas e esse negócio de tu ir para lá (ao Banco Rural)? Ele já tinha combinado contigo aqui (em Roraima)?

Marques – Não. Ele disse “Xuxa, tu vai para Brasília e vai pegar uma encomenda para mim no banco tal porque eu não vou tá lá, vou tá em São Paulo.”

Intelocutor – Que era no Banco Rural…

Marques – Isso. Lá no shopping, dentro do shopping. Te lembra do Magela?

Interlocutor – Sei. Aquele cara que cuidava das faculdades?

Marques – É. Esse dinheiro foi passado para a mão do Magela. Eu entreguei na mão do Magela. O Romero pediu para pegar a encomenda e entregar na mão do Magela que o Magela ia saber o que fazer. Eu entreguei lá em Brasília mesmo. O escritório do Magela fica ali no…Tem aquele shopping ali, atrás do prédio da Varig…

Interlocutor – Sei…

Marques – Pois é. Aí eu fui lá e subi e pus na mão do Magela. Foi o que aconteceu.
Interlocutor – Aí, quando estourou o negócio do Marcos Valério, do Banco Rural, tu sabia que era… Tu tava recebendo pelo gabinete?

Marques – Continuava recebendo pelo Senado…

Interlocutor – Mas aí, quando esse negócio…

Marques – Quando estourou, eu fui atrás e falei: “Senador, e agora? Vai pegar alguma coisa para mim? Porque se for pegar alguma coisa para mim, o senhor me tira daqui (de Brasília) logo. Me manda para Belém.”

Interlocutor – Vocês conversaram aqui em Boa Vista?
Marques – Conversamos aqui em Boa Vista. Foi a ultima vez que eu falei com ele (Romero Jucá). Ele disse: “Xuxa, o que foi que tu fez no banco?”. Eu disse: “Eu só assinei meu nome”. “Então, não te preocupa com isso, pode ir sossegado”. Aí, eu peguei e foi quando eu cheguei a viajar. Aí, fui, passei um mês e pouco para lá. Aí, não deu nada, não chamaram. Aí, descobriram aquele tal de Roberto Marques que trabalha com o ministro (ex-ministro josé dirceu), mas o cara provou que não era ele, não sei como.

Interlocutor – Mas aí, ele te tirou do gabinete nessa confusão?

Marques – Tirou. Ele me tirou. Eu ainda fiquei lá no tempo do Wirlande (da Luz, suplente de Romero Jucá), lá dentro do gabinete, recebendo. Aí, quando estourou isso aí, eu já saí do gabinete.

Interlocutor – Mas tu tem como provar isso? Essa é que é a grande questão. Tu acha que é só o exame grafotécnico…

Maques – Só a minha assinatura. Só comparando a minha assinatura

Sunday, March 05, 2006

CONVITE

Companheira(o)

Convidamos todos os filiados ao PT de Santos, que apóiam ou simpatizam-se com a candidatura da companheira Marta Suplicy para concorrer à vaga de candidata a governador do Estado de São Paulo, nas prévias de nosso partido, para um encontro no próximo dia 8 de março, quarta-feira, às 19 horas, na Sede de nosso partido na Av. Senador Pinheiro Machado, 492, para debater a pauta abaixo. Lembramos-lhe que as prévias que decidirá sobre a candidatura será realizada no dia 7 de maio.

Pauta:

1 – Apresentação da pesquisa realizada pelo IBOPE onde a companheira Marta aparece na frente como a candidata preferida para governar São Paulo.

2 – Linhas gerais para um manifesto dos petistas de Santos de apoio à Marta a ser enviado a todos os filiados do PT.

3 – Tática e Estratégia para campanha interna junto aos petistas de Santos e articulação para fazer uma plenária da região dos apoiadores da pré-candidatura da Marta e organizar uma Coordenação Regional, articulando as coordenações municipais e a participação na Coordenação Estadual da Pré-Candidatura.

4 – Eleição de uma coordenação operacional santista para encaminhar o processo eleitoral interno organizado.


Alberto Higino de Camargo Assis ( Secretário Municipal de Assuntos Institucionais)
Bartolomeu (Bartô) Pereira de Souza (Vice-Presidente Municipal e Secretário Assuntos Instit. Da Coordenação da Macro Região da Baixada Santista)
Berta Maria Esteves (Secretária de Movimentos Sociais)
Efraim Francisco dos Santos (Coordenador do Núcleo Florestan Fernandes)
Gislaine Magalhães (Secretária Municipal de Comunicação)
José Cláudio Bueno Assis (Tesoureiro Municipal)
José Ricardo (Ricardinho) Pereira de Andrade (Vice Coordenador Regional da Macro da Baixada Santista)
Lamir Vaz de Lima (Secretário Municipal de organização)
Odinete de Jesus Ferreira Viana (Secretária Reginal de Organização da Macro Região da Baixada Santista).
Sebastião Clemente (2.º Vice Presidente Municipal)
Vera Oscar (3.ª Vice-Presidente

Friday, March 03, 2006

Esquerda, volver. *Jornal do Brasil

José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil

É sintomático que a mídia, recentemente, tenha levantado o debate sobre a chance de retorno da direita no Brasil. Lógico, uma nova direita, democrática, e, pasmem, defensora não apenas dos direitos humanos e da democracia, mas reformadora - mesmo que seja para efeitos eleitorais -, que quer mudanças na tão sagrada taxa de juros, já que, segundo essa nova direita, não é democrático mantê-la acima dos 10%.
Seria cômico, se não fosse trágico, essa nova pantomima que tentam nos impingir em tempos bicudos, onde eternos corruptos, conhecidos da sociedade e da mídia, são arautos da ética e da moralidade pública.
O discurso é o de sempre. A esquerda não tem compromisso com a democracia, quer o poder para acabar com ela, e, além do mais, agora é corrupta, ou seja, subversão e corrupção - lembrem-se do golpe de 64 - são o DNA da esquerda no Brasil. Ela é intolerante e patrulha toda a manifestação da direita, ou os que a ela se opõem.
Essa esquerda, insistem os arautos da nova direita, é mantida no meio cultural por recursos públicos da Petrobras (esse monopólio que não deixa o Brasil se desenvolver), domina a mídia, a universidade, o cinema e a cultura. E, na verdade, precisa ser eliminada, como afirmou um dos porta-vozes da nova direita. Não se trata de um deslize de linguagem. Quem o conhece sabe que manifestou uma solução de preferência, já que, para este porta-voz, a esquerda propaga uma doutrina totalitária, comunista e fascista.
Ora, ora, senhores e senhoras, a direita domina e governa este país já faz muito tempo; no passado, na base do pau de arara e do garrote e, no presente, da defesa das forças de mercado, do capital financeiro e do escárnio das políticas sociais e distributivistas, empurradas para a vala comum do que chamam de populismo. Pregar o contrário seria subestimar a inteligência nacional. Democracia mesmo, no país - e, mesmo assim, sem direito de greve, sem liberdade para os comunistas e outras ''cositas mas'' -, só entre 46 e 64 e de 85 até hoje. Nas duas ocasiões, uma conquista do povo e da esquerda, e que custou muito sangue, suor e lágrimas. Ao povo, na redemocratização do país, se somaram os arrependidos, os apoiadores do golpe de 64 que tiveram seus interesses contrariados.
Até 1930, vivíamos no império dos coronéis, das eleições no bico de pena e nos eternos estados de sítio, já que nossa juventude militar e civil vivia em armas contra as oligarquias da República Velha. Ou os senhores e senhoras já se esqueceram que seus avôs e avós eram guerrilheiros, revoltosos, como se falava. Hoje, seriam terroristas, na boca desses novos arautos da direita de sempre.
Mas o que esse movimento tenta, na verdade, é levar o macartismo, que domina nossa cena política, para a cultura e a universidade. Na prática, a nova direita está se comportando como sempre acusou a esquerda que ela sataniza de se comportar - quer eliminá-la de toda a sociedade, e não apenas da política; quer silenciá-la, acuá-la ou cooptá-la. Esta é a verdade nua e crua.
E o verdadeiro motivo dessa nova histeria da nossa tão pura e limpa direita democrática é o avanço da esquerda na América Latina, depois de 25 anos de governos conservadores, de ditaduras sangrentas e corruptas, defensoras, por coincidência, do mesmo discurso dessa nossa nova direita. E, também, submetidas aos mesmos senhores: o mercado, o livre comércio (que a direita não pratica) e a democracia liberal (que liquida quando seus interesses não são atendidos). Daí o ódio a Lula, Chávez e Evo Morales; daí as tentativas de caricaturá-los, principalmente a Chávez e, de tempo em tempo, a Kirchner.
No Brasil, a nova (?) direita está aí, ávida pela volta ao governo, porque o poder ela já tem. Para tanto, faz tudo e de tudo, finge que é honesta, democrática e controla-se para não se trair, como na iniciativa, abafada, de tentar derrubar o atual governo. Agora, insistem vozes da nossa tão culta classe média conservadora, a direita precisa ter uma chance de governar o Brasil. Durma-se com um barulho desses, ou das balas perdidas de nossas grandes cidades, retrato da herança que os séculos de domínio da elite e da direita deixaram para que nós jamais nos esqueçamos de que precisamos de esquerda, volver.

Wednesday, March 01, 2006

24/02/2006 - Reunião do Diretório Nacional é adiada
A presidência do PT informou na tarde desta sexta-feira que a reunião do Diretório Nacional, inicialmente marcada para os próximos dias 4 e 5 de março, foi adiada. A nova data ainda não foi definida.
A Presidência Nacional do PT propõe, como nova data, os dias 1º e 2 de abril, mas ainda consultará os membros antes de definir.
Entre as razões do adiamento estão a dificuldade de locomoção e impossibilidade da participação de vários membros do DN consultados.
Na agenda da reunião do Diretório Nacional está a discussão e a aprovação das teses que serão encaminhadas ao 13º Encontro Nacional do partido, marcado para o fim de abril.
Samba da Vila Isabel


Soy Loco Por Tí, América: A Vila Canta a Latinidade"

Autores: André Diniz, Serginho 20, Carlinhos do Peixe e Carlinhos Petisco

"Sangue caliente" corre na veia
É noite no Império do Sol
A Vila Isabel semeia
Sua poesia em "portunhol"
E vai... buscar num vôo à imensidão
"Dourados" frutos da ambição
Tropical por natureza
Fez brotar a miscigenação

"Soy loco por tí, América"
Louco por teus sabores
Fartura que impera, mestiça mãe terra
Da integração das cores

Nas densas "Florestas de cultura"
Do sombrero ao chimarrão
Sendo firme, "sin perder la ternura"
E o amor por este chão
Em límpidas águas, a clareza
Liberdade a construir
Apagando fronteiras, desenhando
Igualdade por aqui
Arriba, Vila !!!
Forte e unida
Feito o sonho do libertador
A essência latina é a luz de Bolívar
Que brilha num mosáico multicor

Para bailar "La Bamba", cair no samba
Latino-americano som
No compasso da Felicidade"
Irá pulsar mí corazón"
VILA ISABEL: CAMPEÃ DO CARNAVAL 2006.A escola de samba carioca, vila Isabel, cantou a América Latina e faturou o campeonato.O samba-enredo Soy loco por ti, América, garantiu o título. Assim que vi a Vila pisar na avenida, senti que seria a vencedora. Parabéns Vila! Parabéns Joãozinho Trinta! O título foi merecido!
Foi um grande Azar a escola Leandro de Itaquera desfilar com os dois bonecos sem sal, Serra e Alckmin. Acabou sendo rebaixada!


SP: Império da Casa Verde é bi - * O Globo

SÃO PAULO

Tem boi no samba. E é campeão. Com a história do gado brasileiro, a Império da Casa Verde ganhou, pela segunda vez consecutiva, o carnaval paulistano. Com o tema “Do boi mítico ao boi real: de Garcia D’Ávila na Bahia ao Nelore — o boi que come capim — a saga da pecuária no Brasil e para o mundo”, a Império da Casa Verde ficou com 298,25 pontos, a mesma pontuação obtida pela Vai-Vai, do tradicional bairro do Bixiga. O critério de desempate foi o quesito evolução, que deixou a Vai-Vai em segundo lugar. A Gaviões da Fiel, escola da torcida organizada do Corinthians, ficou em último lugar e foi rebaixada novamente para o Grupo de Acesso, sob protesto de seus diretores, que ameaçaram deixar o carnaval definitivamente.

A Mocidade Alegre ficou em terceiro lugar, com 298 pontos, após liderar a disputa durante a maior parte da apuração. É da Mocidade a rainha da bateria Nani Moreira, cujo adereço de cabeça pegou fogo e, que, mesmo ferida, desfilou até o fim.

A Império de Casa Verde se sagrou bicampeã levando para a avenida 3.900 integrantes em 26 alas, cobertos por muito luxo. No meio do sambódromo do Anhembi, o tigre, símbolo da escola, se transformava em homem e fazia o público delirar.

A festa na quadra da Império começou por volta das 11h30m. Junior Marques, diretor da escola, que ganhou o título pela segunda vez embora só esteja no grupo especial há quatro anos, exaltou a participação da comunidade da Casa Verde, bairro da Zona Norte, onde fica a escola.

Na lanterna, a polêmica e tetracampeã Gaviões da Fiel amargou a perda de quatro pontos por falhas — a escola estourou o tempo de desfile em um minuto e dez segundos e fez propaganda da empresa que lhe forneceu os geradores.

A Gaviões havia entrado na avenida graças a uma liminar concedida pela Justiça. Por se tratar de uma escola de torcida de futebol, a Gaviões deveria participar do grupo de escolas esportivas, como a palmeirense Mancha Verde. Os corintianos protestaram e garantiram o direito de concorrer pelo Grupo Especial. Agora, terão de ficar no Grupo de Acesso, após a pior pontuação do Carnaval. Em 2004, a Gaviões também caiu porque um dos carros se enroscou num relógio da avenida, mas foi a campeã no Grupo de Acesso em 2005.

Outra escola rebaixada foi a Leandro de Itaquera, que falou sobre o Rio Tietê e encaixou no enredo um carro alegórico com bonecos gigantes dos pré-candidatos do PSDB à Presidência, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra.

Outras duas escolas desceram ao Grupo de Acesso este ano: a Camisa Verde e Branco e a Acadêmicos do Tatuapé. Para o ano que vem, o Grupo Especial terá duas novas escolas, que subiram do Grupo de Acesso: Imperador do Ipiranga e Pérola Negra.
Dirceu é o cara.


Quando solaparam o mandato do deputado José Dirceu, pensaram que iriam também roubar a sua capacidade de pensar e discutir sobre as questões mais importantes deste país.
Mas ele está aí, vivo como nunca. Dando opiniões e propondo soluções para melhorar ainda mais as ações desenvolvidas pelo governo federal. Conhecer o pensamento de José Dirceu é de fundamental importância tanto para os petistas, como para os não-petistas, pois ele ainda é o principal cérebro político do PT, como bem disse a minha amiga Caia Fittipaldi. E eu vou além da Caia, e digo que Dirceu é um dos principais cérebros políticos do nosso país.
A decisão de recorrer ao Supremo Tribunal Federal, para reaver seu mandato de deputado, é um direito que possui como cidadão, visto que o processo apresenta falhas grotescas e primárias. Além disso, o Brasil precisa dar uma satisfação à sociedade que acompanhou estarrecida ao processo de cassação do ex-ministro, por seus pares da Câmara, como um verdadeiro fuzilamento político.
Os brasileiros que possuem a oportunidade de obter informações de outras fontes, que não apenas as oferecidas pela mídia oficial, que monopoliza os nossos meios de comunicação, puderam distinguir o joio do trigo e conseguiram perceber que tudo não passou de uma tentativa covarde e mesquinha, para retirar o deputado José Dirceu do cenário político nacional.
Enganaram-se todos. Ele ainda continua sendo a referência maior para todos os petistas que aprenderam com ele a forma de fazer política com honestidade e integridade, que percorreram junto com ele o caminho trilhado para fazer de um operário Presidente da República.
República de um país, que ainda guarda muitos ranços de uma política calcada em anos de conservadorismo e dominação do povo pelas elites. Perpetuadas no poder, essas elites não admitem um governo que priorize os setores sociais, que busque dignificar o cidadão, dando-lhe a chance de poder obter oportunidades.
Ele continua sendo sim o nosso comandante, o nosso líder. E quem disse que líder não pode comandar? Nessa concepção, a palavra comandar assume o significado de orientar, guiar. E não de arrogância como tentaram, sem sucesso nos fazer acreditar.
Até porque, um arrogante não teria o respeito e nem o carinho de toda a militância do Partido dos Trabalhadores e de milhares de brasileiros que se manifestaram em apoio a toda a sua luta de mais de 40 anos de vida pública, que em nenhum momento envergonhou o país com os seus atos.
Depois de toda a tempestade, é com tristeza que assistimos à absolvição de vários deputados acusados de corrupção. Ao julgamento dos acusados sendo protelado e empurrado com a barriga. Ao Conselho de Ética adiando os seus trabalhos e enrolando a população. Prova inconteste de que o que realmente queriam era tão somente a cabeça de José Dirceu.
Após acompanhar, mesmo que de longe a todo o desenrolar do processo de cassação do ex-ministro, fiquei convicta de quê os deputados não deveriam ser julgados pelos seus pares. Mas, se as regras ainda são essas deveriam servir para todos.
Vamos aguardar então que a justiça seja feita e que o ex-ministro José Dirceu tenha o seu mandato devolvido. Mandato este que não pertencia a Câmara dos deputados, mas ao povo do Estado de São Paulo. Que no meu entender é o único a possuir o direito de cassá-lo ou não nas urnas.