Tuesday, February 28, 2006

Dirceu decide recorrer ao STF para reaver mandato. *Blog do Josias de Souza

Está decidido: o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) vai protocolar no STF, até o próximo dia 15 de março, um recurso para tentar reaver o mandato. O advogado José Luiz Oliveira Lima já aprontou o texto da ação. Ele está em férias nos EUA. Retorna nos próximos dias para dar os últimos retoques na peça antes de levá-la ao Supremo.



Dirceu, que passa o Carnaval em Cuba, já deu o sinal verde para o advogado. Conforme foi noticiado aqui, o recurso vem sendo estudado desde o início de dezembro. Dirceu autorizara Oliveira Lima a consultar juristas de renome acerca das chances de êxito do novo recurso. Estava, porém, em dúvida quanto à conveniência da iniciativa.



Na entrevista que dera no dia seguinte à cassação, Dirceu dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Mudou de idéia. Está agora convencido de que tem chances de anular a sua cassação. No texto do recurso, o advogado Oliveira Lima faz um histórico do julgamento de seu cliente na Câmara.



Em determinado trecho, ele lembra que, ao autorizar a Câmara a dar seqüência ao julgamento de Dirceu, o STF ordenou que fosse retirado do processo contra o então deputado um dos depoimentos que haviam sido colhidos pelo Conselho de Ética: o da presidente do Banco Rural Kátia Rabelo.



Lembra ainda que o relator do processo contra Dirceu, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), teve de refazer o seu relatório. E afirma que o novo texto deveria ter sido publicado no Diário do Congresso. Na opinião de Oliveira Lima, a direção da Câmara deveria ter concedido duas sessões para que a defesa preparasse a sustentação oral que faria no plenário.



Porém, nada disso foi feito. O julgamento no plenário da Câmara ocorreu no mesmo dia da decisão do Supremo. Oliveira Lima recordará no recurso que, em sinal de protesto, se recusou a fazer a defesa de seu cliente da tribuna. Só Dirceu discursou. Alegará que houve cerceamento do direito de defesa.



Oliveira Lima sustentará também na ação que a representação que deu origem ao processo contra Dirceu, formulada pelo PTB, acusava-o de ser o mentor de um esquema de compra de votos de parlamentares que, em troca, votariam projetos de interesse do governo. Segundo o advogado, o relatório que motivou a cassação contém acusações diferentes daquelas formuladas pelo PTB. Em linguagem jurídica, não haveria “nexo causal” entre a petição inicial do partido do acusador Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o relatório de Júlio Delgado. Algo que seria vedado pelo Código de Processo Civil;



O advogado anota ainda no recurso que, no processo que motivou a cassação de Roberto Jefferson, o relator Jairo Carneiro (PFL-BA) sustentou que o ex-deputado não conseguira provar a existência do mensalão. No relatório de Júlio Delgado, ao contrário, sustentou-se que o mensalão existiu. Para Oliveira Lima, os pareceres de Carneiro e Delgado, aprovados pelo mesmo Conselho de Ética da Câmara, se anulam.



Oliveira Lima mencionará, por último, a absolvição pelo Conselho de Ética, em 9 de fevereiro, do deputado Pedro Henry (PP-PE). A exemplo de Dirceu, dirá o advogado, pesavam contra Henry apenas as acusações feitas por Roberto Jefferson. O arquivamento do caso de Henry seria uma evidência de que Dirceu foi mandado à guilhotina injustamente, sem provas.
Araçatuba, terça-feira, 28 de fevereiro de 2006. *Folha da Região


Artigo

Lula
Ventura Picasso

"Pessoa superior, a única no seu gênero: a fênix dos oradores". Arrasta multidões ao maior acontecimento político do século 20; apenas um partido político, legalizado, igual aos outros, que se propôs a desenvolver uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna. Era difícil acreditar num partido de trabalhadores e sindicalistas, que pudesse transformar a sociedade pelo voto conquistado de eleitores céticos, alcançando a presidência da república, pasmem, é hoje um partido de massas, pior, ideológico. Diria Brecht: " - Mas quem é o partido? / Quem é ele? / - Somos nós... / Mostre-nos o caminho que devemos seguir, e nós / o seguiremos como você, mas / não siga sem nós o caminho correto /. Ele é sem nós / O mais errado / Não se afaste de nós! / Podemos errar, e você pode ser a razão, portanto / Não se afaste de nós". Que força estranha é essa que se propaga pelo mundo, e a nossa América totalmente influenciada por esse orador, mostrando um novo caminho, convencendo e garantindo um futuro melhor às nações que acreditam em sua fala. Por isso surgiu Hugo Chaves, Evo Morales, Michele Bachelet e Tabaré Vasques. Em 2006, candidatos com orientação à esquerda, disputarão eleições presidenciais em El Salvador, Peru, Colômbia, México, Equador e Nicarágua. Não podemos perder as posições que o eleitorado brasileiro conseguiu, e hoje é maior a nossa responsabilidade, o século 21 é latino-americano. Em 2005, aos gritos, o fascismo racista pregava o impeachment do chefe da nação, e a cassação do registro do partido (nós). Parlamentares e militantes intimidados e vacilantes, desprovidos de ideologia, os que não amam nada, aproveitaram o momento e sorrateiramente, abandonaram o partido quando ele mais precisava de todos. Traíram (?), não; são assim mesmo, pessoas comuns que querem um cargo, um emprego e se erraram ingressando num ambiente desconhecido, ideológico, cometeram dois equívocos: a) ao entrarem; b) ao ronco do trovão, afinaram, fugiram e se afastaram de "nós". Agora, a "fênix dos oradores" reconquistou a posição maior nas pesquisas, passou longe do segundo. Desrespeitado por uma oposição desesperada, que bateu durante os últimos seis meses, mas não "matou" o partido e seu criador. Desorientados, pensando e fazendo pensar que o partido é igual aos outros, o que não é verdade, tudo que fazem, facilita a ressurreição do PT e a reeleição do ídolo de Bono Vox (U2). Resta-nos voltar ao tempo e relembrar Henfil com sua graúna falante, e se fosse hoje, ao ver uma "esperança" gritaria: - O Lula é o cara, meu!

Ventura Picasso, membro do Grupo de Pensadores da Academia Araçatubense de Letras.

Monday, February 27, 2006

Lula em campanha: Oposição briga
Jasson de Oliveira Andrade

Lula não está fazendo nada. O presidente não realizou obras. Ele está de braços cruzados. Esta era a acusação dos oposicionistas até pouco tempo. Agora estão bravos. Lula está inaugurando obras e tomando medidas a favor do povo. Querem mesmo acionar a Justiça Eleitoral contra o presidente. Com isso, desmentem as próprias acusações de que ele é inoperante!
A VEJA, que é anti-Lula, fez uma reportagem sob o título “O candidato dos pobres”. Nela, diz que Lula é candidato dos pobres e Serra dos ricos. A revista diz com todas as letras: “O prefeito José Serra provável candidato do PSDB: apoio maior entre os eleitores ricos”. No texto, VEJA constata: “O eleitorado nordestino de Lula tem sido reforçado à base de investimentos importantes.
“O governo fará uma refinaria em Pernambuco, a Ferrovia Transnordestina, a duplicação da BR-101, a transposição do Rio São Francisco, a exploração de petróleo na Paraíba. É uma série de boas notícias que reforça o prestígio do presidente na região”, analisa o deputado Eduardo Campos, do PSB de Pernambuco.
Além disso, em seu governo, para agradar o eleitorado mais humilde, Lula congelou o preço do gás de cozinha e reduziu os impostos dos produtos da cesta básica, duas medidas de alto impacto para as camadas de menor renda, e acaba de anunciar com barulho que o novo salário mínimo será de 350 reais, sofrendo assim um aumento real de 13% - o maior dos últimos dez anos. (...) O aceno para o eleitor pobre não param. Na semana passada, numa solenidade em Brasília, Lula anunciou um pacote de incentivo à moradia popular, liberando recursos para a casa própria e REDUZINDO IMPOSTOS SOBRE MATERIAL DE CONSTRUÇÃO (destaque meu)”. A verdadeira intenção da revista VEJA é mostrar que Lula se preocupa com os pobres, mas esquece a classe média.
Ela não diz isso. No entanto, torna-se clara essa sua intenção pelo que não diz: as medidas tomadas pelo governo Lula não beneficiam apenas as camadas mais pobres. Elas favorecem também a classe média que também compra gás de cozinha e adquire alimentos da cesta básica. Com a redução dos impostos sobre material de construção, beneficiará a classe média que compra cimento, pisos e outros materiais de construção. Vai ainda favorecer a indústria cerâmica de Mogi Guaçu!
Em visita ao Nordeste, Lula “deixou claro que, daqui para frente, vai ressaltar nos eventos e viagens suas realizações numa área cara aos tucanos: a universidade. Ele sugeriu que os adversários podem esperar muitas comparações de números do ensino superior de seu governo com os da gestão anterior [oito anos], do tucano Fernando Henrique Cardoso.
Decidiu que vai propagar quantas vezes for possível que investiu mais nas “fábricas de inteligência” que os tucanos [em oito anos].Vai dizer que abriu quatro universidades federais, enquanto Fernando Henrique inaugurou uma em dois mandatos. “E vamos fazer muito mais”, afirmou. (Estado, 23/2/2005). Beneficiou a classe média. É lógico que o apoio a Lula é maior entre os pobres.
A Folha noticiou: Bolsa-Família é a principal razão para subida de Lula: “O Bolsa-Família é o principal fator de recuperação de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto para presidente, constatou o Datafolha.
O jornalista Vinicus Torres Freire, pergunta: “Bolsa-Família, o Real de Lula?”. Na reportagem, “Estou feliz de ouvir o reconhecimento”, publicada no Estadão, Fausto Macedo relata: “Diante de 4 mil arapiraquenses [Arapiraca , Alagoas– 200 mil habitantes],espremidos no ginásio do Sesi e que o receberam ao compasso de “um,dois,três, Lula outra vez”, o presidente ganhou um cabo eleitoral tão veemente que nem ele poderia esperar.
Luciano Barbosa (PMDB) – prefeito da cidade e ex-ministro de seu maior oponente e antecessor, Fernando Henrique Cardoso – cobriu-o de elogios e agradecimentos “por tudo o que tem feito” pelo Estado que exibe os piores indicadores sociais do País”. O inesperado elogio de um ex-ministro de FHC foi a consagração de Lula!
Enquanto Lula está em campanha, os tucanos continuam brigando para saber quem vai ser o adversário dele, trazendo constrangimento aos companheiros. É o caso do deputado Sidney Beraldo. Como deputado estadual e também presidente do PSDB paulista, o parlamentar sanjoanense deu apoio à candidatura de Alckmin. Deve-se lembrar que, a pedido dele, Serra nomeou o ex-prefeito de São João da Boa Vista, Laert de Lima Teixeira, para sub-prefeito de Itaquera.
Por esse motivo, uma decisão, sem dúvida, difícil. O curioso é que o deputado Beraldo, quando eleito presidente estadual do partido, alertou: “O PSDB precisa estar unido e a estrutura partidária fortalecida porque temos a grande chance de retomar o governo federal e continuar governando São Paulo”.
O alerta não foi ouvido, daí a divisão (Alckmin versus Serra), com reflexo na escolha do candidato ao governo de São Paulo. Outro deputado da Região, este de São José do Rio Pardo, que faz dobradinha com Beraldo, revoltou-se com a Ceia dos Cardeais com Serra.
Notícia de Carta Capital: “O deputado federal paulista Sílvio Torres, para citar um caso, não poupou o triunvirato [FHC, Aécio e Tasso] em conversa reservada com o colega carioca Eduardo Paes. “O Alckmin agora tem de ficar devendo explicações à imprensa sobre a m... que os caras fizeram. Eles têm de reparar essa m... O Aécio precisa ligar, o Tasso precisa ligar [para o governador]. Mas não basta. O príncipe [FHC] também tem de botar a cara”.
Além dos tucanos, essa divisão causou briga no PFL. Segundo a Folha, “o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) criticou o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), que disse que a cúpula do partido apóia José Serra (PSDB) nas eleições. “Se ele pode falar por alguém, é pelo pai [o prefeito do RJ, César Maia]. Por mim, ninguém fala”. ACM é alckmista.
Com Lula em campanha e com a briga de tucanos e pefelistas, entre si, depois não querem que o presidente cresça nas pesquisas! Acham que, como faltam sete meses para as eleições, eles podem se recuperar. Poder podem. Mas não será tarde e a recuperação poderá não vir?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Sunday, February 26, 2006

Folha de São Paulo, 25 de fevereiro de 2006

TENDÊNCIAS/DEBATES

Ainda faz sentido usar os termos direita e esquerda para designar posições políticas?
SIM

Mais do que meros rótulos

MARIA HERMÍNIA TAVARES DE ALMEIDA

Os termos esquerda e direita servem tanto para a auto-identificação de pessoas, grupos e partidos quanto para descrever visões sobre a política e dar clareza aparente à disputa pela influência e comando sobre as decisões públicas. No primeiro caso, as palavras esquerda e direita continuarão válidas enquanto houver quem se proclame de esquerda ou de direita -qualquer que seja a opinião que se possa fazer sobre a propriedade da auto-rotulação. No segundo caso, a resposta é mais complexa, porque supõe atribuir conteúdos mais precisos a ambas as palavras.
Hoje, como no passado, cada uma delas abarca visões bastante distintas sobre a sociedade, a política e as agendas desejáveis de governo. Ainda assim, melhor seria falar em esquerdas e direitas, tal a variação de pontos de vista no interior de cada campo.
Existe uma esquerda autoritária, que vibra com as arengas de Fidel Castro, e uma esquerda democrática, que se inspira no espanhol Felipe González, na irlandesa Mary Robinson ou na norueguesa Gro Brundtland; uma direita autoritária e antiliberal, que admira o francês Le Pen e os skinheads, e uma direita ultraliberal, que venera a inglesa Margaret Thatcher.
Nos últimos tempos, as correntes autoritárias -em uma ponta e na outra do espectro político- perderam espaço e importância para aquelas que aceitam as regras do jogo democrático e o capitalismo.
O socialismo autoritário, talhado pelo figurino soviético, foi sepultado sob os escombros do Muro de Berlim -depois de ter sido desnudado pela primeira vez no Relatório Kruchev, há exatos 50 anos. Restou como anacronismo no Caribe e na Coréia do Norte.
A direita xenófoba, é bem verdade, renasceu na Europa unida e tomada por imigrantes do Terceiro Mundo (que se dispõem a fazer o que os nativos enjeitam). Mas está longe de ser uma alternativa de poder.
Já a distância entre esquerda democrática e direita democrática diminuiu. Isso não é novo. Na democracia, a disputa pelo voto tende a produzir convergências em torno de posições com mais chances de êxito eleitoral. A competição democrática tende a empurrar os partidos para o centro. O novo nos últimos 20 anos é que, nessa marcha, a esquerda democrática andou mais -para frente ou para trás, cada qual que o julgue-, aproximando sua agenda daquela defendida pela direita liberal.
Quer dizer que as diferenças entre esquerda e direita deixaram de existir? Não creio.
Como o pensador italiano Norberto Bobbio (1909-2004), acredito que o tema da igualdade é o grande divisor de águas entre elas. Diz respeito à distribuição de recursos e oportunidades entre os membros de uma sociedade. A direita democrática, que defende a igualdade civil e política, considera naturais e aceitáveis as desigualdades produzidas pela economia de mercado, aposta na capacidade dos indivíduos de prover a própria subsistência e quer reduzir ao mínimo a atuação dos governos sobre o mercado, além de rever o sistema de proteção social erigido ao longo do século 20.
A esquerda democrática concebe a igualdade de maneira mais ampla. Ela deve comportar não só garantias individuais e direitos políticos mas também direito a bens e serviços que assegurem aos cidadãos, no curso da sua vida, condições decentes de existência e acesso a oportunidades e recursos sem discriminações. Defende a economia de mercado, mas sabe de suas imperfeições e das conseqüências socialmente perversas que elas produzem. Aceita a competição, mas sabe que é necessário equalizar as condições em que ocorre.
Na realidade, o que distingue a esquerda democrática da direita democrática é o objetivo de reduzir as desigualdades ao mínimo compatível com a preservação das liberdades individuais e da democracia. Propriedade estatal ou regulação pública de atividades privadas; provisão de bens e serviços pelos governos, por empresas privadas ou por organizações não governamentais -são apenas meios, e não fins. Não é por aí, portanto, que se distingue a esquerda democrática.
Em suma, enquanto a igualdade entre as pessoas for um valor moral e político amplamente compartilhado, e enquanto sociedades e mercados continuarem produzindo desigualdades de vários tipos, os termos esquerda e direita continuarão a fazer sentido.



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Maria Hermínia Tavares de Almeida, doutora em ciência política pela USP, é professora titular do Departamento de Ciência Política e vice-diretora do Instituto de Relações Internacionais da USP.

Friday, February 24, 2006

Violência sem fim? *Jornal do Brasil



José Dirceu


Ex-chefe da Casa Civil

Nossas grandes cidades - e não apenas o Rio de Janeiro - são, hoje, palco da atuação do crime organizado, de bandos armados a serviço do narcotráfico e de uma crescente delinqüência que não tem fronteiras - nem de classe, nem de raça ou religião. A verdade nua e crua é que estamos perdendo a guerra para o crime organizado e o narcotráfico, conseqüência da guerra já perdida, no passado, para a pobreza e a desigualdade.


A solução não está apenas em uma política de segurança pública e na necessária repressão ao crime organizado, que não é apenas uma função constitucional dos Estados, mas um dever federativo da União. Essa tarefa exige mais recursos do Orçamento Geral da União para o Sistema Único de Segurança Pública Nacional e o fortalecimento da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que deveria estar subordinada ao presidente da República.



É preciso que o governo federal, assuma, como prioridade, articular um pacto federativo com os Estados e municípios das regiões metropolitanas para iniciar políticas nacionais - ou dar continuidade às existentes - de transportes coletivos de massa, saneamento, habitação, urbanização de favelas, remoção de áreas de risco, emprego, lazer e cultura para a juventude. As bases para essa política foram estabelecidas com a criação, no atual governo, do Ministério das Cidades, e com a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano e das políticas setoriais de habitação, saneamento, planejamento urbano e regularização fundiária, e transporte urbano, antes inexistentes.



As medidas adotadas até aqui são importantes, como as mudanças legais que deram segurança jurídica ao mercado habitacional privado, reduzindo custos e aumentando a disponibilidade de financiamentos privados. Na área da habitação, o Congresso aprovou o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social que pode ser o embrião da criação de um Fundo Nacional Metropolitano para viabilizar investimento na infra-estrutura social e econômica de nossas metrópoles. Também poderíamos citar os aumentos de recursos federais para habitação de baixa renda, subsidiada pelo FGTS, e a recente Medida Provisória que isenta de impostos materiais de construção civil.



O problema é que a urgência e a gravidade da situação exigem, da União, a criação de uma agência, com capacidade de coordenar as diferentes ações e ministérios; e com poder e agilidade para alavancar um vasto programa de nacional de infra-estrutura para as cidades. Isso significa, por exemplo, aprovar no Congresso o PL 5296/05, que institui as diretrizes para os serviços públicos e a política nacional de saneamento básico, e aumentar os recursos do FGTS, OGU e FAT. Nos últimos dois anos e meio, o governo investiu, na área, R$ 6,1 bilhões, mas a maior parte das obras só começou em 2005.



Mas qualquer política de investimentos públicos em infra-estrutura urbana seria inócua sem uma política social e cultural para as periferias das grandes cidades. E, nessa frente de batalha, o atual governo vem avançando -- e muito. Seja diretamente, com os Pontos de Cultura do Ministério da Cultura; o programa Gesac, do Ministério das Comunicações, de conexão de escolas e centros comunitários à internet; e os Casas Brasil, entre outros; seja em parceria com Estados e municípios, estão sendo construídas políticas públicas de inserção social de jovens, de capacitação profissional, de estímulo ao exercício de seus direitos de cidadania e, sobretudo, de descoberta de sua auto-estima através de sua valorização enquanto atores sociais. Trata-se, portanto, de consolidar os programas já existentes, sob a coordenação de uma agência nacional e federativa, que articularia, além das iniciativas de infra-estrutura, os demais programas sociais como Bolsa-Família, ProUni, Fundeb, ProJovem, Segundo Tempo e Escola de Fábrica, para citar alguns exemplos.



É hora de, com coragem e audácia, romper a inércia e a burocracia, e investir em recursos humanos e materiais (serão dezenas de bilhões de reais). Para enfrentar, definitivamente, a barbárie que ameaça nossas cidades, como temos presenciado nas cenas dantescas das rebeliões da Febem, em São Paulo, ou nos jovens decapitados no Rio de Janeiro, pondo fim a essa verdadeira segregação que nos envergonha.

Thursday, February 23, 2006

Dirceu

Dirceu, o nosso eterno maestro político, o único cérebro POLÍTICO que o PT teve, em quase 30 anos, pra complementar o instinto social e político do presidente Lula está dando, aí, uma 'dica' importante, que ninguém, até agora, tinha dado: não adianta a gente entrar na discussão conforme A MÍDIA paute a discussão. Temos de atacar algumas QUESTÕES políticas, para dar densidade POLÍTICA à campanha. Essa é uma boa via para a gente poder encarar o xororô 'ético', venha de onde vier.

De fato, como diz o ministro Dirceu, na msg aqui distribuída não existe a discussão "ou Alckmin ou Serra", a menos que a gente entenda que DIFERENÇA tão essencial há entre esses dois grupos, dentro do PSDB, a ponto de eles terem de aparecer tão divididos, partidos, confusos e perdidos, logo agora, pertinho das eleições. Taí: que diferença há entre os dois, em termos de projeto político?

O Ministro Dirceu FAZ MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITA FALTA!

Caia Fittipaldi

Wednesday, February 22, 2006

Dirceu: PSDB não tem alternativa de programa

Da Agência Estado

O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT-SP), acusou nesta terça (21) o PSDB de não possuir um programa alternativo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu afirmou ainda que acredita que o prefeito de São Paulo, José Serra, será o candidato escolhido pelos tucanos para enfrentar Lula na sua eventual candidatura à reeleição. O ex-ministro, no entanto, disse que, "do ponto de vista do enfrentamento eleitoral", não vê "grande diferença" entre Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

"O PSDB é engraçado. Se você observar, não tem divergência programática, não tem divergência de proposta, não tem divergência de idéias. Eles não estão apresentando nada para o País", afirmou Dirceu, em entrevistas coletiva e à Rádio Solar em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. "Eu pergunto: qual é o programa? Eu não sei até agora. Eles já se consideram nomeados presidentes do Brasil, os dois (Serra e Alckmin). É um pouco de desrespeito também à sociedade".

Dirceu ironizou o processo de escolha do candidato tucano, comandado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, não será FHC que irá "escolher" o próximo presidente da República. "O Fernando Henrique já foi (presidente durante) oito anos e não foi muito bem não. O povo não gostou não. É só fazer pesquisa para ver".
E ai seu Serraglio, pode ser ou está dificíl?

BOMBA-Carta de Carceroni para Serraglio

Deputado. Osmar Serraglio

Qual é o motivo do seu desinteresse pela corrupção em Furnas e o caixa 2 do PSDB em 2002. Afinal este é um dos objetos de sua investigação. O mineiro Nilton Monteiro afirma que possui o original do documento, assinado por Dimas Toledo, sobre a corrupção em Furnas, comprovando o caixa 2. E mais, Nilton afirma ter vários recibos assinados por beneficiários do esquema de caixa 2 de Furnas, comprovando o conteúdo do documento. Ele disse em entrevista: "A corda está arrebentando. Eu estou pedindo pelo amor de Deus para ir na CPI dos Correios. Me coloca para ir hoje, amanhã, eu preciso ir. Eu já protocolei um pedido.

Porque eu vou mostrar como é feito crime nesse Brasil, como é que o PSDB cometeu tanto crime e está tão certinho. "
Veja a entrevista completa que concedeu, abaixo, neste último dia 9. Qual é o motivo do seu desinteresse no caso. Falta de curiosidade ou de tempo, não acredito? Nilton teve sua convocação aprovada em Agosto de 2005 e até agora não foi encontrado tempo para ouvi-lo? Tenha a paciência deputado. De que jogo de interesses o senhor participa? Qual é o motivo para tanta omissão e a quem ela serve? Desminta a minha desconfiança cada vez maior nesta CPI, no seu relator e no congresso. Convoque e ouça o que tem a dizer Nilton Monteiro. Deixe que ele mostre, se diz a verdade ou não. Se Nilton acusa deve ser ouvido primeiro e se Dimas Toledo nega e desmente deve ser ouvido depois, para exercer seu direito de defesa. Ao acusador cabe provar a sua acusação. Ouvir só aquele que vai negar, sem conhecer a acusação e os documentos que a sustentam é ridículo e desonesto. O Brasil precisa de investigações sérias. O Brasil merece a verdade!


Luiz Fernando Carceroni
31 9806 9050

PS. Informo que esta carta se tornara pública e será enviada para todo o país, em face da gravidade do assunto e do interesse de todos os brasileiros, em jogo.

Comunidade Eu acredito na lista de Furnas
Carta O Berro.



(encaminhado por Neusa Penha Carneiro)

"Me sinto frustrado por não ter diploma", diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, durante visita ao Campus de Imperatriz da Universidade Federal do Maranhão, que se sente frustrado por não ter um diploma universitário. "Não tenho um diploma universitário, não pude fazer uma faculdade, mas não me orgulho disso", afirmou.

Segundo o presidente, os investimentos do governo federal em educação são "para dar aos jovens de hoje um diploma". "Porque sei que tendo diploma e profissão (os jovens) vão poder garantir para a família deles um mundo muito melhor", disse.

Lula comparou os investimentos em seu governo com os do anterior de Fernando Henrique Cardoso. "Quando ganhei as eleições o País gastava R$ 2 bilhões com agricultura familiar, e hoje são gastos R$ 9 bilhões. Quando eu assumi, gastava-se R$ 7 bilhões em programas sociais; hoje gastamos R$ 22 bilhões", frisou.

O presidente lembrou que os investimentos são necessários para formar um País competitivo. "O Brasil, se quiser competir com os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, China, Índia, Itália, França, não podemos ficar chorando 'que é pobre'. A gente tem que levantar a cabeça e investir na educação", disse Lula.

Lula finalizou dizendo que se sente realizado pelas conquistas que o Brasil teve na educação. "Saio daqui com a alma lavada não fiz tudo que ainda precisava fazer", afirmou. Ele disse ainda que acredita que o seu governo fez muito mais do que uma "elite" que governou o País por "mais de 500 anos".
Serra ou Alckmin?
Jasson de Oliveira Andrade

A pesquisa Sensus, dando a vitória de Lula sobre Serra, numa simulação de segundo turno, com uma diferença de 10 pontos (no Datafolha a diferença é de 5 pontos), estourou como bomba nas hostes tucanas. A alegria anterior está desfeita. Não tinham pressa na escolha de seu candidato, embora a briga entre Serra e Alckmin fosse grande. Agora eles têm urgência em definir quem será o candidato, mas a disputa ainda continua acirrada. No entanto, o dilema entre qual deles poderá vencer o presidente é uma realidade. Um jornal guaçuano, em editorial, constatou: “Os tucanos de alta plumagem tentarão chegar a um consenso entre Serra e Alckmin. A realidade é que ninguém, nem mesmo o PSDB, esperava que Lula aparecesse crescendo nas pesquisas. A eleição era encarada como um passeio, independentemente de quem fosse o candidato. Mais uma vez a política mostrou não ser uma ciência exata”. O consenso está difícil, diz Josias de Souza, no seu Blog: “A bruxa baixou no ninho tucano. À medida que avançam as articulações internas do PSDB para definir o seu candidato à presidência da República, vai ficando claro que o tucanato tem um estilo peculiar de perseguir o consenso. Quanto mais conversam, menos se entendem”.
Serra e Alckmin, em público, parecem bons amigos. Nos bastidores, um procura derrubar o outro. Os serristas se queixam: os defeitos de Alckmin – “falta de visão nacional, lentidão administrativa” – passam praticamente em branco, porque Alckmin não recebe críticas. Ao contrário, em São Paulo conta com uma avaliação estupenda, dizem eles, informa Dora Kramer, no Estadão. Segundo ela, os serristas alegam que o mito do bom administrador é isso, um mito. Atrasou obras – do metrô e do Rodoanel -, só fez continuar os planos concebidos pelo falecido governador Mário Covas e hoje tem problemas para gastar R$ 5 bilhões que tem em caixa. Já os alckmistas criticam Serra. A mesma jornalista, em outro artigo, afirma que eles procuram derrubar o prefeito de São Paulo, criticando a sua possível renúncia ao cargo. Segundo os alckmistas, “na eleição da ética o prefeito irritará o eleitorado e dará armas ao inimigo se faltar com a palavra e for exposto por sua “mentira” (sim, a expressão usada é esta mesma, crua e direta), acrescenta Dora Kramer. A jornalista tem razão. Os deputados ligados ao governador Alckmin, seja federal ou estadual, batem nessa mesma tecla. A deputado federal Zulaiê Cobra (PSDB-SP), declarou à Carta Capital: “Serra quer muito ser candidato, mas terá grande dificuldade em sair da prefeitura”. Na reportagem de um jornal guaçuano, “Célia [Leão] quer Alckmin para presidente”, a deputada estadual tucana declarou: “Ela [a candidatura de Alckmin] é mais natural, porque o Alckmin já concluiu sua missão de governar o Estado. O Serra assumiu a prefeitura de uma das maiores cidades do mundo há pouco mais de ano e os moradores de São Paulo votaram nele para administrar o município. Seria prematuro deixar a prefeitura agora”. Sobre o assunto, a revista Época, de 13/2/2006, traz essa notícia: “Tucanos [alckimistas] e petistas recuperaram um vídeo de pouco mais de dois minutos, mas com prolongado efeito constrangedor sobre José Serra. Nele, respondendo a pergunta de Boris Casoy durante debate da eleição paulistana de 2004, Serra se compromete a cumprir os quatro anos de mandato e pediu que não votem mais nele caso renuncie antes da hora”. A revista transcreve trechos do debate: SERRA: “Eu assumo este compromisso [de ficar quatro anos], embora adversários gostem de dizer que eu vou sair para me candidatar a presidente da República. Não”. CASOY: “Se não o fizer, pede ao eleitor que não vote no senhor?”. SERRA: “Está assumido o compromisso nos termos que você disse”. Pesquisas dizem que o eleitor não se importa que o prefeito saia para ser candidato à presidência. Assisti essa parte do debate (ele me foi enviado por email). A impressão que tenho: responder a uma pergunta é uma coisa, ver o debate é outra. Caso o debate seja apresentado na propaganda eleitoral, poderá ser desastroso para Serra. É o que penso. Em Mogi Guaçu tivemos um caso parecido! Para piorar, deu na pesquisa do Datafolha: “Em SP, 50% não querem Serra fora da Prefeitura”.
Os cardeais tucanos (Fernando Henrique Cardoso, senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, e o governador Aécio Neves) se reuniram com José Serra, no SOFISTICADO, como o designa o Estadão, restaurante Massimo, deixando de lado Alckmin. Depois dessa reunião, o Estadão deu essa manchete: “Serra diz que aceita [ser candidato], se for unanimidade no PSDB”. Descobertos, alguns dos cardeais tucanos procuraram se justificar. Segundo a Folha, Serra disse que na reunião “foi falado de eleição presidencial , mas o assunto não era o principal tema da noite”. Adiante informa o jornal: “Antes de deixar o restaurante, FHC disse que era um jantar para comemoração da eleição do novo líder da bancada do PSDB. [serrista]. Como o eleito, Jutahy Magalhães (BA), não estava justificou: “O amor é tanto que a gente comemora até na ausência dele”. Sem comentários! No Estadão, o mesmo Fernando Henrique se justificou: “Ele [Alckmin] foi convidado, claro. Mas não veio porque tinha de acordar cedo”. No mesmo jornal: “Ontem [17/2], o governador informou que não foi convidado, desmentindo Fernando Henrique”. Jander Ramon, do Estadão, na reportagem “Prefeito nega problemas entre ele e o governador”, afirma: “Serra garantiu que os dois [ele e Alckmin] mantêm conversas normais, em tom amigável. O prefeito disse que de manhã não compareceu no evento na USP da zona leste, organizado pelo governo estadual, por não se sentir bem fisicamente.” Acredite quem quiser! O prefeito ainda tentou esclarecer a reunião-jantar: “O governador não foi convidado porque não foi uma coisa planejada” [FHC afirmou que Alckmin foi convidado, mas não compareceu porque tinha que acordar cedo]. Esta declaração confirma que o encontro foi secreto!
A reunião ou “A Ceia dos Cardeais”, como a definiu a Folha em Editorial, revoltou os tucanos que se consideram “excluídos”. É o caso do governador de Goiás, Marconi Perillo, que, em entrevista à Folha, desabafou: “O PSDB precisa dar uma demonstração de democracia. Sou o mais antigo governador do PSDB. Não admito que decidam por mim. Esse modelo encheu o saco de todo o partido”.
Quem será o candidato? Por essa reunião dos cardeais tucanos, realizada em 17 de fevereiro, ficou claro que o escolhido será o prefeito José Serra, mas até março (qual a data?) a farsa de quem vai ser o candidato continuará. Qual será a reação de Alckmin depois da Ceia dos Cardeais? Apoiará Serra caso ele seja, como parece, o escolhido? Vamos esperar.


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
CPI das Privatizações

Jasson de Oliveira Andrade



Na opinião de Elio Gaspari, a criação da CPI da Privataria é a
primeira boa notícia de 2006. Segundo ele: "Parece coisa do passado, mas é
uma oportunidade para pensar no futuro. Num ano eleitoral permitirá a
observação do comportamento do tucanato diante do exame da roupa suja que
deixou para trás. Se não for ABAFADA (destaque meu), investigará as
privatizações ocorridas entre 1990 e 2002". O jornalista afirma ainda:
"Grampos telefônicos, editais self-service, consórcios incestuosos e
contratos de gaveta deram componentes escandalosos ao processo. O apagão de
2001 [governo FHC] e as tarifas lunares IMPOSTAS (destaque meu) por
concessionários retrógrados foram as duas principais seqüelas dessa festa".

Em 20/11/1999, no extinto Jornal do Guaçu, escrevi um artigo, "O
Brasil privatizado", no qual comentava o livro de Aloysio Biomdi, que morria
8 meses depois dele escrito, a 21/7/2000. Grande perda para o Brasil!

A seguir se vai ler o que escrevi naquela época e que é bem
atual, caso funcione a CPI das privatizações.

"O economista Aloysio Biondi escreveu um pequeno grande livro,
focalizando as privatizações no Brasil. Por esse livro, "O Brasil
Privatizado", podemos constatar que existem privatização e "privatização". A
respeito da primeira, ensina Biondi: "A febre da privatização e o impulso ao
chamado neoliberalismo teve seu ponto de partida na Inglaterra, com a
primeira-ministra Margaret Thatcher. Mas mesmo a "dama de ferro" fez tudo
diferente do governo Fernando Henrique Cardoso: a privatização inglesa não
representou a doação de empresas estatais, a preços baixos, a poucos grupos
empresariais [como aconteceu no Brasil]. Ao contrário: seu objetivo foi
exatamente a "pulverização" das ações, isto é, transformar o maior número
possível de cidadãos ingleses em "donos" de ações, acionistas das empresas
privatizadas".

Já a "privatização" à brasileira (Collor e FHC) é diferente. Ao
invés de democratizá-la, concentra a venda a poucos privilegiados. Além
disso, existiram facilitações, as quais, segundo Biondi, transformaram-na em
um "negócio da China". Praticamente, a "privatização" foi uma doação.

E os benefícios que as "privatizações" trouxeram ao Brasil?
Segundo Biondi, o governo dizia que o dinheiro arrecadado com a venda
serviria para reduzir a dívida interna (do governo federal e dos estados). O
economista afirmou que aconteceu o contrário: "o governo "engoliu" (assumiu)
dívidas de todos os tipos das estatais vendidas, isto é, a privatização
acabou por aumentar a dívida interna". Disse ainda Biondi: "as empresas
multinacionais ou brasileiras que "compraram" as estatais não usaram capital
próprio, dinheiro delas mesmas, mas, em vez disso, tomaram empréstimos lá
fora para fechar os negócios. Assim, aumentaram a dívida externa do Brasil.
(...) Em resumo: as privatizações agravaram o "rombo" externo e o "rombo'
interno. A política de crédito do BNDES (aos "compradores") agravou a
recessão (e, consequentemente, o desemprego)".

Um fato que endossa as críticas de Aloysio Biondi são as
declarações do empresário Antonio Ermírio de Moraes ao jornalista Antonio
Carlos Seidl (Folha, 3/11/1999). Ao comentar a decisão do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de financiar grupos
estrangeiros no leilão (privatização) da energética paulista Tietê (CESP),
ele disse: "Para o capital de fora é até vergonhoso [na minha opinião
vergonhoso foi FHC permitir isso]. Que tragam o seu dinheiro para cá. Nós
somos pobres e eles são milionários. Por que precisam da gente? [gente aí é
FHC]. É UM ABSURDO (destaque meu). O ponto básico é esse: tragam o dinheiro
para cá, mas não chupem os cofres daqui, que já são tão limitados".

Eis aí o retrato do "Brasil privatizado". Pelo menos Collor
(Fernando I) e FHC (Fernando II) poderiam ter imitado Margaret Thatcher!"

Voltando a Elio Gaspari. No seu artigo "Enfim, chegou a CPI da
Privataria' (Folha, 18/1/2006), ele faz essa gravíssima denuncia: "O exame
da privataria pode ter um alcance superior à simples curiosidade fofoqueira
em cima dos grandes patrimônios amealhados no período. (Fofoca: é provável
que as privatizações tenham produzido as mais rápidas fortunas da história
nacional. Nunca tanta gente ganhou tanto dinheiro em tão pouco tempo, sem
produzir um só prego)". Essa revelação de Elio Gaspari não me provocou
apenas ENJÔO, mas INDIGNAÇÃO.

Os tucanos não poderão contar com o que seria seu grande trunfo:
a falta de memória do eleitor. Jornalista como Elio Gaspari e outros, além
dos petistas estão aí para refrescar a memória do eleitor. Aliás, foi o que
fiz em 2002 em carta à revista CartaCapital. Na época, relembrei: " Como
ministro do Planejamento, sua gestão [de José Serra] foi desastrosa: não
evitou 11 milhões de desempregados e também o famigerado "apagão". Na
campanha, procura esconder que foi ministro do Planejamento. Um
"esquecimento", no mínimo, suspeito." Agora, em 2006, ele está bem cotado
para ser presidente. Devemos refrescar a memória dos eleitores. Se quiserem
elegê-lo, que o façam conhecendo-o!

As privatizações foram uma vergonha (Serra como ministro do
Planejamento também não foi culpado?). Vamos ver se teremos mesmo a CPI das
privatizações. Ou ela será abafada?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Tuesday, February 21, 2006

21/02/2006 - Petistas vêem erros em relatório de ACM Neto

Parlamentares do PT que compõem a CPMI dos Correios condenaram a postura do sub-relator de Fundos de Pensão da comissão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que divulgou nesta terça-feira um relatório sobre uma suposta ligação de 12 fundos de pensão com o chamado "valerioduto". Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT) e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o pefelista apresentou dados equivocados para tentar vincular fundos de pensão federais aos bancos Rural e BMG.
Para Abicalil, "a manobra do deputado ACM Neto pariu um rato". "O método que ele adotou não permite a correção monetária dos valores. Perde-se a noção da grandeza, sem sabermos qual o universo de movimentação que foi realizado. Além disso, as gestões dos fundos de pensão em 2002 e 2004 fizeram movimentos rigorosamente idênticos", afirmou o deputado.
O petista argumenta que as aplicações realizadas pelos fundos federais nos bancos Rural e BMG foram as mesmas realizadas pelos fundos privados. "O relator não observa que nesses mesmos bancos outros fundos fizeram rigorosamente as mesmas aplicações no período analisado. Não foi uma operação anômala. As movimentações não foram atípicas, uma vez que, no conjunto dos fundos, os movimentos foram similares entre federais e privados", afirmou.
Carlos Abicalil questionou ainda a atitude de ACM Neto, que queria convocar uma entrevista coletiva para divulgar o relatório. "Ele tinha armado uma coletiva. Mas isso é completamente avesso à ordem dos trabalhos, até porque na pauta não havia previsão para a apresentação de relatório de qualquer espécie", afirmou.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) também contestou os dados apresentados pelo deputado ACM Neto. A senadora apresentou um documento elaborado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, responsável pelo acompanhamento do sistema de previdência privada, que registra as aplicações de todos os fundos nos bancos Rural e BMG.
Segundo ela, os fundos estaduais e fundos privados investiram de forma mais concentrada nos dois bancos do que os fundos patrocinados por empresas federais, foco da investigação do sub-relator de Fundos de Pensão. "Só posso concluir que houve vantagem de mercado para atrair investimentos para esses bancos", destacou.
Ideli também contestou a afirmação de ACM Neto de que haveria coincidência entre resultados de aplicações dos fundos e os saques realizados pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer o suposto esquema de "mensalão".
Apontando os gráficos apresentados pelo sub-relator, a senadora mostrou que os maiores saques ocorreram em momentos em que não houve aplicações.
Temos que partir pra cima deles!

21/02/2006 - PT entrou hoje com ação contra FHC

O Partido dos Trabalhadores distribuiu hoje, por volta das 14h, na Vara Criminal do Foro Regional da Lapa, em São Paulo, uma queixa-crime contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de difamação contra o partido.

A ação tem por base declarações de FHC em entrevista à revista Isto É de 8 de fevereiro, em que afirma, por exemplo, que “a ética do PT é roubar”, dentre outras ofensas.

Segundo a ação movida pelo PT, o ex-presidente “extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação do pensamento para atingir ilicitamente a honra do Partido dos Trabalhadores, ofendendo sua reputação perante todos os brasileiros e em especial os seus filiados”. O partido entende que essas declarações são ofensivas à sua credibilidade e respeitabilidade.

No texto da ação, o partido lamenta o fato de ser obrigado a propor medida penal contra um ex-presidente da República, mas afirma não poder “furtar-se a ela em razão da gravidade das ofensas propaladas” por FHC. “Ofensas, aliás, incompatíveis com o próprio status de ex-titular da mais alta função republicana, a quem competiria manter a serenidade e a distância de manifestações políticas que transbordem os limites da legalidade e caracterizem crimes contra a honra”.

Segundo informa o advogado João Piza, representante legal do PT neste processo, o partido entrará com outra ação, ainda sem data definida, responsabilizando civilmente o ex-presidente por danos morais pelas ofensas proferidas.
EM NOME DO FILHO

A chave para decifrar o caixa 2 de Furnas pode estar na “milionária” campanha de Dimas Toledo Jr. em 2002
Por Leandro Fortes e Márcia Maria - *Carta Capital


Durante o depoimento do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo à CPI dos Correios, na noite da quarta-feira 15, parlamentares do PSDB e do PFL desfiaram inúmeros argumentos para desmontar a “Lista de Furnas”, a relação de 156 políticos supostamente beneficiados pelo caixa 2 de R$ 40 milhões da estatal.
Um dos mais recorrentes dizia respeito ao aparecimento, entre os listados, de Dimas Fabiano Toledo Júnior, eleito deputado estadual em Minas Gerais pelo PP. “Não acredito que alguém seria tão burro de produzir uma lista como essa e, ainda por cima, incluir o nome do próprio filho”, discursou o deputado federal Eduardo Paes (PSDB-RJ), que aparece no documento como beneficiário de R$ 250 mil.
As ponderações dos parlamentares a respeito da autenticidade da lista devem ser levadas em conta. Há várias “pegadinhas” no papelório, a começar pelo fato de o original nunca ter aparecido. O que circula no Congresso e nas redações é uma cópia xerox, insuficiente para atestar a veracidade da lista.
O documento traz a expressão “recursos não-contabilizados”, termo cunhado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares meses depois do período em que supostamente Dimas Toledo teria entregado a relação ao lobista Nilton Monteiro. Além disso, é difícil entender por que o autor incluiria o nome do próprio filho em uma tramóia cujo objetivo final era servir de instrumento de chantagem.
Nego tudo.O ex-diretor de Furnas diz que a lista é “farsa absurda”Isso não significa que as investigações sobre o caixa 2 de Furnas devem ser enterradas e que a lista não passa de chantagem dos governistas, como querem fazer parecer o PFL e o PSDB. E é aí que Dimas Toledo Júnior volta à cena.
Eleito em 2002, o filho do diretor de Furnas foi o segundo colocado em gastos eleitorais entre os deputados estaduais mineiros. Oficialmente, o comitê de “Diminhas” desembolsou R$ 453,2 mil para levá-lo à Assembléia Legislativa.
Quem acompanhou a disputa eleitoral em Minas diz, porém, que os gastos do deputado foram bem maiores, a ponto de causar divergência entre candidatos que apoiavam o tucano Aécio Neves na corrida ao governo.
Os políticos reclamavam das desvantagens na disputa diante da “milionária” campanha do filho do diretor de Furnas. Nos corredores da Assembléia, é visível o constrangimento de deputados com a ascensão de Dimas Júnior na política mineira. De vereador em Varginha, no sul de Minas, com cerca de 1.800 votos, ele pulou para o posto de terceiro deputado estadual mais bem votado, com 79 mil votos.
Na prestação de contas de Dimas Júnior, constam da lista dos doadores oito altos funcionários ou ex-funcionários de Furnas. O ex-gerente do departamento de Construção de Transmissão Sul destinou R$ 10 mil. Clécio de Miranda Lima, engenheiro da equipe do Escritório de Construção Mogi Guaçu na obra da linha de transmissão de Ivaiporã–Itaberá, R$ 12 mil. O ex-funcionário do Departamento de Engenharia Elétrica Hamilton Pinto das Chagas, R$ 10 mil; o assistente da diretoria, em 2002, Gastão de Almeida Rocha, R$ 10 mil.
Há doações do ex-presidente de Furnas Luiz Laércio Simões Machado, no valor de R$ 10 mil, e do ex-diretor de Planejamento, Engenharia e Construção José Renato Simões Machado, também de R$ 10 mil. Funcionário de Furnas por 30 anos, Miguel Khair Filho, atual dirigente da empresa Workinvest – da qual Furnas é cliente –, doou R$ 70 mil. Outro dirigente da mesma Workinvest, Paulo Fernando Veiga do Amaral, deu outros R$ 70 mil ao filho do ex-diretor de Engenharia da estatal de energia elétrica.
O deputado Dimas Júnior, por meio da assessoria de imprensa, avisou que não vai falar sobre o assunto. Há mais de três meses nas mãos de jornalistas e policiais federais, a chamada “Lista de Furnas” entrou oficialmente para o rol de segredos inconfessáveis da República durante o depoimento de Dimas Toledo, o pai, à CPI.
O ex-diretor da estatal compareceu à sala de sessões da comissão amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal. Mas nem isso lhe deu tranqüilidade. Suado e trêmulo, teve de recorrer a textos preparados por advogados para encenar o óbvio papel de vítima. Negou tudo, como era de esperar, mas foi pouco convincente, apesar da forma reverencial com que a oposição o tratou em plenário.
Explica-se: embora paire sobre Dimas a desconfiança de que ele operou também para o PT, a lista de 156 nomes do caixa 2 de Furnas trata, basicamente, de políticos do PSDB, PFL e outros menos importantes da base parlamentar do governo Fernando Henrique Cardoso. Boa parte dos nomes citados no papel faz parte da comissão de frente da CPI que, há sete meses, joga pedra no PT e no governo federal por conta do suposto “mensalão”.
O herdeiro e o algoz.O deputado teve a segunda campanha mais cara. Ele aparece na lista supostamente entregue pelo pai a Nilton MonteiroTanto foi assim que o senador Arthur Virgilio (AM), líder do PSDB no Senado e algoz titular do governo Lula no Congresso, praticamente esqueceu-se de inquirir Dimas Toledo e assumiu uma posição de defensor do ex-diretor de Furnas.
Isso porque, enquanto pôde, voltou todas as cargas para o lobista mineiro Nilton Monteiro, acusado de ter forjado a lista. Gastou um tempo além do razoável para elencar um sem-número de processos judiciais nos quais Monteiro estaria envolvido, um esforço indisfarçável para evitar a convocação do lobista. Foi um dos poucos momentos em que Dimas respirou com mais tranqüilidade.
Os oposicionistas citados na lista tornaram-se vítimas da própria dinâmica que impuseram às investigações. Enquanto o jogo resumiu-se em atacar o PT e o governo, tudo era permitido, sem nenhuma ponderação. A CPI dos Bingos, apelidada “CPI do Fim do Mundo”, está aí para provar. A maior parte dos depoimentos lá tomados pouco tem a ver com o fato inspirador da criação da comissão. Em compensação, sobram convocações de toda e qualquer “testemunha”, por mais duvidosos que sejam o seu passado e suas intenções, que acrescentem lenha na fogueira do suposto conluio para os assassinatos de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, e de Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas, ou que corroborem a fantástica história da doação clandestina de Cuba à campanha de Lula em 2004.
“Esta comissão não se deve deixar cevar pelo discurso da desqualificação do depoente, uma vez que já ouvimos o doleiro Toninho da Barcelona e o juiz João Carlos da Rocha Mattos, ambos condenados pela Justiça”, lembrou a senadora Ideli Salvati (PT-SC). À CPI, Dimas Toledo classificou a lista de “farsa absurda” e acusou o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de mentir.
Em depoimento à PF, Jefferson afirmou ter recebido R$ 75 mil do caixa 2 da estatal, na eleição de 2002. Foi essa declaração de Jefferson que deu alguma credibilidade à “Lista de Furnas”, até então tratada com ceticismo pela maioria dos parlamentares e da imprensa. Toledo nega o repasse ao ex-presidente do PTB e garante que tudo não passa de armação de Nilton Monteiro. Mas, ao falar do desafeto, acabou se confundindo. “Ele me ameaçou, dizendo que era do Partido Trabalhista”, falou, quando perguntado das relações com o lobista. E, em seguida, emendou: “Do PT, ele era do PT”.
O ex-diretor de Furnas desmentiu a versão de Monteiro, dada à PF, de que teria se encontrado com políticos e empresários de Minas Gerais durante a campanha de 2002. Também disse desconhecer Cláudio Mourão, ex-tesoureiro de campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), pioneiro nas relações subterrâneas com o dinheiro das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Com Roberto Jefferson, disse só ter se encontrado uma vez, no Rio, quando tentou convencê-lo da vantagem de se ter um técnico de Furnas, ele mesmo, na diretoria da empresa. Independentemente da autenticidade da lista, não é de hoje que Toledo é apontado como arrecadador de campanhas políticas, durante a era FHC, junto às empresas fornecedoras de insumos e serviços da estatal elétrica.
Teria sobrevivido à mudança de governo graças à perspectiva de continuar esse tipo de operação para o Partido dos Trabalhadores e outras siglas da base governista, inclusive o PTB. Ele afirmou que mantinha “contatos freqüentes” com o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira para tratar de “problemas institucionais”.
“Uma vez, perguntei a ele (Sílvio) se o governo estaria dando meu cargo, e ele disse que desconhecia a informação.” Toledo garantiu à CPI ter permanecido na diretoria da estatal por decisão da ministra Dilma Rousseff, então titular da pasta de Minas e Energia. O encontro com Roberto Jefferson, segundo ele, teria sido marcado para garantir sua permanência no cargo a partir de critérios “técnicos”.
Na PF, o ex-deputado do PTB contou outra versão. Dimas teria garantido um pagamento de R$ 3 milhões mensais, divididos entre PT e PTB, para ficar no cargo. O ex-diretor, novamente, negou a existência dessa transação.


Monday, February 20, 2006

Gente Boa - * O Globo

TURMA VIP: escoltados pelas seguranças, eles seguem sob vaia do povão para o espaço privilegiado do showForam os 100 metros mais difíceis da vida dos 3.500 VIPs convidados para o espaço da Claro Motorola no show dos Rolling Stones.

Eles saíam com suas camisetas, onde estava escrito um imenso VIP, da porta do Hotel Excelsior, na esquina da Fernando Mendes com Atlântica, e tinham que caminhar até o outro lado da rua onde teriam o privilégio de ver o show praticamente olho no olho com Mick Jagger. O grupo saía em blocos de 20 pessoas, cercado por dez seguranças. Na curta travessia da Atlântica era vaiado de todas as maneiras e com todas as piadinhas pelo povão até a areia segura do camarote.

O espaço VIP era cercado de mordomias por todos lados, uma profusão de doces, salgados, sorvetes, cervejas e um escondidinho de calabresa que serviu quase como jantar. Mesmo assim, na hora de botar o gogó para funcionar, os VIPs deixaram a desejar. Frios. Ellen Jabour subiu nos ombros do namorado Rodrigo Santoro, Cleo Pires apareceu no telão cantando.
Mas a turma parecia querer mais fotografar o show, e se fotografar, do que instalar um comportamento rock no pedaço. Enquanto a multidão se espremia no resto da praia, entre os VIPs sobrou espaço. Estavam lá globais de diversas importâncias, mas a grande maioria era de ilustres desconhecidos confirmando a tese de que o Brasil não tem, não podia ter, 3.500 VIPs.

O senador Delcídio Amaral compareceu com a maior de todas as camisetas, quase um abadá. Dizia que “Simpathy for the devil” seria uma boa trilha sonora para as CPIs do Planalto.
Bono Almoça com Lula - * O Globo Online

BRASÍLIA - Antes da música, o engajamento. Dizendo realizar um sonho por colocar os pés em Brasília, o líder do U2, Bono Vox, encontrou-se neste domingo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conversar sobre o combate à pobreza e à desigualdade. Sua simpatia na chegada à Granja do Torto causou alvoroço. Ele deixou o local pouco depois das 16h, depois de quase duas horas de encontro, onde prometeu doar a guitarra dos shows para o programa social Fome Zero.
Lula e Bono conversaram sobre programas do governo e ações de combate à pobreza no Brasil e no mundo. Lula ouviu elogios a sua atuação na luta contra a fome e deu a Bono uma camiseta da Seleção Brasileira, além de publicações sobre os projetos do Palácio do Planalto. O vocalista disse que estava ansioso para se encontrar com Lula.
— Estou muito, muito ansioso. Tenho expectativa de encontrar o presidente porque ele luta não apenas contra a pobreza no Brasil, mas também luta contra a pobreza em todo o mundo, na África. Estou ansioso por causa disso — disse Bono, que fez um tour turístico pela capital com o ministro Gilberto Gil antes de ir para o aeroporto.
Lula falou dos programas sociais do governo e mostrou a Bono sementes de mamona, dendê e outras oleoginosas usadas na produção do biodiesel.
O U2 desembarcou no Brasil na manhã deste domingo. Bono Vox, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton, que estavam no México, chegaram no fim da madrugada ao Aeroporto de Cumbica, dando autógrafos e muita atenção aos fãs. Bono chegou a abraçar e tirar fotos com alguns deles. ( Veja aqui as imagens da chegada )
O U2 toca segunda e terça-feira, nos únicos shows da turnê Vertigo no Brasil, com abertura dos escoceses do Franz Ferdinand. A movimentação de fãs não pára de crescer. Os acampados estão recebendo água e comida de voluntários.

Sunday, February 19, 2006

POLÍTICOS VIPs.

Fui ao Show. Não vi e quase não ouvi. Quem estava na parte de traz só via os coqueiros da praia de Copacabana e os postos de observação da PM, que impediam a visão do telão, que por sinal só tinha um no centro do palco e duas “telinhas” nas laterais.
Assim que os Stones pisaram no palco, helicópteros da PM começaram a sobrevoar a área e só o que ouvíamos era o barulho dos motores.
Afro Reggae e Titãs que abriram o show cantaram praticamente no escuro, já que o palco só foi iluminado completamente para a banda principal, mas deram um show a parte, principalmente Titãs, que cantaram clássicos inesquecíveis de seu repertório.
Para um show desse porte e com o número de pessoas que estava na praia, achei que foi relativamente calmo, exceto por pequenos incidentes já esperados nesse tipo de evento.
Na verdade, o grande espetáculo ficou mesmo por conta da nossa violenta e truculenta polícia militar, que partia pra cima de prováveis suspeitos com golpes de cacetetes, principalmente nos corredores dos banheiros químicos, onde podiam praticar suas arbitrariedades em relativo anonimato.
Mas, a grande vergonha mesmo ficou por conta da tal área VIP que solapou o espaço da galera que realmente agita. Os tais VIPs estavam confortavelmente instalados na frente do palco, num espaço cercado por grades.
Caracterizando um verdadeiro apartheid social em plena praia de Copacabana. Justo Copacabana! Templo de todas as tribos.
VIPs que não se empolgaram com as músicas dos Stones e não conseguiram transmitir energia para o massa que se aglomerava na areia, no calçadão, na pista, nas árvores, em cima dos banheiros e em qualquer canto que lhes permitissem assistir a apresentação.
VIPs que estavam ali para aparecer nas páginas das Caras e bocas da vida e Quem Acontece. VIPs selecionados pela breguíssima, Collorida e emergente Alicinha Cavalcanti (lembram que ela apareceu na época de Collor?).
Entre eles estavam os nossos parlamentares e membros das CPIs, ACM Neto e Delcídio Amaral, que literalmente faziam parte da Casa Grande, enquanto a massa na senzala, se acotovelava para ter direito a assistir a um show que lhes foi oferecido de graça, mas que na verdade a sua presença ali só servia para fazer número.
ACM Neto e Delcídio estavam ali enquanto legítimos representantes dessa elite decadente que há anos domina o nosso país. Só esta atitude já seria o bastante para confirmar que este senhor não merece ter uma carteirinha de filiação ao Partido dos Trabalhadores, que dirá pretender ser candidato ao governo do Mato Grosso do Sul pela nossa legenda.
Ao que me consta à praia é um espaço público e democrático, não é propriedade do Srs. César e Rodrigo Maia e nem da Dona Alicinha Cavalcanti. Não pode ser cercada para promover segregação social.
Diante do absurdo a galera se revoltou e hostilizou os tais VIPs. Não sou favorável a este tipo de atitude, mas também não posso aceitar tamanho desrespeito com a população que paga os seus impostos e é obrigada a passar por esse tipo de constrangimento.
Políticos que compactuam com esse tipo de prática estão faltando com o respeito ao povo.
Que os organizadores deste tipo de evento, da próxima vez não se esqueçam que a praia não tem dono e se quiserem organizar um show para VIPs, o façam em uma casa fechada, onde quem puder pagar pague.
E não deixe o povão sem opção dentro de um evento grátis, sem poder escolher o melhor espaço para assistir ao show, porque uma grande extensão da praia estava reservada para a classe dominante.



Em ano de eleição, políticos aparecem em show do Stones

JANAINA LAGEMÁRCIO DINIZda Folha Online, no Rio

Não foram só famosos e artistas, políticos também disputaram ingressos da área VIP do show do Rolling Stones no Rio de Janeiro, que ocorre neste sábado na praia de Copacabana --mais de um milhão estão no local.
Em ano de eleição, a atenção das câmeras e a oportunidade de dar entrevistas não é desperdiçada.Entre as figuras que circulam pelo local estão os deputados Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e Rodrigo Maia (PFL-RJ), o senador Delcídio Amaral (PT-MS), o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB) e o ministro da Cultura, Gilberto Gil.
O ministro, aliás, é um dos mais empolgados, e até subiu na grade para ver o palco melhor."Minha geração é fã dos Stones. É um privilégio o Brasil ter um show desses", afirmou Aécio Neves, conhecido como amante de festas.
Ele estava no camarote com amigos e acompanhado da atriz Maite Proença.Já Delcídio Amaral, que já viu o show da banda no exterior, afirmou ser um "macaco de auditório" dos Stones. As músicas preferidas dele são "Gimme Shelter", "Brown Sugar" e "Simpathy for the devil".
Na área VIP só entrou quem tinha convite e uma camiseta feita especialmente para o evento. Mesmo assim, foi possível ver alguns "bicos" tentando convencer o segurança a liberar a entrada.
"Sou amigo de fulano", tentava se explicar um.Entre os convidados estavam ainda Roberto de Carvalho, que apareceu sem Rita Lee, Arnaldo Antunes, Maria Paula, o cantor Simoninha, Cauã Reymond, Malu Mader e Marcelo Serrado.

Saturday, February 18, 2006




Agora eles dizem que é a Marta quem ataca FHC. Ele diz que a ética do PT é roubar e nós não podemos rebater? Essa Falha de São Paulo é uma piada!

Marta ataca FHC e diz que tucanos perdem na discussão sobre ética
MAURÍCIO SIMIONATOda Agência Folha, em Campinas.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, que disputa com o senador Aloizio Mercadante (SP) a indicação do PT à sucessão do governo do Estado, disse hoje que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tenta levar a discussão eleitoral para "o campo ético" porque nas áreas social e econômica os dados são "devastadores" a favor do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marta declarou ainda que, se o ex-presidente tucano insistir em levar a discussão para o campo ético, perderá também por causa de casos como "as privatizações, a compra de votos para a reeleição [do ex-presidente FHC] e o caso Sivam [Sistema de Vigilância da Amazônia, que sofreu denúncias de irregularidades durante a sua implantação]".
"Não adianta o presidente Fernando Henrique querer levar a disputa para o campo ético, que é o campo que ele pensa que lhe favorece, porque no campo social e econômico os dados são devastadores a favor do governo Lula na comparação.
Mas se ele quiser levar para o campo ético, nós [PT] podemos também. Porque as questões das privatizações, compra de votos e Sivam são lesivas ao erário".A declaração da ex-prefeita foi uma resposta ao ex-presidente tucano, que disse que "a ética do PT é roubar". "O Fernando Henrique colocou isso [questão ética] no centro, mas não acho que o eleitor vá querer uma discussão destas questões.
Acho que não podemos fugir de uma constatação do que ocorreu [denúncias de corrupção envolvendo o PT]. Foi muito difícil, mas agora temos [PT] é que ter providências rígidas e mostrar programas de governo.
"Marta disse que o PT não aceitará "perder a bandeira da ética". Ela visitou hoje cidades do interior de São Paulo e à tarde se reuniu com o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT).Ao comentar as recentes pesquisas eleitorais, Marta disse ainda que a tendência é de que a popularidade do presidente Lula continue crescendo nos próximos meses.
"Eu acredito que o presidente Lula só tende a crescer, porque agora começam a ser mostrada nacionalmente todas as conquistas. O que mudou é que o presidente agora está começando a poder colher e mostrar, porque em um governo você planta no início e colhe no terceiro ano e quarto ano", disse.
A ex-prefeita ainda criticou as gestões do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que, segundo ela, "investem menos e não priorizam serviços públicos".

Friday, February 17, 2006

ZÉ DIRCEU APOIA MARTA PARA CANDIDATA AO GOVERNO DE SÃO PAULO.

Prezada companheira Marta,

Primeiramente, um grande e forte abraço aos companheiros e companheiras presentes nesta plenária.
Quero expressar minha confiança e apoio a você, Marta, como candidata ao governo do estado de São Paulo. Você está credenciada para disputar a preferência de nossa militância nas prévias democráticas convocadas pelo diretório regional.
A sua experiência política e administrativa frente à Prefeitura Municipal de São Paulo – implementando um governo de cunho marcadamente popular – e o seu mandato como deputada federal, a qualificam junto à nossa militância na disputa com o tucanato que há 12 anos comanda nosso estado.
A reeleição do Presidente Lula passa por São Paulo e a defesa de seu governo confunde-se com a sua administração na capital: prioridade no social, emprego, renda e educação; realizações vitoriosas do seu mandato frente à prefeitura da maior cidade do país. Além disso, a rápida recuperação das finanças do município e da capacidade administrativa da Prefeitura Municipal de São Paulo foram realizações que lhe credenciam para governar o estado.
Finalmente, a sua militância e o seu compromisso partidário, como dirigente de nosso PT, como deputada federal e como prefeita, são garantias de que seu governo mudará São Paulo. E é sempre bom lembrar que durante o seu governo construímos uma maioria sólida na Câmara Municipal e articulamos uma base de apoio na cidade que sustentaram nosso programa de realizações e mudanças.
Receba um forte abraço e boa sorte.

José Dirceu08 de fevereiro de 2006
Dirceu estará em Juíz de Fora.

Cesar Romero - Tribuna de Minas.

"Quem chegaO ex-ministro José Dirceu tem reserva para o dia 21, no Victory Hotel. Sua agenda na cidade, orquestrada pelo jornalista Kaka Guilhermino, inclui a participação em um ato público, no Sindicato dos Bancários, em comemoração aos 26 anos do PT."
Os desafios do Brasil
José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil - * Jornal do Brasil


Reinicio minha participação na imprensa, agora com regularidade, depois de uma longa ausência, durante os 30 meses em que ocupei o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo do presidente Lula, e dos longos meses em que defendi meu mandato parlamentar. De 1980 a 2002, como parlamentar e presidente do PT, escrevi de tempos em tempos para, praticamente, todos os órgãos de nossa imprensa escrita.
Meu tema será o Brasil e seus desafios, o que já construímos e o que falta fazer, como fazer, como organizar as forças políticas e sociais para concluir o sonho dos que lutaram pela liberdade e independência, e consolidaram nossa nascente democracia.
Não existe nenhuma dúvida de que estamos alcançando um patamar de desenvolvimento que não tem retorno. Depois de realizar, nos últimos anos, algumas tarefas fundamentais, o Brasil está preparado para enfrentar seus desafios históricos, pôr fim à pobreza, consolidar uma democracia participativa, integrar-se e integrar a América do Sul.
Não foi pouco o que se realizou: estabilizar nossa economia e retomar o crescimento, com a criação de 3,57 milhões de empregos em três anos. Serão cinco milhões em quatro anos. O esforço fiscal e monetário, duro, não foi em vão, porque acompanhado de políticas que criam as condições para o desenvolvimento: fim das privatizações e reorganização das estatais, retomada do papel de fomento dos bancos públicos, implantação de uma política industrial e de inovação, desdolarização de nossa dívida interna e superação de nosso eterno estrangulamento externo. Apesar do arrocho fiscal e monetário, avançou-se na política de aumentos do salário mínimo e de investimento em educação e saúde; implantou-se o Bolsa Família, e ampliaram-se os gastos em assistência social.
Mas novos pontos de estrangulamento surgiram. Os problemas estão aí, são graves e precisam de respostas. Em primeiro lugar, estão as reformas política e administrativa. É urgente a reforma política, que não se resume ao modelo de financiamento das campanhas eleitorais, mas decorre, principalmente, da incapacidade de nosso sistema político eleitoral de formar maiorias parlamentares e assegurar a governabilidade no presidencialismo. E, para enfrentar o grave problema de gestão e recursos humanos, faz-se necessária uma ampla reforma administrativa, começando por dar, à Secretaria de Recursos Humanos e de Gestão, status de Ministério, ou que a vincule à Presidência da República.
A segunda urgência é garantir um incremento forte e constante, já iniciado, nos investimentos em educação e inovação, sem o que todo o esforço de crescimento será inócuo. Somente uma revolução educacional e cultural, com o fim do analfabetismo e a universalização do ensino médio e técnico-profissional, até 2010, dará ao Brasil condição de eliminar a pobreza nos próximos 25 anos.
A terceira demanda é dar continuidade à política de investimentos na infra-estrutura social e econômica do país. Ouso propor que o governo federal assuma, como tarefa da União, enfrentar os graves problemas das nossas regiões metropolitanas, criando um Fundo Nacional Urbano, ou ampliando o objeto do atual Fundo Nacional de Habitação. Não acredito que os Estados e Municípios, com suas dívidas com a União e seu serviço (que consome, em média, 15% de suas receitas líquidas), possam, em uma década, superar nosso vergonhoso déficit habitacional, sanitário e de transportes coletivos. Déficit que, aos poucos, inviabiliza a vida nas metrópoles, pelos elevados custos para a atividade econômica e pelo agravamento do desemprego e da violência, reveladores da ausência de uma política social e cultural para as grandes periferias.
O quarto desafio é combinar a estabilidade necessária com uma política de desenvolvimento. Nossa dívida interna, pelo seu prazo e tamanho, torna inviável qualquer política de aumento dos investimentos públicos, mutilando o papel do Estado no planejamento nacional e na distribuição de renda. É hora de reduzir os juros e o superávit, sem descuidar do combate à inflação e da administração da dívida interna.
Por fim, temos que ter consciência do papel do Brasil na América do Sul e Latina. O processo político de integração, que se consolidou nos últimos anos, abre uma oportunidade histórica de integrar, com base no Mercosul, a América do Sul; sem isso, não haverá desenvolvimento para nenhum país isoladamente.

Thursday, February 16, 2006

CHICO ALENCAR, este é um nome para ser guardado para as próximas eleições.
Não é dígno de representar o Estado do Rio de Janeiro, não foi eleito para cassar companheiros inocentes, não foi eleito para trair o Partido dos Trabalhadores.


Constrangimento marca sessão que recomendou cassação de João MagnoIsabel Braga - O Globo
BRASÍLIA


- A sessão do Conselho de Ética da Câmara que recomendou a cassação do mandato do deputado João Magno (PT-MG), que admitiu ter recebido R$ 426 mil do valerioduto, foi marcada por um grande constrangimento de tucanos e pefelistas, que votaram pela absolvição do deputado Roberto Brant (PFL-MG) e pela cassação do petista. Além do próprio João Magno, vários conselheiros destacaram a semelhança entre os casos e a suposta incoerência do relator.
João Magno admitiu ter recebido dinheiro da SMP&B, do empresário Marcos Valério, que teria sido usado para pagamento de gastos de campanha em 2002 e 2004. Ele reconheceu que os valores não foram informados à Justiça Eleitoral, mas alegou que agiu de boa-fé porque recebeu o dinheiro do então tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Em sua defesa, João Magno tentou mostrar que o Conselho estava usando "dois pesos e duas medidas" dependendo do partido do acusado. Disse que seu caso é semelhante ao de Brant e que o relator foi condescendente com o pefelista e rigoroso com ele.
- Vossa Excelência fez um relatório com caneta de chumbo para mim e um voto com caneta de pena para o deputado Brant - protestou.
Jairo Carneiro argumentou que João Magno não é corrupto, mas cometeu o crime de não declarar à Justiça Eleitoral recursos obtidos de forma ilícita, por isso deveria ser cassado. Segundo ele, Brant recebeu "dinheiro limpo" e não o usou na campanha, e sim num programa de seu partido. Por isso, quem cometeu a irregularidade teria sido o partido, e não o candidato.
- A diferença pode ser tênue, mas ela existe - disse o relator.
Até José Carlos Araújo (PL- BA), que votou pela absolvição de João Magno, defendeu o petista, afirmando que ele corrigiu a irregularidade fazendo nova prestação de contas à Justiça Eleitoral.
- Como vamos condenar uma vítima? A própria lei faculta o direito de sanar o delito e ele o fez - disse Araújo.
Depois da decisão do Conselho, João Magno disse que não estava surpreso, mas voltou a dizer que houve uma grande contradição. O deputado acredita que poderá ser absolvido pelo plenário da Câmara e informou que não pretende recorrer.
Apesar de declarar voto pela cassação, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que o petista foi o mais sincero dos deputados que respondem a processo de cassação no Conselho de Ética. Chico Alencar concordou com a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) de que o caso de João Magno é muito parecido com os de Romeu Queiroz (PTB-MG), que foi absolvido, e de Roberto Brant (PFL-MG), que teve os votos de tucanos e pefelistas, e cobrou coerência dos parlamentares que votaram pela absolvição dos dois e pela cassação do petista, como o relator, Jairo Carneiro (PFL-BA).
- No caso do João Magno, quero ressaltar que foi o mais franco e sincero desde o começo e admitiu ter recebido o dinheiro. Eu aplaudo a franqueza do deputado, mas dentro da coerência, acompanho o voto do relator. Mas quero cobrar, tanto do Conselho de Ética quanto do plenário, coerência, já que absolveram Romeu Queiroz - disse Chico Alencar.

Wednesday, February 15, 2006

JOSÉ DIRCEU TINHA RAZÃO. Blog do Noblat


O governador Eduardo Braga, do Amazonas, antecipou, hoje, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o destino do partido dele, o PMDB, na próxima eleição presidencial: dividir-se entre vários candidatos.

Antes mesmo de o PMDB decidir se apoiará Garotinho ou Germano Rigotto para presidente, Braga informou que o partido no Amazonas irá de Lula. "É notória a expectativa do povo do Amazonas em torno da candidatura de Lula", disse.

E forneceu a senha para aqueles que, dentro do PMDB, estão prontos para reforçar as chances de vitória de Lula:

- Acho que o PMDB precisa avaliar muito bem sua posição e sua estratégia para que não aconteça com Rigotto ou Garotinho o que ocorreu no passado com o Ulisses Guimarães e o Quércia, que acabaram sendo candidatos formais, para cumprimento de tabela.

O que Braga não disse: que eleito governador pelo PPS, entrou no PMDB por sugestão de Lula. E para reforçar a ala lulista do partido. Ocorreu o mesmo com Paulo Hartung, governador do Espírito Santo, originalmente eleito pelo PSB.

Lula custou a enxergar a vantagem de ter o PMDB - ou um pedaço dele - ao seu lado. Logo depois de ter sido eleito, autorizou José Dirceu a oferecer quatro ministérios ao PMDB que o apoiara no primeiro e no segundo turno.

O passo seguinte seria tomar de assalto a direção nacional do partido e instalar ali gente de confiança do novo governo. Quando tudo parecia certo, o senador Alozio Mercadante (PT-SP) convenceu Lula de que não deveria ser assim.

O melhor caminho, segundo Mercardante, seria a aliança formal com o PMDB via sua direção. Lula recuou e a aliança jamais saiu. Mais tarde, preferiu comprar no varejo o apoio de deputados e de senadores do PTB, PL, PP e do próprio PMDB.

A operação deu no quê? Deu no mensalão e em tudo o que se viu depois.

Dirceu estava certo antes quando dizia que o PMDB era a chave para Lula governar - e novamente está certo quando diz que o PMDB será a chave da sucessão. Lula corre atrás do prejuízo.

O governador Eduardo Braga, do Amazonas, antecipou, hoje, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o destino do partido dele, o PMDB, na próxima eleição presidencial: dividir-se entre vários candidatos.

Antes mesmo de o PMDB decidir se apoiará Garotinho ou Germano Rigotto para presidente, Braga informou que o partido no Amazonas irá de Lula. "É notória a expectativa do povo do Amazonas em torno da candidatura de Lula", disse.

E forneceu a senha para aqueles que, dentro do PMDB, estão prontos para reforçar as chances de vitória de Lula:

- Acho que o PMDB precisa avaliar muito bem sua posição e sua estratégia para que não aconteça com Rigotto ou Garotinho o que ocorreu no passado com o Ulisses Guimarães e o Quércia, que acabaram sendo candidatos formais, para cumprimento de tabela.

O que Braga não disse: que eleito governador pelo PPS, entrou no PMDB por sugestão de Lula. E para reforçar a ala lulista do partido. Ocorreu o mesmo com Paulo Hartung, governador do Espírito Santo, originalmente eleito pelo PSB.

Lula custou a enxergar a vantagem de ter o PMDB - ou um pedaço dele - ao seu lado. Logo depois de ter sido eleito, autorizou José Dirceu a oferecer quatro ministérios ao PMDB que o apoiara no primeiro e no segundo turno.

O passo seguinte seria tomar de assalto a direção nacional do partido e instalar ali gente de confiança do novo governo. Quando tudo parecia certo, o senador Alozio Mercadante (PT-SP) convenceu Lula de que não deveria ser assim.

O melhor caminho, segundo Mercardante, seria a aliança formal com o PMDB via sua direção. Lula recuou e a aliança jamais saiu. Mais tarde, preferiu comprar no varejo o apoio de deputados e de senadores do PTB, PL, PP e do próprio PMDB.

A operação deu no quê? Deu no mensalão e em tudo o que se viu depois.

Dirceu estava certo antes quando dizia que o PMDB era a chave para Lula governar - e novamente está certo quando diz que o PMDB será a chave da sucessão. Lula corre atrás do prejuízo.
As pedras rolaram e a PM mudou - e para melhor. * O Globo online


RIO - Ver os Rolling Stones a 110 metros de distância. Ninguém queria, não é? Agora, porém, a Polícia Militar afirma que Mick Jagger e companhia ficarão bem mais próximos, a apenas 4 metros, quando estiverem no chamado palco B, que avança sobre o público. Ganham, com isso, o público e o show, que, como advertiram artistas ouvidos pelo Globo Online, ficaria frio sem a proximidade da massa. A nova medida da PM foi elogiada por produtores com experiência na realização de shows na praia. No quesito segurança, o secretário Marcelo Itagiba afirmou que o efetivo envolvido no patrulhamento será maior do que o do réveillon . Confira os detalhes nos links abaixo.
Após críticas, PM anunciou novo esquema para o público
Artistas consideravam show a 110 metros inviável
'Eu não confiaria muito nesses VIPs que estão por aí'
Na contramão da euforia com show dos Rolling Stones, moradores de Copacabana reclamam de confusão
Produção informa que show acabará antes de meia-noite
Aqui você conhece a incrível história dos Stones, que teve, muitas vezes, o Brasil como cenário
Rio terá regime especial de fornecimento de energia
Jagger conta como é sua relação com o filho brasileiro e revela seus desejos para a passagem pelo Rio. Confira
O encontro de Joaquim Ferreira dos Santos com Mick Jagger
Jamari França passeia pelo repertório do show
Globo nao deu pesquisa porque CNT Sensus é 'instituto menor' 13:55

Chegou agora comunicado oficial da TV Globo respondendo a solicitaçao do Blue Bus - "Como todos os que acompanham o jornalismo da TV Globo sabem, nossos telejornais de rede só divulgam pesquisas dos institutos mais tradicionais - Ibope, Vox Populi e DataFolha. Esta decisao é de conhecimento de todos os partidos políticos. Na última 6a feira, foi inclusive ratificada na reuniao com os 10 partidos políticos durante a qual a emissora apresentou o seu plano de cobertura. A TV Globo jamais divulgou uma única pesquisa CNT-Sensus neste ou em nenhum dos anos anteriores. Assim como nao divulgamos pesquisas de outros institutos menores". 15/02 Blue Bus

'Toda Midia' tambem nao viu no JN pesquisa em q Serra cai 11:15 A coluna Toda Midia, de Nelson de Sá, observadora de midia da Folha, tambem nao viu a pesquisa CNT Sensus no Jornal Nacional, leia aqui. E tambem nao viu "nada na Globo News, ao longo da tarde", nem nos demais noticiarios do jornalismo global. 15/02 Blue Bus

Leitor diz q Homer Simpson nao viu pesquisa em q Serra cai 11:07 "Bom dia Julio, Ontem o Homer Simpson nao pode ver o resultado da última pesquisa pré-eleitoral, divulgada pela manha, que apontava o aumento da aprovaçao do Governo e a diferença de 10 pontos percentuais para José Serra, notas ontem aqui e aqui (.....)".

15/02 Adriano Wagner Blue Bus nao viu a ediçao desta noite do Jornal Nacional e solicitou a assessoria da TV Globo a confirmaçao da informaçao e, caso verdadeira, as razoes pelas quais o JN omitiu a informaçao sobre a pesquisa CNT Sensus do noticiario.
Esquinas de Brasília - para onde vai o P-SOL?
Por Redação [15/2/2006]

Valter Campanato/ABr


A disputa oculta do P-SOLBem menos midiatizado que a disputa José Serra versus Geraldo Alckmin, um outro debate pré-eleitoral toma conta de uma legenda com menos chances de vitória presidencial que o PSDB. O Partido do Socialismo e Liberdade (P-SOL), nem um ano após a sua fundação formal, enfrenta forte divisão interna.Mas a discórdia não está entre nomes para a chapa principal, como no rico tucanato. A senadora Heloísa Helena, eleita pelo PT alagoano, é consenso para disputar a vaga no terceiro andar do Palácio do Planalto. O que seus correligionários discutem é o tom que sua campanha terá ao longo do ano, e principalmente nos preciosos minutos que terão via televisão.A peleja pelas palavras de Heloísa HelenaÁcida crítica de seus ex-companheiros petistas, Helena é reconhecida por gastar mais saliva em plenário vociferando contra Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo, que com seus colegas de Senado. Pelo contrário, já foi fotografada, mais de uma vez, em cenas de explícito carinho com o baiano Antônio Carlos Magalhães e o alagoano Renan Calheiros – raposas velhas da direita tupiniquim.O que a última leva de petistas que migraram ao P-SOL querem é uma campanha que bata nos pontos centrais do que seria um programa socialista para o Brasil. E poupasse um pouco o PT, para não fazer o serviço sujo para a direita.O grupo pioneiro do P-SOL – formado por Helena e os deputados Babá (PA) e Luciana Genro (RS) – prefere manter a estratégia de disputar o eleitorado do PT. Para isso, querem continuar investindo verborragia para provar o que seria uma traição de Lula ao povo.Recém chegados já pensam na saídaA discussão entre novos e novíssimos militantes do P-SOL teve início ainda no ano passado, logo após a filiação dos últimos. Sem registro na imprensa, muitas reuniões têm sido realizadas, principalmente no Rio de Janeiro. O clima é bem tenso.Mesmo sem se arrepender de ter deixado o PT, a última leva de P-SOLzistas já pensa, inclusive, em deixar sua nova legenda. Obscuro continua sendo seu destino.Matemática difícil em 2006A polêmica sobre o discurso de Helena não é o principal problema dos militantes do P-SOL este ano. São preocupantes as contas para estimar quantos votos serão necessários para garantir que pelo menos um deputado do partido seja eleito pela primeira vez.Maninha, que foi eleita pelo PT do Distrito Federal, é o caso mais difícil. Para se reeleger por seu novo partido, teria de ter 12% dos votos para deputado federal no DF. Também solitários em seus estados, a gaúcha Luciana Genro e o cearense João Alfredo não estão em situação muito mais tranqüila.Totalmente incertas são as eleições em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde há mais deputados. O P-SOL paulista vai apresentar dois deputados que tiveram mais de 100 mil votos cada em 2002. Orlando Fantazzini não contará mais com o apoio da prefeitura petista de Guarulhos e os assessores de Ivan Valente acham difícil que ele repita o desempenho do ano em que Lula ganhou.O carioca Chico Alencar, também destinatário de mais de 100 mil votos em 2002, faz contas para saber quantos terá em um ano que não estará colado à figura do presidente. E terá de disputar votos com seu novo colega de seção fluminense da legenda. Após mudar seu domicílio eleitoral, Babá vai disputar uma vaga pelo Rio de Janeiro.
BABOU:
Os PiS tOLeiros estão duelando.

Revista Fórum (Artigos)

A disputa oculta do P-SOL

"Mesmo sem se arrepender [?] de ter deixado o PT, a última leva de P-SOLzistas já pensa, inclusive, em deixar sua nova legenda. Obscuro continua sendo seu destino."
(...)
"O carioca Chico Alencar, também destinatário de mais de 100 mil votos em 2002, faz contas para saber quantos terá em um ano que não estará colado à figura do presidente. E terá de disputar votos com seu novo colega de seção fluminense da legenda. Após mudar seu domicílio eleitoral, Babá vai disputar uma vaga pelo Rio de Janeiro."

Leiam completo na FÓRUM
http://www.revistaforum.com.br/vs3/artigo_ler.aspx?artigo=9b6a1766-b495-46d2-9067-a676c002c8a1&pagina=&Query=&Assunto=&Edicao=&Autor =
A descoberta da Amazônia pelos turcos encantados.

A exibição do filme de Luiz Arnaldo Campos - A descoberta da Amazônia pelos turcos encantados - tem o apoio do Setorial de Cultura do PT. "Não é lenda, não é mito, não é folclore. É a história da Mina e o filme usa os signos para confirmar isso, coloca crédito, data".
O filme foi selecionado pelo projeto DocTV do Min. da Cultura

Será exibido no dia 16/02 quinta feira , no Auditório do PT-RJ, na rua do Carmo, 38 / 3º 19horas

Tuesday, February 14, 2006

As 13 Questões que levam Lula ao topo máximo do Brasil, sem concorrentes diretos e indiretos...



1 - MÉDIAS BALANÇA COMERCIAL BI US$- FHC (PSDB) (1995/2002): -2,442- Lula (PT) (2003/2005): +34,420 (recorde)
2 - SUPERÁVIT COMERCIAL BI US$- FHC (1995/2002): -8,7 (déficit)- Lula (2003/2005): +103,0 (superávit)
3 - RISCO-PAÍS PTS- FHC (Jan/2002): 1.445- Lula (Jan/2006): 290 (recorde)
4 - JÚROS- FHC (Jan/2002): 25,00%- Lula (Jan/2006): 18,00%
5 - INFLAÇÃO- FHC(2002): 12,5%- Lula(2005): 5,7%
6 - DÓLAR R$- FHC (Jan/02): 3,53- Lula (Jan/06): 2,30
7 - RANKING DO PIB MUNDIAL (PPP) TRI US$- FHC (2002): 1,340 -> 10º- Lula (2004): 1,492 -> 09º
8 - BOVESPA PTS- FHC (Jan/02): 11.268- Lula (Jan/06): 35.223 (recorde)
9 - DÍVIDA EXTERNA BI US$- FHC (2002): 210- Lula (2005): 165 - E caindo mês á mês...
10 - DÍVIDA COM O FMI E COM O CLUBE DE PARIS EM DOLÁR- FHC (2002): Os caloteiros do PSDB e PFL sumiam com o dinheiro e não tinham coragem de falar o valor da dívida- Lula (2005): 0,00
11 - SALÁRIO MÍNIMO US$- FHC (2002): 56,50- Lula (2005): 128,20
12 - DESEMPREGO- FHC (2002): 12,2%- Lula (2005): 9,6%
13 - TAXA ABAIXO DA LINHA DE PROBREZA- FHC (2002): Não tinham capacidade para controlar mais este índice, que segundo dados ultrapassavam os 35%.- Lula (2004): 25,1%


Relatório do Fundo Monetário Internacional atestando que o Brasil sob o governo do Partido dos Trabalhadores é o melhor da História do Brasil: http://www.imf.org/external/np/sec/pn/2005/pn05166.htm
“Dia da Resistência Portuária”. Editorial PT de Santos.

Será realizado no dia 23 de fevereiro, quinta-feira, às 18 horas, a abertura da exposição em comemoração aos 15 anos do “Dia da Resistência Portuária”. A exposição contará com diversos painéis fotográficos confeccionados pela Fundação Arquivo e Memória de Santos (FAMS), que registram esse importante momento histórico de resistência e luta da sociedade santista.Ainda nesse dia, em sessão ordinária da Câmara, o vereador Reinaldo Martins (líder do PT) realizará a leitura de um texto alusivo ao tema em questão.
A pedido do PT Santos Editorial, o Núcleo do Porto, apresentou o texto abaixo informando nossos leitores sobre o 28 de fevereiro, " Dia da Resistência Portuária. "
A história de lutas da classe trabalhadora portuária de Santos tem, em 28 de fevereiro, seguramente, seu marco histórico. Foram 22 dias de nervosas tensões, com envolvimento amplo dos trabalhadores demitidos, suas famílias, as mulheres, principalmente, de sindicalistas, inclusive de sindicatos não diretamente envolvidos, de algumas lideranças políticas e de poucos empresários. Raras vezes uma cidade portuária terá se unido, como Santos o fez, para defender seu patrimônio humano, na verdade, um contingente aproximado de 30 mil pessoas, representado pela tentativa de demissão de 5.372 chefes de família. Vencidos 15 anos daquele episódio, marcado pela insegurança, medo, emoções e lágrimas, às vezes por reações extemporâneas que hoje, neste ato, podem ser reparadas, torna-se possível, junto com registros e lembranças, fazer-se um balanço das intenções do governo federal, à época. O país, em fevereiro de 1991, estava sob o governo Collor, que tomara posse em março de 1990. Exercitando pirotecnias espalhafatosas e inúteis, o então presidente lançava as primeiras bases para uma política de privatizações, a exemplo das havidas em Volta Redonda (CSN) e Embraer, em S. José dos Campos. O então ministro Ozires Silva, da Infra-estrutura, conhecia bem esse caminho, o das demissões em massa. Ex-coronel, tinha a seu lado um outro ex, o ministro da Justiça, Jarbas Passarinho. No Trabalho estava o polêmico Antônio Rogério Magri, saído do campo sindical e trabalhista, que mais se encantou com os mármores palacianos do que com suas raízes. A classe trabalhadora vinha de seguidos arrochos salariais, desde o Plano Verão, editado pelo Governo Sarney em 15 de janeiro de 1989. Collor, no seu primeiro dia de governo, em 16 de março de 1990, edita o Plano Brasil Novo, chamado de Collor 1. Menos de um ano depois, estava na praça o Collor 2. A Medida Provisória 295, integrante desse plano, limitava os reajustes salariais. Em fevereiro de 1991, as perdas dos portuários foi calculada em 158%, negadas pela Codesp, presidida, então, pelo engenheiro Paulo Peltier de Queiroz Júnior. Deflagra-se uma greve dos codespanos, estimados em cerca de 10 mil trabalhadores. Era sete de fevereiro. No dia 18, o Tribunal Regional do Trabalho julga o mérito da paralisação, considerada abusiva e decide por reajustes, em média, de 33%, número que as categorias profissionais não aceitam e decidem pela continuidade do movimento. Na noite de 20 de fevereiro, os carteiros começam a chegar às portas das moradias dos portuários com o telegrama fatídico: cada um e todos os 5.372 estão demitidos! Mais da metade do contingente da empresa. O telegrama continha 12 linhas. Em resumo dizia: “Em razão de v.s. não haver cumprido decisão judicial proferida em 18.02.91, pelo egrégio TRT/SP (...) cometeu abuso de direito, pelo que estamos rescindindo seu contrato de trabalho, por motivo de justa causa, a partir de 20.02.91...”. O texto era enfático e aterrador. Chamava o trabalhador para a administração do Pessoal da empresa a fim de ser procedida a baixa e anotações devidas na Carteira de Trabalho. Juntamente com as famílias, a cidade é tomada por comoção geral. Em muitas famílias, a punição atinge mais de um integrante, pai e filho, por exemplo. Um quase pânico se espalha na comunidade portuária, que se estende para toda a cidade. No entanto, no lugar do acovardamento, vem a disposição de luta, calcada na esperança da união de forças. A Prefeitura de Santos, nas mãos de Telma de Souza, transforma-se numa espécie de QG do movimento dos trabalhadores. Sem substituir as lideranças sindicais, a prefeita abre o gabinete e o salão nobre da prefeitura para reuniões dos trabalhadores. Chama o Fórum da Cidade, organismo multi-representativo das forças do município, para debater os efeitos das demissões. As conclusões são publicadas nos jornais, no dia seguinte, em apoio ao movimento, sob o pressuposto de que haveria caos econômico na cidade. Mensagens são passadas aos principais ministros pedindo a sustação das demissões. No dia 26, a prefeita lidera uma caravana de líderes sindicais, deputados, senadores e vereadores, a Brasília, para pressionar os ministros Passarinho e Ozires. No dia seguinte, diante da intransigência do governo, Telma decreta estado de calamidade pública e determina a concessão de cestas básicas, passes de ônibus e material escolar para os demitidos e suas famílias. Era o sinal de que Santos estava disposta a resistir. Dias antes, em conversa telefônica com Telma, Ozires Silva havia ameaçado fechar a Codesp.São realizadas manifestações na praça Mauá, com o comparecimento de milhares de pessoas, sinal de que o movimento ganha força popular. Paralelamente, os sindicatos atuam no porto e nas imediações, inclusive na entrada da cidade, junto ao Conjunto Habitacional Athié Jorge Coury, a fim de garantir a paralisação do cais, com amplo resultado. Há uma característica marcante nesse episódio. Ele ocorre, do começo ao fim, de forma pacífica. Após as reuniões do dia 26, lideranças sindicais permanecem em Brasília, com o propósito da reabertura das negociações e sustação das demissões.No dia 28, uma quinta-feira, auge da união de forças, o Fórum Sindical da Baixada Santista, em uma cartada final, consegue parar a cidade. Primeiro, o centro; depois, parte dos bairros. Não há transporte coletivo. Todos supermercados fecham. As aulas escolares são suspensas. Produzem-se imagens para todo o país. O movimento mostra sinais de força e crescimento, de tal modo que às 13h30 desse mesmo dia, o então ministro Jarbas Passarinho telefona para Telma de Souza dizendo-lhe que podia suspender o estado de calamidade pública de Santos. O governo recuara. As demissões estavam revertidas. Santos vencera! Todos seriam readmitidos, formando-se, nas tratativas posteriores, uma comissão para negociar o pagamento das perdas e dos dias parados. Os sindicatos reúnem-se em assembléias para decidir sobre o retorno ao trabalho, o que acontece às 13h00 do dia primeiro de março. A imprensa de todo o país notícia a vitória dos portuários santistas e o recuo do governo.Sob forte emoção, e ao som do Hino Nacional, forma-se um corredor humano à frente do prédio da Presidência da Codesp, na avenida Rodrigues Alves. Um a um, mão do lado esquerdo do peito, bandeiras tremulando, os trabalhadores adentram as dependências do porto, de cabeça erguida.O então secretário de Saúde e chefe de gabinete da prefeitura, David Capistrano Filho, em breve documento que produziu à época frisou: - “A principal razão do êxito foi a transformação de luta puramente sindical em luta cívico-política”. Santos deu um “não” coletivo à política de privatizações, o primeiro do país. Dois ano depois, Itamar Franco sancionaria a Lei 8630/93, cujas repercussões socioeconômicas negativas para Santos ainda perduram. ====== Para marcar historicamente o acontecido, a prefeitura, pela Lei nº 804, de 28 de novembro de 1991, institui o “Dia da Resistência Portuária”, a ser comemorado, anualmente, no dia 28 de fevereiro. Na mesma linha histórica, a municipalidade denomina “28 de Fevereiro”, a escola de ensino fundamental no Saboó, em 1991. ======
Neste ano de 2005, a lição que se tira - e esta é a principal dádiva do tempo -, repousa no valor da unidade dos trabalhadores. Ainda que diferenças sejam compreensíveis, as linhas políticas precisam ser coincidentes, no sentido da valorização e respeito ao fator mão-de-obra na ordem produtiva. A globalização sem fronteiras, com a arma tecnológica, visa a hegemonia do resultado. O homem, o trabalhador, é instado a competir, sem ao menos saber onde está o ponto de chegada. Que neste 28 de fevereiro a nossa palavra de ordem seja: Unidade!

Monday, February 13, 2006

Berzoini cobra reação firme aos ataques da oposição na campanhaLuiza Damé - O Globo
BRASÍLIA.


Em reunião com prefeitos e governadores do PT, o presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, cobrou unidade na campanha eleitoral e defendeu uma postura firme dos militantes diante dos ataques da oposição. Berzoini afirmou que o partido tem que reconhecer seus erros, mas precisa mostrar que é maior e rebater com números de suas administrações, especialmente do governo federal.
Berzoini reconheceu que a disputa eleitoral será dura, mas afirmou que o PT tem grande chance de vitória.
- É muito importante que tenhamos participação de todos os filiados do PT, especialmente aqueles que têm responsabilidade política executiva. As pessoas que têm responsabilidade política precisam dar o máximo de si para mobilização em torno da disputa que se faz no Brasil e que todos estão assistindo. Será acirrada e exige muita mobilização - afirmou.
Berzoini manteve o discurso de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o candidato natural do partido, mas que cabe a ele decidir o momento de anunciar a candidatura.
- Muitos prefeitos e muitos governadores entendem também que o ideal é que o presidente decida no momento apropriado. O partido defende e reivindica a candidatura de Lula à reeleição, mas o presidente tem o direito de tomar a decisão no momento apropriado.
O prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, afirmou que Lula tem de anunciar o mais rápido possível a sua candidatura:
- O PT não tem tem outro nome. Para os estados é importante definir a candidatura agora, mas compreendo o desejo do presidente (de só se decidir em junho) - afirmou o prefeito.
O governador do Acre, Jorge Viana, afirmou que o PT tem que assumir seus erros e aprender com a crise. Segundo ele, o PT precisa mostrar que não vai mais repetir as irregularidades cometidas nas últimas eleições, em que o partido recorreu à prática de caixa dois.
- O PT tem que assumir a crise com humildade e tirar lições. Agora é hora de provarmos que a gente vai ser diferente, que a gente vai corrigir as falhas que ocorreram, inclusive no processo eleitoral. Este é um momento de provação para o PT. Já que tudo o que a gente sofreu foi por causa da última eleição, agora é uma bela oportunidade de mostrar para o país que estamos diferentes, que estamos corrigindo com firmeza as falhas que cometemos no processo eleitoral - disse Jorge Viana.
O discurso dos principais líderes que participaram do encontro foi que, mesmo o partido tendo cometido erros, os resultados das administrações petistas são positivos.
- Precisamos reconhecer que erramos, mas o partido é grande. Onde administra fez um bom trabalho. Fizemos muito mais coisas positivas do que cometemos erros - disse o prefeito de Santo André, João Avamileno.
13/02/2006 - 16h02
PT vai entrar amanhã com ação contra Fernando Henrique

da Folha Online
O PT deve entrar nesta terça-feira com ação na Justiça contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, FHC difamou e feriu a honra dos petistas com as declarações dadas em entrevista concedida à revista "Isto É" da semana passada.
Na entrevista, FHC criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o atual governo de corrupção. "Eu nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo. As massas de dinheiro envolvidas são muito altas. Assustadoras", disse na entrevista.
FHC disse ainda que a "corrupção se organizou e teve a chancela do partido do governo". "É um fenômeno novo. No governo Lula, a corrupção tem organicidade, foi arquitetada. É sistêmica", continuou.
Ao comentar a entrevista, Berzoini disse que ela demonstra o destempero das relações FHC-PT. Para ele, também causa surpresa FHC dizer que nunca viu um governo tão corrupto. Berzoini, ao defender o governo Lula, ressaltou que o presidente determinou a investigação de todas as denúncias e que nada foi provado contra o governo até o momento.

Sunday, February 12, 2006

Entrevista com Dirceu 2 - *Blog do Noblat.


Lula faz o melhor governo que o país já teve desde o fim do regime militar em 1985, imagina Dirceu enquanto sorve um cálice de licor e levanta da cadeira para se despedir do deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP) que passou pelo restaurante só para encontrá-lo.

“O dólar barato empurra a inflação para baixo, aumenta a renda do trabalhador e barateia o preço da cesta básica”, explica Dirceu. “O povo sente tudo isso no seu próprio bolso. É por isso que Lula continua popular.”

A desdolarização da dívida pública foi a maior realização do governo Lula até aqui, anota Dirceu. Outros dois feitos: a redução da taxa de juros e a criação de empregos.

“O governo chegará ao fim deste ano tendo criado algo como cinco milhões de empregos na economia formal”, projeta Dirceu. “Se somados aos empregos da economia informal, serão 10 milhões. Os brasileiros não terão dificuldade alguma para acreditar na promessa de Lula de que criará sete milhões de empregos em um eventual segundo mandato. Até 2010, a taxa de desemprego cairá para 4%, 4,5%. Os programas sociais darão conta dos desempregados”.

A situação do país poderia ser ainda melhor se Lula não tivesse avalizado uma política econômica tão ortodoxa como a do ministro Antonio Palocci. “No mundo, só o Brasil foi capaz de combinar juros altos com um superávit primário tão elevado”, estoca Dirceu.

“Por causa disso, o governo não investiu em tecnologia e na recuperação das estradas, só para citar duas coisas. É uma vergonha que depois de oito anos de Fernando Henrique e de três de Lula as estradas ainda estejam esburacadas. Os responsáveis por isso deveriam ser fuzilados. Depois a gente comeria uma feijoada e esqueceria o assunto”.

Enquanto foi ministro, assistiu em diversas ocasiões a opinião da área econômica do governo ser derrotada. Lula então mandava liberar dinheiro para obras e programas. E o que acontecia? “Nada. O Tesouro não cumpria a programação de desembolso autorizada pelo próprio presidente”, acusa.

Foi por isso que ele colecionou tantos atritos com Palocci, embora faça questão de dizer que continua seu amigo. “Quando eu estava para ser cassado, ninguém foi mais solidário comigo do que Palocci”, reconhece. “Muitos dentro do governo se acovardaram. E eu paguei tudo sozinho”.

O governo paga o preço, no mínimo, por dois formidáveis erros, constata Dirceu: subestimou “a força da direita que pressionou fortemente a mídia contra Lula e o PT”; e deixou o PT ao desamparo quando escalou 40 dos seus 50 principais dirigentes para cargos na administração pública.

“Deveria ter mobilizado a sua base social para se contrapor à pressão da direita. Eu mesmo deveria ter ficado à frente do PT. Assim poderia tê-lo levado a se opor a tudo com o que não concordávamos. Eu tinha o partido na mão. Poderia ter organizado uma resistência”, analisa o ex-guerrilheiro.

Ao dar a conversa por terminada (mais um monólogo do que uma conversa de fato), o ex-chefe da Casa Civil apaga o charuto que fumou pela metade, informa ao dono do restaurante que em breve reforçará o estoque particular de charutos que mantém ali, despede-se de meia dúzia de amigos que ouviram com atenção seu desabafo, e arremata com ênfase:

10/02/2006 - "26 ANOS de história: Dilemas"

26 ANOS DE HISTÓRIA: DILEMAS

Por Emir Sader

Os 26 anos passados desde a fundação do PT viram algumas das mais radicais transformações da história da humanidade. Se olhamos o Brasil, a América Latina e o mundo naquele momento e o olhamos agora, podemos ter idéia da dimensão das transformações – de que o PT foi agente, mas também objeto.
1979 foi um ano crucial. Depois da derrota dos EUA pela extraordinária resistência vietnamita, a que se seguiu o escândalo de Watergate e a renúncia de Richard Nixon, concomitantemente à independência das colônias portuguesas na África, em 1979 tivemos a queda do regime do xá do Irã, a vitória da revolução sandinista e da revolução em Granada. Nesse mesmo momento, o - então muito representantivo – Movimento de Países não-Alinhados elegia a Fidel Castro como seu presidente.
A relação de forças entre as forças populares e as do bloco imperialista em escala mundial – nos três continentes do Sul do mundo – mudava de forma muito favorável àquelas. No entanto se gestava, no mesmo momento, uma contra-ofensiva imperial de proporções inéditas no segundo pós-guerra. A ascensão de Reagan foi feita em nome do lema: Voltaremos a ser fortes como antes, mediante uma combinação de ofensiva militar com ofensiva liberal. Junto com Thatcher, nascia a dupla que levaria adiante a introdução do novo modelo hegemônico – o neoliberalismo. Por outro lado, a invasão soviética do Afeganistão e a guerra Iraque-Irã abrirão brechas na frente antiimperialista, que facilitarão a contra-ofensiva conservadora.
O PT foi fundado na esquina entre dois períodos históricos radicalmente distintos. Se começava a revolução sandinista, começava também o governo Reagan e a ofensiva neoliberal do bloco anglo-saxão no mundo, contando com o apoio e a ação concreta do novo Papa.
O desenvolvimento do PT nas mais de duas décadas e meia de sua existência coincide, em grande parte do período, com essa ofensiva conservadora e com a construção da hegemonia liberal e neoliberal em todos os continentes. Na América Latina, coincide com o fim das ditaduras militares no Cone Sul, sucedidas por regimes democrático-liberais.
O problema para todos nós, nesta região do mundo, é que o neoliberalismo transformou-se na ideologia desses novos regimes democráticos, levando-os rapidamente à deturpação de grande parte de seus traços e ao esgotamento do seu caráter democrático. No Brasil, a década de 80 transcorreu na contramão da nova onda – com a fundação do PT, da CUT, do MST, com a Assembléia Constituinte e a nova Constituição.
Foi nesse cenário que o PT se desenvolveu, em mais ou menos a metade da sua existência – até a campanha eleitoral de 1994. A partir do governo Collor e, de maneira mais concentrada, o neoliberalismo passou a construir também no Brasil – depois de surgido no Chile e na Bolívia, estendendo-se depois para o México, o Peru, a Argentina,
A tendência na direção da moderação que o PT foi adotando – em relação à dívida externa, ao ajuste fiscal, à reforma da Previdência, à reforma agrária, entre outros temas – está inserida nesse contexto. De instrumento de luta contra o neoliberalismo — e pelo socialismo, no seu início —, o partido se tornou um campo de luta entre tendências divergentes, não apenas na tática para conseguir os fins inicialmente enunciados, mas estrategicamente, na superação ou reprodução do modelo neoliberal.
Aos completar 26 anos, o PT vive seu maior dilema, a circunstância mais difícil da sua história. Abalado pelo enfraquecimento do seu espírito militante e pela crise de confiança que grandes setores dos movimentos sociais passaram a nutrir em relação ao partido, ao mesmo tempo que, sendo vítima de um grande isolamento social em relação a vários dos seus entornos sociais imediatos – como boa parte da classe média, os sindicatos de funcionários públicos, os formadores de opinião na grande mídia monopolista privada —, o PT encarará a mais difícil campanha da sua história de 26 anos.
Diante de uma descrença com a política – que inclui o próprio PT, pela primeira vez —, diante da possibilidade de que não seja incluído na plataforma da luta pelo segundo mandato a superação do modelo econômico neoliberal — com todas suas conseqüências nefastas sobre o desempenho do governo —, o PT tem diante de si o desafio do que fazer. Se não conseguir impor a prioridade do social — que inclui um outro modelo econômico, dado que este mantém a prioridade de metas econômico-financeiras, que engessam o crescimento econômico e, principalmente, a distribuição de renda — e a ética na política — que inclui obrigatoriamente o orçamento participativo —, não conseguirá mobilizar de novo sua militância política, não conseguirá superar o isolamento social em que o partido se encontra. E aí terminará recaindo nos erros do passado recente: marqueteiros no lugar de campanha ideológica; gente paga no lugar da militância; alianças espúrias no lugar da construção de um bloco político e social coerente.
Em suma, o PT chegará a seu próximo aniversário com esses dilemas resolvidos ou será devorado por eles. O Brasil agradece a primeira alternativa e lamenta a segunda, porque o destino do país hoje está nas mãos do PT, aos seus 26 anos.

Emir Sader é cientista social e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Jantar do PT tem convites esgotados


Estão esgotados os mil convites colocados à venda para o jantar em comemoração aos 26 anos do PT, que acontece na próxima segunda-feira (13), em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o secretário de Finanças do partido, Paulo Ferreira, a comissão organizadora do jantar se reúne neste sábado (11) para decidir se confecciona um novo lote de ingressos, já que a procura continua grande.
A arrecadação com a venda dos convites (que tiveram valores de R$ 200, R$ 500, R$ 1.000, R$ 2.000 e R$ 5.000), será somada ao total obtido pela Campanha Militante de Arrecadação, que tem por objetivo o pagamento de dívidas partidárias.
Ferreira comemora a grande procura. “Esse interesse em participar do jantar revela a volta por cima do PT. Há um sentimento de que o que nos ocorreu no ano passado está sendo superado. As pessoas se convenceram de que foi um acidente de percurso e que estamos conseguindo dar a volta por cima”, afirma o dirigente, repetindo a frase impressa no logotipo dos 26 anos do partido.
Para Ferreira, o jantar representa um momento especial por combinar a recuperação da imagem e da credibilidade do governo Lula com a superação da crise que envolveu o PT.
“Ingressamos 2006 com uma unidade muito grande, seja pelo alto comparecimento de petistas no Processo de Eleições Diretas de 2005, seja pelas decisões consensuais que vêm sendo tomadas. O governo, por sua vez, vem apresentando resultados muito positivos, com os programas sociais de amplo alcance, com o aumento real de 13% do salário mínimo, com o crescimento recorde na criação de empregos. Tudo isso está acompanhado da unidade em torno da reeleição do presidente Lula”, diz.
Discursos e músicaO jantar em comemoração aos 26 anos do PT deve ser precedido de discursos do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, e do presidente Lula. O grupo musical brasiliense Casa de Farinha — formado por quatro cantoras — também fará uma apresentação. Ao final do jantar, as mesas e cadeiras darão espaço para uma pista de dança animada por um dj.
O evento está previsto para começar às 20h30 na AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil), em Brasília (CSES - trecho 2). Para adquirir o convite e obter mais informações, os interessados devem entrar em contato com Silvania ou Sheila, na sede nacional do PT no Distrito Federal - telefone (61) 3213.1313 ou pelo e-mail financbrasilia@pt.org.br.
Aviso de credenciamento de imprensa para jantar do PT em Brasília nesta segunda
Na próxima segunda-feira (13), às 20h30, o PT promoverá um jantar em comemoração aos 26 anos do partido. O evento, em Brasília, contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cerca de mil convidados.
A imprensa terá acesso ao momento em que serão proferidos os discursos previstos para a noite: do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, e do presidente Lula.
O Diretório Nacional do PT fará o credenciamento da imprensa no local do evento, entre 17h e 19h impreterivelmente. É necessário apresentar registro profissional e comprovante de identificação do veículo.
Será obedecido o seguinte critério por empresa:
Televisão: 1 repórter, 1 repórter cinematográfico e 1 auxiliar; Rádio: 1 repórter Jornal/Revista: 1 repórter e 1 repórter fotográfico; Agência de Notícias: 1 repórter e 1 repórter fotográfico.
Atenção: solicitamos às equipes de TV que montem seus equipamentos até às 19h da segunda-feira, impreterivelmente.
O jantar será na AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil), em Brasília (CSES - trecho 2).

Saturday, February 11, 2006




Jamais defraudaremos Fidel• Chanceler Felipe Pérez Roque percorre hospitais de campanhacubanos na zona norte do Paquistão

TEXTO E FOTOS DE JUVENAL BALÁN NEYRA — enviado especial

“JAMAIS defraudaremos Fidel!” Essa foi a convicção expressa ao ministro cubano das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, pelos colaboradores do Contingente Internacional Henry Reeve, que prestam ajuda solidária às vítimas do devastador terremoto de 8 de outubro passado, no Paquistão.
O chanceler cubano, acompanhado do major-general Usami, chefe dos Serviços Médicos do exército paquistanês e membro da Comissão Central de Emergência para a Crise, visitou os hospitais de campanha de Oghi e Jareed, bem como o de Rawalakot, na Caxemira, todos na região do desastre.
Acompanharam Felipe o vice-ministro primeiro do Ministério das Relações Exteriores de Cuba (Minrex), Bruno Rodríoguez; o embaixador cubano no Paquistão, Iván Mora; o funcionário do Minrex, Gustavo Machín, e Luis Oliveros, da diretoria do Contingente.
Em cada um dos lugares visitados, o chanceler cubano foi atendido por chefes militares de alta patente, que explicaram com detalhes a situação atual das vítimas do terremoto, bem como as medidas adotadas com vista a enfrentar o forte inverno, em meio de situações tão adversas.
Ao visitar o hospital de campanha de Oghi, no vale de Agrore, distrito de Mansehra, Pérez Roque estreitou a mão de cada um dos 74 colaboradores, se interessando pelas condições de vida, o lugar onde trabalham em Cuba, e parabenizou a ortopedista Ana María Machado, de Cienfuegos, que fazia anos nesse dia.
A doutora Denia Trujillo deu ao chanceler uma ampla informação sobre o trabalho feito pelo coletivo, a partir de 16 de novembro passado, data em que chegaram ao lugar. Já foram atendidos 29 900 pacientes, deles 9500 em visitas em campo, fizeram 70 intervenções cirúrgicas e salvaram 61 pessoas que chegaram ao hospital em estado grave.
Antes de partir de Oghi, Felipe expressou aos médicos e paramédicos cubanos: “Vocês estão demonstrando aqui que nossa Pátria é a humanidade e são exemplo dos valores com que temos sido formados pela Revolução: mensageiros da esperança e da vida”.
Num helicóptero MI-17, a comitiva sobrevoou a cidade de Balakot, lugar dessolado, onde a natureza descarregou todas suas forças. Poucos dias depois do desastre, lá foi instalado o primeiro acampamento dos médicos cubanos. Em Balakot existem na atualidade três hospitais de campanha atendidos pelo Contingente Henry Reeve.
Ao hospital de Jareed, situado na encosta da montanha, chegou a delegação ao meio-dia. O chanceler recebeu informação acerca de cada um dos serviços do hospital e escutou por parte dos médicos e especialistas anedotas, experiências, iniciativas, bem como conversou, na presença do último paciente operado, com o ortopédico Fidel Oporto Alvarez, da província de Matanzas, que fez 50 das 63 operações praticadas na instalação de campanha.
Junto do coletivo de Jareed, cantou parabéns à doutora Susel Cruz González, de Santa Clara, que fazia trinta anos nesse dia.
No hospital de campanha de Rawalakot, Felipe e seus acompanhantes foram atendidos pelo cirurgião José Jorge Rodríguez Carvajal. Ele informou que já tinham sido vistos 27 609 casos, deles 14 419 em visitas às comunidades distantes do acampamento. Fizeram 173 intervenções cirúrgicas, delas 53 complexas e salvaram 105 vidas.
Durante o percurso pelas instalações em Rawalakot, o chanceler cubano viu na consulta das mulheres uma doutora cubana conversando com uma paciente em urdu, a língua local, manipulando frases que tornavam mais fácil o diálogo paciente-médico.
Ao concluir o percurso pelos três hospitais de campanha cubanos, o major-general Usami elogiou a dedicação e o amor com que os médicos da Ilha longínqua desempenham seu trabalho, no mais intrincado da geografia paquistanesa.
O alto chefe militar disse que Cuba é um grande país, um grande povo e que não existem palavras suficientes para poder agradecer aqueles que deixaram suas famílias para vir ajudar sua pátria.
“Os cubanos tocaram o coração dos paquistaneses. Temos aprendido a querê-los e amá-los”, sublinhou, “e quando chegar a hora da despedida será difícil, para todos porque cada um de vocês fez um trabalho excelente”.
O major-general Usami informou que no Paquistão existem 44 hospitais de campanha e 32 deles são cubanos, o contingente de ajuda mais nutrido e profissional.
Na fim da tarde, Felipe Pérez Roque visitou o armazém central da logística do Contingente Internacional Henry Reeve, perto de Rawalpindi, e além de conversar com técnicos e médicos, se interessou pelo fornecimento dos medicamentos necessários para a ajuda, bem como as vitualhas entregues aos colaboradores.
Após uma longa jornada cheia de alegria e satisfação pela missão que se cumpre nesta terra, quando se lembra a foto de Che Guevara na entrada do hospital de campanha de Rawalakot, lembramos as suas palavras, que hoje nos guiam: “Que a dureza destes tempos não nos faça perder a ternura de nossos corações”.
Havana. 10 Fevereiro de 2006. *Granma Internacional

Um fato verdadeiramente vergonhoso


O acontecido no México, após as ordens dadas por Washington a um hotel radicado na Cidade do México, provoca diversos sentimentos, que abrangem desde a indignação até a compaixão.
Todo mundo sabe do acontecido: um grupo de funcionários cubanos ligados ao setor energético se encontrava no México com seus colegas dos Estados Unidos examinando com profissionalismo e seriedade, entre outros temas, as possibilidades de cooperação no ramo da exploração petroleira, o qual se faz há anos com diversos setores produtivos dos EUA, interessados em intercâmbios futuros com nosso país.
Tal encontro tinha sido acertado, em virtude do interesse expresso da parte norte-americana em conhecer o potencial da Área Econômica Exclusiva de Cuba no Golfo do México, e a disposição do governo de Cuba de não impedir a participação das empresas norte-americanas em negociações futuras a respeito do tema. A reunião é outra prova da atmosfera de respeito mútuo entre nosso país e os setores econômicos dos Estados Unidos, evidenciado em compras importantes de alimentos, avaliadas em mais de US$ 500 milhões anuais, que Cuba pagou à vista e sem um só minuto de atraso, questão que a administração dos Estados Unidos hoje quer impedir a qualquer custo.
Este evento, como noutras ocasiões, se realizava num hotel no México, pois o governo de Bush proíbe que viajem tanto os cubanos quanto os norte-americanos para o país de cada um deles, em virtude do bloqueio.
É sabido que a nacionalidade de uma subsidiária, como é o caso do hotel María Isabel Sheraton, é a do país onde foi constituída, independentemente da nacionalidade da casa matriz. Noutras palavras, uma entidade registrada no México, sob a legislação mexicana, é juridicamente uma entidade mexicana e se deve reger pelas leis do país ao qual pertençam seus acionistas ou proprietários das multinacionais. Isso tudo, além de ser legalmente irrefutável, possui um profundo teor prático, fundamentalmente, no contexto atual de um mundo globalizado, onde inúmeros acionistas estrangeiros podem possuir empresas em qualquer país.
Pondo o mesmo exemplo do México, que recebe quantias vultosas do investimento estrangeiro direto, seria bom perguntar-se o que aconteceria se todo país pretendesse aplicar suas próprias leis a suas subsidiárias que operam no México. É claro que, sob tais condições, se aplicariam às empresas as leis alemãs, a outras as francesas, a outras as japonesas, ou talvez, todas. Não se precisa de um grande raciocínio para chegar à conclusão de que isso tudo levaria a que o país que recebe o investimento estrangeiro, o México neste caso, caísse no mais absoluto caos, uma vez que teria que aplicar em seu território a lei de dez, vinte ou mais países com diversos sistemas jurídicos e culturas corporativas.
Todo esse assunto foi bem estabelecido e pode ser compreendido com clareza e ninguém o transgrediria, à exceção do governo de Bush, que, como dono do mundo, demonstra que não tem limite algum para seu arrogante poder imperial.
Os fatos confirmam isso: na sexta-feira 3, quando tinha terminado o primeiro dia de sessões de trabalho de ambas as delegações, a de Cuba foi informada pela administração do hotel mexicano de que o Departamento do Tesouro dos EUA lhe ordenou desalojá-la da instalação.
Pressupõe-se que o gerente do hotel considerou muito lógico e razoável o acontecido. Nem sequer hesitou, e mandou cumprir imediatamente a ordem recebida. Não se deteve a pensar um só instante em que um governo estrangeiro não tinha faculdade jurídica para dar tal ordem, e que, se houvesse qualquer problema a esse respeito, deveria ser resolvido sob os preceitos da lei mexicana.
Não se pode culpar o gerente do hotel. Ele agiu simplesmente com o raciocínio de um funcionário que está atuando direito. Ele nem sequer imaginou que tal ordem era impudica e abusiva para o povo mexicano e o mundo.
Talvez pensasse mesmo que, expulsando os funcionários cubanos do hotel, cumpria também a vontade do governo que, desfaçadamente, condena fervorosamente Cuba em Genebra, ano após ano, e fica calado estranhamente face às terríveis torturas que os Estados Unidos cometem diariamente contra prisioneiros indefensos que ficam sob sua custódia, em território cubano ocupado ilegalmente e à força por esse governo que a acusa de violar os direitos humanos.
Para tornar ainda mais humilhante tal ação, o império nem sequer se incomodou para informar as autoridades mexicanas. A ordem foi transmitida por um burocrata de turno do Departamento do Tesouro. Ao fim e ao cabo, a soberania de um país é uma ninharia e não era preciso incomodar um funcionário de maior categoria.
A porta-voz do Departamento do Tesouro, Brookly Mclaughlin, foi muito explícita. Num artigo publicado no The New York Times, em 7 de fevereiro, ha uma citação onde diz. "O hotel na Cidade do México é uma subsidiária norte-americana e portanto, é proibida de prestar serviços a Cuba ou a cubanos. Neste caso, somente estamos acompanhando nossos procedimentos comuns, aplicando a lei". Só faltou uma coisa a esclarecer, que com certeza não achou necessário, que ela estava se referindo à lei dos Estados Unidos.
Outro porta-voz, o do Departamento de Estado, Sean Mc Comack, segundo uma informação publicada no Estrella Digital, em 9 de fevereiro, fazia o seguinte depoimento: "Essencialmente, a lei estadunidense é aplicada a empresas dos Estados Unidos ou subsidiárias de grupos norte-americanos, sem importar onde elas estiverem". Não há prova mais contundente do menosprezo à soberania de outros povos do que esta.
A indignação no povo mexicano e em muitas de suas instituições não demorou. Organizaram-se manifestações populares de repúdio à grotesca ofensa. Os senadores dos principais partidos políticos reagiram com honra e decoro. O jornal La Jornada, em sua edição de terça-feira 7 de fevereiro, publica um artigo sobre o tema intitulado "A aplicação extraterritorial das leis dos Estados Unidos é inadmissível: Senadores!"
O artigo começava dizendo: "Senadores panistas (do Partido Ação Nacional –PAN); priístas (do Partido Revolucionário Institucional –PRI) e perredistas (do Partido da Revolução Democrática –PRD) exigiram, ontem, ao governo do presidente Vicente Fox uma reação diplomática enérgica à expulsão de funcionários cubanos do hotel María Isabel Sheraton, pois constitui uma violação dos artigos 1º, 14º e 16º da Constituição, e aliás, qualificaram de ‘vergonhoso’ permitir a aplicação extraterritorial das leis estadunidenses no México. ‘Isso é inadmissível e precisa de um esclarecimento imediato’, salientaram". Porém no meio de todo este clima de recusa unânime ao vexame recebido do Norte pela pátria de Juárez, que dizia e que fazia o governo do México?
Analisando as declarações do chanceler Derbez, a quem a imprensa internacional entrevistou, para conhecer a posição do governo mexicano sobre tão conhecido escândalo, não pode menos que se experimentar uma estranha mistura de perplexidade e quase um sentimento de lástima.
Em suas primeiras declarações na Europa, onde estava realizando uma turnê por vários países, reconhecia, segundo a AFP, em 7 de fevereiro, que a lei não pode ter nenhuma aplicação extraterritorial, mas apressou-se a acrescentar: "o que nós faríamos, não com o governo dos Estados Unidos porque eles têm sua legislação, mas sim com aquele que a aplica de maneira errada, seria aplicar a sanção correspondente".
Traduzido a uma linguagem direta e clara o que está admitindo com a mais assombrosa indolência é que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos pode dar ordens a empresas que operam no México; e dado o caso que o tema saia à luz pública e não fique mais outra alternativa que tomar alguma ação para acalmar os ânimo, então a empresa que acatou a ordem contra a honra e a dignidade do México, será castigada.
Segundo a mesma informação da AFP, a porta-voz da cadeia proprietária do hotel, Ellen Gallo, contradizia em Nova York o ponto de vista do sr. Derbez ao assegurar, com toda a razão, que se tratava "de um tema entre dois governos".
Outra manchete do jornal mexicano La Jornada, de 8 de fevereiro, publicava outra insólita frase do Secretário das Relações Exteriores do México: "O hotel Sheraton será sancionado sem enviar queixa alguma a Washington"; e o órgão de imprensa acrescentava: "Luis Ernesto Derbez Bautista, que está em Londres, no último ponto de sua turnê de duas semanas pela Europa, rejeitou que a decisão do Hotel Maria Isabel Sheraton de desalojar uma delegação de funcionários cubanos de suas instalações seja uma violação da soberania nacional".
Na medida em que a indignação interna crescia, o governo mexicano era alvo de fortes pressões para adotar uma posição mais enérgica perante tal afrenta à nação educada no exemplo das crianças heróis de Chapultepec e de todos os que lutaram por preservar os mais altos valores do glorioso povo mexicano.
O chanceler Derbez agia inseguro e indeciso. Em 8 de fevereiro, o jornal mexicano El Universal deixava constância das tribulações do ministro, num artigo intitulado: "Secretaria das Relações Exteriores ajusta posição perante os Estados Unidos pela expulsão de cubanos". O mencionado jornal informava: "O governo do México examina o envio de uma nota diplomática de protesto aos Estados Unidos devido à expulsão de uma delegação de cubanos do hotel María Isabel Sheraton, informou o chanceler Luis Ernesto Derbez, que advertiu que o Governo Federal não permitirá que nenhuma lei do estrangeiro tenha vigência sobre as nacionais.
"Numa entrevista radiofônica, o chanceler disse que o governo mexicano, através do subsecretário para a América do Norte, Jerónimo Gutiérrez, contatou com o governo estadunidense para averiguar de maneira precisa e concreta o incidente. Ele (subsecretário) trará a informação para que decidamos se corresponde ou não apresentar queixa ao governo dos Estados Unidos.
"Contudo, em menos de quatro horas, Derbez mudou sua posição, pois numa entrevista coletiva em Londres, que antecedeu a uma entrevista radiofônica, assegurou que o incidente não precisava do envio de uma nota diplomática a Washington, porque o hotel Maria Isabel Sheraton atuou indevidamente, enquanto o Departamento do Tesouro, justificou, só deu indicações.
"Também garantiu que os Estados Unidos não violaram a soberania mexicana ao pedir à empresa a aplicação de uma lei estadunidense."
Uma manchete mais recente, nesta oportunidade do jornal La Jornada, de 9 de fevereiro, oferecia declarações novas e ainda mais raras: "Pedido verbal aos Estados Unidos para que reveja a aplicação extraterritorial de leis: Derbez".
É curioso constatar que, inclusive, um tímido "pedido verbal" para que os Estados Unidos "revejam" a aplicação da Lei dos Estados Unidos no México era acompanhado de uma explicação na qual ficava claro que o único culpado era o hotel por todo o acontecido, e se mostrava especial complacência com o governo de Bush ao deixar patente de que "as relações com os Estados Unidos são, em termos gerais, muito positivas". Mais para a frente, o chanceler Derbez culpava a imprensa de "armar escândalos sobre este tema". E acrescentava, como para que não ficasse nenhuma dúvida da extrema delicadeza com que fazia seu "pedido verbal" a Washington: "Comunicamos verbalmente ao Departamento de Estado que nos parece que eles deveriam rever esta territorialidade (de suas leis)".
Realmente, se algo faltou nestas declarações, foi pedir humildemente desculpas pela terrível moléstia que significa para o Departamento de Estado dedicar uns minutos de seu ocupadíssimo tempo para escutar alguém que "acha" que se "deveria" rever a não-aplicação das leis dos Estados Unidos em seu próprio país.
Posteriormente, se falou de fechar o hotel, porém devemos esclarecer que as causas que se aduzem para ameaçar de tomar esta medida são de caráter meramente administrativo, como por exemplo que o hotel ocupou três mil metros quadrados de terreno sem permissão, que opera dois bares sem licença e não possui saída de emergência.
Como se pode constatar, nenhum destes motivos tem a mínima ligação com o problema essencial: o fato de que porta-vozes do Estado expansionista que ontem arrebatou ao México mais da metade de seu território, declarassem que as empresas mexicanas com participação de entidades estadunidenses tenham que cumprir no México as leis dos Estados Unidos e atuaram draconianamente, segundo essa prerrogativa assumida por eles próprios.
As avaliações sobre este acontecimento podem ser muito variadas, mas como disse Martí: "há um cúmulo de verdades essenciais que cabem na asa de um beija-flor e são, contudo, a chave da paz pública, da elevação espiritual e da grandeza pátria".
Da nossa óptica martiana, sentimos uma enorme pena pelo acontecido que expressa até que ponto os Estados Unidos arrogam o direito de ignorar o governo e o povo mexicanos e atuar impunemente com absoluto desrespeito à grandeza dessa nação irmã e entranhável.
Por Nelson Breve
10 de fevereiro de 2006
O filme "Boa Noite e Boa Sorte" mostra que o macartismo não é só uma atitude anticomunista, é um distúrbio perigoso para a democracia, pois atropela o processo e inverte a responsabilidade, com a disseminação irresponsável de acusações irresponsáveis.
Na entrevista que concedeu à revista Caros Amigos, no fim do ano passado (publicada na edição de Janeiro), o ex-ministro José Dirceu disse que o país está vivendo uma fase macartista. Quem estranhou a referência dele não pode deixar de assistir ao filme "Boa Noite e Boa Sorte" (Good Night and Good Lucky), de George Clooney, lançado na semana passada no circuito nacional de cinema.

O filme conta como o jornalista Edward R. Murrow, âncora de um programa da Rede CBS, enfrentou o senador Joseph McCarthy, político que transformou uma Comissão de Investigação do Congresso dos Estados Unidos (Comitê de Atividades Antiamericanas) em palco de uma campanha anticomunista falaciosa, baseada em acusações levianas, usadas para constranger e desmoralizar milhares de cidadãos norte-americanos ou estrangeiros, na década de 1950.

Para dicionários da língua portuguesa, "macartismo" - ou "macarthismo" - é uma atitude anticomunista radical. O filme de Clooney mostra que se trata de um distúrbio muito mais complexo e perigoso para as democracias. A disseminação irresponsável de acusações irresponsáveis é um atentado aos direitos humanos. "Era uma época triste, em que bastava alguém ser suspeito para que fosse condenado", lembrou Clooney nas entrevistas concedidas para promover o filme.

Foi mais do que isso. Foi uma época na qual era perigoso divergir da opinião e das atitudes de quem tinha o poder de espalhar acusações (e até insinuações) por intermédio da mídia. Era uma época em que a imprensa publicava o que lhe caía nas mãos, sem questionar a fragilidade de denúncias, a falta de consistência das evidências alegadas. "Se o senador Álvaro McCarthy afirma, nós publicamos na primeira página". Sem questionar seus interesses. Afinal, ele tem acesso a informações que podem alavancar a carreira de um jornalista.

Em determinada cena do filme, um assessor do senador McCarthy aparece tentando "plantar" na imprensa a versão de que Murrow fora comunista na juventude e ainda teria relações com os "vermelhos". O mesmo dossiê que chega às mãos do repórter, chega ao dono da emissora de TV. A "prova" mais consistente apresentada é que um intelectual comunista europeu dedicou um livro ao jornalista da CBS, que tinha conhecido durante a guerra.

Isso me chamou a atenção porque no ano passado percebi esse mesmo tipo de comportamento nas CPIs do Congresso Nacional, que deveriam investigar fatos determinados, mas transformaram-se em amplificadores de qualquer denúncia que possa desgastar o governo Lula. Pessoas com acesso a documentos sigilosos da CPI dos Correios entregaram aos jornalistas uma relação de empresas e entidades que teriam depositado quantias sistemáticas de R$ 2 mil a R$ 3 mil na conta bancária do então deputado José Dirceu.

Em circunstâncias normais de temperatura e pressão políticas, ninguém daria crédito a uma tolice daquelas. Mas, no calor do denuncismo, com dólar na cueca e deputado sacando dinheiro do caixa-dois com a identidade parlamentar, tudo parecia plausível. Para alguns jornalistas, bastou a palavra do deputado (que transmiti como seu assessor de imprensa na época) de que os créditos eram os proventos recebidos da Câmara dos Deputados, seu salário parlamentar.

Mas o macartismo não se contenta com a palavra de quem está na berlinda. Ele atropela o processo e inverte a responsabilidade. Se fulano está sendo acusado, é porque tem culpa. Se tem culpa, qualquer coisa serve para justificar a condenação. E todo mundo quer colocar seu tijolo na sepultura.

Com exceção de um ato falho do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) - disse que o Banco do Brasil tentava desmoralizar os parlamentares enviando documentos com erros para eles "divulgarem" -, os integrantes da CPI jamais falaram abertamente sobre os tais lançamentos estranhos na conta de José Dirceu. Mas instigaram a imprensa o tempo todo. A cada semana, um jornalista vinha com o assunto.

O paradoxo é que muitos não acreditavam, e para evitar a publicação de uma informação falsa tivemos de provar, com documentos oficiais da Câmara e do Banco do Brasil, que os créditos eram o salário dele. Mesmo assim, teve gente que publicou ou mencionou em telejornal como algo estranho.

Vejam o absurdo. O denunciado não sabe quem o está acusando e a base da acusação é totalmente falsa. Mas ele é coagido a gastar boa parte do seu tempo reunindo provas de que é inocente. Se não fizer isso, vai aparecer nas manchetes como culpado. Isso está acontecendo de forma generalizada na política e na imprensa brasileira. E vale tanto para as denúncias contra petistas, como para a lista de Furnas.

Esses atentados aos direitos fundamentais ficam bem claros em "Boa Noite e Boa Sorte". Seja quando o senador Efraim McCarthy estranha o fato de uma senhora ser promovida da lanchonete do Pentágono para o setor que distribui documentos ou quando o tenente da Força Aérea é enquadrado na Lei de Segurança Nacional porque o pai dele assinava um jornal sérvio (da Iugoslávia comunista). Este, aliás, foi o pretexto para que Murrow, um jornalista identificado como herói por suas transmissões de rádio na Segunda Guerra Mundial, tomasse a iniciativa de enfrentar o poderoso senador americano, a direção da emissora e os anunciantes de seu programa (See It Now).

O oficial foi reincorporado à Força Aérea depois das reportagens que revelaram as arbitrariedades. Murrow se transformou em uma espécie de Zola moderno. No fim do século XIX, o escritor francês enfrentou a opinião hegemônica de seu país para defender o capitão Alfred Dreyfus, condenado injustamente por traição. "Sou fã de Murrow e dos discursos que ele fazia no programa dele desde pequeno. Guardo o incidente entre Murrow e McCarthy, e o período em que ele ocorreu, porque é um dos poucos momentos da história da TV americana que pode ser indicado como exemplo de como o jornalismo pode mudar o mundo e a cabeça das pessoas. McCarthy permaneceu intocável até que Murrow o enfrentou. Um momento em que se tinha que ser corajoso", analisou George Clooney em entrevista ao jornal Valor.

No início deste ano, a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, anunciou o lançamento do Programa Edward R. Murrow de bolsas em Jornalismo, que levará cem jornalistas de todo o mundo aos Estados Unidos para estudo e treinamento. Não faço idéia do que possa estar por trás dessa iniciativa, mas ela mostra que nadar contra a corrente é também um caminho para fazer a história ou alcançar a glória - ambições que antigamente estimulavam carreiras jornalísticas.

Os jornalistas e políticos brasileiros, especialmente de Brasília, não podem deixar de assistir "Boa Noite e Boa Sorte" (exibido na capital federal nas salas da Academia, Cinemark e Pakshopping). E devem prestar atenção na citação de Shakespeare, que Murrow usou para se contrapor a McCarthy. Quando a Era de Escândalos terminar, será muito educativo refletir sobre as palavras de Júlio César: ''Os homens, em certos momentos, são senhores de seus destinos. A culpa (ou o erro), caro Brutus, não está nas estrelas, mas em nós mesmos".


Friday, February 10, 2006

ENTREVISTA COM JOSÉ DIRCEU.



“A chave da próxima eleição presidencial é o PMDB. Se Lula e o PT tiverem cabeça, se aliarão ao PMDB para vencer e governar depois”, aconselha o ex-ministro da Casa Civil da presidência da República e ex-deputado José Dirceu de volta a Brasília e à política.

Durante dois dias, despachou com ministros, senadores, deputados e representantes de movimentos sociais. Ao todo foram 15 reuniões. A pedido do PT local, fez uma palestra de três horas para seus militantes na noite da última quarta-feira.

Na manhã de ontem, embarcou para o Rio de Janeiro. Passará o fim de semana em São Paulo ocupado com mais reuniões.

“O PT tem dois bons nomes para o governo de São Paulo, a Marta Suplicy e o Aloizio Mercadante. Mas eu, pessoalmente, estou engajado na campanha da Marta”, revela descontraído enquanto desfruta um charuto cubano refestelado em uma mesa de canto restaurante Piantella.

“Na capital, 70% do meu pessoal apóiam a Marta. No interior, 70% apóiam o Mercadante. Qualquer um deles será um bom governador.” O PT não governa Estados importantes.

É por isso que Dirceu defende a idéia de o PT apoiar candidatos do PMDB aos governos de nove Estados em troca do apoio do PMDB à reeleição de Lula.

- Podemos apoiar candidatos do PMDB em Estados como Amazonas, Pará, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo Goiás, Paraná e Santa Catarina, pelo menos. Mas será que o PT estará disposto a se entender com Jader Barbalho no Pará, por exemplo? E com Maguito Vilela em Goiás? – indaga Dirceu.

Ele identifica, pelo menos, duas fortes razões para que o PT se junte ao PMDB. A primeira: “Nenhum partido elegerá mais de 100 deputados federais”. Nas contas do ex-ministro, o PT na Câmara, que soma 90 deputados, deverá ficar 20% menor. Portanto, “para governar será preciso fazer alianças, mas alianças de verdade”.

Segunda razão: “O DNA do PMDB é desenvolvimentista e nacionalista, muito parecido com o nosso”, considera Dirceu. “O PSDB não tem nada disso. Ele hoje expressa o pensamento e as posições dos setores mais conservadores da sociedade”.

Dirceu aposta que o PMDB não realizará as prévias marcadas para escolher em 19 de março seu candidato à sucessão de Lula
– Garotinho ou o governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul. Mas se realizar, acredita que mesmo assim e até junho o PMDB anunciará seu apoio a Lula.

“Só dependerá de duas coisas: de Lula continuar crescendo nas pesquisas de intenção de voto e da competência dele e do PT para fechar a aliança”, imagina Dirceu. Uma vez que isso ocorra, o PT será obrigado “a compartilhar a coordenação da campanha de Lula com o PMDB e com os demais partidos aliados”.

- Se Lula atrair o apoio do PMDB, um terço de sua reeleição estará resolvida – decreta Dirceu. “E para mim, nada é mais importante do que a reeleição de Lula. Nada”.

No momento, o ex-ministro calcula que o eleitorado se distribua mais ou menos assim: 40% inclinados a votar em Lula e 40% em José Serra. Dirceu parece convencido de que a eleição “será decidida no primeiro turno”. Não está tão certo, porém, de que o adversário de Lula será o atual prefeito de São Paulo.

“As elites preferem Geraldo Alckmin. Elas temem Serra. E até serão capazes de preferir Lula porque já o conhecem e sabem que ele é um caminho seguro”, especula. “A Rede Globo, por exemplo, é contra o impeachment e a reeleição. Mas para evitar Serra, ela poderá ficar com Lula”.

Apesar de ser de esquerda, Lula “é um político por natureza conservador”, testemunha Dirceu. “Eu, por exemplo, sou da esquerda moderada. Tem muitos radicais no PT. Mas Lula, não. Ele é conservador. E entre uma opção com risco e outra sem, ele sempre ficará com a segunda. É o jeito dele. Tem a ver com a origem social dele”, admite.

“Nos idos de 70, um metalúrgico do ABC paulista tinha uma casa na cidade, um pequeno sítio e um carro. Eu, que era da classe média, não tinha nada disso. Morava de aluguel. E o aluguel era pago por minha mulher”.

De certa forma, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está empenhado em “ajudar a reeleição de Lula”, confere Dirceu. “Desconfio que ele se filiou ao PT. Porque o que ele anda dizendo contra o governo só beneficia Lula”, ironiza.

*Blog do Noblat.
BARBARA GANCIA PEDE DESCULPAS AO EX DEPUTADO DIRCEU

Errei
Devo desculpas a José Dirceu. Na semana passada, reproduzi neste espaço uma informação -assinada por um colega com quem já trabalhei e que julgava ser um jornalista responsável-, dizendo que o ex-deputado teria comprado uma moto Harley-Davidson V-Rod, no valor de R$ 90 mil. Dirceu não comprou a Harley e não sabe dirigir motos.

Thursday, February 09, 2006





É em ritmo de carnaval que, em 2006, avança a solidariedade e a consciência latino-amaericana, com a Venezuela: presente!

Banda Cubana ao vivo SONORA HABANERA+ DJ TUTUESPECIAL: músicas cubana de carnaval
Bebidas & Comidas Típicas DA GRANDE ILHA DO CARIBE

Sorteio de Mimos RUMCHARUTOSCDSLIVROSCAMISETAS
couvert artístico R$ 5

Rua Medeiros de Albuquerque, 471 Vila Madalena - Tel.: 3813-6814

Wednesday, February 08, 2006

Rancor e inveja movem FHC, afirma Ciro.


O Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira (8) que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) "é movido pelo rancor e pela inveja" e que o comportamento dele é pior do que o do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o que acaba favorecendo Lula e prejudicando a oposição.
Para Ciro, FHC deveria "guardar o recato e a elegância de todos os ex-presidentes, inclusive o de Fernando Collor".
O ministro fez suas declarações na pista do aeroporto internacional de Argel, capital da Argélia, logo ao desembarcar com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou ao país nesta manhã.
Ciro afirmou que durante as 10 horas de viagem de Brasília à Argélia, Lula não comentou com a comitiva as críticas de FHC, mas lembrou que meses atrás o presidente havia comparado os políticos tucanos a "ex-maridos que não suportam ver a ex-mulher feliz com outro".
"Fernando Henrique deveria pensar duas vezes antes de falar", declarou Ciro Gomes. "Os padrões éticos no governo dele não resistem a uma comparação com nenhum dos anteriores, se o critério for o grau de lesão aos cofres públicos", disse o ministro, numa referência aos processos de privatização.
"Fernando Henrique precisa controlar a inveja e o rancor, manter o recato e a elegância com que se comportam todos os ex-presidentes. Veja, por exemplo, o comportamento do ex-presidente Fernando Collor."
Segundo Ciro, as críticas de FHC acabam sendo benéficas para o governo Lula. "Temos pesquisas mostrando que, mesmo entre os segmentos que se decepcionaram com nosso governo, ninguém tem saudades dele. Com esse comportamento, ele acaba puxando o debate para um lado que nos favorece."
"Tenhos amigos no PSDB e no PFL que estão incomodados com essa atitude, porque ele desqualifica o debate e ocupa os espaços."
Além de Ciro Gomes, estão na comitiva do presidente os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, Saraiva Felipe, da Saúde, Silas Rondeau, de Minas e Energia, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Agnelo Queiroz, de Esporte, e Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Depois da visita à Argélia, Lula irá a Benin, Botsuana e encerra a viagem na África do Sul. Essa é a quinta visita do presidente ao continente africano.

As informações são da Agência Reuters
Valério pagou empresa por serviço a Azeredo

RUBENS VALENTE da Folha de S.Paulo


A área técnica da CPI dos Correios detectou que as empresas do publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza pagaram R$ 1,4 milhão para um empresário mineiro que prestou serviços na reta final da campanha de reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais em 1998.O empresário José Vicente Fonseca confirmou ter sido contratado em 1998 "pelo PSDB" por meio do então tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão. O objetivo do contrato seria "alocar mão-de-obra" para a campanha.Os repasses ao empresário José Fonseca são a primeira evidência de um pagamento direto de Valério para a campanha do senador.Além de fornecedor, Fonseca também foi doador da campanha tucana. Disse ter contribuído oficialmente, com registro na Justiça Eleitoral, "com cerca de R$ 700 mil" por meio da empresa Sertec, a mesma que foi contratada por Mourão com recursos de Valério.Fonseca disse não saber o motivo pelo qual os depósitos em sua conta pessoal têm como origem as empresas DNA Propaganda e SMPB Comunicação no Banco Rural, e não a conta da campanha de reeleição do então governador."Eu só chego à conclusão de que esses depósitos deveriam ter sido feitos na conta da empresa. Se eles não foram feitos, e fizeram na minha conta de pessoa física, é porque ou eles não entendem de contabilidade ou porque pensavam em não contabilizar", disse.Segundo o empresário, os recebimentos foram registrados na contabilidade da Sertec.Fonseca disse que seu grupo tem 15 mil empregados e faturamento médio anual de R$ 160 milhões. Suas empresas têm contratos com a Prefeitura de Belo Horizonte, administrada pelo PT, com o governo estadual, gerido pelo PSDB, e com a Câmara dos Deputados, em Brasília.Azeredo informou, por meio de sua assessoria, que desconhecia o assunto e que Mourão era o responsável pelas finanças da campanha. A lei 9.504/97, já em vigor na época da disputa de 98, prevê, no artigo 21, que "o candidato é o único responsável pela veracidade das informações financeiras e contábeis de sua campanha".Os quatro depósitos para Fonseca ocorreram no final da campanha de 1998, num curto espaço de tempo --embora o empresário alegue ter trabalhado durante "dois ou três meses" na campanha eleitoral.O primeiro repasse da conta da SMPB Comunicação ocorreu no dia 30 de setembro de 1998, no valor de R$ 653,5 mil. Um dia depois, ocorreram dois depósitos, um de R$ 40 mil, da DNA, e outro de R$ 607 mil, da SMPB. Em 7 de outubro, dois dias depois do final da campanha, entraram mais R$ 100 mil da SMPB na conta pessoal de Fonseca.A prestação de contas da campanha de Azeredo apontou uma arrecadação oficial de R$ 8,5 milhões, segundo a declaração entregue ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral).No decorrer do escândalo do "mensalão", contudo, as investigações da CPI dos Correios e da Polícia Federal apontaram a existência de um caixa dois de pelo menos R$ 9 milhões na campanha de Azeredo formado por recursos das empresas de Valério. Ele tomou empréstimos no Banco Rural e os repassou à campanha de Azeredo --a exemplo do que viria a fazer, a partir de 2003, com a direção nacional do PT. Uma lista investigada pela PF diz que o caixa dois pode ter sido ainda maior, de R$ 91,5 milhões. Valério e Mourão confirmaram a prática de caixa dois.

Tuesday, February 07, 2006

Da coluna Gente Boa *o Globo -Joaquim Ferreira dos Santos.


ex-ministro José Dirceu nega que tenha comprado uma Harley-Davidson.



Caríssima Isabel,


Acabamos de lançar pela Editora Annablume um livro intitulado: Planejamento Educacional, Neopatrimonialismo e Hegemonia Política (RN, 1995-2002). Tendo como referência os conceitos de patrimonialismo e de burocracia racional-legal, originários do arcabouço teórico de Max Weber e incorporados à realidade brasileira por Raymundo Faoro e Simon Schwartzman, o livro procura analisar as práticas neopatrimoniais no serviço público brasileiro, em particular no sistema educacional. Em razão do quadro conjuntural brasileiro atual, o tema focado se torna bastante providencial.

O livro pode ser comprado pelo site da editora: www.annablume.com.br

Gostaria que você divulgasse junto aos seus contatos este livro



Abraços fraternos,

Carlos.

Monday, February 06, 2006

06/02/2006 - PT entrará com ação na Justiça contra FHC * PT Notícias



O Partido dos Trabalhadores vai entrar com uma ação na Justiça contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em entrevista à revista IStoÉ desta semana, fez declarações injuriosas, caluniosas e difamatórias.



O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, explica que será uma ação por delito contra a honra dos petistas e difamação do partido.



O ex-presidente FHC afirmou à revista que “a ética do PT é roubar” e que o presidente Lula “é omisso com a corrupção”.



“Essas declarações demonstram o desespero de um cidadão que foi durante oito anos presidente de um país e que, hoje, consultadas as pesquisas, não teria a menor chance de se eleger”, afirmou Berzoini.



“Sua vaidade é tão grande que, tendo recebido [o banqueiro] Daniel Dantas [do Opportunity], de madrugada, no Palácio do Planalto, sem nunca ter explicado à nação o motivo, agora tenta dar lições de moral a um partido que está enfrentando com dignidade as suas dificuldades”, continuou Berzoini.



A assessoria jurídica do PT está elaborando o documento e, portanto, ainda não há data definida para ingressar com a ação na Justiça.

MEMÓRIA: Confira os principais escândalos do governo FHC

Líder petista diz que declarações de FHC são “irresponsáveis”

Thomaz Bastos: "Indignação de FHC é seletiva"

Sunday, February 05, 2006

“Caixa dois de Furnas tem recibos”, garante deputado mineiro
Por Marcos Palhares [3/2/2006] *Revista Forum

O deputado mineiro Rogério Correia (PT-MG) garantiu, com exclusividade para a Fórum, que existem recibos de políticos beneficiados com dinheiro desviado da estatal elétrica Furnas, em 1998, para financiamento de campanhas. “Uma fonte que não posso revelar aqui – mas contei seu nome à Polícia Federal - chegou a ver meia-dúzia de recibos originais. Informei à PF sobre a existência desses recibos assinados”, dispara o parlamentar.

A denúncia foi feita em dezembro do ano passado, quando Correia entregou à PF, em Brasília, a cópia de uma lista supostamente assinada pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, em papel timbrado, com os nomes de todos os doadores e beneficiados dos R$ 39,9 milhões destinados a 156 campanhas políticas, em vários estados.

O deputado mineiro disse à PF que chegou a ter o original desse documento em mãos. Desde dezembro, cópias da lista vazaram na internet e o assunto chegou timidamente à mídia. Na última quarta-feira, porém, o ex-deputado federal Roberto Jefferson confirmou em depoimento na sede da PF que recebeu R$ 75 mil de Furnas na campanha de 1998, exatamente como relatado no documento.

Na entrevista a seguir, o deputado Correia conta como teve acesso ao documento e detalha todo o processo que culminou em sua denúncia à Polícia.

Fórum – Como o senhor teve acesso ao documento que supostamente comprova o caixa dois em Furnas?

Rogério Correia – Tive acesso por meio do Nilton (Monteiro, lobista), que me trouxe duas denúncias. Isso aconteceu mais ou menos em agosto do ano passado. Ele me procurou depois que o escândalo das denúncias contra o Marcos Valério estourou. Aqui em Minas Gerais nós sempre soubemos da arrecadação ilícita de dinheiro para as campanhas do PSDB via DNA e SMBP, as empresas do Valério. A gente sabia da relação entre eles, mas faltavam provas. Na época em que o escândalo estourou, mais ou menos em junho de 2005, cheguei a propor uma CPI aqui na Assembléia para averiguar a influência dessas empresas do Valério nos órgãos públicos municipais, estaduais e federais. Era de nosso interesse e competência, pois o Marcos Valério e suas empresas são daqui de Minas e a própria Assembléia tinha contrato com elas (que já foi cancelado). Porém, não conseguimos as 26 assinaturas necessárias para instalar a CPI. Dos 77 deputados, 52 são ligados ao governador Aécio Neves.

Fórum – Foi então que o Nilton Monteiro se aproximou?

Correia – Sim. A mídia noticiou a derrota da CPI e o Nilton me procurou dizendo que tinha denúncias graves sobre o assunto. Ele não me disse tudo de uma vez, foi revelando aos poucos. Na época, fez uma primeira denúncia ao jornal O Globo, mostrando DOCs da SMBP para políticos em 1998, o que comprometeu o senador Eduardo Azeredo e todo o PSDB mineiro. Por isso resolvi dar atenção ao que o Nilton dizia e, ao mesmo tempo, aprofundar as investigações por conta própria. O Nilton levou um documento à Polícia Federal mostrando o esquema do Azeredo em 1998, assinado pelo Cláudio Mourão, tesoureiro de campanha. Eles declararam R$ 8 milhões como custo oficial da campanha do Azeredo, mas na realidade foram R$ 100 milhões. Ou seja: foram R$ 92 milhões de caixa dois. O Mourão disse que o Nilton tinha falsificado a assinatura dele, mas a PF confirmou a autenticidade da assinatura e continua investigando o caso.

Fórum – Foi comprovado o envolvimento das empresas do publicitário Marcos Valério nesse esquema?

Correia – Dos R$ 92 milhões não declarados, R$ 53 milhões teriam vindo das empresas do Marcos Valério. Desses R$ 53 milhões, a SMBP teria captado R$ 10 milhões dos cofres públicos, de empresas como a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), a Comig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) e a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). Fiz um ofício para saber da Cemig se havia algum repasse para a SMBP e a resposta confirmou um repasse, a título de propaganda, exatamente na data e no valor, R$ 2 milhões, que estão descritos no documento apresentado pelo Nilton à Polícia. Quando fomos ver as notas, eram frias. A gráfica que as imprimiu era de um amigo do Cláudio Mourão, mas registrada em nome de um laranja. Os outros R$ 8 milhões foram captados via Copasa e Comig, destinados ao “Enduro da Independência”, um evento de motocross promovido pelo Governo do Estado. O superfaturamento desse evento, inclusive, é motivo hoje de uma ação do Ministério Público que já está no Supremo Tribunal Federal. Então, essas coisas foram batendo, a partir dos primeiros documentos apresentados pelo Nilton Monteiro.

Fórum – Foi então que o senhor teve acesso ao documento que detalha o desvio de verba de Furnas?

Correia – A partir de setembro do ano passado, acumulei muitos documentos e fui entregando ao Ministério Público, pedindo investigação. Não estou autorizado a revelar quem me mostrou, mas, nesse período, vi o original da lista de Furnas, assinada em papel timbrado pelo ex-diretor da estatal, Dimas Toledo, detalhando valores e nomes de todos os doadores e beneficiados pelo desvio de verba para financiamento de campanhas, em 1998. Porém, não pude fazer cópia. Uma outra fonte que também não posso revelar aqui - mas contei seu nome à PF - chegou a ver meia-dúzia de recibos originais de políticos beneficiados por esse caixa dois. Informei a Polícia Federal sobre a existência desses recibos assinados.

Fórum – Foi então que o senhor levou essa denúncia à Polícia Federal?

Correia – Sim. Em dezembro, começaram a circular na internet cópias daquele documento de Furnas. Tirei uma cópia e levei até a PF, em Brasília. Disse que era um xerox, mas que eu tinha visto o original, e comentei sobre os recibos. Disse que merecia averiguação, por causa da perícia que confimou como verdadeira a assinatura do Cláudio Mourão no documento sobre o caixa dois de Azeredo. E agora vem o Roberto Jefferson e diz que recebeu R$ 75 mil de Furnas, exatamente como relata a lista assinada por Dimas Toledo.

Fórum – Por que Dimas Toledo registraria e assinaria, em papel timbrado de Furnas, todos os detalhes do desvio de verba em 1998?

Correia – O Dimas sempre foi, no governo FHC, um dos principais inimigos do PT e do Lula em Minas Gerais. Quando o Lula ganhou, em 2002, houve uma campanha muito forte da base do PT mineiro para que ele saísse da direção de Furnas. Naquela eleição, ele tinha eleito seu filho deputado estadual, Dimas Fabiano, com uma campanha riquíssima. Sem nenhuma base popular, o filho dele foi o segundo deputado mais votado. Então, já havia indícios de que Furnas estava servindo para financiar campanhas. Mas aí o Lula assumiu e o Itamar Franco demonstrou interesse na estatal. O governador Aécio Neves fez enorme pressão e conseguiu que Dimas ficasse em Furnas. As perguntas que ficaram foram as seguintes: por que Itamar queria tanto controlar a estatal e por que o governo Lula permitiu que o Dimas ficasse no cargo? Mas, voltando à sua pergunta, eu penso que o Dimas fez esse documento e guardou para se proteger. O Roberto Jefferson disse essa semana que metade dos nomes que aparecem na lista do caixa dois pediram para o Dimas não sair de Furnas quando o Lula assumiu. Isso significa que já havia muita gente amedrontada. Na análise que faço, o Dimas fez esse documento para se proteger. Afinal, por que a CPI nunca o chama para depor? Porque os tucanos não têm interesse nenhum.

Fórum – E onde está esse documento original da lista de caixa dois de Furnas?

Correia – Não sei. O Nilton me disse que conseguiu com um ex-advogado do Dimas e que devolveu o documento. E ele disse que esse advogado já morreu. Não tenho mais contato com ele, mas creio que a Polícia Federal já deve ter outras confirmações, pois perguntou sobre o assunto para o Roberto Jefferson. Vamos esperar, agora, que a PF e o Ministério Público investiguem até o fim. Porque não acredito que o Congresso Nacional vá fazer isso.

Carceroni: documento explosivo


Exclusivo: os bastidores da divulgação do suposto caixa dois em Furnas
Por Marcos Palhares [2/2/2006] * Revista forum


Desde o início do ano repercute na mídia, ainda que de forma tímida, a suspeita de arrecadação ilegal de recursos para campanhas eleitorais por meio da estatal de energia Furnas Centrais Elétricas, em 2002. Ao todo, R$ 39,9 milhões teriam financiado 156 campanhas políticas em vários estados. Tudo está detalhado em um documento assinado em 30 de novembro daquele ano pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo.

O relatório traz, em cinco páginas, os nomes das principais empresas e instituições doadoras e de todos os beneficiados, bem como os valores que teriam sido pagos a cada um nos dois turnos das eleições. Em anexo, Fórum recebeu também um laudo de duas páginas feito em outubro do ano passado pelo perito Ricardo Molina, de Campinas, atestando que “o documento não apresenta indícios de manipulação fraudulenta”.

Porém, mesmo considerando que a veracidade do documento ainda não foi confirmada, a timidez na cobertura jornalística pode ser explicada, em grande parte, pelos nomes ilustres que constam na lista de possíveis beneficiados. Constam na lista tucanos de alta plumagem como José Serra (R$ 7 milhões), Geraldo Alckmin (R$ 9,3 milhões) e Aécio Neves (R$ 5,5 milhões).

Assim como no caso do Valerioduto, a denúncia teve origem em Belo Horizonte. Durante uma visita à Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em dezembro, o ex-procurador do Procon e atual assessor da Administração Regional Oeste da Prefeitura de Belo Horizonte, Luiz Fernando Carceroni, reencontrou Rogério Correia, deputado estadual pelo PT e antigo companheiro seu no Sindicato Único dos Trabalhadores em Ensino de Minas (SindiUTE-MG).

“Perguntei ao deputado se as denúncias contra o senador Eduardo Azeredo eram verdadeiras e ele disse que ainda não tinha visto nada. Foi então que ele me mostrou uma cópia desse documento de Furnas”, revela Carceroni. “O Correia me permitiu copiá-lo e disse que teve acesso aos papéis por meio de Nilton Monteiro”, acrescenta. Monteiro é o lobista que recentemente revelou documentos sobre a existência de caixa dois na campanha de Eduardo Azeredo à reeleição do governo de Minas Gerais, em 1998, reconhecidos posteriormente pela Polícia Federal como autênticos.

“Por duas vezes Monteiro mostrou que os documentos que consegue são sólidos. Ele foi o autor, em 2001, de acusações comprovadas de irregularidades no governo do Espírito Santo, gestão PSDB”, lembra Carceroni. “Pelo que soube, neste caso sobre Furnas, Monteiro obteve o documento original com o ex-advogado de Dimas Toledo, fez uma cópia com firma reconhecida e devolveu”, afirma o assessor.

Papel timbrado

O ponto mais intrigante é o fato de o explosivo relatório de caixa dois estar em papel timbrado de Furnas e assinado pelo ex-diretor. “Acredito que Toledo tinha um relatório e recentemente imprimiu em timbrado e assinou a pedido de seu advogado. Devem ter dito a ele que seria apanhado pelas acusações de Roberto Jefferson, que provocaram sua demissão de Furnas, e que ele precisava se proteger”, sustenta.

Assim, convencido da veracidade do documento, Carceroni resolveu divulgar a cópia que obteve do deputado Rogério Correia via internet. “Mandei para grande parte dos maiores veículos de comunicação e encaminhei também ao Ministério Público e à Controladoria Geral da União, pois a denúncia envolve dinheiro público. Não sei se fiz uma ‘doideira’, mas achei que era meu dever”, diz o assessor.

A Polícia Federal está investigando o caso. A assessoria de imprensa da PF em Brasília informou à Fórum, porém, que as investigações em Furnas correm em segredo de Justiça. “O Nilton Monteiro entregou esse relatório à Polícia Federal em Brasília e chegou inclusive a ser interrogado. Eu creio que o caso pode ser comprovado mesmo a partir da cópia do documento”, completa Carceroni. O perito Ricardo Molina, da Unicamp, confirmou que periciou o documento em outubro do ano passado. Pra ele, embora as cópias reprográficas tenham limitações nautrais, "é possível, dentro das ressalvas apontadas, afirmar que o documento questionado não apresenta indícios de manipulação fraudulenta". No entanto, uma verificação definitiva da autenticidade dependeria da análise do documento original.

Saturday, February 04, 2006

Fidel Castro recebe presidente venezuelano que visita Cuba - * Granma Internacional

O presidente cubano, Fidel Castro, recebeu, na madrugada de 3 de fevereiro, o Chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, no aeroporto internacional "José Martí", em Havana, para iniciar sua visita à Ilha.

Os dois líderes se fundiram em um abraço ao pé da escada da aeronave que aterrissou à 1h30 da madrugada.

“Minha saudação ao povo cubano, o amo”, foram as únicas declarações do sorridente Chávez ao grupo de jornalistas que noticiaram sua chegada, antes de sair do aeroporto, acompanhado de seu anfitrião.

O ministro venezuelano de Educação, Aristóbulo Izturiz, e o embaixador de Cuba na Venezuela, Germán Sánchez Otero, acompanharam o Presidente em sua viagem a Havana.

Segundo o programa da visita, Chávez visitará nesta tarde a 15ª Feira Internacional do Livro que será inaugurada emm Havana, a qual estará dedicada à Venezuela, e onde esse país contará com 760 metros quadrados de área expositiva e venderá um milhão de volumes.

Posteriormente, em uma cerimônia solene na Praça da Revolução, receberá o prêmio José Martí, outorgado pela Unesco, em reconhecimento a seu trabalho em prol da integração latino-americana e em defesa da identidade e cultura dos povos da região. (PL

Friday, February 03, 2006

CAIXA DOIS DO TUCANO
Quem é quem e quem recebeu quanto na lista do caixa dois de Furnas


A "Lista de Furnas" - documento sobre um suposto esquema de caixa dois nas eleições de 2002, cuja autenticidade está sob investigação da Polícia Federal - é essencialmente uma lista tucana. Confira nos gráficos abaixo.



Os candidatos do PSDB teriam ficado com mais de dois terços (68,3%) dos R$ 39,9 milhões que teriam sido distribuídos a 156 políticos por empresas fornecedoras da última grande estatal do ramo elétrico. O PFL fica com um segundo lugar bem distante, 9,3%.

Mas, segundo a "Lista", o dinheiro do PSDB não teria sido distribuído por igual. O grosso foi para três candidatos, que disputavam os três cargos mais importantes do esquema eleitoral tucano em 2002: José Serra, que pleiteava a Presidência, Geraldo Alckmin, candidato a governador de São Paulo, e Aécio Neves, que concorreu ao governo de Minas. Os três, conforme a "Lista", teriam ficado com mais da metade do dinheiro do esquema de Furnas. Os demais 153 políticos que constam na "Lista" teriam dividido os 45,4% que restaram.

A f iliação partidária dos 156



O PSDB também é o primeiro colocado em número de políticos entre os 156 citados no esquema que seria operado pelo então presidente de Furnas, Dimas Toledo, levado ao cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. São 47 tucanos na lista, cinco deles candidatos a cargos majoritários. O PFL comparece com 33 candidatos, apenas um a cargo majoritário (senador). Veja a distribuição:

Outro modo interessante de ler o documento em exame na PF é comparar os nomes que constam ali com a relação dos membros da CPI dos Correios, que desde junho do ano passado investiga as denúncias de corrupção no Parlamento.

O primeiro destaque é para o deputado ACM Neto (PFL-BA), que tem se salientado pela estridência de seu desempenho na comissão. Ele teria recebido R$ 75 mil do esquema de Furnas. Quanto ao PSDB, constam da "Lista" três dos seus quatro deputados que são titulares ou suplentes da CPI. Figuram também entre os 156 um membro da CPI dos Correios pertencente ao PL e dois dos quadros do PTB.

Thursday, February 02, 2006

Havana. 2 Fevereiro de 2006 - * Granma Internacional



Chega hoje a Cuba o
presidente Hugo Chávez

O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Rafael Chávez, chega hoje a nosso país para receber o Prêmio Internacional José Martí, da Unesco, que lhe foi conferido recentemente pelo voto unânime de um prestigioso júri.

A entrega do prêmio será na próxima sexta-feira 3, num ato solene na Praça da Revolução José Martí, com a participação de milhares de estudantes de Medicina venezuelanos, bolivianos, cubanos e doutras nacionalidades latino-americanas, acompanhados de uma massa combativa de mais de 200 mil capitalinos.

O presidente Chávez participará previamente na inauguração da Feira Internacional do Livro, neste ano dedicada à República Bolivariana da Venezuela. Sua nova visita a Cuba servirá para continuar estreitando as sólidas e fraternais relações entre os dois governos e contribuirá para impulsionar programas conjuntos em benefício de nossos povos e da América Latina.
Havana. 2 Fevereiro de 2006 - *Granma Internacional



Agonizam dois iemenitas presos na base dos EUA em Guantánammo

WASHINGTON (PL).— Dois dos réus em greve de fome, na base militar estadunidense de Guantánamo, território ocupado ilegalmente em Cuba, agonizavam na quarta-feira, 1º de fevereiro, apesar das tentativas dos carcereiros de alimentá-los pela força, informaram representantes legais dos detentos.

Segundo uma comunicação do grupo Reprive, defensor dos direitos dos detentos, os iemenitas Abu Bakah al-Shamrani e Abu Anas estão extremamente fracos.

"Al-Shamrani só pesa 32 quilos", asseguram os advogados.

O coletivo de advogados precisou que o chamado Acampamento Echo, composto por celas de isolamento, deveio uma "instituição onde se alimenta pela força".

Denunciam que a deterioração dos réus é tal que o caminho de cascalho que dá acesso à instalação foi cimentado para poder transferir os depauperados prisioneiros em cadeiras de roda.

Por seu lado, o jornal británico The Times, em sua edição digital, destacou a tragédia de Shaker Aamer, cuja esposa visitou, semana passada, a Câmera dos Comuns para pedir aos parlamentares que intervenham a favor do preso.

Aamer, que reside na Grã-Bretanha, entrou em greve de fome, em 2 de novembro, exigindo um julgamento justo ou sua libertação.

"O Governo (de Londres) se recusa a ajudar-me. ¿De que serve que minha mulher seja britânica? Os responsáveis pela minha morte serão os governos britânico e estadunidense", foram algumas das frases ditas pelo réu ao advogado Clive Stafford, diretor jurídico da Reprive.

Numa uma visita à prissão, Stafford observou quando o réu tirou, com evidente dor, a sonda que lhe tinham introduzido pelo nariz pela força.

O tubo, precisou o letrado, media 110 centímetros de comprimento e estava manchado de sangue.

Em dezembro, um porta-voz militar reconheceu que 84 prisioneiros tinham aderido ao protesto.

Grupos defensores dos direitos humanos asseguram que o número de presos em inanição é muito superior ao reconhecido pelo comando militar.

A imensa maioria leva recluída mais de três años, sem ter sido acusada oficialmente nem ter acesso a abvogados.
Havana. 2 Fevereiro de 2006 - * Granma Internacional



Cuba e Guiana fortalecerão amizade e cooperação
• Fidel recebe o presidente Bharrat Jagdeo • Ambos
presidem conversações oficiais

POR MIGUEL A. UNTORIA — do jornal Granma

CUBA e Guiana estreitarão suas relações de cooperação e assim foi expresso pelo presidente Fidel Castro e pelo presidente Bharrat Jagdeo, que ontem tiveram conversações oficiais no Palácio da Revolução.

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros recebera anteriormente no aeroporto internacional José Martí o chefe de Estado da República Cooperativa da Guiana, que no próprio terminal aéreo se pronunciou a favor do fortalecimento das relações bilaterais e agradeceu a colaboração da Ilha, principalmente nos setores da saúde e da educação.

Durante um breve diálogo com a imprensa, Fidel expressou que além dos protocolos o momento é de trabalho intenso, a favor dos dois povos.

Pela parte cubana também participaram das conversações oficiais o ministro da Saúde Pública, José Ramón Balaguer; o ministro de Governo, Ricardo Cabrisas; a titular da pasta dos Investimentos Estrangeiros e a Colaboração Econômica, Marta Lomas; o chanceler em funções, Manuel Aguilera e o membro do Conselho de Estado, Carlos Valenciaga.

Acompanharam o presidente Bharrat Jagdeo, a ministra de Serviço Público, Jennifer R. A. Westford, e o diretor-geral de Serviços de Saúde, Bheri S. Ramsaran, ambos membros do Parlamento guianense.

Numa apertada agenda de trabalho, a delegação da Guiana visitará diferentes centros de saúde e dos esportes, e terá encontros com os estudantes guianenses na Cidade de Havana.

O chefe de Estado guianense já visitou nosso país em quatro oportunidades. As excelentes relações bilaterais também se inserem no consenso de posições da Comunidade do Caribe (Caricom) com respeito a Cuba, nas quais se desataca a recusa ao bloqueio.

A cooperação entre os dois países abrange diversos setores como: saúde pública, agropecuária, florestal, construção, pesquisas científicas, aviação civil, pesca, comércio exterior, cultura, educação e esportes.
N O S S A A M E R I C A


Havana. 2 Fevereiro de 2006 - *Digital Granma Internacional



Situação dramática na Bolívia pelas chuvas intensas
• Partiu brigada médica cubana

O presidente Evo Morales qualificou de dramática a situação provocada pelas intensas chuvas em diversos departamentos do país e deu instruções para o imediato deslocamento de ajuda para os danificados.

Após sobrevoar várias zonas afetadas pelas enchentes e de contatar com a população, o presidente dispôs o envio de apoio humanitário e maquinarias para socorrer milhares de pessoas isoladas pela água.

"Os estábulos parecem piscinas, as pastagens, tal como as culturas de soja e cana, estão convertidas en lagoas, a população de Fortín Libertad é um rio", sustentou o Chefe de Estado ao descrever o crítico panorama.

Junto do prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e representantes dos diferentes setores produtivos dessa região, Evo sobrevoou em helicóptero boa parte das zonas alagadas após o vazamento do rio Grande e de outros afluentes.

Indicou que a evacuação das famílias afetadas é uma das tarefas prioritárias, pois muitas populações estão sem comunicação terrestre pelo avanço das águas.

Segundo meios de comunicação bolivianos, foram instalados acampamentos de refúgio em populações como Troncos, Cuatro Cañadas, Okinawa e San Julián. Lá a Defesa Civil, junto das forças armadas, armou barracas para proteger, dar alimentos e atendimento médico aos que cheguem a esses albergues provisionais.

Em resposta imediata ao pedido de apoio internacional feito pelo presidente Evo Morales, um avião cubano partiu para a Bolívia na manhã de quarta-feira, com um carregamento de 15,7 toneladas de medicamentos, 299 mochilas e 40 barracas, meios que serão utilizados por uma Brigada Médica do Contingente Médico Internacional Henry Reeve, integrado por 140 especialistas em Medicina.

O grupo viajou à Bolívia na madrugada de quinta-feira, para apoiar o povo boliviano nas zonas afetadas pelo desastre natural provocado pelas intensas chuvas dos últimos días que ocasionaram vultosos danos materiais e um número crescente de vítimas humanas, informou a AIN.

Por outro lado a PL informou que na segunda-feira 30 chegaram à La Paz mais de vinte assessores cubanos para a campanha de erradicação do analfabetismo, os quais capacitarão o pessoal desse país no uso do método audiovisual "Yo sí puedo".
COMUNICADO DA MACRO

DIA 3 DE FEVEREIRO
POSSE DO CONSELHO DA MACRO E ATO DE APOIO AOS
DEPUTADOS JOÃO PAULO CUNHA, JOSÉ MENTOR E PROFESSOR
LUIZINHO
LOCAL: SEDE DO PT DE SANTOS
Av. Pinheiro Machado (Canal 1) nº 492.
HORÁRIO: 20 hs


Companheiros do PT da Baixada Santista
A Coordenação da Macro convida todos os militantes para participar da
posse do novo Conselho da Macro quando será realizado ATO EM
APOIO AOS MANDATOS POPULARES DO PT ameaçados de
"julgamento político" no Congresso Nacional.
Já esta confirmada a presença dos companheiros: João Paulo Cunha,
José Mentor e do Professor Luizinho.
A posse ocorrerá as 19 horas e a partir das 20 horas será realizado o ato.
O evento ocorrerá no dia 3 de fevereiro na sede do PT de Santos - Av.
Pinheiro Machado (Canal 1) nº 492.
Pela importância da manifestação de apoio aos nossos companheiros
Deputados Federais, solicitamos que essa convocação seja reproduzida
ao máximo.
Saudações Petistas.
Brito Coelho
Coordenador do PT - Baixada
Depois de ter sido cassado como deputado federal (PT) em dezembro passado, em meio ao escândalo do mensalão, Dirceu se afastou da cena pública, à qual retornou hoje em Caracas como em seus velhos tempos de líder estudantil.

Dirceu falou diante de cerca de 80 pessoas em uma tenda montada no Parque del Leste, tradicional área de lazer da capital venezuelana. Em seu discurso, disse que, contra os avanços do Mercosul, encontram-se setores de direita que querem torpedear o esforço integrador para, ao invés disso, defender interesses comerciais particulares.

"Na direita brasileira, por exemplo, há quem diga que no Mercosul há muita política", afirmou, para depois tachar de "hipócritas" a esses setores que, na sua opinião, conspiram para "deter a integração" sul-americana.

Segundo Dirceu, a ascensão de Evo Morales à Presidência da Bolívia dá aos países sul-americanos uma nova dimensão política e complementará a sintonia política que existe entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Néstor Kirchner; e da Venezuela, Hugo Chávez.

"É uma oportunidade única para trabalharmos a integração social, política, econômica, comercial e cultural da América do Sul, e que não pode ser desperdiçada", argumentou Dirceu, que considerou que o Mercosul se transformou em "um processo de emancipação".

O ex-ministro citou como exemplo de convergência política a resistência dos países do bloco à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) proposta defendida por Washington, e disse que o Conselho de Defesa Sul-americano que se pretende criar é uma "iniciativa política histórica".

"Brasil, Argentina e Venezuela são decisivos para a integração sul-americana, que deve ser autônoma e ter o Mercosul como núcleo central", acrescentou o ex-ministro.

Dirceu também avaliou a "revolução bolivariana" e disse que se trata de um processo "único" na América do Sul.

"O Fórum Social Mundial não se realiza em Caracas porque existe um processo revolucionário, mas porque existe um processo com autêntica participação popular", indicou.

Segundo Dirceu, na Venezuela "pela primeira vez, distribui-se os recursos do petróleo em um processo de mudança lento, gradual, mas firme".

Sobre o Brasil, disse que o fortalecimento de seu país se consolidará se, em outubro, Lula for reeleito para um novo mandato de quatro anos.

"Estamos convencidos de que a reeleição do presidente Lula será definitiva para consolidar o processo de reformas que começou no Brasil há três anos", sustentou o ex-ministro.

*Agência EFE